Se vivo, David Bowie faria 74 anos hoje – Happy birthday, Starman!

Se vivo, David Bowie, um dos caras mais fodas que andaram sobre a terra, completaria 74 anos hoje. Reverenciado pelos amantes do Rock, o velho “Camaleão” possuía status de estrela de primeira grandeza no universo musical. Pois o cara foi um genial louco varrido. David morreu em 11 de janeiro de 2016.

Puta compositor, cantor e músico, David também possuía uma performance peculiar, muita atitude e um visual que encheu os olhos do mundo dos anos 60 pra cá. Com um estilo ímpar, foi o astro de Rock que mais mudou de cara e cabelos na história. Também revolucionou a história dos videoclipes algumas vezes.

Um cara que começou a tocar saxofone aos 12 anos e recusou quando a Rainha da Inglaterra o quis transformar em “Sir”. Para qualquer pessoa, dispensar tal honraria já seria algo inusitado. No caso dele, que é inglês, achei firmeza!

Além de ter feito tantas músicas incríveis e nos presentear com uma das melhores discografias da história, Bowie também foi um sujeito firmeza, pois ajudou vários Brothers em suas respectivas carreiras. Ah, ele também desenhava, pintava, esculpia e escrevia.

Quatro dias antes de morrer, no dia 7 de janeiro de 2016, ele lançou o clipe de ‘Lazarus’, faixa de seu último álbum, “Blackstar”.

Bowie possui uma das melhores discografias de todos os tempos. Aliás, o Camaleão do Rock vendeu mais de 140 milhões de discos em toda sua carreira.

Por tudo que David fez nestas cinco décadas de rock’n’roll e o que ele representa para a história da música, digo: não à toa, ele é um dos meus “heroes”. Ao papa da música pop, rock, arte e cultura, minhas homenagens. E palmas para o cara, que ele foi PHoda!

Elton Tavares

Música de agora: The Sweetest Thing (U2) – com a história do melhor de todos os pedidos de desculpa

Bono Vox, vocalista da banda U2, escreveu, em 1986, a música “Sweetest Thing” para sua esposa Ali Hewson. A canção foi um pedido de desculpas, por ele ter perdido o aniversário da patroa naquele ano.

A música é muito legal, mas bacana mesmo é o videoclipe, sem cortes e com muita cafonice (pois como já disse um poeta amigo meu: o amor é cafona), filmado somente em 1998, para o disco “Best Off”, da banda irlandesa. Com toda certeza, são as desculpas mais criativas e engraçadas que já vi.

No clip, Bono faz um trajeto dentro de uma carruagem, onde ele fica sempre em primeiro plano, como se estivesse em frente a Ali (e realmente está).

Ao fundo, várias situações acontecem, como a aparição dos outros componentes do U2, uma banda instrumental, bonecos gigantes, tudo como se eles estivessem em uma grande parada, com o simples intuito de pedir desculpas.

Reconhecer erros e pedir desculpas é fundamental para aliviar a alma. Se aceitas, ficamos felizes.

Elton Tavares

Assistam o vídeo da canção, com a letra traduzida abaixo:

The Sweetest Thing (A Coisa Mais Doce) -U2

Meu amor, ela me atira como a uma bola de borracha
(Oh oh oh a coisa mais doce!)
Mas ela não me apanha ou detém minha queda
(Oh oh oh a coisa mais doce!)
A neném tem céus azuis sobre a cabeça
Mas neste eu sou uma nuvem de chuva
Você sabe que ela gosta de um tipo de amor seco
(Oh oh oh a coisa mais doce!)
Estou perdendo você
O amor não é a coisa mais doce?

Eu queria fugir, ela me fez rastejar
(Oh oh oh a coisa mais doce!)
Fogo eterno, ela me transformou em palha
(Oh oh oh a coisa mais doce!)
Você sabe que tenho olhos pretos
Mas eles ardem tão intensamente por ela
Acho que é um tipo de amor cego
(Oh oh oh a coisa mais doce!)

Estou perdendo você…
O amor não é a coisa mais doce?
O amor não é a coisa mais doce?

Rapaz de olhos azuis encontra uma garota de olhos castanhos
(Oh oh oh a coisa mais doce!)
Você pode costurar mas ainda vê o rasgo
(Oh oh oh a coisa mais doce!)
A neném tem céus azuis sobre a cabeça
Mas neste eu sou uma nuvem de chuva
Você sabe que temos um tipo de amor tempestuoso
(Oh oh oh a coisa mais doce!)

E hoje em dia, como é que se diz “Eu te amo” ?

Ilustração: Milton Keneddy (encontrada na página: http://miltonkennedy.blogspot.com/2010/03/aries-com-ascendente-em-peixes.html)

Sempre que escuto a velha Legião Urbana, entro em um portal do tempo/espaço e a cabeça viaja para um montão de memórias afetivas e pessoas, situações e etc. Música é fogo, nos transporta para antigos lugares e reflexões distintas.

Certa vez, há mais de uma década, em meio às canções (e entre as paixões, como diria Milton), que foram trilha sonora da longínqua adolescência, li um recado da Lorena Queiroz, minha prima “Loloca”, que morava em Brasília (DF) na época e hoje em dia está em Florianópolis (SC). Nele, ela disse: “Aí primo…quando leio estas coisas, até me aperta o coração, também te amo e morro de saudades. Beijo!.” (eu havia deixado na página dela do extinto Orkut duas palavras: te amo).

