The Doors: O filme – Resenha

Gostamos de cinema e rock, quando essas duas coisas estão juntas então, nem se fala. Hoje falaremos um pouco do filme “The Doors”, que contou a história da banda, homônima ao longa-metragem. Tudo bem que a película exalta muito mais a figura doideira do Jim Morrison (Val Kilmer) que dos outros componentes do grupo, ou a intelectualidade do vocalista (que lançou alguns livros nos EUA).

O filme é de 1991. Foi dirigido pelo renomado diretor Oliver Stone, que ganhou o MTV Movie Awards 1992 (EUA). Stone arrebentou, escolheu o ator Val Kilmer para o papel do lendário Jim Morrison, retratou os shows com ótimos efeitos e adicionou cenas reais ao filme.

O ator mais cotado para o papel era John Travolta, mas Kilmer enviou a Oliver um vídeo onde canta músicas da banda. Isso e o fato de ser muito parecido com o “Rei Lagarto” (como Morrison era conhecido) fez com que ele ganhasse o papel. E ele foi foda naquele filme, para mim, sua melhor atuação.

Para aqueles que não sabem (que devem ter vindo de Marte), o The Doors foi, na segunda metade dos anos 60 e início de 70, uma banda de rock norte-americana. O grupo era composto por Jim Morrison (voz), Ray Manzarek (teclados), Robby Krieger (guitarra) e John Densmore (bateria). A banda tinha influências de Blues, Jazz, Flamenco e Bossa Nova. Foi uma das maiores da história do rock mundial.

O filme conta a vida anárquica de Jim, todo tipo de loucura, paixão e sexo. Algumas amigas minhas detestaram a postura de Morrison, que faz muitas cagadas com sua namorada Pamela Courson (Meg Ryan), mas isso não é nenhuma peculiaridade dos rockstars (risos). O que queremos dizer aqui é: poucas películas fazem jus ao jargão “sexo, drogas e rock and roll” como esta obra de Stone.

Ouvimos dizer que Val Kilmer teve problemas para sair do personagem, andou meio doido, por ter vivido Jim. A atuação dele foi extraordinária, até Ray Manzarek e John Densmore elogiaram publicamente o desempenho de Kilmer.

O filme tem cada “liga torta” (mas muito bacana), como a influência xamânica de Morrison (que ele absorveu depois de presenciar um acidente de carro na estrada, onde um índio teria morrido e espírito do figura virou um “encosto” no rockstar (risos). O filme retrata até o envolvimento amoroso de Jim e a jornalista Patricia Kennealy.

Jim Morrison morreu em 1971, foi cedo demais, assim como muitos, antes e depois dele. Jim influenciou, definitivamente, uma geração que, posteriormente, influenciou outras. Por exemplo, Iggy Pop que decidiu fundar sua banda (Stooges) depois de ver Jim Morrison. Apesar de não gostar do som e da poesia dos Doors, Iggy admirava a postura sensual e misteriosa de Morrison.

Assim, juntando a vontade de criar uma nova sonoridade para o rock, a preocupação com o visual da banda nas apresentações ao vivo, os Stooges marcaram o início de um movimento que culminaria com o punk rock. Mas essa é outra história.

Voltando ao filme, Ray Manzarek (tecladista do Doors) lançou, anos depois, um livro falando de algumas “potocas” de Oliver Stone no filme e que a película conta “de forma horrível” a história da banda. Mas o diretor fez vários pedidos para que Manzarek trabalhasse como consultor no filme. Entretanto, Robbie Krieger (guitarrista dos Doors) foi o consultor, então tá valendo.

Enfim, este site aconselha a todos que não assistiram a fazê-lo. Os que já assistiram e gostam muito de rock e cinema, o assistem de vez em quando. Abraços na geral!

Ficha técnica:

Gênero: Biografia, Drama.
Direção: Oliver Stone.
Elenco: Billy Idol; Val Kilmer; Meg Ryan; Kyle MacLachlan, Frank Whaley, Kevin Dillon e Kathleen Quinlan.
Duração: 140 minutos.
Ano de produção: 1991.
Classificação indicativa: 18 anos.

Assista ao trailer do filme:


Elton Tavares e André Mont’Alverne
*Republicado.

“About Time” (“Questão de Tempo”) – Resenha desse filme sensacional!

No último fim de semana, assisti novamente ao filme “About Time” (“Questão de Tempo”). Um misto de romance, comédia e drama que me fez rir e me emocionar (deu aquele suor nos olhos). Com história fantástica, roteiro sensacional, viagens temporais e trilha agradável, o filme me lembrou experiências tão pessoais e ao mesmo tempo. O longa possui 2h03, mas você nem vê a hora passar, de tão leve e legal que é a película. Ah, a primeira vez que vi esse filmaço foi em 2016.

