Exposição fotográfica reúne 133 obras que retratam cotidiano em terreiro de candomblé

Cerca de 133 obras são reunidas em exposição fotográfica para retratar cotidiano em terreiro de candomblé — Foto: Silvia Marques/Divulgação

Por Ugor Feio

A exposição “Crônicas visuais de um terreiro de candomblé na Amazônia”, que reúne 133 fotos sobre as atividades cotidianas realizadas no Terreiro do Pai Salvino, pode ser conferida no próprio barracão do local, que fica na Vila dos Oliveiras, no bairro das Pedrinhas, zona sul de Macapá.

A mostra fica exposta por tempo indeterminado e será aberta na segunda (24), a partir das 19h. As imagens são resultado de dois anos e meio de pesquisa da fotógrafa Silvia Marques, professora do colegiado de artes visuais da Universidade Federal do Amapá (Unifap).

A mostra é composta de imagens que revelam as particularidades dos rituais, das festividades, comemorações, ações sociais e demais atividades realizadas no terreiro. Algumas delas são de cunho social e outras não, mas sempre respeitando a tradição e a religiosidade dos frequentadores.

A fotógrafa conta que, apesar de não ser adepta da religião, sente-se honrada em ter tido a chance de realizar os registros que ela considera raros, já que normalmente os rituais não costumam ser fotografados ou filmados. As fotos serão doadas para o terreiro após o término, ainda indefinido, da exposição.

Mostra é resultado de dois anos e meio de pesquisa da fotógrafa Silvia Marques — Foto: Silvia Marques/Divulgação

“No sentido geral, as religiões de matriz africana não têm o hábito de fazer registros de seus rituais religiosos, normalmente a cultura é passada oralmente. Fico honrada em ter tido essa oportunidade e quero deixar essas fotos como um legado para a comunidade”, contou Silvia.

De acordo com a a artista, a atuação do terreiro na comunidade vai além da religião. Ela explica que o babalorixá Pai Salvino ainda pretende fazer uma creche e uma biblioteca no local, futuramente, e destaca ainda a importância do trabalho realizado para a história cultural do estado do Amapá.

‘Crônicas visuais de um terreiro de candomblé na Amazônia’ retrata o cotidiano em um terreiro de candomblé — Foto: Silvia Marques/Divulgação

“É preciso mostrar o quanto a casa de axé é importante para a história da cidade e do estado. Eles fazem um trabalho muito benéfico a toda comunidade, que é pouco reconhecido. Lá [no Pai Salvino] são realizadas ações sociais, que além do conforto espiritual, existem planos de construção de uma biblioteca e uma creche”, destacou.

A abertura dá exposição ocorre junto com a festividade de São João, com início às 19h, com uma procissão. A concentração será em frente à Escola Maria Nazaré Pereira Vasconcelos, depois segue em direção ao terreiro de Pai Salvino.

O evento terá com a participação de comunidades da Carvão, Curiaú e Mazagão, assim como a participação de um padre cristão, que rezará uma “ladainha” (missa rezada em latim). Ao chegar ao terreiro haverá festa ao som do batuque, marabaixo e carimbó.

Serviço:

Abertura da exposição “Crônicas visuais de um terreiro de candomblé na Amazônia” e Festividade de São João
Dia: segunda-feira (24)
Hora: a partir das 19h
Local: Barracão do Pai Salvino
Endereço: Vila dos Oliveiras, 839 – Bairro Pedrinhas

Fonte: G1 Amapá

Eventos sociais e culturais marcam o Dia Estadual do Marabaixo, em Macapá

Foto: Gabriel Penha/Seafro

Por Gabriel Penha

O domingo, 16, foi especial nos barracões que integram a programação do Ciclo do Marabaixo 2019. Na data em que se comemora o Dia Estadual do Marabaixo, programações sociais, rodas de conversas, apresentação de estudantes e, claro, muita caixa rufando.

No grupo Raimundo Ladislau, no bairro do Laguinho, debates que envolveram políticos, movimentos socais e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Na pauta, a implementação de políticas públicas, ações de salvaguarda e projetos, através de emendas parlamentares, para o fortalecimento da maior manifestação cultural do Amapá.

