Discos que formaram meu caráter (Parte 29) – “Back In Black” – AC/DC (1980) – Republicado por conta dos 40 anos deste álbum, completados ontem, 25 de julho. Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Muito bem moçada!

Estamos de volta com nossa programação normal, ou não. Perdidamente em um espaço sinistro de um mundo particularmente miraculoso, eis que retornamos com nossa muito louca nave para mais uma edição dos “Discos que formaram meu caráter”.

Sei que devo ter deixado várias pessoas chateadas e putas da vida, principalmente o dono desse blog, que é um cara muito legal (faz logo uma farofa), mas não voltaríamos à toa. Sem mais delongas e “eltontavarices” à parte, é com orgulho que volto do inferno para apresentar para vocês o sétimo disco dessa turma de Sidney (AUS). Senhoras e senhores, com toda a pompa e circunstância que a ocasião permite, orgulhosamente, apresento a vocês: “Back In Black” do AC/DC. Todos de pé de PÉ.

Muito bem; corriam os anos 80 – a ressaca dos famigerados anos 70 ainda estava no ar e os caras do AC/DC já tinham provado à Europa que na Austrália não existia só Canguru, coalas e o Men At Work (grande banda, por sinal). Mas faltava ainda a conquista da América, a invasão australiana aos EUA já era um objetivo. Os planos da banda quase foram abortados por uma tragédia. Em fevereiro de 1980 o carismático e competente Bon Scott morre afogado no próprio vômito (yeah), mais rock impossível.

Sem muito tempo para frescuras e digerindo a perda – coisa que Scott não fez direito (rá) – os caras recrutaram o não menos foda ex-vocal do Geordie, Brian Johnson. Com nova formação, o AC/DC partiu para um estúdio e resolveu fazer uma homenagem ao finado frontman. Sem as 15 músicas escritas por Bon Scott para um novo álbum (um sinal de respeito dos caras), as cartas estavam na mesa.

Lançado em 25 de julho de 1980, o disco foi uma homenagem póstuma, um tributo a Bon Scott. Caras, que tributo!!

Sem mais salamaleques e leros vamos dissecar este belo artefato:

A bolacha começa com a hoje clássica “Hells Bells”, nada mais justo do que tocar os “sinos do inferno” para homenagear o saudoso e “vomitão” vocalista; aí o clima sombrio dá espaço a um alucinado riff de Angus; aí, meus velhos, a pauleira corre solta com Brian falando em alto e bom som que “se você é mal, então é dos meus”.

Entra a não menos alucinante “Shoot To Thrill”, que particularmente considero atemporal; mesmo com quase 30 anos, ainda pode ser aproveitada pela grande indústria – não é à toa que é o tema da vida de Tony Stark (só os bem fodas).

Vamos para “What Do You Do For Money Honey”, a mais digamos “pop” do disco; fala o que as pessoas podem fazer por dinheiro, segundo os caras “principalmente as mulheres”. “Giving The Dog A Bone”, o clássico “balance a cabeça e acompanhe o refrão”, recheada de conotações sexuais, é uma das melhores da bolacha. Chegando a “Let Me Put My Love Into You”, começa vagarosa, mas logo é dominada por riffs e uma bateria insana.

Sem deixar a peteca cair “Back In Back” – a faixa título do discão – mostra exatamente o que os caras estavam passando, a volta do “luto” ou você não sente isso quando ouve “de volta do luto/eu caí na cama/Estive longe por muito tempo….Sim eu fui libertado da forca”. O clássico dos clássicos, a melhor música já composta, os acordes, riffs e letras mais perfeitos; sim, amigos: “You Shook Me All Night Long” é, sem dúvida alguma, um dos hinos do rock no mundo, uma homenagem de Brian a sua namorada da época (risos).

“Have A Drink On Me”: em time que está ganhando não se mexe, ou seja, mesma fórmula, começa calma e termina em um espetáculo de porradaria. “Shake A Leg”, cantada por Brian com um vozeirão dos infernos, mostra o que seria a banda a partir daquele momento. E no fim de tudo, “Rock And Roll Ain`t Noise Pollution” – uma introdução improvisada na hora, e riffs animalescos – fecha o álbum com chave de ouro. São quarenta e um minutos e trinta segundos de pura porrada nos ouvidos. Sem dúvida nenhuma, um disco que já nasceu para ser foda. Medalha de clássico em primeira linha.

Esta bolacha foi um sucesso de vendas, vendeu até hoje 51 milhões de cópias é o disco de rock mais vendido de todos os tempos, e o segundo álbum mais vendido de toda história (perde apenas para “Thriller” do Michael Jackson, que realmente não conheço ninguém que tenha).

Se Bon Scott precisou morrer para a concepção desde verdadeiro míssil sonoro em ode ao rock, cara, sua morte não foi em vão.

Este álbum foi um verdadeiro “chute nos colhões” da dita New Wave da época. Tive a imensa felicidade de receber meu mais novo exemplar das mãos da Bia (minha garota), que viu o quanto fiquei feliz com o presente.

Muito bem macacada, é isso! Velhos, quem não conhece o disco, não merece nem em 100 anos a patente de foda, pegue seu dito passado roqueiro e jogue no lixo. No mais, é só.

* Marcelo Guido é Punk, Pai da Lanna e Bento, barba (malfeita) e marido da Bia… “nem a morte, muito menos o Diabo podem parar o Rock In Roll”.
**Publicado neste site originalmente em novembro de 2014. Republicado por conta dos 40 anos deste álbum, completados ontem, 25 de julho.

Raoni Holanda gira a roda da vida. Feliz aniversário, amigo! – @RaoniHolanda

Tenho alguns companheiros (brothers) com quem mantenho uma relação de amizade e respeito, mesmo a gente com pouco contato. É o caso do Roni Holanda. Hoje é aniversário do cara, que gira a roda da vida pela 33ª vez.