A trama começa com Tim Lake (Domhnall Gleeson), que, ao completar 21 anos, seu pai (Bill Nighy) revela que os homens de sua família possuem o poder de viajar no tempo. Basta ir para um local escuro e pensar na época e no lugar aonde deseja regressar.

Desajeitado, Tim leva toco de uma amiga de sua irmã (Lydia Wilson), a engraçada e louca varrida Kit Kat e decide mudar pra Londres (ele morava numa cidadezinha da Inglaterra). Na capital inglesa, começa a advogar e conhece Mary (Rachel McAdams). O cara se apaixona perdidamente pela linda e espirituosa, que é fã de literatura e literatura.

O enredo não foca na viagem do tempo, muito menos é uma comédia romântica água-com-açúcar. E longe de um dramão lacrimejante (mas confesso que os ninjas cortadores de cebola ficaram perto de mim em alguns momentos).

Assim como nos também ótimos filmes “Donnie Darko” e “Efeito Borboleta”, Tim descobre que viajar no tempo e alterar o que já aconteceu pode provocar consequências inesperadas.

Com roteiro e direção de Richard Curtis (tenho mania de ir atrás dos responsáveis por filmes legais), “Questão de Tempo”, de 2013, é sensacional. O diretor é o mesmo de “Um lugar chamado Notting Hill”, “Simplesmente amor” e “O Diário de Bridget Jones”. Belo currículo, não?

O enredo muito bem construído é surpreendente e nos faz refletir sobre relação paternal, atenção com as pessoas que nos cercam e amor aos que nos são caros. É uma história lindona, tocante e repleta de lições de vida.

“Nenhuma viagem no tempo faz alguém amar você”. É com essa frase que Tim, o protagonista, sintetiza o filme. “Questão de Tempo” te desperta para o óbvio: viver sem se preocupar com coisas supérfluas e sim com aqueles que amamos. Decididamente, um filme poético, inspirador e que, apesar do suor nos olhos, te deixa feliz.

Assista ao trailer de Questão de Tempo:

Elton Tavares

Amigos & Inimigos- Crônica firmeza de Fernando Canto

Crônica de Fernando Canto

Sempre tive muitos amigos: de infância, de escola, de bar, amigos que fiz no decorrer de uma vida cheia de altos e baixos e que sempre pude contar com eles nas horas que precisei. Não se têm amigos só para jogar conversa fora, brindar em uma comemoração ou para fazer (in)confidências, às vezes mentirosas e desnecessárias. Nesse caso sempre a amizade vai por água abaixo quando uma confidência é espalhada pelos sete cantos da cidade. Já tive “amigos” que supus serem Amigos, que ajudei pensando estar fazendo um bem, e que a ingratidão deles brotou como espinhosa árvore na lavoura que tentei cultivar.

Não falo de inimigos, pois como os ex-amigos, eles não merecem a minha ira. Apenas desprezo o que não quero prezar. Eles são meramente pontos obscuros de referência na encarnação de um maniqueísmo torpe, trivial e vulgar. Amigo mesmo é para contar com ele na hora da necessidade, para se divertir, criar junto e imaginar um mundo melhor. Amigos bons nós desenhamos para que se tornem o modelo da nossa própria utopia.

Talvez fosse desnecessário este preâmbulo para falar de gente que gostamos de graça e nem fosse conveniente registrar numa crônica o apreço que sentimos por certas pessoas que às vezes, por gestos naturais e descomprometidos, nem sabem a extensão do bem que fizeram a nós em determinados períodos de nossa história pessoal.

É verdade que nesse caminhar encontramos amigos dos amigos que não são nossos amigos, mas que os toleramos por respeito à admiração pessoal ao amigo titular. Assim também é verdade que falseamos nossa conduta para não decepcioná-lo, embora acreditando que de falso em falso se chega ao cadafalso.

Machado de Assis dizia em “Ressurreição” que o tempo não conta para a amizade: “Que importa o tempo? Há amigos de oito dias e indiferentes de oito anos”. Talvez o tempo seja o que conta para quebrar os obstáculos que surgem na vida. E dizem que muitas amizades rompidas, um dia voltando, passam a ser mais do que eram, independentemente das diferenças do passado. Voltam mais sólidas e mais maduras. E passam a ver que sempre existiu alguém interessado nesse rompimento. Coisas de novela, mas também coisas da vida.