As rodas de conversas também aconteceram no barracão Gertrudes Saturnino, sede do grupo Berço do Marabaixo, no bairro Santa Rita (Favela). Integrantes do grupo fizeram, no sábado, 15, uma ação social com distribuição de sopa em uma área periférica no bairro dos Congós, zona sul de Macapá. Segundo a representante da associação cultural, Valdinete Costa, uma forma de mostrar o lado social e solidário dos marabaixeiros.

No grupo Dica Congó, a programação especial foi coroada com uma rodada de marabaixo. A anfitriã, Elísia Congó, disse que o marabaixo “é resistência e nossa tradição maior”.

A data

A data de 16 de junho é o Dia Estadual do Marabaixo por conta do Projeto de Lei nº 0049/10, do falecido deputado estadual Dalto Martins. A data foi escolhida para homenagear a Santíssima Trindade. Aprovado pela Assembleia Legislativa, a lei foi sancionada em 2010.

Fomento

Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em novembro de 2018, o marabaiaxo recebe apoio do Estado. Para a realização do ciclo 2019, o Governo do Amapá investiu R$ 130 mil, divididos igualmente entre os grupos realizadores.

Marcados pelo culto ao Divino Espírito Santo e à Santíssima Trindade, os festejos seguem até o chamado Domingo do Senhor, primeiro domingo após a celebração de Corpus Christi – este ano, dia 23 de junho, próximo domingo.

Na programação, ainda constam missas, ladainhas, retirada dos mastros pelos grupos, bailes e jantares e demais rituais que se encerram com as derrubadas dos mastros.

Hoje é o Dia de Santo Antônio (o Dia do Amor)

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Hoje é o Dia de Santo Antônio. Somente agora tive tempo de publicar um texto sobre, afinal, temos a Sessão Datas Curiosas neste site.

Também chamado pelos católicos por Santo Antônio de Lisboa ou Santo Antônio de Pádua. De acordo com a história, ele foi inicialmente um frade agostiniano, tendo mais tarde entrado na ordem Franciscana (1220). Nascido em Lisboa no d13450776_10206153164258574_8358576784586467668_nia 15 de agosto entre os anos de 1191 e 1195, ele morreu em Pádua, na Itália, no dia 13 de junho do ano de 1231. Daí a celebração neste dia.

Foi muito conhecido pela sua vida despojada de riquezas, apesar de ter nascido em uma família influente. O seu trabalho com os pobres foi essencial para que fosse rapidamente reconhecido como santo após sua morte.

A canonização de Santo Antônio aconteceu poucos anos após sua morte, e muitos consideram que terá sido uma das canonizações mais rápidas da história.

208010076509598990_BlE1Lsrt_cSanto Antônio é considerado um dos santos mais populares entre os brasileiros e portugueses. No Brasil, Santo Antônio é conhecido por ser o “Santo Casamenteiro”, sendo que o Dia dos Namorados é comemorado no dia 12 de junho no Brasil por ser a véspera do Dia de Santo Antônio. Hoje é que as pessoas que desejam casar ou conseguir um namorado preparam simpatias para Santo Antônio, acompanhadas de orações.

Para a umbanda esto_antonio_exu1 o candomblé, no Brasil, Santo Antônio é sincretizado como Exú, que é um orixá africano, também conhecido como: Exu, Esu, Eshu, Bara, Ibarabo, Legbá, Elegbara, etc. Ou também Ogum, que é o orixá da guerra, capaz de abrir caminhos na vida. Por isso, costuma ser identificado com Santo Antônio, o “santo casamenteiro”.

Exú é o orixá encarregado de ligar o mundo dos espíritos ao mundo material, proteger as fronteiras, as casas, templos, cidades. E também é responsável pelas ligações amorosas, o que faz do dia 13 de junho uma data especial para trabalhos espirituais ligados ao a13453061_1207803865939309_1015662742_omor.Por isso, hoje também é o dia Exú ou Dia do Amor.

