Domingo…

                                                                                         Por Silvio Carneiro
O domingo surge, enfim, radiante de um amarelo-sol. Eu não gosto de domingos. Tenho os meus motivos. Domingo era dia de missa obrigatória, almoço em família à mesa posta e, depois, por não ter absolutamente nada para se fazer num dia consagrado ao ócio não-criativo, ao ócio dormente, assistir aos intermináveis programas televisivos de auditório, os quais o apresentador mostra um sorriso “franco e puro para um filme de terror” (como diria Raulzito) e a plateia é guiada cegamente por plaquinhas que ordenam: “aplausos” (e as pessoas mecânicas aplaudem); “risos” (e as pessoas mecânicas riem) e por aí vai.

Com o passar dos anos, o domingo virou dia “pra ir com a família no jardim zoológico dar pipoca aos macacos”. Mas também, assim como Raulzito, eu me tornei com o tempo aquele sujeito chato “que não acha nada engraçado: macaco, praia, carro, jornal, tobogã…”. Sim, eu também acho tudo isso um saco.

Eu odeio domingos. A vida era para ser feita de sábados. É só aos sábados que as pessoas são felizes. É aos sábados que todos celebram a vida e almejam a felicidade eterna. É aos sábados que as pessoas viram “caça” ou “caçador”, e aqueles que já possuem seus amores se renovam e trocam juras de amor eterno, tornando o resto dos dias de suas semanas sempre uma grande festa.

Domingo tem aparência de fim absoluto – mesmo a vida sendo eterna. É como se nascêssemos na segunda-feira, crescêssemos ao longo dos dias, amadurecêssemos às quintas-feiras, morrêssemos às sextas e chegássemos ao paraíso aos sábados. O domingo é como um purgatório. E ainda que surja, enfim, radiante de um amarelo-sol, continua me parecendo frio e sem vida…

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