Pessoas que estimamos passam por provações e se tornam sábias sem saber se são, ou pelo menos não demonstram isso. Há as que têm as almas simples e vivem num mundo aparentemente sofisticado. Mas as almas dos amigos muito se assemelham a casas: algumas delas são cheias de janelas abertas, onde corre ar puro e luz, outras são como prisões, fechadas e escuras, mas que merecem nossa consideração e respeito, porque a alma entende-se a si mesma e o amigo vale a afeição que fazemos valer por ele. Uma alma, mesmo fechada, sempre traz uma luz que pode nos iluminar antes de banhar-se a si própria.

Amigos têm defeitos e mazelas. Por essa imperfeição mútua é que normalmente amizades se atraem, bem como pela admiração recíproca de cada um no seu desempenho social. Uns moldam outros, outros se espelham em alguém. Porém, na amizade só não pode existir a incorporação da personalidade do amigo.

Ela deve ser autêntica e eivada de respeito às idiossincrasias, inclusive pela solidão e ao silêncio do outro. Afinal somos seres em alteridades. Espíritos amigos voam na mesma direção da fonte original e bebem da mesma água fresca. Devem saciar sua sede bem antes que ela seja poluída pelos interesses pessoais de qualquer conspirador. A amizade só é possível pela oportunidade do encontro.

Meu amigo R sempre diz que os inimigos são necessários, pois nos ajudam a refletir para que melhoremos. Não discordo, porque entendo que a vida é uma constante dialética. Mas não ando à caça de inimigos.

Alguns cruzam meus caminhos em momentos que não criei. E, como não tenho um cemitério para enterrá-los como um certo personagem de Jorge Amado, eles que cavem suas próprias sepulturas e façam de suas mortes um renascimento.

O Equinócio de Primavera e o meu amigo Fernando Canto – Crônica de Elton Tavares

Foto: Márcia do Carmo

Em Macapá aconteceu, nesta quarta-feira (22), o Equinócio de Primavera. O fenômeno ocorre duas vezes ao ano, em março batizado como Equinócio das Águas, por conta do aumento do nível das águas e em setembro. O solstício marca o início das estações e faz com que o dia e a noite durem igualmente 12 horas. O segundo equinócio de 2021 acontecerá às 16h31 de hoje. O momento marcará o início da Primavera, em que a terra se inclina fazendo com que a Linha do Equador fique mais próxima da direção do sol.

Em 2012, quando cobri o acontecimento, o Equinócio ocorreu exatamente às 11h49 do dia 22 de setembro daquele ano. A luz do sol ultrapassou a linha imaginária do Equador, por dentro do obelisco do Monumento do Marco Zero. O fenômeno é visualizado em Macapá, única capital brasileira cortada pela linha que divide a terra em dois hemisférios: Norte e Sul. É um belo espetáculo!

Além do calor, show de luzes solares e florescer da natureza, o Equinócio sempre me lembra do amigo Fernando Canto. O escritor, poeta, entre outras tantas coisas porretas, é apaixonado pelo fenômeno natural, como também morre por amores de muitas coisas da nossa Macapá. O amigo até escreveu um livro, em 2004, e o batizou de “EquinoCIO”.

Ilustração de Ronaldo Rony

Dono de frases como: “E cá estou: no mais profundo mar. Sem culpas. Mudando como o sol na manhã de um equinócio da primavera”; “Que o sol em seu esplendor, neste Equinócio de Primavera, nos dê energia para enfrentar o trabalho e iluminar nossos passos pela vida”, “Do outono ou da primavera. Depende de que lado do mundo você está. Escolha o meio” ou parte de um poema: “Ao meio-dia, assombro-me em segredo – Encolhidinho – no equinócio da alma”, Fernando Canto segue a descrever poeticamente o equinócio com mais luz que ele próprio.

Certa vez, pela rede social Facebook, Fernando disse-me: “brother, um bom dia de equinócio pra você. Muita energia e sinta-se A-sombrado (sem-sombra ao meio dia). Constate isso. Acho que da mesma forma como os paraenses saúdam seus conterrâneos dizendo “Bom Círio”, nós, do Amapá deveríamos dizer “Boa Luz para você” ou “Bom equinócio, minha nega”.

Aí pensei: esse cara é mesmo porreta, “fouuuu” (outra expressão dele, que não é “otáro”)!

Ilustração de Ronaldo Rony

Ainda bem que temos muita beleza natural e fenômenos como o equinócio, que acontecem duas vezes ao ano. E ainda melhor que temos pessoas como Fernando Canto, que vivem a cultura e a magia do Amapá e que acontecem o ano todo. Hoje, o espetacular fenômeno rolou às 10h31 (horário de Brasília). Portanto, boa luz pra você!