Outra denominação para Santo Antônio é Hermes, na Mitologia Grega o Deus da medicina, do comércio e dos ladrões, é também o mensageiro dos deuses.

Dizem que Santo Antônio, quando ainda não era santo, decidiu ajudar duas moças pobres a se casar, não sabia a dor de cabeça que estava criando pra si mesmo. O coitado agora tem que conviver com as ordens pedidos de mulheres que são capazes de qualquer coisa pra acabar com a solteirice. Essa santidade que as moças teimam em deixar de cabeça pra baixo , afogam e até sequestram o Menino Jesus e barganhar o refém por um namorado ou casório.santo

Portanto, hoje é festa junina nas igrejas, terreiros de umbanda e candomblé. Viva a diversidade religiosa e suas denominações sobre divindades e seres encantados, seja Santo Antônio, Hermes ou Exú, meu respeito. Com sua energia e poder, que ele ajude quem ainda não tem um amor . É isso!

Elton Tavares (compilação).
Fontes: Calendar, Tenda Cigana e Raízes Espirituais.

Hoje é o Domingo do Divino Espírito e rola Marabaixo no Laguinho

Por Mariléia Maciel

Hoje é o Domingo do Divino Espírito celebrado por várias religiões, é bíblico. No catolicismo coincide com o Domingo de Petencostes, 50 dias após a ressurreição. O divino é elemento de consagração na cultura do marabaixo, que é fundamentada no calendário católico. Só o Laguinho festeja o Divino no ciclo do marabaixo.

Mas tbem é o Domingo da Murta da Santíssima Trindade , festejada no Laguinho e Favela.

Por isso teve a missa do Divino acompanhada pelos marabaixeiros do laguinho nas igrejas São Benedito e Jesus de Nazaré.

Agora a tarde, os 4 barracões, laguinho e Favela, abrem para começar a celebração para a Santíssima, azul e branco. A roda de marabaixo inicia às 17h, nos 4 barracões, com o cortejo da Murta da Santíssima, e vai até amanhã de manhã, quando os mastros da Santíssima são erguidos.

Foto: Mariléia Maciel

Mais sobre o Domingo do Divino Espírito

Neste domingo, a Igreja Católica faz memória ao grande acontecimento de Pentecostes. Cinquenta dias após a ressurreição, o Espírito Santo desce em forma de línguas de fogo sobre a comunidade apostólica reunida em oração. Celebrar Pentecostes é vivenciar o grande amor divino que se derrama sobre sua Igreja. O Espírito Santo é o afeto e a docilidade divina, manifestada na alegria das diferenças e diversidades. Por este espírito, todas as raças, culturas e tradições podem ser compreendidas, pois expressam uma linguagem nova; a linguagem do amor! Festejar o Espírito Santo é comemorar a diversidade de dons, serviços e ministério, que partem do coração divino para o bem e a para a felicidade comum. Na presença e companhia do Divino, não há medo, tristeza e nem receios, tudo se faz novo, com ardor e impulso! É a vida que se renova, que floresce, transbordando em sons, cores, aromas e sabores.

Foto: Mariléia Maciel

Viva o Divino Consolador! Viva a diversidade! Viva a vida renovada!

Professor Mestre Moisés Prazeres Bezerra

 

Padre impede Dança do Marabaixo dentro da Igreja Jesus de Nazaré, diz Daniela Ramos

Foto: Chico.Terra.Com

Um impasse está estabelecido entre o novo padre titular da Paróquia Jesus de Nazaré, Luiz Miranda, e os marabaixeiros de Macapá, por conta da Festa do Divino Espírito Santo, a ser realizada domingo, 9.

Há muitos anos, os marabaixeiros do Mestre Pavão costumam incluir na programação ao Divino Espírito Santo a realização, pela manhã, de Missa na Igreja Jesus de Nazaré, seguida da Dança do Marabaixo, no interior do templo.