Vou explicar. Sou um cara cascudo, brabo, encrenqueiro, irônico e genioso, mas também sou amoroso com minha família e amigos. É uma sequência de “eu te amo para cá”, “eu te amo para lá” e assim vai. Isso acontece todos os dias, seja ao acordar e dar um beijo na minha mãe, ao telefone com o meu irmão (que mora em Belém), quando vou à casa da minha avó e digo “eu te amo” a ela e minha tia. Foi assim com várias outras pessoas que amo. Sim, amo uma porrada de gente, graças a Deus!

Não tenho vergonha de dizer “eu te amo”, principalmente quando sinto muita vontade. Sabem por que? Em 1996, meu avô faleceu em um acidente automobilístico. Eu estava em Belém, de férias. Retornei à Macapá e meu saudoso pai estava arrasado. Quando perguntei como ele estava, Zé penha (meu velho) foi categórico:

“Ta foda!”, e um “tá foda” descreve muito bem aquela situação. O que me marcou foi quando ele disse: “Nunca disse ao meu pai que eu o amava e eu nunca mais deixarei de fazer isso”.

Ilustração: Milton Keneddy (encontrada na página: http://miltonkennedy.blogspot.com/2010/03/aries-com-ascendente-em-peixes.html)

Aquilo foi um toque, desde então, não parei de declarar meu amor aos meus. Acredito que precisamos sempre dizer que amamos as pessoas que realmente amamos, seja um parente direto ou alguém que vale muito para você. Muitos lerão isso aqui e vão achar que é frescura ou algo assim, mas parafraseando o velho Renato (duas vezes): “O mundo anda tão complicado. E hoje em dia, como é que se diz: “Eu te amo.”?

Se você é um cara daqueles antigões, que acha isso uma grande besteira, tente bicho, verás como é legal. Afinal, esquisito é não expressar nada, isso sim é bobagem. Então fica a dica, digam “eu te amo” para seus pais, filhos, irmãos, parentes, cônjuges e amigos, se isso for “de rocha”, claro.

Valeu, Nilson. Até a próxima vez!

Homenagem do artista Andrew Punk

Sou razoavelmente bom em escrever textos de parabéns, mas não obituários. Difícil demais falar da passagem de amigos. Na noite de ontem (16), o competente advogado, pai apaixonado de dois moleques lindões, marido dedicado, contrabaixista (membro fundador da banda The Malk), maçon, flamenguista, amante de rock’n’roll, um dos maiores fãs de Cure e Smiths que conheço e brother das antigas da galera, Nilson Montoril Júnior, partiu para as estrelas.

Nilson no canto inferior esquerdo. Foto: arquivo de Elton Tavares

Nilson tinha vencido a Covid-19, após muitos dias de batalha, mas sofreu um infarto e partiu. Eu não era seu amigo de infância, como muitos queridos em comum e nem nunca fui de andar com o Montoril.

Gostava do cara, mas nem sempre foi assim. Na verdade, no final dos anos 90, tínhamos uma antipatia recíproca, natural de gordos boçais e metidos a besta (risos). Adroaldo e Adriano, amigos dele e meus também, sabiam.

Nilson no palco, tocando ao lado do Adriano. Foto: arquivo de Elton Tavares

Certa vez, perguntei ao Adroaldo: “Qual o motivo de vocês andarem com um cara genioso, brigão, safo, porém arrogante?”. O “Astro” disse: “Ele é amigo. Você precisa conhecê-lo melhor”. Realmente, o Nilson, ou “Maisena”, era um cara porreta. E todos os defeitos que eu enxergava nele eram também meus, do mesmo jeitinho. Claro que era rixa abestada, vencida pela convivência e amigos em comum. Sua lista de feitos nobres em prol dos amigos é extensa.

Foto: arquivo de Elton Tavares

Depois, o Montoril virou brother. Mesmo assim, discordávamos quase sempre. Aprendi a gostar dele. E acredito que ele de mim. Em 2004, ele e outros amigos fundaram a The Malk, a melhor banda cover de rock anos 80 e 90 que tivemos no Amapá. A gente ia aonde os caras tocavam. Bons tempos aqueles. Ele era uma espécie de Paul McCartney do grupo: meio rabugento, mas essencial para a organização de shows, ensaios e, consequentemente, sucessos que fizeram na época.

The Malk. Foto: arquivo de Elton Tavares

Lembro dele tocando em aniversários de amigos, no Liverpool, em boates. A gente sempre tava lá. Lembro quando ele se uniu ao Evandro e abriram o escritório de advocacia. Sempre torci pelo sucesso deles. Lembro dele brigando com o Adriano por ter esquecido algum instrumento ou com alguém da banda por um erro, após dias de ensaio. Ele sempre queria fazer o melhor. Tenho lembranças dele me convidando para entrar na Ordem Maçônica ou para um CarnaRock, convites que sempre recusei. O Nilson sabia dos meus motivos, mas não desistia de tentar me incluir.

Nilson com a gente, antes do show do Morrissey. Brasília (DF) – 2015. Foto: arquivo de Elton Tavares

Nos encontramos no show do Morrissey, em Brasília (DF), em 2015. Após um bom tempo, foi legal conversar com o cara de novo. Já no ano passado, a The Malk se reuniu e fez um Tributo ao The Cure. Quando cheguei no Bar do Vila, local da apresentação, Nilson disse:”porra, pensava que tu não vinha”. Como eu poderia deixar de ir? A música sempre nos uniu.

The Malk, em show antológico de 2019. Foto: arquivo de Elton Tavares

Cheguei a conversar com o brother no dia 8 de novembro. Nunca imaginaria que seria o último papo. A verdade é que o Montoril tinha personalidade, não queria e nem tentava ser legalzão e mesmo assim e era “considerado”. Sim, a gente gostava dele. Era um cara muito inteligente, profissional, responsável e absurdamente louco por sua família e amigos.