Esse maluco é desenhista, ilustrador, ateu, humanista, desencanado e jornalista, compositor, cantor, e brother deste editor. Um cara gente fina, com um puta bom humor, inteligente e papo firmeza. Ele mora há anos em São Paulo (SP). Sibixo fez faculdade de jornalismo comigo e nos tornamos amigos.

Um figura que escreve bem, tem boas ideias e uma felicidade infinita e invejável. Ele é fã de música, cinema e quadrinhos, esse brother possui uma visão legal das coisas; quem conhece esse santanense sabe do que falo. Holanda foi vocalista da banda de rock amapaense, Godzilla.  Talentosíssimo, ele arrebentava nos vocais, sempre com atitude e presença de palco. Aliás, esse grupo dá saudades, eles eram foda.

Sobre a Godzilla

A Godzilla misturava performance, técnica e crueza. A banda possui linguagem própria, totalmente visceral. Eles me surpreendiam a cada show. Se fosse no Liverpool então, era cagada firme. Formada em 2007, além de Raoni, a formação original tinha a Sandra Borges no contrabaixo, o Magrão na bateria e Wendril na guitarra.

Eles Conquistaram seu espaço no Rock And Roll amapaense e tocaram em Belém (PA), no Nordeste e em Sampa. Tinham público, fãs, eram queridos. Chegaram a gravar um disco. Eles eram fodas mesmo. Acompanhei, divulguei, fui plateia. Agora é só história e nostalgia.

 

Em 2019, estive em São Paulo a trabalho e tive o prazer de tomar umas cervejas com o Raoni. Ele continua o mesmo cara porreta.É como a frase de Paulo Sant’Ana: “tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos”

Com o Raoni – Sampa 2019. A foto ficou palha, mas essa noite foi firme!

Raoni, mano velho, que teu novo ciclo seja ainda mais paid’égua. Que sigas com essa garra, sabedoria, coragem e talento em tudo que te propões a fazer. Que a Força sempre esteja contigo. Saúde e sucesso sempre, amigo. Parabéns pelo teu dia! Feliz aniversário!

Elton Tavares

Lançamento do Livro Digital “Rock História The Silver Boys”

Por Jean Kelson Costa do Carmo

Rock História The Silver Boys – 1992 a 2018 de Jean Kelson Costa do Carmo (Jean Carmo) é um livro escrito no gênero textual relatório onde apresenta o registro da carreira musical de uma das bandas de Rock de Macapá/AP mais longevas.

Neste livro registro o leitor poderá encontrar as informações registradas em arquivos pessoais e publicações em vários meios de comunicação sobre as datas de shows, locais e seus produtores, entrevistas e apresentadores, bem como outros artistas que fizeram parte desta estrada ao longo de 26 anos na história do Rock Amapaense.

Sobre Jean do Carmo

Além de escritor, Jean Carmo é cantor, instrumentista e compositor amapaense. Começou seu trabalho musical aos 13 anos de idade, tocando em igrejas. Depois integrou a banda Silver boys. Após um longo período tocando covers de bandas como The Beatles, Nirvana, Ramones, Pink Floyd entre outras.

Iniciou sua carreira autoral em 2012, com canções direcionadas para temática regional como valorização cultural e histórica do povo amapaense, mitologia amazônica e a preservação ambiental. Jean tem estilo próprio, combinando o blues, o rock e o funk dos anos 60 e 70, com ritmos regionais como o Marabaixo. Suas canções tratam de temas conhecidos na cultura e região amazônica

Em 2016 o artista lançou seu primeiro disco, denominado “Amazônidas” e em novembro de 2018, gravou o EP intitulado Outras Canções.

Apesar do viés autoral, Jean nunca parou de tocar e cantar o bom e velho Rock and Roll e é a soma de sua longa experiência musical que ele apresenta no show de hoje.

Para adquirir a obra, acesse os sites:

Rock História The Silver Boys

O Rock – Por Patrick Bitencourt #DiaMundialDoRock

Por Patrick Bitencourt

É hoje! 13 de Julho, dia mundial do Rock. Único gênero musical reconhecido mundialmente por lutar contra tudo que é escroto nessa vida. Amo Rock, do fundo das minhas entranhas. Quem não gosta de Rock só pode ser doente do pé, da cabeça e da alma.

No século passado, fui apresentado ao gênero, e com ele, tive a sorte incomensurável de absorver toda a aura paid’égua and FIRME de ser Rocker ou Roquer.

O rock é tão LEGAL, que a primeira coisa em que ele te encaminha é o exercício de soltar a língua, soprar a voz ao ar sonoramente. Ele ajuda a colocar as juntas, as vértebras e as articulações no lugar.

Cúpula do Trovão no show do Mossissey – Brasília (DF) – 2015

O Rock é corrente elétrica alternada e contínua, te faz transpirar tudo que desespera, que tá torto, errado. Te faz lembrar do amor, mas também de bichos escrotos, é o único que de tão paid’égua sai da Louisiana e transforma-se em Birmingham. É tão foda, que constrói público severo e crítico de si mesmo.

Ah!…O Rock é extraordinário, que de tão foda transmission até o lado negro da lua, saca?! Constrói escadas para o céu e te mantém em contato direto com o divino e o underground.

E, sem mais delongas nesse papo furado, o Rock é matéria escura que absolve e ajuda criar, teorias, ideias, inquietações e revoluções. Portanto, viva o Rock in roll meus queridos olds Friends todos os dias.

*Patrick Bitencourt é professor e amante de Rock and Roll a vida toda. Além de membro fundador da Cúpula do Trovão, confraria porreta de doidos varridos-boêmios-sacanas-amigos de Macapá, que existe desde os anos 90. 