A família de Mestre Pavão procurou o novo pároco, solicitando o cumprimento da tradicional programação. Padre Paulo aquiesceu sobre a celebração da Missa, no entanto não aceitou a dança. O religioso disse a uma filha de Pavão que o Marabaixo pode ser dançado na frente da igreja, mas não dentro.

Foto: Facebook da Daniela Ramos

Na manhã desta quinta-feira, 6, Daniela Ramos, uma das principais militantes da ala jovem do Marabaixo, usou o programa de Rádio Luiz Melo Entrevista (Diário FM 90,9) para protestar e anunciar que vai ao bispo Dom Pedro José Conti reivindicar a continuação da Dança do Marabaixo dentro da Igreja Jesus de Naz aré como parte das homenagens ao Divino Espírito Santo.

“Estamos estarrecidos, revoltados com essa posição do padre Luiz Miranda, novo na Paróquia Jesus de Nazaré e que quer acabar com uma tradição. Nós, do Marabaixo, temos uma ligação muito grande com a Igreja Católica, quase todos somos católicos, são chamados para participar, como devotos, das realizações paroquiais. Vamos ao bispo, ainda hoje, para reverter esta situação”, desabafou Daniela.

Fonte: Diário do Amapá

Governo Federal e grupos tradicionais elaboram políticas de disseminação do marabaixo

Imagem mostra tradicional roda de marabaixo — Foto: Prefeitura de Macapá/Arquivo

Por John Pacheco

Reconhecido no fim de 2018 como patrimônio cultural imaterial do Brasil, as origens e peculiaridades do marabaixo estão sendo discutidas em Brasília por grupos e representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O objetivo é elaborar estratégias para a promoção e disseminação de forma uniforme da manifestação típica das comunidades negras do Amapá.

O encontro reúne representantes dos grupos de marabaixo do estado e membros da Coordenação Geral de Promoção e Sustentabilidade do Departamento de Patrimônio Imaterial. A ação, chamada de salvaguarda, prevê identificar os aspectos que vão liderar as ações de difusão da cultura, seja em escolas, centros e programações alusivas.

O marabaixo é caracterizado pelos cantos e pela dança que narram a luta e a fé dos negros durante a urbanização da capital em paralelo com o avanço do cenário histórico-cultural.

Representantes do marabaixo reunidos com técnicos do instituto — Foto: Iphan/Divulgação

De acordo com o Iphan, os bens culturais e imateriais se caracterizam pelo saber popular através de crenças, ritos, práticas, além de manifestações musicais, plásticas e literárias.

As reuniões para elaboração da salvaguarda iniciaram na quarta (15) e seguem até a quinta-feira (16) na sede do Instituto. Seis representantes do Amapá participam do levante de informações, que foi divivido em quatro eixos:

Mobilização social e alcance da política
Gestão participativa no processo de salvaguarda
Difusão e valorização
Produção e reprodução cultural

Alunos de escola pública aprendem a tocar percussão no ritmo do marabaixo; iniciativa está incluída em política para a cultura — Foto: Rita Torrinha/G1

Para os grupos marabaixeiros, a proposta é difundir a cultura dentro do ensino escolar, além do fortalecimento dos membros fundadores e a expansão do ritmo e da formação nos 16 municípios do estado.

“Apesar de ser nosso, o marabaixo está muito centralizado em Macapá. Precisamos levar para todos os municípios através de um calendário cultural nas cidades, para depois trabalhar na formação de novos integrantes e formação de grupos”, argumentou Elísia Congó, líder do barracão Dica Congó.

O diretor do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan, Hermano Queiroz, destacou que foram adotadas a curto, médio e longo prazos pelo menos dez linhas de ação, que incluem identificação de comunidades, documentação e publicação de memórias e bibliografias dos mestres do marabaixo e a criação do Museu do Marabaixo.

Grupos tradicionais atuam na elaboração de estratégias para divulgação — Foto: Márcia do Carmo/Divulgação

Cultura do marabaixo

A origem do nome remete aos escravos que morriam nos navios negreiros; seus corpos eram jogados na água e os negros cantavam hinos de lamento mar abaixo e mar acima.