Minhas sinceras condolências ao professor Nilson, pai dele (amigo de meu avô e de minha família), sua mãe, irmã Débora, sua esposa Aneliza, aos seus filhos Lucas e Gustavo, estendo aos demais familiares e amigos enlutados.

Com o Nilson, em 2016, no TRE/AP.

Posso viver muito, mas nunca vou me acostumar com a partida de alguém querido. Quando chega o momento, sempre concordo com o escritor Mario Quintana: “a morte chega pontualmente na hora incerta”. Imagino como estão os seus amigos que eram mais amigos dele do que eu. Se aqui já doeu, alvará neles. Li o post do Marco Leal no Facebook e doeu mais um pouco. É assim mesmo.

A morte do Nilson dói, pois além da partida de um cara bacana, morre parte do passado, de nossas memórias afetivas. O fato é que sentiremos saudades. Hoje é um dia Triste. Até a próxima vez, Montora. Que tu sigas na paz e pela luz.

Elton Tavares

Cinco anos do show de Morrissey, em Brasília

Steven Patrick Morrissey, tido para muitos como o maior inglês vivo, fez um show dia 29 de novembro de 2015, em Brasília (DF). A apresentação rolou na casa de espetáculos NET Live. Eu e um grupo de amigos, irmão e cunhada, estávamos lá. Foi um daqueles momentos únicos na vida. Há exatos cinco anos e um dia.

Com sua inconfundível voz, topete, dancinhas e jeito marrento, Morrissey fez uma apresentação para fãs de sua carreira solo. Mas também levou três canções dos Smiths, sua antiga banda.

Nós ficamos na Pista Premium, pertinho da lenda viva do rock alternativo britânico. Foi um lance quase inacreditável, pois passamos a vida cultuando o artista e ele tava ali, a metros de nós. Muito doido!

O show iniciou às 21h30. O cantor, ex-integrante da banda Smiths, abriu logo com Suedehead, um de seus maiores sucessos.

Para os fãs somente dos Smiths, o repertório talvez tenha decepcionado, mas Morrissey já fez o mesmo em outros shows dessa turnê, denominada “World Peace Is None of Your Business”, aliás é o mesmo nome de uma das canções executadas no show.

Mas Morrissey possui uma carreira solo sólida e de muito sucesso. Não à toa a casa de shows estava lotada com um público ávido por escutar suas canções. E teve de tudo, desde o cara tirar a camisa e jogar para a plateia a ativismo contra o consumo de carne (o cantor inglês é vegetariano e acredita que matar animais para consumo é assassinato).

Suedehead, Everyday Is Like Sunday, First of the Gang to Die e This Charming Man levantaram o público e matou a sede até dos que queriam escutar Smiths.

Com 30 anos de carreira e 56 de idade (na época), Morrissey se recuperava de vários problemas de saúde, o mais grave é um câncer no esôfago, mas apesar disso, o cara mandou muito bem, pois foi um show de 2h10 de duração, cheio de energia, atitude e talento, muito talento. Mas dizer isso deste ilustre britânico é uma redundância tremenda.

Estou muito feliz por ter vivido aquilo, principalmente com o Emerson (meu irmão), Andresa (cunhada), Anderson, Adê, Cid e Patrick, todos companheiros de aventura, viagem e grandes amigos nessa doideira que é a vida. É, trabalhamos muito, mas fazemos o que amamos. Com toda a certeza, um domingo inesquecível.

Ah, outra coisa muito legal é que fotografei um dos maiores mitos da história do rock e constatei que, definitivamente a Rainha Não está Morta. Vida longa ao Moz!

Elton Tavares – Texto e fotos

Sobre tardes de sábado, luthiers e contrabaixos – Crônica de Manoel do Vale

Foto: Manoel do Vale

Crônica de Manoel do Vale

16h15.

Abro a grade do portão com os olhos procurando uma nuvem no horizonte que anunciasse chuva ou um tempo mais fechado. Nada, além umas patéticas nuvens esparsas ordenadas em finas colunas, se diluindo no azul, como se fossem as costelas de um carneiro bem magro.

Calculei tempo de deslocamento de bike do Centro até à rua Socialismo, indo pelo Pantanal, no Renascer. A missão: chegar à oficina do Helder Melo.

Baixista com lugar na história da trilha sonora da cidade de Macapá (e região amazônica), Helder é um dos mais novos e dedicados profissionais da luthieria aqui na cidade, arte que o ajudou a superar as crises e garantir saúde e uma renda que lhe assegura investir mais e melhor no oficio que é também uma paixão.

Foto: Manoel do Vale

Um amigo me presentou (compulsoriamente) com um meio zoado violão esquecido em meu ap. Gosto de violões e olhar aquele coitado pedindo um dono cortava meu coração. Decidi adotá-lo, pois estava precisando de cuidados profissionais. E isso faz um tempo já.

Tempo limpo, empenhei pedalada ao Renascer, onde iria dar vida nova ao instrumento. Pelos cálculos dava pra ir e voltar antes do apagão que aterroriza a cidade após cada novo crepúsculo.

Helder mora em uma casa de tez sóbria, onde as plantas ocupam bom espaço. Ali ele vive com a mulher e um filho e mais uns 30 instrumentos, entre contrabaixos e violões.

Foto: Manoel do Vale

O contrabaixista que desponta como um profissional de time grande na luthieria local, faz parte da história moderna da música amapaense, que, em meados da primeira década deste século, quando o rock e suas ramificações e influências caiam feito chuva na cabeça da juventude (hoje na faixa dos 40 anos) que botou o Amapá na trilha dos festivais, com Quebramar e Amapá Jazz, duas grandes vitrines da música do amapaense, e seu portal de acesso às experiências exteriores na cena da música contemporânea brasileira e mundial.