Eu apoio o rock amapaense: movimento de bandas e artistas autorais promove Live no dia Mundial do Rock n’ Roll – Por Daniel Alves – @danalvesjor

Por Daniel Alves, especial para o site Blog De Rocha

No Dia Mundial do Rock, data celebrada nesta segunda-feira (13), um grupo de bandas e artistas do rock amapaense fará uma Live no Facebook, com música e bate-papo sobre o movimento autoral no Estado. A transmissão “O autoral é quem pariu o rock” vai rolar na fanpage da banda Dezoito21 (https://web.facebook.com/dezoito21/), às 22h, com a participação de Brenda Zeni, Otto Ramos, Jean Ferreira, Geison Castro (Dezoito21), Ruan Patrick (Stereovitrola) e Augusto Máximo (VM Rock).

A iniciativa tem o propósito de valorizar e fortalecer o trabalho dessa galera, promovendo pelas mídias sociais esse estilo musical amado por milhões de pessoas e, que, no Amapá, conta com cantores e músicos de alto nível. O movimento sonoro iniciou há um mês e meio e, nesse período, já promoveu diversas programações com o objetivo de ampliar o material produzido pelos grupos de rock amapaenses.

Toda semana trabalhamos no canal do Youtube de uma banda, mas também utilizamos Facebook e Instagram para dar visibilidade às nossas campanhas. Nas redes sociais da Dezoito21 falamos de algum grupo de rock autoral, no estilo de entrevista, para relatar a história da banda ou dos artistas. Aproveitamos e também pedimos para o pessoal que está assistindo se inscrever nos canais, compartilhar e apoiar o movimento”, explicou Geison Castro, vocalista e baixista da Dezoito21.

Outra ferramenta utilizada é o WhatsApp, onde os membros disparam informações sobre as bandas, para que o público que curte o som conheça um pouco mais do trabalho. O grupo está aberto para outros artistas e bandas de rock autoral e, atualmente, conta com o apoio de Adriano Reis, Alexandre Avelar, Brenda Zeni, Dezoito21, Guerra em Paz, Otto Ramos, Rafael Vasconcelos, Stereovitrola, Vini, VM Rock, Zé Ninguém, Michel Lawrence e Sr. Caos.

No Amapá tem muita banda de qualidade, que desenvolve um trabalho profissional com a gravação de discos autorais físicos e nas plataformas virtuais. É importantíssimo valorizar o som revolucionário dos gritos e ruídos vindos do Norte. Desta forma, para ampliar a campanha, o movimento também criou um selo para compartilhar nas redes sociais: Eu apoio o rock amapaense. A proposta é que mais pessoas venham somar, compartilhando com os amigos o que é produzido em terras tucujus.

Lista de canais do AP Rock YT UP:

1. VM Rock

2. Dezoito21

3. Guerra em Paz

4. Marcel Valkant

5. Ravel Amanajás 

6. Brenda Zeni

7. Stereovitrola

8. Vini Gonçalves

Texto: Daniel Alves – Jornalista e colaborador do De Rocha
Edição: Elton Tavares

Sobre a Origem do Rock e do Dia Mundial do Rock #DiaMundialDoRock

Amamos Rock and Roll e hoje (13) é o Dia Mundial do Rock. No dia 13 de julho de 1985, o produtor Bob Geldof organizou o “Live Aid”, um show histórico e simultâneo, realizado em Londres (ING) e na Filadélfia (EUA). O objetivo era o fim da fome na Etiópia. Lá se vão 35 anos do show que mudou a história do rock.

Em 2005, Bob Geldof organizou o Live 8, para pressionar os líderes do G8 a perdoar a dívida externa dos países mais pobres Desde então, o dia 13 de julho passou a ser conhecido como Dia Mundial do Rock. Vamos resumir a ópera (tudo bem, é um resumão, mas vocês vão curtir):

Sr. Jazz e Sra. Blues

Há cerca de 70 anos, um casal de velhinhos, casados desde o fim da segunda guerra, ambos de pele escura, donos de vozes graves e um jeito simpaticíssimo, risonhos e alegres, que adoram “mexer as cadeiras”, como eles mesmos dizem, brigavam com uma vizinha, a Senhora Música Clássica. É, o Sr. Jazz e Sra. Blues não eram fracos.

Reza a lenda que quando eles saiam por aí juntos, ninguém era de ninguém, e por isso, até hoje é difícil saber quem são os verdadeiros pais dos quatro garotos que brotaram dessa relação tão moderna. O Rockabilly, Rock Progressivo, Hard rock e Rock Pop.

Rockabilly

Rockabilly, o irmão mais velho, herdou dos pais a incansável vontade de dançar. Na adolescência andou muito com um dos seus irmãos, o Rock Pop. Usava calça boca de sino, topete e óculos escuros, mesmo quando não fazia sol. Fez um tremendo sucesso entre as garotas quando jovem, mas se tornou um velho gordo.

Rock Pop

O Rock Pop está sempre na moda, mas quando quer dizer algo, se perde em suas contínuas mudanças de opinião. Já andou com todos os seus irmãos, mas sempre teve problemas com o Rock Progressivo. O que se sabe, é que ele está sempre montado na grana e quem anda com ele, sempre se dá bem financeiramente. Rock Pop é viciado em dinheiro e se vende por qualquer coisa. É normal ouvir falar por aí que ele é um enganador, mas nunca ninguém conseguiu uma prova concreta.

Rock Progressivo

O Rock Progressivo, por sua vez, está na cara, no corpo e no jeito de ser de um legítimo filho do Sr. Jazz e Sra. Blues. É um cara exibicionista, adora se “amostrar”, fazendo inúmeras loucuras. Às vezes, fica chato por demorar muito tempo em suas loucuras, só porque é difícil de fazer. Isso causa irritação em muitas pessoas, mas no fundo, é um cara bacana.