Os negros escravizados passaram a fazer promessas aos santos que consagravam, e quando a graça era alcançada se fazia um marabaixo. Sua herança é deixada de pai para filho, e está associada ao fazer religioso do catolicismo popular em louvor a diversos santos padroeiros.

“Os ‘ladrões’ são as músicas do Marabaixo cantadas pelas cantadeiras e pelos cantadores. Algumas pessoas têm a responsabilidade de cantar o ladrão colocando os versos, esses são os puxadores, enquanto outros respondem entoando o refrão, que geralmente é o primeiro verso de cada composição”, detalha o Iphan.

Fonte: G1 Amapá

Espetáculo “Cristo Por Elas” é narrado pelas mulheres que acompanharam a vida de Jesus

O Movimento Cultural Desclassificáveis apresenta o espetáculo “Cristo Por Elas”, a versão contada por mulheres que passaram pela vida de Jesus. O espetáculo será apresentado no Barracão da Tia Gertrudes, como parte da programação do Ciclo do Marabaixo, no sábado (20) de aleluia, às 19h30.

O enredo vai desde os tempos antigos, da adoração a Deusa da fertilidade Ostara, o diálogo sobre humanidade e teologia com a jovem Samaritana ao oferecer-lhe água até o relato do sofrimento silencioso de Maria, mãe do filho de Deus e Maria Madalena com o discurso íntimo sobre seu amor e sua devoção a Jesus.

Cristo Por Elas vão apresentar também os conflitos de fé, vida e morte das irmãs de Lázaro: Marta e Maria de Betânia.

A história sempre foi contada por homens, e a encenação busca o olhar feminino. Quais foram as grandes mulheres que acompanharam Cristo em sua trajetória e qual a importância que elas tiveram?

“A época da Páscoa é um momento de refletir não somente sobre a morte de Cristo, mas também as atitudes do ser humano perante suas virtudes e deficiências”, destaca o diretor da peça, Paulo Alfaia.

A dramaturgia é assinada por Junior Storck, no elenco estão as atrizes Andreia Lopes, Joseanne Karla, Kássia Modesto, Hayam Chandra, Renilda Navegante, Rosa Rente. A iluminação e fotografia é de Nil Costa, sonoplastia está com Thiago Klinghoffer. A maquiagem e adereços são de Jubson Blada. O contra-regra é Luciano Melo, o designer é assinado por Jessyca Santos. A produção é do Movimento Cultural Desclassificáveis e tem como parceiros: Berço do Marabaixo da Favela, Associação Amapaense de Folclore e Cultura popular (AAFCP) e Secretaria Estadual de Cultura (Secult).

A história sempre foi contada por homens, e a encenação busca o olhar feminino – Foto: Mil Costa

Arte Cênica e Cultura Popular

De acordo com o diretor Paulo Alfaia, a parceria com o Berço do Marabaixo vem dando certo, e pelo segundo ano realiza a apresentação da peça durante a maior expressividade cultural do Estado e busca formar uma nova plateia e fortalecer a tradição popular.

“Estamos fazendo esse namoro entre a arte cênica com a cultura popular, as histórias daquele espaço, estamos com nosso bunker no barracão, fazemos saraus, peças e outras apresentações. Há 8 anos realizamos espetáculos na semana santa, e esse é o segundo no barracão”, finalizou.

Serviços:

Espetáculo: “Cristo por Elas”
QUANDO: 20/04 (Sábado da Aleluia)
ONDE: Bunker Desclassificáveis, localizado na Avenida Duque de Caxias, 1203, no Bairro Santa Rita (Barracão da Tia Gertrudes).
HORÁRIO: 19h30
CONTATOS: 991730955

Fonte: Café com Notícias

Páscoa – Por Rubem Alves

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“Ressurreição” – Tela de Pierro della Francesca ( 1410 – 1492 )