Legal quando você vai à oficina do profissional e lá o vê emergir do fundo de todos aqueles elementos que compõem seu universo, onde conserta e cria contrabaixos e também vai dar um up no meu combalido violão.

Helder Melo – Foto: Manoel do Vale

Em seu diminuto universo, Helder Melo falou de atitude, paixão e ídolos na constelação dos luthiers e me mostrou o som diferente de uma peça que ele estava trabalhando, uma aquisição totalmente restaurada. Tocou este e mais um baixolão. Instrumento que nunca tinha visto de perto.

Sai de lá pensando e fazer música.

Site De Rocha completa 11 anos no ar

Parece que foi ontem, mas já faz 11 anos. O ano de 2009 foi bem legal, mas as duas coisas que mais gostei nele foram o show do Radiohead e a criação do blog De Rocha.

Incentivado por uma ex-namorada, comecei escrever na página virtual. Foi no dia 15 de novembro, há exatos 11 verões e um dia.

A gíria “De Rocha” nomeia este site porque nós, grande parte dos nortistas amapaenses e paraenses, a usamos quando queremos passar credibilidade sobre determinado assunto.

Na página, sempre publiquei fotografias, notícias, músicas, poesias, futebol, crônicas, contos, gifs, informes sobre fatos, eventos, pessoas públicas, bandas, arte, muita arte, e assuntos de interesse da população.

A promoção da cultura, em todas as suas vertentes, sempre foi o principal objetivo do De Rocha, além de expor meus pontos de vista, críticas leves e pesadas ou elogios amenos e exagerados aos que merecem. Foram tantos artistas, músicos, bandas, incontáveis eventos. Também publiquei textos do trampo por onde passei como assessor de comunicação. Além disso, falei muito da minha amada e preciosíssima família. E isso tudo misturando blá-blá-blá abobrístico, pois a vida sem humor é horrível.

Apesar da “internet soviética”, como diz o amigo jornalista Régis Sanches (ex-colaborador deste site), dos acusadores, fiscais e críticos, o De Rocha virou sucesso. Confesso que, quando comecei a escrever, nem imaginava que minha página virtual seria tão bem aceita. Isso aqui abriu portais, portas, janelas, gavetas e até alçapões em minha vida (risos).

Sei que rolou muito atrevimento, ironia, polêmicas, sarcasmo, verdades doloridas de se ler, alfinetadas, acidez e até bobagens de minha parte. Mas também rolou tanta homenagem, tanto amor real, tanta coisa legal. Claro que cometi alguns erros, não poderia ser de outro jeito. Mas tudo é aprendizado. Me arrependo de ter magoado algumas pessoas. De verdade!

Por aqui passaram vários colaboradores. Alguns deles nem são mais meus amigos, mas sou grato pelas contribuições. Cada um teve papel importante na formação deste espaço. Também agradeço aos parceiros que continuam por aqui. Em especial aos amigos Fernando Canto, Ronaldo Rodrigues, Jaci Rocha, Patrícia Andrade, Alcinéa Cavalcante, Luiz Jorge, Marcelo Guido e Marcelle Nunes, além do velho e saudoso Tãgaha Luz (In memoriam). Ah, os caras que fazem a manutenção do boteco: Rômulo Ramos e Laerte Diniz. Obrigado, meninas e caras.

O blog morreu há seis anos, quando foi criada esta página eletrônica (dados do antigo endereço foram migrados para cá). Passado todo esse tempo, mantenho-me como comecei: jornalista, assessor de comunicação, compulsivo por atualizações da página, cronista, crítico, ex-blogueiro e editor de um site ético sem rabo preso com ninguém (apesar de muita gente confundir o espaço dado a amigos assessores com favorecimento).

Tenho a ousadia de usar as palavras do escritor Caio Fernando Abreu: “acho que fiz tudo do jeito melhor, meio torto, talvez, mas tenho tentado da maneira mais bonita que sei”. Uma eterna luta do bem contra o mal dentro de mim, mas com 99% de vitórias da luz.

Ah, desculpem os palavrões em alguns textos, mas isso também é liberdade de expressão.

Muitas das crônicas de minha autoria foram reunidas em um livro, o “Crônicas De Rocha – Sobre Bençãos e Canalhices Diárias”, lançado em setembro passado (à venda na Public Livraria ao preço de R$ 30,00 ou comigo. Contato: 96-99147-4038).

Aqui a bola sempre foi minha. Você pode discordar, mas é isso o que penso e ponto. Com essa frase, agradei a maioria. Meu muito obrigado a vocês, senhores e senhoras que compõem o leitorado do De Rocha, sejam admiradores, críticos e detonadores (que de certa forma também são admiradores). Sigamos aplaudindo, criticando, discordando e incentivando as boas práticas. Valeu!

Elton Tavares

Discos que formaram meu caráter: 25 anos de lançamento do disco “Lavô tá Novo” – Raimundos (1995) – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Salve moçada! Encarcerados em casa por uma boa razão, fiquemos ligados porque o bicho tá pegando! O viajante das notas, solos e riffs vem de longe com sua nave, munido de máscaras, álcool gel e sons para falar de mais uma bela bolacha sonora. Apertem os cintos e aumentem o som para:

“Lavô tá Novo”, o segundo trabalho dos caras dos Raimundos. Podem ficar de pé e aplaudir.