Elton Tavares

*Crônica do meu livro “Crônicas De Rocha – Sobre bênçãos e canalhices diárias”, que  foi lançado em 2020.

É 18 de setembro e Márcia do Carmo gira a roda da vida. Feliz aniversário, Marcinha! – @carmomarcia

Ser jornalista fez com que eu conhecesse pessoas realmente fantásticas ao longo destes anos de trajetória. E tive a sorte de trabalhar com vários dos melhores profissionais do Amapá. Além de competentes, alguns se mostraram ser pessoas extremamente porretas. É o caso da fotógrafa Márcia do Carmo, que gira a roda da vida hoje.

Marcinha é uma filha zelosa, tia amorosa, amiga prestativa, melhor fotógrafa com quem já trabalhei, fotojornalista de olhar aguçado, cineasta, publicitária, empresária, trabalhadora e batalhadora, além de muito querida amiga deste editor.

Super competente, braba e intrépida, Marcinha é uma pessoa pequena, mas de um talento imenso e um coração gigante. Uma mulher honesta e de caráter, coisa que não podemos dizer de muitos. Ela é uma figura do bem e uma das grandes amigas que fiz nessa profissão.

Minha amizade com Márcia do Carmo foi forjada debaixo de sol e chuva, durante anos de trampo. Já contei aqui e repito que: com ela já fiz viagens malucas em que cobrimos diversos tipos de pautas e em condições adversas. Nós caminhamos na lama, dividimos comida e cervejas pelas estradas e bares do Amapá. Dormimos em carros, barcos e hotéis de qualidade duvidosa. E acreditem, isso são lembranças lindas.

A gente se respeita, se gosta e se ajuda. Sei que posso contar a Marcinha, pois ela já deu provas disso diversas vezes. Essa “retrateira” boçal mora no coração deste gordo e acredito ser recíproco.

Do Carmo, tu sabes o quanto te admiro e respeito. Que tu sigas com saúde sempre e congelando momentos com esse teu feitiço fotográfico. Que a gente ria e beba muito juntos nessa vida, por pelo menos mais uns 51 anos. Tu és foda, considerada e amada.

Obrigado por tudo.  Parabéns pelo teu dia e feliz aniversário!

Elton Tavares

Grande, Tia Biló! – Por Clécio Luís

Foto: Gabriel Flores

O toque de caixa de Marabaixo silenciou no Laguinho e no Amapá, mas os tambores rufaram e ecoaram no céu nesta madrugada, para dar passagem a Tia Biló, o símbolo da nossa resistência cultural, do nosso marabaixo que nos deixou hoje, aos 96 anos anos. Benedita Guilherma Ramos, faleceu neste sábado, 18.

A história de vida da Tia Biló é daquelas para admirar e inspirar tantas gerações de mulheres e homens que aqui vivem.

Benedita Ramos deixa uma história de luta pela preservação da cultura do Batuque e do Marabaixo.

Durante quase um século ela repassou e demonstrou toda a importância que o Marabaixo tem seja no fortalecimento cultural, no crescimento social, histórico e político para todos nós do Amapá.

Foto: Gabriel Flores

Tia Biló, muito Obrigado pelos ensinamentos e por nos repassar o seu amor através do som, da dança, do batuque e da magia de cada Ciclo do Marabaixo que nos encanta e engrandece a cada rodar de saia.

Filha do mestre Julião Ramos, membro da academia de Batuque e Marabaixo, a matriarca da Família Ramos, assumiu a responsabilidade de repassar aos seus filhos, netos e bisnetos todo o amor às raízes e memória das manifestações culturais de nossa terra.

Neste momento de dor, me solidarizo com os familiares e amigos, em especial, a amiga Laura Ramos, filha de Tia Biló.

Que Deus a receba em nova morada. Descanse em paz, grande Tia Biló.

Clécio Luís
Geógrafo, professor, ex-prefeito de Macapá militante da Cultura do Amapá.

Sessão Datas Curiosas: Hoje é o Dia do Sexo!!!

Esse pessoal inventa cada coisa, inclusive dias comemorativos, se é que se pode chamá-los assim. E este site possui uma sessão “datas curiosas”. Bom, hoje (6) é o Dia do Sexo. A origem da data, comemorada desde 2008, se deu por meio de uma campanha de marketing da empresa de preservativos Olla.