Hard Rock

O Hard Rock é o mais revoltado da família. Às vezes, no meio da diversão se torna meio dançante. Cabeludo, adora usar lenço na cabeça, maquiagem e vive fazendo poses homossexuais. Alguns o chamam de gay, outros dizem que ele só se comporta assim para causar impacto. O que se sabe é que na adolescência, ele era ninfomaníaco e usou e abusou das drogas. Mas logo casou e teve dois filhos. O primogênito Heavy Metal e o caçula Punk Rock.

Heavy Metal
Punk Rock

No meio disso tudo, a vizinhança comenta que o Sr. Blues teve um namoro sério com uma ativista política, e dessa relação surgiu o Rock, simples assim. Um rapaz afoito, naturalista e espontâneo. Nunca teve papas na língua e dizia exatamente aquilo que pensava. Às vezes era muito relaxado, tentou ser igual ao pai, mas não teve sucesso nessa tentativa e se frustrou. Surgindo daí um sentimento de revolta meio contido, que só era observado nas entrelinhas.

Dependendo do seu humor, ele não tá nem aí para nada. Fala de igualdade e exalta idéias comunistas. Este teve dois filhos com uma namorada linda e problemática. O Grunge e o Hard Core.

O Hard Core adora andar de skate pela casa, quebrando tudo, porém é um cara organizado, gosta de filmes de surf e tem o corpo todo tatuado. Às vezes fica meio EMOtivo e reclama muito da vida, mas todos sabem que é por causa da namorada que o trai o tempo todo.

Grunge

O Grunge é melancólico por natureza, também reclama muito da vida. Está na puberdade e por isso a sua voz desafina constantemente. Ele costumava levar a vida de uma forma suicida, anda dizendo para todo lado que nada importa…nevermind!!

Heavy

O Heavy Metal é um alcoólatra fortão, cheio de tatuagem de caveira pelo corpo. Adora andar a toda velocidade na sua Harley Davidson. É uma aficionado pela Mitologia Nórdica, Ocultismo e odeia a Igreja Católica. Alguns dizem que ele tem um pacto com o Diabo. Pois tem uma voz grave, mas quando grita, fica tão aguda que é capaz de quebrar os vidros do espelho. Tem fama de malvado, mas na verdade, não é. Trata-se de um cara gente boa, que se dá bem com todo mundo. Ele teve vários filhos: Thrash , Melódico, Prog Metal, Death, Black, Doom, Gothic, todos são muito unidos.

E isso aí, demos uma viajada, mas o que importa é que amamos o Rock and Roll. O estilo é fundamental para nós e nossos amigos. Costumamos comparar o Rock com o Universo. Os dois estão em constante expansão e em alta velocidade. Dizem por aí que o Rock morreu, ele nunca morre, só está em constante mudança, assim como nossas vidas.

É o velho lance de superar momentos difíceis, voltar com força total. Assim Raul, o pai do rock nacional, inventou o termo “metamorfose ambulante”. Ele se descreveu como pessoa e usou isso para explicar o rock and roll. O rock é imortal, ele nos salva da mesmice, basta protegê-lo de mãos erradas. Enfim, viva o rock and roll!

*Texto escrito há oito anos a quatro mãos por mim, Elton Tavares e André Mont’Alverne, nosso antigo colaborador.

Em alusão ao Dia Mundial do Rock: Banca Rio’s Beer e banda Além do Rádio promovem live em tributo à Legião Urbana, neste sábado (11)

Hoje (11), a partir das 19h, vai rolar Live Especial Legião Urbana. O Tributo será feito pela banda Além do Rádio, especializada em Rock’n’roll Nacional. O show on-line será dentro das instalações da Banca Rio’s Beer, melhor loja de cervejas especiais e artesanais de Macapá, com transmissão pelos perfis da loja e do grupo nas redes sociais Facebook (https://www.facebook.com/alemdoradio/https://m.facebook.com/bancariosbeer/) e Instagran (@alemdoradio / @bancariosbeer). O evento acontece em alusão ao Dia Mundial do Rock, celebrado no dia 13 de julho e tem o objetivo de proporcionar cultura e lazer aos fãs de “roquenrrou”, nestes tempos de confinamento.

“Iremos revisitar a maior banda do rock nacional dos anos 80, vamos passear por todos os discos e fases da banda que mudou a história do rock brasileiro. Um presente pra todos os legionários”, garantiu o vocalista, guitarrista e líder da Além do Rádio, Ewerton Dias.

Rock e Cerveja

A Banca Rio’s Beer está com novo espaço físico, na Avenida Mendonça Furtado, 1773. Nesta parceria com o grupo de rock, cederá a parte externa da casa para a transmissão, tudo com os devidos cuidados por conta da pandemia.

A Banca não abrirá nesta noite, mas a casa funcionará com drive thru. Ou seja, você pode ir lá comprar as melhores cervejas e de quebra ainda escutar um som bacana enquanto aguarda. Mais Informações pelos telefones: 96 98117-8839 (Igor Maneschy) e 91 98509- 2293 (Austy Maneschy).

Dá um olho no menu de cervejas artesanais da Banca https://app.menudino.com/bancariosbeer, nos pedidos acima de R$ 100,00 vai rolar um presente exclusivo. O Delivery e retirada começam a partir das 16h.

Sobre a Além do Rádio

A Além do Rádio é uma banda com uma proposta de fugir do “mais do mesmo” e tocar o lado “B” dos hits das bandas oitentistas. Com um repertório diversificado, eles são muito bons. O grupo é formado por Ewerton Dias (guitarra base e vocal), Fernando Cabral (guitarra solo), Maycon Silva (baixo) e Júnior (jotaerre) na bateria.

Sobre a Legião

Formada originalmente por Renato Russo, Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha, a Legião foi e sempre será a maior de todas as bandas deste país. Eles venderam 20 milhões de discos durante a carreira. Duas décadas após a morte de Russo (e Rocha, mas ele saiu logo no início, o grupo ainda apresenta vendagens expressivas.