Corria o ano de 1995, o Brasil vivia a ressaca do tetra, Romário era o melhor do mundo e caía nos braços da nação rubro negra, o Real valia pra caralho e o povo tinha elegido o ministro responsável pela bonança; eram os primórdios do governo FHC.

No campo musical, o rock estava batendo de frente com axé e sertanejo nas rádios e na televisão, uma enxurrada de bandas boas de todo lugar do Brasil fazia a molecada bater a cabeça sem parar, nas festas, bailes e afins.

Vivendo os louros conquistados pelo lançamento do primeiro disco (que já falei aqui), os Raimundos viviam a tensão do segundo disco. Sim, o fantasma da cobrança assombrava os caras; é difícil lançar um trabalho tão relevante quando o primeiro é muito bom. Seria os Raimundos uma banda de um disco só? A história provou o contrário.

Entre junho e setembro de 1995, Rodolfo, Fred, Digão e Caniço entraram em estúdio, cheios de moral com a gravadora e recrutaram Mark Dearnley, que já tinha no currículo Ozzy, AC/DC e Motorhead. Ou seja, o som seria porradaria novamente.

As letras magistralmente escatológicas, com a mistura do forró com hardcore e a participação do sanfoneiro Zenilton deixam claro que essa era a marca da banda: ousar sempre.

Em 2 de novembro de 1995, o disco saiu para ganhar o imaginário coletivo e consolidar a banda como um dos expoentes da nova safra roqueira no país do futebol e carnaval, os Raimundos realmente tinham vindo para ficar.

Deixemos as chorumelas de lado e vamos logo dissecar esse belo apetrecho musical:

O disco começa a mil por hora com “Tora Tora”, com um riff seco no começo e cheia de referências à maconha, ensinava a manha da ariranha que proibia de contar pro pai, e diz que vem ele não vai. “Eu quero ver o oco”, gíria dos calangos do cerrado para confusão, história de opalão. “Opa! Peraí, Caceta”, ela gosta do saco grande porque quando balança enche o cu de terra, menção honrosa ao herói Sidney Magal. “O Pão da Minha Prima”, cover do Zenilton, homenagem a prima gostosa. “Pintando no Kombão”, história de uma certa perua que carregava as bandas de Brasília. “Bestinha”, saga de uma mina novinha, mas muito pra frente.

“Esporrei na Manivela”, clássico da 5º série. “Tá Querendo Desquitar”, outro clássico do Zenilton, a história de seu Vavá com uma nova roupagem. “Sereia da Pedreira”, a saudade plena daquele amor sujo e escuso e gostoso. “I Saw You Saying (That You Say That You Saw), a dificuldade de se encontrar a Madonna, e não saber falar inglês. “Cabeça do Bode”, uma larica selvagem, tem a participação do X. “Herbocinética” uma homenagem à erva.

Putaquepariu que disco foda! Redondinho da primeira à última música.

Com certeza um dos discos que eu mais ouvi em toda minha vida e, com certeza – de novo, moldou não só o meu caráter, mas o de muitos que ouviram.

Mais de 400 mil cópias vendidas logo de cara; se algum cristão não conhece nem deve sonhar com medalha de foda.

Este disco mostrou que os Raimundos não eram aquela banda engraçadinha que seria só uma febre de um verão; afastou os caras do grande público pop, que se pauta em modinhas (sorte dos Mamonas Assassinas que ficaram com eles), tornou os moleques de Brasília uma consolidada banda de respeito, e provou sim que os caras realmente tinham um caminhão de hits.

Tanta referência à maconha, quase fez o disco se chamar “Dedo Amarelo”, sinceramente não entendi (risos).

Um dos melhores discos de rock já feitos no Brasil; didático, aprendemos nele que o coletivo é muito bom pra nossa raça, que em inglês ovo é egg , que a rainha do pop não entende uma palavra em português, a manha da ariranha e que falar da vida alheia é feio.

Hoje, há exatos de 25 anos e um dia de seu lançamento, continua sendo um dos pilares do hardcore.

É por isso que os Raimundos nunca vai se acabar.

Escute no volume máximo.

* Marcelo Guido é jornalista. Pai da Lanna Guido e do Bento Guido. Maridão da Bia.

POP FANTASMA apresenta SKIPP is DEAD, “Blast off!” – @SkippIsDead Via @popfantasma_

Foto: Victoria Bastos/Divulgação

É possível contar uma história num formato compacto como o de um EP? O músico amapaense radicado em São Paulo SKIPP is DEAD procura fazer isso nas cinco faixas de seu lançamento de estreia, Blast off!.

O disco conta a história de um pirata espacial refugiado de uma guerra intergaláctica. Utiliza para isso uma gama musical que inclui influências do indie rock, da linguagem chiptune (que reproduz sons de antigos videogames) e até da música do Amapá (o marabaixo, manifestação folclórica local, dá o ritmo em Kessler syndrome, e tem um zouk, ritmo da fronteira do Amapá com Guiana Francesa, em Venus in flames). Mas SKIPP esclarece que a ideia não é fazer um disco conceitual formal.

“Eu queria contar uma história através de música, mas sem fazer das músicas reféns de uma narrativa. Dito isso, eu resolvi usar o EP como um elemento dentro da história, e não necessariamente a ferramenta principal que narra os acontecimentos”, conta SKIPP. “A ideia é que os eventos da história sejam contados por meio das redes sociais e outras mídias de apoio como videoclipes, imagens promocionais, curtas e até outros singles. Quem acompanha pelo instagram, por exemplo, já está a par do plot principal envolvendo a maligna Corporação H3, que caça o Pirata Espacial e tenta a todo custo censurar o seu barulho”.