De acordo com a peça publicitária, “faltava um dia em homenagem a aquilo que deu origem a tudo”. Ah, como o dia 6 de setembro lembra uma posição sexual das mais conhecidas, os engenhosos publicitários aproveitaram o 6/9=69 (risos).

Para o sexo não existe dia ou hora certa. Claro que cada um de nós possui suas próprias preferências sobre horários e circunstâncias. Vale lembrar que todas as formas de amar e de amor merecem respeito sempre.

De qualquer modo, uma data oficial ou não, simplesmente falar não é o melhor jeito de honrar e celebrar. Bom mesmo é praticar o que todo mundo gosta. Portanto, mandem ver, seja com parceiro fixo ou do jeito que lhe faz feliz.

Se você não tem como aproveitar o dia (ou a noite) dessa inusitada e prazerosa data, estás fudido (a) mesmo.

Portanto, mandem ver e gozem a segunda-feira, literalmente!

Elton Tavares

*Só uma coisinha, essa sessão de Datas Curiosas deste site incomoda alguns, que chegaram a reclamar de tais registros. Ainda bem que todo dia é dia de alguma profissão, atividade ou brincadeira. Desse jeito, dá pra elogiar os familiares e amigos, além de postar coisas bem humoradas. Acreditem, tem gente que não gosta. Mas são somente os amarguinhos que encontramos pela vida.

CNBB alinha-se aos que se repugnam com o discurso de Bolsonaro, que tenta solapar a democracia

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já deixou claramente explícito que a Igreja Católica rejeita enfática e solenemente quaisquer manifestações que pretendam, explícita ou implicitamente, fragilizar as instituições e, em consequência, solapar os pilares da própria democracia.

Num vídeo que até o início da tarde deste domingo já conta com mais de 50 mil visualizações, o presidente da CNBB, dom Walmor Oliveira de Azevedo, faz um apelo à concórdia (“somos irmãos inclusive daqueles com quem não concordamos”), manifesta sua preocupação com o “sentimento de raiva e intolerância” que domina o País, deplora quem incentiva o armamento da população (é o caso do Mitômano, que defende comprar fuzil, em vez de feijão) e exorta a adoção de políticas públicas que voltem sua atenção para as minorias (inclusive os índios, tidos como um estorvo pelo governo Bolsonaro).

Sobre as manifestações programadas para 7 de Setembro, dom Walmor registra uma advertência contundente. “Não se deixe convencer por quem agride os poderes Legislativo e Judiciário. A existência de três poderes impede o totalitarismo, fortalecendo a liberdade de cada pessoa. Impendentemente de suas convicções político-partidárias, não aceite agressões às instituições que sustentam a democracia. Agredir, eliminar, hostilizar, ignorar ou excluir são verbos que não combinam com uma democracia que busca cada mais se consolidar”, afirma o bispo.

Vejam, no vídeo, a íntegra da mensagem do presidente da CNBB.

Fonte: Espaço Aberto.

Tempos pandêmico e a Era do Rivotril – Crônica de Anne Pariz – @annepariz

Crônica de Anne Pariz

Andava na rua e notava a mudança no andar e nos olhares, afinal as máscaras escondem o rosto, mas intensificam os olhares.

Pessoas sorriem com os olhos, não só o olhar nos mostra tristeza e preocupação.

Em tempos assim a sobrecarga psíquica aponta uma realidade alarmante na saúde da população, sobretudo a mental. O crescimento nas vendas de medicamentos para transtornos de ansiedade, insônia e depressão denuncia uma população em sofrimento psíquico maior do que se imagina, segundo dados da Organização Mundial de saúde.

Conversava com um rapaz e ele relatava tranquilamente que com esse tempo pandêmico seu maior amigo, companheiro de cabeceira é o Rivotril, utilizado para problemas de insônia.

Não muito distante ouço a conversa de duas amigas confidenciando que não vivem hoje sem seus “remedinhos” para dormir. Algo preocupante, visto que, o Rivotril é um medicamento que deve ser receitado por médico especialista e em uso contínuo leva ao vício.

Que sociedade estamos nós tornando que temos que utilizar meios para adormecer diante da crise em que estamos vivendo, não só pandêmica, da crise da fome, do desemprego, da dor e do desamor.

A Era do Rivotril é perigosa mas afirmo que mais perigosa é a Era da descrença de uma sociedade mais justa, igualitária, equânime para toda nossa população.

PS: consulte um médico para consumo responsável de medicamentos

*Anne Pariz é cronista, fisioterapeuta e ativista social – 27 de agosto de 2021.