Sabe, sempre fui fã da Legião Urbana. As músicas embalaram noites memoráveis – quando andei com os loucos – e foi trilha de paixões inesquecíveis da juventude. Eles marcaram a minha geração e a geração anterior à minha.

Show de 2019 – Foto: Sal Lima

Nós, amapaenses, tivemos a oportunidade de assistir a dois shows da Legião anos de 2016 (“Legião XXX anos”, que celebrou os 30 anos da Legião) e 2019 (comemorativo aos 30 anos dos álbuns “Dois” e “Que país é este”), com Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e André Frateschi. Ambos, momentos inesquecíveis, repletos de memória afetiva. Quem não foi, perdeu.

Portanto, bora curtir essa Live, pois conheço o trabalho da Além do Rádio e os caras mandam muito bem!

Urbana Legio Omnia Vincit (Legião Urbana Vence Tudo). Força sempre!

Elton Tavares

Se vivo, Raul Seixas faria 10.075 anos hoje! – Por Silvio Neto

Por Silvio Neto

Decifre as entrelinhas dos hieróglifos das pirâmides do Egito, do calendário Maia, das Itacoatiaras de Ingá. Leia os símbolos sagrados de Umbanda, as centúrias de Nostradamus e o Tarot de Crowley… Não importa qual seja o mistério, todos serão unânimes em lhe revelar: Existe um cometa errante; uma estrela bailarina que vaga no abismo do espaço sem fim flamejando um rock e um grito! Em sua jornada, ele só passa pelo nosso planeta a cada dez mil anos. É quando ele renasce e encarna como um Moleque Maravilhoso, trazendo ao mundo à sua volta mudanças profundas no seu pensar e no seu comportamento.

Sua derradeira passagem por aqui durou apenas 44 anos. Mas foi suficiente para que um país inteiro de dimensões continentais se tornasse menos careta. Há exatos 75 anos, quando ele chegou por aqui em mais uma de suas passagens, esse intrépido cometa trouxe em seu rastro a bomba atômica, em 1945, fechando um ciclo da Terra conhecido como velho Aeon e trazendo à luz o Novo Aeon materializado em forma de música.

Era o dia 28 de junho. Aquele, foi o dia em que a Terra parou. Mas antes disso, ele usou de seus artifícios alquímicos e conseguiu juntar as águas do rio São Francisco e do rio Mississipi, criando a fusão perfeita do rock’n’roll de Elvis Presley com o baião de Luiz Gonzaga e como um novo Macunaíma desvairado gritou em cima do palco do III Festival Internacional da Canção (1971) “Let me sing, let me sing (my rock’n’roll)”!

Seu nome é o contrário do luaR pois ele é um cometa iluminado. Em sua metamorfose ambulante pela Terra, se fez de maluco para revelar sua genialidade; brincou de cowboy para mostrar que preferia ser um fora-da-lei; acumulou riquezas e glórias por um tempo para mostrar que o ouro é para o tolo.

Esse ano, em agosto, já terão se passado 31 anos de sua última visita aqui no nosso planeta. Ainda assim, seu rastro é tão presente, tão vivo, que é como se ele ainda estivesse por aqui, cruzando o nosso céu.

E assim como as estrelas que vemos são muitas vezes apenas o reflexo de milhões de anos-luz de corpos celestes que ainda nos impressionam a visão, o cometa Raul Seixas, brilhará na mente e no coração de milhares de fãs por muitos e muitos anos até, quem sabe, sua próxima passagem há dez mil anos…

Meu comentário: grande Raulzito. Um artista sensacional que inspirou e inspira muitos de nós, fãs. Tanto pelo fascínio da linha tênue entre a feliz loucura da autenticidade, quanto pela sinceridade à bruta, sempre poetizada em um rock and roll dos bons. Viva Raul! (Elton Tavares).

Mário Mareco gira a roda da vida. Feliz aniversário, mano velho!

Quem lê este site, sabe: gosto de parabenizar amigos em seus natalícios, pois declarações públicas de amor, amizade e carinho são importantes pra mim. Quem gira a roda da vida nesta quarta-feira (4) é o brother das antigas deste editor e cara porreta demais, Mário Araújo Jr. O popular “Mareco”.

O cara é amoroso e dedicado marido da Adriana, pai do Lucas, Valentim e da Mariana, que chegará esse mês, além de ortodontista competente.

Trata-se de uma figura muito gente boa e consideradão da galera rocker de Macapá. Não lembro o momento exato em que conheci o Mareco, mas faz tempo. Violonista e guitarrista dos bons, Mareco já tocou em porrada de bandas de Macapá e em incontáveis festinhas porretas da galera do “roquenrou” nesta cidade no meio do mundo.

Mareco é um cara calmo, bem humorado, gente fina mesmo. Eu e Mário nunca fomos de andar juntos, mas tenho muito “consideramento” por ele e sei que é recíproco. Por conta disso, deixo aqui o registro e homenagem ao aniversariante, que chega aos 38 anos, mas parece mais jovem que isso.

Mário, mano velho, “tu saaaabes, Patinhas”. Apesar destes tempos tristes de pandemia, estou feliz pela tua vida que se renova hoje. Que a força sempre esteja contigo. Que sigas na jornada sempre com saúde e sucesso junto dos teus amores.

Parabéns pelo teu dia e feliz aniversário!

Elton Tavares

Boletim oficial: Amapá tem 375 casos confirmados de coronavírus; em Macapá são 330 casos – 17/04 #FicaEmCasa

O Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COESP) traz novo relatório com dados sobre o Covid-19 no Estado, com 05 novos casos confirmados, sendo 04 em Macapá e 01 em Oiapoque. Agora são 375 casos no Amapá.