SEM ‘ERA UMA VEZ’
Para conseguir chegar a esse resultado, ele ouviu muito o clássico The rise and fall of Ziggy Stardust and The Spiders From Mars, de David Bowie (1972), mas outras influências foram importantes. “Eu aprendi muito com Gorillaz sobre como narrar uma história em um disco, sem o auxílio de um ‘era uma vez’ literal nas letras”, conta. “Mas sou muito fã de sci-fi em geral, então muitas referências vieram de inúmeros lugares que não só a música. Posso citar como referências cinematográficas Blade runner, 2001: Uma odisséia no espaço, além de uma infinidade de filmes B que eu andei assistindo durante o processo”, conta. Jogos como The outer worlds e Elite dangerous também ajudaram a imaginar a história.

O disco tem poucos convidados (Bruno Mont’Alverne tocou baixo nas duas primeiras faixas) e coube a SKIPP tocar e programar praticamente tudo. Mas ele ainda precisou imaginar e reimaginar o projeto para a internet. “Esse projeto já estava pronto antes da pandemia. Porém eu tive que adaptar algumas coisas para funcionar nas interwebs, já que a ideia inicial era fazer uma ponte que ligasse os shows e o material digital”, conta SKIPP. Aliás, para construir a sonoridade do disco, ele usou simuladores de “sintetizadores analógicos, arpeggiators e inúmeros filtros que tentam aproximar o som ao que era ouvido nas antigas TVs de tubo, ou nos falantes de Gameboys”.

STROKES DO BREGA?

Blast off! ainda tem o tal lado indie rock – e por acaso, SKIPP is DEAD é conhecido como o “Strokes do Brega”. A referência à banda novaiorquina vem de outros projetos do músico.

“Desde que cheguei em São Paulo eu faço parte de uma banda chamada The Strokes Cover BR, cover oficializado pelo Julian Casablancas”, conta SKIPP. “Digamos que oito anos tocando Strokes por aí mexem com a cabeça de um ser. Então a parte guitarrística do EP conta com riffs e arpejos que se complementam de forma polifônica, o que é característica da banda. Mas que também tem muito a ver com a linguagem do chiptune que eu tanto amo”.

Pega aí Blast off!, com SKIPP is DEAD, e o clipe da faixa de abertura, Primal instincts.

Fonte: Pop Fantasma

Amigos organizam noite de autógrafos do livro “Crônicas De Rocha” na Banca Rios Beer Cervejaria

Para quem não pôde participar do lançamento do livro “Crônicas de Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”, terá uma nova oportunidade de estar com o autor, jornalista e escritor Elton Tavares, na próxima quarta-feira, dia 14, na noite de autógrafos que um grupo de amigos está organizando, a partir das 19h, na Banca Rios Beer Cervejaria. O músico Patrick Oliveira, da banda stereovitrola, fará participação especial no evento.

A ideia é criar um ambiente agradável para que os interessados em adquirir o livro possam pegar o autógrafo e trocar ideias com autor, tudo de acordo com os protocolos de segurança para prevenção da Covid-19. A cervejaria possui área externa bem apropriada para um bate-papo molhado, com cervejas artesanais produzidas pelo proprietário Igor Maneschy, ao som de uma boa música, enquanto aguardam a vez de ter em mãos a obra recém lançada.

Sobre o livro

“Crônicas de Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias” é um compilado das vivências do autor e de experiências próprias ou de terceiros que há mais de uma década alimentam o site “De Rocha”, que nomeia o livro. As crônicas falam de tudo, trazem muito das tradições nortistas, peculiaridades da cultura e literatura amapaense, absorvida e canalizada para o contexto regional e pessoal do jornalista, com seu jeito muito peculiar de contar a nossa história ou relatar uma situação pessoal inusitada.

Elton Tavares conta que o projeto foi idealizado pelo jornalista Tagaha Luz (em memória), que já partiu para as estrelas, e prefaciado pelo escritor e seu amigo pessoal, Fernando Canto, com ilustrações do cartunista Ronaldo Rony e diagramação do designer Adauto Brito. A obra foi impressa com o apoio do senador Randolfe Rodrigues, revisada pela jornalista Marcelle Nunes, com apoio técnico da bibliotecária Leididaina Silva e da jornalista Gilvana Santos.

É leitura fácil, agradável e que logo faz com que o leitor se identifique com algumas das narrativas contidas no livro. Quem já leu garante que não é fácil parar. Então, não perca essa oportunidade de comprar e se deliciar com uma produção feita com muito carinho e de pura emoção do “Godão”, como carinhosamente é chamado o autor.

A Banca Rios Beer fica localizada na Av. Mendonça Furtado, 1773, no bairro Santa Rita, entre as Ruas Professor Tostes e Manuel Eudóxio.

Sobre a Banca Rios Beer

A Banca Rios Beer é a melhor cervejaria de Macapá. Lá você encontra rótulos como Weiss’s, IPA’s, Pilsen’s, Stout’s, Porter’s, Witbier’s, entre tantos outros disponíveis na carta diversificada da loja. Mas não para por aí: além dos melhores chopps de variados estilos (Tropical Stout, West coast IpA, English bitter, session IPA maracujá e mel, American Pale Pale, blond Ale e a incomparável sour taperebá – carinhosamente apelidada pelos fãs de “taperebrew”) – e mais de 50 rótulos de cervejas nacionais e importadas, a Banca também conta com kits que são ótimas opções para presentear quem se gosta.

Serviço:

Noite de autógrafos do livro “Crônicas De Rocha”, de Elton Tavares.
Atração musical: Patrick Oliveira (da banda stereovitrola).
Local: Banca Rios Beer fica localizada na Av. Mendonça Furtado, 1773, no bairro Santa Rita, entre as Ruas Professor Tostes e Manuel Eudóxio.
Hora: a partir das 19h.
Data: 14 de outubro de 2020 (quarta-feira).