Sobre domingos de quando eu era moleque

Quando eu era moleque, nas manhãs de domingo, acordava com a MPB rolando no toca-discos de vinil, meu pai já tomando uma e minha mãe cozinhava (isso quando não íamos comer fora). O cheiro porreta da broca já exalava na casa. Meu irmão ainda tava na parte de cima do beliche, desmaiado. Eu o acordava pra começarmos a brincar, azucrinar e dominar o mundo.

Papai, sempre carinhoso, nos abraçava e cheirava. Mamãe, também amorosa, mas mais comedida, dava um beijo em cada um dos moleques. Uma vida vivida no amor. É assim até hoje, mas sem o velho Zé Penha. Que saudades!

Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez” – Trecho do poema “Filtro Solar”.

Elton Tavares

Mara Caldas gira a roda da vida. Feliz aniversário, broda!

Tenho alguns companheiros (brothers e brodas) com quem mantenho uma relação de amizade e respeito, mesmo a gente com pouco contato. Sempre digo aqui que gosto de parabenizar neste site as pessoas por quem nutro amizade. Afinal, sou melhor com letras do que com declarações faladas. Acredito que manifestações públicas de afeto são importantes. Neste décimo nono dia de agosto, a amiga Mara Caldas gira a roda da vida e lhe rendo homenagens, pois trata-se de um baita cara menina porreta!

A Mara é professora, servidora pública, mestranda em Cultura Portuguesa na faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL) – sim, lá na terra de Cabral – fã de boa música, livros, viajante do mundo e bons vinhos, além de queridona deste jornalista. Além de inteligentona e letrada em alto nível, é esposa apaixonada do Yurgel e mãe amorosa de um casal de crianças lindas. É bonito de ver/acompanhar o amor deles (entre  ela e o marido e deles com os filhos).

Yurgel, Mara e filhos.

Nem sei desde quando conheço a Mara, mas faz tempo. Ela é uma pessoa agradável, dona de vasta cultura geral, sorridente, gentil, entre outras tantas paideguices. Sobretudo uma mulher do bem. Como a maioria dos meus “brodis”, ela é safa e tem uma visão diferenciada de mundo. Faz parte de algumas das minhas memórias afetivas em relação à época do Colégio e festinhas na Macapá dos anos 90.

Sempre brinco e digo que a gente se ameaça, diz que vai tomar umas e bater papo, mas nunca rola. Não é culpa dela e nem minha, mas sim de nossas vidas (agora da pandemia). Já faz tempo que não nos encontramos, somente interagimos via redes sociais. Mas isso não diminui em nada o nosso “consideramento” recíproco. Noite dessas, fui tomar umas com a Clícia, prima/irmã dela e tirei onda com mensagem no celular ao dizer que ela não foi convidada. Mas logo o gordo aqui forma com ela e Yurgel também, afinal, me prometeram um vinho (risos).

Eu e Mara Caldas – Teatro das Bacabeiras – 2016

Mara, querida amiga, que teu novo ciclo seja ainda mais paid’égua. Que sigas com essa garra, sabedoria, coragem e talento em tudo que te propões a fazer. Que a Força sempre esteja contigo. Que tenhas sempre saúde (muita saúde) e sucesso em sua jornada. Que tudo o que idealizas como felicidade se concretize e que tua vida seja longa. Parabéns pelo teu dia e feliz aniversário!

Elton Tavares

Há 52 anos, rolava o Festival Woodstock – #Woodstock #Woodstock69

Há exatos 52 anos, rolou o Festival de Woodstock. O evento foi realizado, de 15 há 18 de agosto de 1969, em uma fazenda de 600 acres de Max Yasgur, na área rural de Bethel, no estado de Nova York (EUA). Com o objetivo de reunir lendas do rock, a festa levou milhares de jovens até lá. Foi o acontecimento mais importante da história da música.

Anunciado como “Uma Exposição Aquariana: 3 Dias de Paz & Música”, o festival deveria ocorrer originalmente na pequena cidade de Woodstock, mas os moradores locais não aceitaram, o que levou o evento para a Bethel, a uma hora e meia de distância (160 km de NY).

Cerca de 400 mil pessoas invadiram a cidade de Bethel para o Woodstock, onde residiam somente 2.300 cidadãos. Como a organização esperava “apenas” 60 mil pessoas, somando o público de todos os dias, a saída foi improvisar postos de alimentação gratuitos quando eles se depararam com uma massa sete vezes maior. Cidades vizinhas doaram frutas, enlatados e sanduíches.