Painel geral de casos pelo COVID-19:

Confirmados: 375
Recuperados: 166
Óbitos: 10
Hospitalizados: 36 total
Sistema público: 16 (07 em leito de UTI / 09 em leito clínico)
Sistema privado: 20 (03 em leito de UTI / 17 em leito clínico)
Isolamento domiciliar: 163

Em análise laboratorial: 565

Suspeitos declarados pelos municípios:

Macapá: 330
Santana: 226
Amapá: 3
Calçoene: 9
Laranjal do Jari: 24
Mazagão: 14
Oiapoque: 9
Pedra Branca do Amapari: 3
Porto Grande: 13
Serra do Navio: 2
Vitória do Jari: 5
Tartarugalzinho: 2

Total: 640

Assessoria de comunicação do GEA

Há cinco anos Interpol e Smashing Pumpkins arrebentaram no Lollapalooza Brasil 2015

Anderson, Adê, Emerson, Andresa e eu a caminho do festival. Um dia feliz e memorável!

Há exatamente cinco anos, as bandas Interpol e Smashing Pumpkins arrebentaram no Lollapalooza Brasil 2015. Assim como outras quatro vezes, fui à Sampa para assistir shows de Rock and Roll no Festival Lollapalooza Brasil.

Na verdade, o festival do ano passado contou com atrações mais dançantes do que pesadas, mas atingi meu objetivo: ver as apresentações das bandas Interpol e Smashing Pumpkins. Ambas com performances perfeitas.

Era um domingo frio e cinzento quando o Interpol subiu ao palco Skol. O grupo tocou de 15h30 às 17h debaixo da garoa dos paulistas, o nosso “chuvisco”. Logo a banda nova-iorquina aqueceu coração e alma dos fãs que estavam no autódromo de Interlagos.

Eu não sabia se pulava, fotografava ou cantava (com meu pobre inglês) as canções da banda indie. A força do Rock and Roll fez aqueles caras levantarem a multidão. Foi lindo!

O Smashing Pumpkins fechou o festival no palco Onix do Lollapalooza Brasil 2015. Billy Corgan, compositor, líder, único membro da formação original do grupo e dono da bola mandou muito bem. Ele veio acompanhado do guitarrista Jeff Schroeder (na banda desde 2007), pelo baixista Mark Stoermer (The Killers) e pelo baterista Brad Wilk (Rage Against the Machine).

Eu aguardava um show do Smashing Pumpkins desde os anos 90. Eles levaram sons como “Tonight, Tonight”, “Ava Adore, Bullet With Butterfly Wings”, “Disarm”, “Cherub Rock”, Today, 1979, e a nova “Being Beige”.

O público ficou hipnotizado com a apresentação e muita gente – como eu – foi às lágrimas. Como não chorar? O careca antipático do rock cantou com o coração e a banda tocou de forma perfeita.

Essa foi mais uma aventura rocker sensacional e emocionante. Lá se vão cinco anos; mas parece que foi ontem. Entrou para a história Rock and Roll da minha vida. É isso!

Elton Tavares

Discos que Formaram meu Caráter (Parte 49) – “Adiós Amigos” – Ramones (1995) – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Salve moçada!

Todos trancados em seus lares escolhendo quem matar para a economia não parar… O viajante dos sons está de volta para mais uma rodada de discos, músicas e afins.

Com a nave a toda velocidade, som na altura máxima, com orgulho apresento a vocês:

“Adiós Amigos”, o 14º álbum dos Ramones. Todos de pé!

Estamos agora em 1995, e os caras dos Ramones encaravam a velhice. Estava ou não na hora de se aposentar? A relevância da banda nunca esteve em xeque, mas os tempos eram outros.

Passando incólumes pelos tempos da discoteca, pelos anos 80, a “new wave”, o pós-punk, o grunge e outros caralhos, Joey e Jonhy já pareciam cansados da vida que escolheram.

Somando isso aos problemas de saúde de Joey (que teve em toda a sua vida adulta um constante entra e sai de hospitais), a idade e o estilo de vida começavam a cobrar um preço; Joey acabara de ser diagnosticado com um severo câncer linfático e, como bom Ramone que era, deixou a doença em segredo.

Com 13 discos de estúdio e discos ao vivo que pareciam transportar os fãs para os shows, reconhecimento formado por uma legião de fãs no mundo inteiro, sempre citados como referência por vários músicos e banda planeta afora, os caras já tinham salvado o Rock and Roll da ameaça do “Progressivo” com seus solos intermináveis e suas reflexões sem sentido de bons músicos que sabiam ler partituras. Os Ramones não deviam nada a ninguém.

A preocupação maior era não se tornar uma paródia de si mesmo e aceitar de uma vez que a estrada dos tijolos amarelos estava chegando no fim.

Os shows que nos tempos áureos chegavam a 150 no ano, tinham sido reduzidos a um terço, o acolhimento da América do Sul para os caras depois de “Mondo Bizarro” deu um gás na banda, os problemas de saúde de Joey já eram bastante latentes, ausências em parte das apresentações, máscara de oxigênio no palco, o Ramone que mais vestiu a camisa da eterna adolescência parecia realmente querer um descanso.

Os Ramones, estavam realmente em dúvidas quanto ao futuro e, talvez, as crises que todos nós temos tenham também chegado nos caras naquela época. As 13 faixas do disco trazem profundas reflexões sobre amor, dor, ódio e futuro, mas tudo muito rápido e intenso como só eles sabiam fazer e, sendo assim, por respeito a seus muitos admiradores, entraram em estúdio em fevereiro de 1995 e em junho do mesmo ano apresentaram este belo exemplar de som, anunciando que seria o derradeiro trabalho.