Tenho, no meu escritório, uma tela de Pierro della Francesca ( 1410 – 1492 ) chamada “Ressurreição”. A pedra do túmulo corta a tela em duas partes. Na parte de cima, com seu pé sobre a pedra, o Cristo ressuscitado. Na parte inferior, encostados à pedra, os guardas adormecidos. Perguntam-me sobre o sentido da tela. Respondo que não sei o sentido da tela. As telas têm muitos sentidos. Eu só posso dizer os pensamentos que aquele quadro me faz pensar. E digo: enquanto os guardas da morte estão dormindo, o divino que mora em nós sai do sepulcro. Sabem disso as cigarras. Caminhando hoje pela manhã na fazenda Santa Elisa eu ouvi o seu canto. Já haviam deixado suas cascas nos troncos das árvores. Agora são seres alados. Cantam e voam, a procura do amor…Acho que estão celebrando a Páscoa…

Rubem Alves

De Nazaré (conto de Ronaldo Rodrigues)

De Nazaré estava passando em frente ao bar e os outros estivadores assoviaram alegremente, chamando-o para um trago.

Bom de copo como de trabalho, De Nazaré pensou um pouco e concluiu que um convite feito com tanta sinceridade e alegria não poderia ser recusado.

Deixou a pesada cruz encostada ao lado do bar e abriu os braços para os amigos.

Todos gostavam de ouvir De Nazaré cantar, mas ele só fazia isso quando estava bastante embriagado. Então bebeu, de uma só vez, meia garrafa de pinga.

A bebida explodiu quente nas engrenagens cerebrais e despertou o cantor apaixonado que De Nazaré sonhou ser em sua juventude. Abriu a garganta, libertando o pássaro da voz, e fez com que todos ali esquecessem, por alguns instantes, a miséria quotidiana e a coroa de espinhos que eram obrigados a suportar.

Mais do que uma simples distração, as músicas eram um alívio, acentuado pelo entorpecimento da cachaça. Uma trégua para quem tem que colocar a carga do mundo nas costas e encher os porões dos navios.

Depois de algum tempo de cantoria, De Nazaré resolveu ir embora, continuar seu amargo ofício. Era quatro horas da madrugada e ele tinha que carregar mais algumas dezenas de cruzes antes do amanhecer. Homem de palavra, De Nazaré honra os compromissos e nunca deixou uma entrega por fazer.

Os outros estivadores bem que queriam que De Nazaré continuasse a cantoria, mas sabiam que eles mesmos teriam que se retirar para enfrentar o batente. Voltaram à realidade e se foram, deixando os restos de peixe frito para os cachorros do cais.

Sozinho novamente, De Nazaré sentiu os pingos da chuva que começava a cair. Tomou o último gole e, sob a precária iluminação do poste, recolocou a cruz no ombro e caminhou em direção à ponte de tabuinhas irregulares que levava aos navios ancorados na escuridão.

Ronaldo Rodrigues

Peça ‘Uma Cruz para Jesus’ completa 40 anos de exibição na Semana Santa em Macapá

Atores participam de ensaio da peça ‘Uma Cruz para Jesus’, que completa 40 anos em Macapá — Foto: Allan Oliveira/Arquivo Pessoal

Por Ugor Feio

A peça teatral “Uma Cruz Para Jesus” completa 40 anos de apresentações em Macapá durante a Semana Santa de 2019. O espetáculo, exibido gratuitamente, acontecerá no anfiteatro da Fortaleza de São José, na orla da cidade, na quinta-feira (18) e na Sexta-feira da Paixão (19). O espetáculo é considerado um dos maiores a céu aberto do Amapá.

Realizada pela Companhia Teatro de Arena, a peça é gratuita, tem duração de pouco mais de uma hora e conta com a participação voluntária de 120 atores, músicos e produtores. A encenação conta a história desde a criação do mundo – segundo a visão cristã – até a paixão de Jesus Cristo.

Encenação da peça ‘Uma Cruz para Jesus’: um dos momentos mais esperados é a crucificação de Cristo — Foto: Ascom/PMM

Um dos momentos mais esperados é a cena da crucificação de Jesus Cristo, interpretado por Allan Oliveira. Ator veterano encerando o papel pelo décimo ano seguido, ele se despede do espetáculo em 2019.