Texto: Gilvana Santos.
Arte: Beatriz Santana.

 

 

 

Há 11 anos, a banda stereovitrola lançava o CD “No Espaço Líquido” (meu texto da época, para o Portal Amazônia

Há exatos 11 anos e um dia, em 12 de outubro de 2009, a banda de rock stereovitrola lançou, na sede campestre da Secretaria de Infraestrutura do Amapá (Seinf), localizada no bairro Jardim Equatorial, zona Sul de Macapá, o CD “No Espaço Líquido”. Na época, eu escrevia para o Portal Amazônia e divulguei o lançamento do álbum:

“A stereovitrola é uma banda amapaense, formada em março de 2004. O grupo musical é composto por Rubens (bateria), Marinho Oliveira (contra-baixo), Otto Ramos (órgãos e teclados) Wenderson-Matrix ( samplers, loops e efeitos) e Patrick Oliveira ( guitarras, ruídos e vocais).

Lançamento do Álbum No Espaço Líquido.

A banda lançou, em 2006, o seu primeiro CD, com cinco faixas próprias e intitulado “Cada molécula de um ser”, que no mesmo ano , o disco foi eleito o 6° melhor single independente do Brasil pela Revista Senhor F de Brasília (DF)e 6º colocado na categoria independente pela Revista Dynamite.

Conforme o vocalista e compositor da stereovitrola, Patrick Oliveira, a banda surgiu como resposta ao marasmo musical de Macapá e tem como característica rock alternativo, independente e experimental. Possui composições próprias, com letras que valorizam o cotidiano e comportamentos individuais e coletivos”.

Elton Tavares, especial para o Portal Amazônia (na época).

Se vivo, John Lennon faria 80 anos hoje

John Lennon foi um músico, compositor e cantor brilhante e um ativista fervoroso. Um artista original, que fazia questão de expressar o que pensava e sentia, ainda que várias vezes caísse em contradição ou criasse confusão com isso. O cara foi, além de talentosíssimo, muito polêmico.

Se estivesse vivo, John faria 80 anos hoje e com toda certeza seria ainda maior do que é e do que representa para todos que admiram ótimas idéias, belas músicas e atitude.

Além da trajetória com os Beatles, teve uma carreira solo consistente e recheada de sucessos inesquecíveis, como a canção “Imagine”. Sim, ela transformou suas alegrias e tristezas em música, de forma sublime.

Ele não foi o mais louco, o melhor guitarrista e nem o mais boa pinta, mas foi o maior de todos os rock stars. Um cara genial, com um talento ímpar, que viveu como quis. O cara era PHODA demais!

Em 14 de novembro de 2015, a banda Pearl Jam fez um show no Estádio do Morumbi, em São Paulo. Eu tava lá. O grupo americano homenageou, de uma só vez, os mortos nos atentados terroristas em Paris (FRA), ocorridos na noite anterior ao show, e John Lennon (o falecido Beatle completaria 75 anos em 2015). O Pearl Jam tocou “Imagine” e todos no estádio do Morumbi acenderam seus celulares, pois a luz da esperança nunca apaga. Foi emocionante e lindo!

Sim, o velho Lennon sabia das coisas. Certa vez ele disse:

Eu acredito em Deus, mas não como uma coisa única, um velho sentado no céu. Eu acredito que o que as pessoas chamam de Deus, está dentro de cada um de nós. Eu acredito que Jesus ou Maomé ou Buda e todos os outros estavam certos. Foi só a tradução que foi feita errada” – John Lennon.

Um relato para finalizar: certa vez, um colega jornalista (daqueles chegados num pagode, micaretas e afins) me perguntou o motivo de ser “tão fã” de Lennon. Nem me dei ao trabalho, só disse: “realmente preciso explicar?” (risos).

Fonte: Revistas, filmes, discos, livros, sites, papos com os amigos nos bares da vida e minha imensa admiração por John Lennon.

Elton Tavares

Na rede social Instagram: músico Patrick Oliveira se apresenta em Live nesta sexta-feira (25), a partir das 22h

O guitarrista, cantor e compositor Patrick Oliveira, líder da banda stereovitrola, para mim a a melhor entre as amapaenses  rock autoral alternativo, se apresentará nesta sexta-feira (25), a partir das 22h, em sua página na rede social Instagram, no perfil @p4trick_oliveir4 .

Para quem quiser contribuir voluntariamente com a arte, basta transferir qualquer valor para o artista. O número da Agência é 2825-8 e a Conta Corrente 6451-3, Banco do Brasil. Uma maneira de valorizar um dos maiores do Rock amapaense, já que nestes tempos de pandemia os shows presenciais estão suspensos.

stereovitrola (com S minúsculo mesmo)

A stereovitrola  é formada  por Patrick Oliveira (guitarras e vocais), Marinho Pereira (contrabaixo), Rubens Ferro (Baterias) e Wenderson Matrix (samplers e efeitos), começou lá no Lago do Rock, na Floriano Peixoto (piseiro que inventei com outros amigos).

Na época, ainda com o “Liguento”  no vocal e tocando covers. Depois, já com o Patrick na liderança, meteram a cara no autoral e arrebentaram!

Fã incondicional da stereoviltrola, desde 2004, acompanhei por um bom tempo os caras. Vi, em 2006, eles lançarem o EP “Cada molécula é um ser”;  CD cheio “No Espaço Líquido”, em 2009 e são cantadas até hoje pelo nosso público durante os shows”, conta o vocalista.Em 2012, eles lançaram seu terceiro trabalho “Symptomatosys”. Em 2017, os caras lançaram EP “Macacoari, rio triste”.