Vamos ao que interessa e dissecar essa bolacha:

O disco começa com “I Don`t Want To Grow Up”, cover do Tom Waits é desafiadora, uma franca negação do mundo real, incertezas sobre o futuro, dúvidas sobre a própria vida. “Maki Monsters For My Friends” a autocrítica feita, somos os nossos próprios monstros. “Its Not for Me to Know”, a desistência contra o que não pode ser evitado, você fez tudo o que era possível. “The Crusher”, composta por Dee Ramone, já tinha sido gravada no primeiro disco solo dele, ganhou nova roupagem na voz de Joey, mostra que ainda se tem disposição para lutar contra desafios. “Life`s a Gas”, simples, são daquelas canções que marcam pela intensidade, foi o single do disco. “Take the Pain Away”, pessoal, uma caminhada constante pelo alivio, você só quer acabar com a dor. “I Love You”, cover do Johnny Thunders , a simplicidade em falar de amor. “Cretin Family”, todos contra você uma resposta à o clássico “Pinhead”, se antes os Ramones era o lar dos desajustados, tinha agora tornado parte do Mainstrean. “Have Nice Day”, ironia nas saudações diárias, escuta se sempre um bom dia em uma derrota. “Scattergun”, a segurança que você se propõe a ter. “Got a Lot Say”, tudo a dizer, mas não sabe agora. “She Talks To Rainbows”, triste, mas verdadeira, mostra o lado desesperançoso de quem se entretém com tudo e com todos. “Born To Die in Berlin”, uma significativa ode aos entorpecentes.

Rápido, intenso e formidável que puta disco.

O respeito pelos fãs – algo que sempre foi uma marca dos caras – esteve presente neste álbum. Essencial na discografia de quem pretende gostar de Rock and Roll.

Medalha de ouro. Se tu não conheces, na moral, mereces ser deitado na porrada.

Um disco que, apesar de ter sido anunciado como último trabalho, não perdeu a “aura Ramônica” e, longe de ser um caça-níquéis, feito por caras cansados e desgostosos, soa como um verdadeiro “The best of”, de tanto esmero e vontade.

A capa, uma das mais horríveis e esdrúxulas já feitas, eram dois dinossauros com sombreiros, com o título em espanhol.

É sem dúvida alguma, um daqueles discos verdadeiramente pensados, com canções eternas; um daqueles que tu colocas pra tocar do começo ao fim sem medo.

Sim, foi o último e acabaram em grande estilo. O mundo teve que sobreviver sem os Ramones. “Não queremos nos estender além da conta”, declarou Joey Ramone.

E no final, a saída por cima; “Adiós Amigos” mostrou que máxima de Bruce Wayne é verdadeira: “Ou você morre como um herói, ou vive o bastante para se tornar um vilão”. Os Ramones foram simplesmente fodas do começo ao fim.

Este texto é dedicado a Renato Atayde, Luis “Espalha Lixo” Xavier, Fábio “Macumba” Evangelista e Alex “Skoria” Rodrigues que, assim como eu, também tiveram o caráter formado por Ramones.

Ramones Forever.

*Marcelo Guido é jornalista. Pai da Lanna Guido e do Bento Guido. Maridão da Bia.

Se vivo, Renato Russo faria 60 anos hoje. Viva o maior poeta do Rock brasileiro!

Renato Manfredini Júnior não foi só mais um carioca que cresceu em Brasília (DF). Renato Manfredini Júnior nasceu em 27 de março de 1960 no Rio de Janeiro. Ele viveu parte da infância com a família em Nova York e, aos 13 anos, se mudou para Brasília. O cara foi um cantor e compositor sem igual. Liderou a Legião Urbana (composta por ele, Marcelo Bonfá, Dado Villa Lobos e Renato Rocha) e obteve um enorme sucesso de público e crítica. Se estivesse vivo, hoje o maior poeta do Rock brasileiro faria 60 anos.

A Legião foi e sempre será a maior de todas as bandas deste país. Eles venderam 20 milhões de discos durante a carreira, mais de uma década após a morte de Renato Russo, a banda ainda apresenta vendagens expressivas. O som dos caras me remete ao passado, à situações, pessoas, alegrias e perrengues; enfim, foi a trilha sonora da adolescência de minha geração. Renato foi genial, sereno e místico. Um melancólico poeta românico, quase piegas, mas visceral. Era capaz de compor canções doces, musicar a história cinematográfica do tal João do Santo Cristo, cantada na poesia pós-punk de cordel (159 versos e quase 10 minutos) intitulada Faroeste Caboclo ou melhorar Camões (desculpem a blasfêmia lírica), como em Monte Castelo.

Como disse meu sábio amigo Silvio Neto: “Renato Russo foi Poeta pós-punk, de toda uma Geração Coca-Cola. Intelectual, bissexual assumido desde os 18 anos de idade, ele foi uma espécie de Jim Morrison brasileiro, não pela sua beleza física, mas pela consistência de suas letras que poderiam muito bem ter sido publicadas em livro sem a necessidade de ser musicadas”. Cirúrgico!

Em 11 de outubro de 1996, Renato Russo morreu, vitimado pela Aids. E como ele mesmo dizia: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, pois o para sempre não dura muito tempo. A Legião Urbana acabou oficialmente no dia 22 de outubro de 1996 e reuniu-se novamente 20 anos depois, em 2016, com outro vocalista e saiu em turnê pelo Brasil. Mas essa é outra história.

A força e universalidade das composições de Renato emocionaram toda uma geração e continuam mexendo com a gente. Acho que será sempre assim. Não sei o que Renato teria feito se tivesse mais tempo, mas com o pouco tempo que teve, fez muito. Fez demais pela música e arte nacional. O artista foi um dos nossos heróis (ainda tem quem não goste ou reconheça, mas paciência). Pena que o futuro não será mais como foi antigamente. Por tudo isso e muito mais, hoje homenageio Russo, que se eternizou pela sua música, poesia e atitude.

Valeu, Renato. Força sempre!