“A Fortaleza é linda por si própria, já temos o cenário natural que faz o personagem crescer dentro da gente. A própria plateia consegue voltar no tempo e viver a emoção junto com os atores, dessa linda história”, comentou.

Allan Oliveira, que interpreta Cristo, no ensaio da peça ‘Uma Cruz para Jesus’, em Macapá — Foto: Allan Oliveira/Arquivo Pessoal

Outra atriz veterana que já participou do elenco, a professora Socorro Souza, foi conferir um dos ensaios e se emocionou. Ela foi a primeira mulher a interpretar na peça Maria, a mãe de Jesus. Ela se diz agradecida pelo sucesso do espetáculo, porque foi nos bastidores que ela conheceu o marido, o produtor do espetáculo, Amadeu Lobato.

“Estou muito emocionada, meu coração está disparado de alegria. Jesus é tudo na minha vida. Foi na peça que conheci meu primeiro amor. A peça tem o objetivo de mostrar Jesus, porque ele não morre nunca em nosso coração”, disse, emocionada.

Peça começou a ser exibida no fim da década de 1970, em Macapá — Foto: Amadeu Lobato/Arquivo Pessoal

Os ensaios com os atores voluntários e produção do espetáculo acontecem diariamente, abertos ao público, até o dia da primeira exibição, na quinta-feira. Eles ensaios os vários atos da peça já na área externa da fortaleza.

Serviço:

Espetáculo “Uma Cruz Para Jesus”
Dias: 18 e 19 de abril (quinta-feira e sexta-feira)
Hora: 20h
Local: anfiteatro da Fortaleza de São José
Entrada gratuita

Fonte: G1 Amapá

“Estão praticando um terrorismo contra a população brasileira”, diz jurista sobre censura do Supremo

Do jurista Modesto Carvalho, sobre a censura do Supremo à liberdade de Imprensa:

“Toffoli e Moraes cometem vários crimes do código penal. O primeiro deles é o constrangimento ilegal. No exercício de sua função pública, eles estão cometendo violência, invadindo domicílios sob o pretexto de apreender documentos, fazendo censura, aplicando multas contra a imprensa, sobretudo eles estão praticando um terrorismo contra a população brasileira.”
[…]
“Os crimes que Toffoli diz que foram praticados são de injúria, difamação e calúnia, crimes de ação privada, não de ação pública. Numa ação privada, deve-se entrar em juízo para que se possa fazer uma audiência de retratação do veículo [de imprensa], ou dar continuidade ao processo.”

Fonte: Espaço Aberto

Viva São José, o nosso santo padroeiro!

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São José de Macapá, em cima da Pedra do Guindaste – Foto: Márcia do Carmo

Hoje é o Dia de São José de Nazaré, esposo de Maria, pai de Jesus Cristo e padroeiro do Amapá. Por conta da profissão do santo, hoje também é Dia do Carpinteiro e Dia do Marceneiro. São José, que também é padroeiro dos trabalhadores e padroeiro da Bélgica.

Amo o Amapá e Macapá. Nasci e me criei aqui. Por isso, peço a “São Jusa” que interceda contra a criminalidade e trânsito pirado, tudo em larga escala para uma capital tão pequena, entre outras mazelas que assolam essa terra.

São José não protege somente a nós, amapaenses, mas todos que para cá vem viver e contribuir para a melhoria de nossa terra. Pena que, como santo, ele não pune os que só sugam, saqueiam e ainda desdenham da nossa linda Macapá.

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O feriado

Desde a criação de Macapá, São José sempre foi o padroeiro da capital amapaense, mas uma Lei Estadual de 2012 oficializou o santo padroeiro do Amapá, o que fez do dia 19 de março feriado em todo o Estado.

São José é o santo que nunca cansou de ficar de pé na Pedra do Guindaste, de frente para o Amazonas, sempre “vigiando” a nossa capital, contra maldades exteriores.

Enfim, não sou muito religioso, mas respeito a crença de todos. Como diz o poetinha Osmar Junior: “Ô São José da Beira Mar, protegei meu Macapá…”.