Até hoje, o Woodstock é considerado um marco na história da música mundial. Mesmo depois de 52 anos, os relatos sobre o festival são de que o mundo parou por três dias de agosto de 69 (número sugestivo, não?) para uma grande confraternização e celebração .

Quem encerrou a festa foi nada mais, nada menos que o maior guitarrista da história. Ele mesmo, Jimi Hendrix. Antes dele, grandes nomes do rock estiveram no palco do festival, como Janis Joplin , Joe Cocker, Santana, Grateful Dead, Joan Baez, The Band, Johnny Winter e The Who.

Além de reunir alguns dos artistas mais consagrados do rock dos anos 60, o Woodstock foi a maior contestação social da juventude da época.

Woodstock pode ser considerada também a festa que teve a maior quantidade de penetras da história mundial. Em contrapartida muitos artistas convidados pensaram duas vezes em participar, The Doors e Led Zeppelin são os exemplos mais famosos. Os produtores até tentaram os The Beatles, que não toparam porque não convidaram a banda da Yoko Ono, obviamente uma negação de John Lennon.

Os que entraram para a História foram aqueles que se arriscaram, público e artistas que participaram e fizeram sua parte. Ao todo foram 35 apresentações. Literalmente eles deram um show.

Setlist dos shows que rolaram em Woodstock:

Richie Havens – Here comes the sun (George Harrison)
Sweetwater – Join the band (Alex Delzoppo, Fred Herrera)
Joan Baez – Diamonds and rust

Santana Oye como va (Tito Puente)
Grateful Dead – Fire on the mountain (Mickey Hart, Robert Hunter)
Janis Joplin Maybe (Richard Barrett)
The Who – My generation (Pete Townshend)

Joe Cocker – With a little help from my friends (John Lennon, Paul McCartney)
The Band – Mystery train (Junior Parker)
Johnny Winter – I smell smoke (Roger Reale, Jon Tiven, Sally Tiven)
Jimi Hendrix – Wait until tomorrow

Fontes: revistas, jornais, sites e nossas conversas de mesa de bar sobre Rock and Roll.

Tanta! (ou seria Tantã?) – Crônica de Elton Tavares

Ilustração de Ronaldo Rony

Estou sem inspiração pra escrever algo legal, por isso republico um texto velho e atual ao mesmo tempo sobre minhas divagações, devaneios, doidices e afins neste site. Como tudo na minha vida foi muito, escrevi “Tanta”, mas poderia ser tantã. Saquem:

Pra começar, foram tantas contradições, tantos temores, tantas pessoas e tantas as histórias nas últimas bem vividas três décadas! (época de moleque não conta). Como diz o tal Rei perneta: “tantas emoções”.

Tantos bons e maus momentos, muitas alegrias e poucos choros. Tantos nascimentos e alguns enterros. Tantas músicas e pouca dança. Tantas paranoias, manias, chatices e porretices. Tanto trabalho (sagrado), tanta farra, muito álcool, tantos muitos amigos (tantos ex -amigos), tantas amanhecidas, algumas brigas, poucas angústias, poucos perdões.

Tanto veneno e pouco antídoto. Tantos escritos, várias interpretações erradas, tanta crítica tanto aplauso e tanto amor familiar. Tantas velhas e novas sensações. Tantos romances cinematográficos. Tantas falsas certezas, tantos enganos verdadeiros. Tantos parágrafos tragicômicos. Tantos sonhos possíveis e impossíveis.

Ilustração de Ronaldo Rony

Tantas expectativas, nada de limites, quantas frustrações. Tantos textos cheios de narrativas utópicas. Tantos amores surreais e paixões à bruta. Tanta coisa maligna. Tanta reprovação geral. Poucas ações a contragosto, muita liberdade!

Tantos Rocks, tantos sambas, tantas trilhas. Tantas brigas, muitas vitórias e poucas derrotas. Tanta coisa inesquecível, tantas saudades!

Tantos méritos e deméritos. Tantas experiências, vivências válidas em sua maioria e algumas em vão. Tantas memórias afetivas, tantas juras, tantas pieguices e tantos desenganos. Tanto Chico Buarque na vitrola, tanta coragem e tanta falta dela. Tantos amores e tanta vida!

Elton Tavares.

*Texto do livro “Crônicas De Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”, de minha autoria, lançado em setembro 2020. 

Olimpíada despertando o que há na memória de uma quase atleta de voleibol – Crônica porreta de Gilvana Santos

A então jogadora de vôlei Gilvana Santos, de camiseta branca, do lado esquerdo da foto – Imagem: arquivo familiar.