Elton Tavares

Discos que Formaram meu Caráter (Parte 47) – “London Calling” …The Clash (1979) – Por Marcelo Guido

Por Marcelo Guido

Salve moçada do bem!

A nave deu pane, mas estamos de volta.

A batalha contra o tédio constante não pode parar e o viajante das notas e riffs não poderia abandonar vocês por muito tempo. Vagando sem rumo pelo mundo dos discos e espaço avante, trago para vocês mais uma bolacha histórica.

É com muito orgulho que vos apresento: “London Calling” – o terceiro trabalho dos caras do The Clash.

Todos de pé!

Corria o ano de 1979 e as coisas não estavam nada bem no mundo; na Inglaterra, uma recessão escrota pra cacete; a sombra da mesmice parecia não querer sair da cabeça dos caras; a juventude em polvorosa já tinha explodido contra o sistema; o movimento Punk colhia os bons frutos de sua sagaz rebeldia.

No Irã, a crise com os reféns americanos; era petróleo vazando a rodo no golfo do México, o barril do óleo negro nas alturas e a crise enérgica atingia o mundo capitalista como há muito tempo não se tinha notícia.

Dentro desse contexto todo, Joe Strummer, Mick Jones, Paul Simonon e Nicky “Topper” Headon, participantes ativos da primeira onda punk britânica, entraram em estúdio em agosto de 79, cheios de inspiração e conceberam tal obra prima.

Já tendo abalado as estruturas na terra da Rainha, com os excepcionais “The Clash” (1977) e “Give ‘Em Enough Rope” (1978), os caras já mostravam serviço. As letras anarquistas – de cunho político – eram a sua marca. Mas, de repente, a ilha já não era suficiente para acolher toda a fúria; estava na hora do passo seguinte, o mundo precisava da verve do Clash.

Com uma proposta única na época de expor o caos mundial, a intenção do disco é claramente mostrar uma transmissão de rádio de um futuro distópico, onde o medo e a insegurança dominam as mentes e corpos dos seres humanos depois de anos de crise. Um futuro onde o protagonismo não é dos vencedores, e sim dos derrotados.

Flertando com diversos ritmos musicais, que vão do reggae e funk ao Rockabilly, os caras acabaram gravando um disco que realmente mudou de vez a história do rock and roll no mundo.

Vamos ao que realmente importa e tentar entender esta maravilhosa bolacha negra:

O disco começa logo a mil com “London Calling”; a faixa título originalmente chamada “Ice Age” é uma mostra do caos que está por vir; cita um acidente nuclear e também zomba daquilo que o movimento punk tinha se tornado: um caça-níqueis. “Brand New Cadillac” cover de uma canção de Vice Taylor, cantor popular na Inglaterra que fez uma longa jornada no deserto por conta de seu vício em álcool e drogas. “Jimmy Jazz”, uma clara menção à barbaridade na aplicação das leis pelos policiais. “Hateful”, uma narração de uma relação ambígua entre o narrador e o negociante. “Rudie Can’t Fail”, a insegurança que o adolescente tem em se tornar um adulto responsável. “Spanish Bombs”, aborda desde a guerra civil espanhola, até os atentados do Ira em solo britânico. “The Rigth Profile”, o caos pessoal dentro de alguém que vê a realidade escondia. “Lost In The Supermarket”, o consumismo incessante que pode te deixar escravo. “Clampdown”, uma crítica feroz ao sistema, que te faz trabalhar e pensar igual a ele, te tornando preconceituoso, sombrio. “The Guns Of Brixton” outra ode à violência do estado contra os menos favorecidos. “Wrong ‘Em Boyo”, desonestidade, trapaça; você acaba desconhecendo os limites em saber o que é errado. “Death or Glory”, morte ou glória, são apenas opções. “Koka Kola” uma ode às drogas “Coca adiciona vida onde não há”, a propaganda mundana. “The Card Cheat”, a carta na manga que todos temos. “Lovers Rocks” um toque de amor dentro da destruição. “Four Horsemen”, tristeza, miséria, desesperança e ódio, as quatro companhias. “I`m Not Dow”, vitórias diárias sobre nossos desafios. “Revolution Rock”, cover do Jamaicano Dany Rey. “Train in Vain”, promessas não cumpridas.

Que puta disco, nada mais nada menos que foda. Singular em sua forma, arrebatador em tudo.

Quem não conhece, nem merece estar vivo.

Com esse fenomenal disco, o The Clash ganhou o mundo. Não é nem preciso dizer que foi o cartão de visita dos caras neste lado do mundo; abriu as portas do mercado americano e vendeu pra caralho.

Considerado o maior sucesso dos caras, sem perder o caráter revolucionário, o Clash, obrigou a gravadora a vender o disco que é duplo, por preço de álbum simples, para que a mensagem chegassem a todos.

A capa, um caso à parte, a imagem icônica de Simonom arrebentando sua fender ao chão do palco, e a tipografia, uma simbólica homenagem ao álbum de estreia de Elvis. Tão histórico, que virou selo postal em 2010.

Há mais de 40 anos de seu lançamento, um disco revolucionário desde a capa, até as letras e a sinfonia. Um verdadeiro monumento à boa música. Está entre os 500 melhores discos já feitos na lista da Rolling Stone, e em 2007 entrou para lista dos 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Fame.

Conheci esta linda conjuntura de músicas, nos meus 16 anos, no longínquo ano de 1996. Desde então, ela faz parte de mim. Foi um verdadeiro soco na cabeça, onde pude receber uma alternativa social em minha vida.

Este disco deu voz aos excluídos e posso considerá-lo uma partitura sagrada do Punk Hardcore. No mais, fica sempre uma pergunta no ar:

Será que existe futuro?

Este texto é dedicado a Anderson Clayton.

*Marcelo Guido é Jornalista. Pai da Lanna Guido e do Bento Guido. Maridão da Bia.