Viva o santo carpinteiro, valei-me meu São José!

Elton Tavares

Artigos da PGJ e da bibliotecária do MP-AP compõem a 1ª edição da Revista Festa de São José

A publicação da Diocese de Macapá foi lançada na manhã de domingo (17), na Catedral de São José, com o apoio de instituições públicas como o Ministério Público do Amapá (MP-AP) e da iniciativa privada. A revista, intitulada “Festa de São José”, conta na sua primeira edição com artigos da procuradora-geral de justiça, Ivana Lúcia Franco Cei, e da bibliotecária do MP-AP, Leididaina Araújo.

Com a temática voltada para o Sínodo da Amazônia, a revista foi desenvolvida pela Pastoral da Comunicação da Paróquia São José e escrita por pesquisadores, jornalistas e acadêmicos de jornalismo. Os temas envolvem Religiosidade, Cultura, Políticas Públicas e pesquisas científicas sobre Saúde, Educação Indígena, Sustentabilidade, entre outros temas Socioambientais (Pascom).

Leididaina Araújo, que é Mestre em Ciência da Informação, dissertou sobre “Educação Indígena: modelo pedagógico das escolas indígenas Wajãpi do município de Pedra Branca do Amapari”. A bibliotecária do MP-AP disse estar muito feliz em participar da Revista.

Para Ivana Cei, a satisfação foi grande em poder contribuir para a concretização do projeto e ser uma das convidadas a fazer parte da publicação com o artigo: “Terras amazônicas à vista: orgulho de ser tucuju”.

Venda revista“Incautos e incultos desconhecem a histórica luta dos nossos antepassados em manter integrados ao Brasil os amazônidas”, a partir da crítica inicial, Ivana Cei passa a dar ênfase às características da região e do povo nortista, desconhecidas da maioria dos brasileiros.

“A alma e a cor da região no gingado de um povo destemido, hospitaleiro e amável que sustenta, com orgulho, a bandeira da Amazônia, mesmo diante de tantas adversidades”, ressalta em um trecho da publicação que poderá ser lida na íntegra na revista que está sendo vendida, por um valor simbólico, de R$10 reais.

O recurso arrecadado com as vendas, será destinado para a instalação elétrica que está sendo construída na área externa da Catedral.

SERVIÇO:

Gilvana Santos
Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Amapá
Contato: (96) 3198-1616
E-mail: [email protected]

Revista Festa de São José aborda Religiosidade, Saúde e Educação Indígena e Ambiental

 


No próximo domingo, 17, a Paróquia São José lança a primeira Revista Festa de São José, em honra ao Patrono Universal da Igreja Católica, da Diocese de Macapá, do Estado do Amapá e da cidade de Macapá. O Lançamento vai acontecer logo após a Santa Missa, na Catedral São José.

Com a temática voltada para o Sínodo da Amazônia, a revista foi desenvolvida pela Pastoral da Comunicação da Paróquia São José, e escrita por pesquisadores, jornalistas e acadêmicos de jornalismo. Os temas envolvem Religiosidade, Cultura, Políticas Públicas e pesquisas científicas sobre Saúde, Educação Indígena, Sustentabilidade entre outros temas Socioambientais. O Projeto gráfico foi feito pela Pascom com o apoio do Designer Roberto Almeida. A realização do projeto contou com o apoio de instituições públicas e privadas.

A iniciativa de uma revista se deu a partir da necessidade de conteúdos informativos referentes à Catedral São José e às festividades, com o objetivo enaltecer a espiritualidade, religiosidade e a fé do povo tucuju, promovendo a tradição cultural, histórica, litúrgica, teológica e social.

A Revista Festa de São José I edição será vendida por apenas 10 reais, durante as missas, e no dia 19 de março, Dia de São José. Todo recurso arrecadado com as vendas da revista será destinado para a manutenção da instalação elétrica que já está sendo feita na Catedral São José.

Comunicação da Festa de São José – Pascom São José
Contato: (96)991807036