Mas conheci Patrick antes e ele já era muito foda na guitarra, na segunda metade dos anos 90, quando tocava na lendária Little Big, banda que marcou o underground amapaense.

Foto: Aog Rocha

De acordo com Patrick, vai rolar som velho e som novo, entre várias ligas sonoras firmezas e distorções. Portanto, bora curtir esse som! Rock’n Roll sempre!

Elton Tavares

29 anos do lançamento de Nevermind, o antológico álbum da banda Nirvana

Na manhã do dia 24 de setembro de 1991, uma terça-feira, começaram a chegar caixas nas lojas de discos dos Estados Unidos e da Inglaterra trazendo CDs e vinis com uma capa azul, com um bebê nu nadando atrás de uma nota de um dólar em um anzol.

 

A quantidade de cópias, pouco menos de 50 mil, dava a exata dimensão da expectativa moderada que a gravadora Geffen esperava vender de Nevermind, o álbum de uma banda nova vinda do interior do país, chamada Nirvana. Ontem, completou 29 anos desse dia histórico para o Rock and Roll mundial.

Ainda fruto do final da década de 1980, Nevermind seria mais um disco de rock independente numa época assolada por Michael Jackson, boy’s bands e cabeludos do heavy metal. Porém, o disco quebrou o mainstream, tirou Michael Jackson do topo das paradas e transformou o grunge melancólico e a cidade de Seattle no centro do mundo. O disco está na lista dos 200 álbuns definitivos no Rock and Roll Hall of Fame (Uma espécie de ranking da fama do rock).

Obra, de certa forma, sombria e ainda sim capaz de embalar festas em qualquer parte, com uma sonoridade que, mesmo depois de 29 anos, permanece atual. Nevermind, mesmo vindo depois do primeiro álbum do Pearl Jam, (o material do Nirvana engoliu o disco de estreia da outra banda de Seattle) conseguiu – por causa de uma junção de letras, formato e até mesmo “descompromisso” estético – chegar a mais pessoas e conversar com elas de uma maneira mais direta e idealmente imperfeita.

Krist Novoselic, Dave Grohl e Kurt Cobain fotografados por Kirk Weddle, autor da imagem do bebê na capa do “Nevermind”

Em conjunto com tudo isso o segundo disco do Nirvana também é comparado por alguns grandes nomes da indústria musical a um lançamento dos Beatles. As realidades são diferentes, mas o impacto de Nevermind no mercado musical e na audiência é, realmente, inquestionável, a ponto de gerar shows caóticos e superlotados por quase todos os lugares que banda passou em seu auge.

Embebido em todas essas circunstâncias, com letras diretas e marcantes, completando o combo de trabalho, o disco tem uma das capas mais icônicas de todos os tempos – que já recebeu homenagens das mais diversas -, e conta com o clipe de “Smells Like Teen Spirit“, gravado com pouca produção e grana, que se tornou um sucesso instantâneo na MTV e elevou o hype do álbum às alturas, colaborando para que o status do Nirvana fosse muito além dos contemporâneos, Pearl Jam e Soundgarden.

Desde o seu lançamento, Nevermind já vendeu mais de 35 milhões de cópias. Número comparável com o Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. As 12 músicas logo se tornaram um clássico e o impacto que o disco causou na música e na cultura pop é sentido até hoje. Recentemente, o jornal inglês The Guardian citou o disco como um dos eventos mais importantes da história do rock. O Nirvana chegou a se apresentar no Brasil em 1993.

Formado por Kurt Cobain, Dave Grohl e Krist Novoselic, o Nirvana acabou com a morte prematura de Cobain. Aos 27 anos, em 5 de abril de 1994, o letrista e líder da banda se suicidou.

Que dia!

Aliás, o dia 24 de Setembro de 1991 foi absolutamente histórico para a música, pois na mesma mesma data, outras duas bandas incríveis lançaram discos que viriam a mudar o curso da indústria. O Red Hot Chili Peppers, com “Blood Sugar Sex Magik”, que mostrava a banda explorando suas fronteiras para além do Funk e produzindo um de seus maiores hits, a balada emocionante “Under the Bridge”. E o “Grunge raiz” do Soundgarden, que voltava mais forte do que nunca com o aclamado “Badmotorfinger”, considerado por muitos o melhor álbum de Chris Cornell e companhia. Nenhum deles mais PHoda que o Nevermind, claro!

Meu comentário: naquela época, nós caçávamos sons novos como as bruxas eram perseguidas durante a Inquisição, ou seja, incansavelmente. Tempos de festinhas de garagem e fitas cassete 90 minutos (TDK, Basf, entre outras), com os nomes das músicas anotadas no papel interior da capa e tals.

O Nevermind surgiu para os jovens amapaenses no mesmo período que outra boa nova, a MTV. Lembro como se fosse ontem, em 1992, a recém chegada emissora exibia o vídeo de “Smells Like Teen Spirit” incessantemente e nós não enjoávamos. Foram grandes momentos para a minha formação cultural. Eu tinha 16 anos e toda aquela adorável barulheira ainda ecoa no meu coração.

 Escutarei Nirvana para sempre, assim como Beatles, Led Zepellin, Ramones e Pink Floyd. Musica é a trilha sonora das nossas vidas e a da minha é o bom e velho Rock And Roll.

Elton Tavares

Fontes: Fontes: Veja; Omelete, Tenho Mais Discos que Amigos e minhas quase três décadas e meia escutando Rock and Roll.