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29 anos da morte de Renato Russo – Urbana Legio Omnia Vincit! – #classicrock #rock #RenatoRusso #LegiãoUrbana #InMemoriam

Renato Russo – Foto: Oscar Cabral/VEJA

Era sexta-feira, 11 de outubro de 1996. Eu tinha 20 anos. Acordei com o telefonema do Adelson: “Cara, o Renato Russo morreu!”. Fiquei, no mínimo, uns dez minutos atônito com a informação, quase em choque.

Hoje (11) completam-se 29 longos anos sem Renato, vitimado pela Aids. E como ele mesmo dizia: “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”, pois o para sempre não dura muito tempo.

“Somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião. Nós somos o futuro da nação: geração coca-cola.”

Renato Manfredini Júnior não foi apenas mais um carioca que cresceu em Brasília (DF), mas um cantor e compositor sem igual. Liderou a Legião Urbana (composta por ele, Marcelo Bonfá, Dado Villa-Lobos e Renato Rocha) e alcançou sucesso de público e crítica.

A Legião foi e sempre será a maior de todas as bandas deste país. Vendeu 20 milhões de discos durante a carreira e, mais de uma década após a morte de Russo, ainda apresenta vendagens expressivas. O som da banda me remete ao passado, a situações, pessoas, alegrias e perrengues. Enfim, foi a trilha sonora da adolescência da minha geração. A Legião Urbana acabou oficialmente em 22 de outubro de 1996.

Renato foi genial, sereno e místico. Um melancólico poeta romântico, quase piegas, mas visceral. Era capaz de compor canções doces, musicar a história cinematográfica do tal João do Santo Cristo, contada na poesia pós-punk de cordel (159 versos e quase 10 minutos) intitulada Faroeste Caboclo, ou melhorar Camões (desculpem a blasfêmia lírica), como em Monte Castelo.

Como disse meu sábio amigo Silvio Neto: “Renato Russo foi poeta pós-punk de toda uma geração Coca-Cola. Intelectual, bissexual assumido desde os 18 anos de idade, foi uma espécie de Jim Morrison brasileiro, não tanto pela beleza física, mas pela consistência de suas letras, que poderiam muito bem ter sido publicadas em livro sem a necessidade de serem musicadas”. Cirúrgico!

Legião Urbana em 1983 – Foto: Legítimos Legionários.

Renato Russo tem 154 músicas e 309 fonogramas (gravações) cadastrados no banco de dados do Ecad. Ao todo, suas canções já renderam 757 gravações de artistas como a própria Legião Urbana, Capital Inicial, Cássia Eller, Leila Pinheiro e outros.

A maioria dos seus rendimentos de direitos autorais vem dos segmentos de shows, rádios e música ao vivo, que correspondem a 80% do que lhe é destinado. Seus herdeiros continuam a receber os direitos autorais pela execução pública de suas músicas. Esse pagamento é assegurado por 70 anos após a morte do autor (ou do último autor, em caso de parcerias).

As canções da Legião Urbana marcaram minha geração e as anteriores. A força e a universalidade das composições de Renato emocionaram gerações e ainda mexem conosco. Acredito que será sempre assim. Não sei o que Renato teria feito se tivesse mais tempo, mas, com o pouco tempo que teve, fez muito. Fez demais pela música e pela arte nacional. O artista foi um dos nossos heróis (ainda há quem não goste ou reconheça, mas paciência). Pena que o futuro não será mais como foi antigamente.

Se vivo, Renato teria completado 64 anos em março passado. Com certeza, seria um combatente contra os fascistas que enfrentamos nestes tempos. Em outro texto, escrevi que “a Legião Urbana somos nós, os fãs”. Sim, “somos os filhos da revolução”. Por tudo isso e muito mais, hoje homenageio Renato Russo, que se eternizou pela música, poesia e atitude. Força sempre!

Naquela mesma sexta-feira, o filho dos meus amigos Lígia Pontes (Marruá) e Paulo Bittencourt (Boca-Mole) nasceu. Fui buscar a mãe e o bebê na maternidade. O nome dele? Lucas Renato. Urbana Legio Omnia Vincit!

Elton Tavares

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