Crônica de Gilvana Santos

As Olimpíadas de Tóquio chegaram ao final neste domingo (8), e para nós brasileiros a participação do país podia ter sido fechada com chave de ouro, mas não foi possível. A nossa última chance de ganhar a medalha mais cobiçada tinha que ser em um esporte que caiu no gosto popular, o voleibol. Não deu ouro para a seleção feminina de vôlei, ficou na prata, mas valeu para reavivar nas memórias as minhas incursões e tentativas vãs de me tornar uma atleta de vôlei.

O gosto pela modalidade começou na minha adolescência, nos anos 80, por influência dos meus irmãos Clemerson e Girlane, jogavam vólei. Eu sonhava em ser da Seleção Amapaense de Vôlei para disputar os Jogos Escolares Brasileiros (JEBs).

À época, pensar em viajar para outro Estado era quase impossível, devido às dificuldades financeiras. Meu pai Marçal Batista trabalhava no INCRA e minha mãe Maria Juracy era costureira, para ajudar no sustento dos cinco filhos, porque a grana nunca sobrava, pelo contrário. Nossa vida só melhorou depois que mamãe passou no concurso público da Justiça Federal, de onde é aposentada.

Então, passei a enxergar no vôlei um meio de conhecer outras cidades, com pessoas e culturas diferentes. A prática era incentivada nas aulas de educação física do extinto Território Federal do Amapá.  Clemerson e Girlane estudavam no CA, enquanto que eu e Girlei estudávamos no GM, onde por sorte, tinha uma das melhores treinadoras de vôlei do Amapá, a professora Marli Gibson. Com ela aprendi as técnicas do esporte, o difícil era colocar em prática (risos), mas ainda consegui participar de alguns jogos (foto).

A então dançaria Gilvana Santos, de preto, no centro da foto – Imagem: arquivo familiar.

Nesse período, também houve um grande impulso com a inauguração das quadras de voleibol e basquete na Praça do Barão, no Centro. Era perto de casa, no Laguinho, e todo final de tarde eu ia com minhas irmãs Girlane e Girlei, sempre acompanhadas do Clemerson para tentar uma vaga em um dos times formados para as disputas que se formavam naquele espaço. Meu irmão era da elite, junto com o Bianor, Alcinão e Negrão, só pra citar os que eram mais próximos da família. Era uma festa, juntava os melhores jogadores de todos os bairros. Na “grade” iam formando os times para disputar com os vencedores, e eu, claro, nunca era escolhida porque não tinha domínio da bola (ô coisa difícil essa tal recepção do saque).

Gente, já deu para perceber que eu fui uma péssima jogadora de vôlei, mas tentei, tentei muito. Entrei na escolinha da Marli, que treinava seu time no Ginásio Avertino Ramos. Os treinos eram um sobe e desce interminável das arquibancadas e muita repetição, mas apesar de ser uma levantadora mediana, eu era péssima na recepção, daí não tinha jogo. E o saque? Meu Deus, o meu saque era horrível, dando soquinho embaixo da bola kkkkkkkkkkkk Era tão ruim que a Marli, que também era professora e organizadora das apresentações de dança, na qual eu era beeemmmm melhor, chegou ao ponto de pedir, quase implorando, que eu permanecesse somente no grupo de dança.

Mesmo com esse desempenho sofrível, eu insisti, e ainda consegui ganhar uma medalha, foi no Torneio de Calouros do Cesep – atual Unama, em Belém-PA. Eu organizei o time das alunas do Curso de Economia e também era a capitã. Fizemos a final contra as meninas de Arquitetura, um monte de patricinha, e nós éramos meras mortais, que com humildade levamos o torneio. Claro que para ganhar eu tive que me colocar na reserva e fiquei só administrando de fora do campo.  Não tenho fotos, mas tenho uma testemunha de Macapá, a querida Jacira Gomes, uma das atacantes que fez a diferença nessa conquista.

É meus amigos, vida de atleta não é fácil, ainda mais quando não se tem o talento para a coisa. Então, que esse artigo ajude na reflexão que a Olimpíada de Tóquio deixa, não julgue aqueles que não tiveram êxito, pois só de chegar na disputa já é uma grande conquista. Parabéns aos nossos representantes, e especialmente parabéns às meninas do vôlei, que mesmo desacreditadas, subiram no pódio e ganharam a medalha de prata. Eu? Bem, vou continuar me aventurando, sempre que possível, a bater uma bolinha.

*Gilvana Santos é jornalista, assessora de comunicação e querida amiga medalhista de ouro nas olimpíadas dos corações de seus amigos como eu. (Elton Tavares).