Feliz aniversário, Adelson Gama! – Texto republicado, mas sincero.

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Hoje, um dos doidos varridos mais doidos que conheci na vida faz aniversário. Éramos de uma turma que, graças a Deus, se separou, pois senão alguém iria morrer. Quem muda de idade neste último dia de maio é o pai da Ana Clara, percursionista, batuqueiro do Banzeiro Brilho de Fogo, ex-skatista, roadie, campeão mundial de “aplique”, malandro em tempo integral, amante de Rock and Roll, filósofo marginal e brother das antigas, Adelson Gama Bezerra.

Nunca pensei que escreveria um texto de felicitações para o “Beço”. Passei anos brigado e amargurado com o cara, xinguei-o de tudo o que conseguia lembrar de ruim naqueles dias de fúria, mas passou. Vale ressaltar que ele tem culpa, sim, não o estou isentando de nada por ser seu natalício (ainda odeio quando ele fala seu carioquês ou paulistês). Também não sou hipócrita de dizer que voltamos a ser os grandes amigos do passado. Não, não voltamos. Mas, a exemplo de uma noite em 2016, em que conversamos bastante e rimos do passado, foi bacana curtir bons momentos em sua companhia. Andei com o Adelson de 1994 a 2000 e, apesar dos seus erros, ele foi sim fundamental na construção da minha visão de mundo.

Nos conhecemos no Colégio Amapaense, mas fizemos amizade andando pelas ruas e estradas da loucura. Sim, nós nos divertimos muito, mesmo com todos os sonhos e incertezas daquele momento. Quando não tinha grana para cerva, era rum, vodka ou cachaça. Nós éramos metidos a rebeldes (rebeldia muitas vezes sem sentido, natural dos 20 e poucos anos). Tempos de festas de garagem, estilo de vida meio Bukowski e com trilha sonora rock’n’roll.

Com o Adelson, foram muitas conversas regadas a bebida barata e som bacana. Muitas pisadas na madruga. Muitas brigas e muitas verdades ditas na cara. Um turbilhão de doideiras. Ele foi um dos amigos que me deram apoio na época da morte de meu pai, em 1998. Sou grato por isso.

Adelson é um cara com a inteligência acima da média e que poderia ter sido qualquer coisa na vida. Tem ótimo papo, comportamento descolado e poder de persuasão. Isso se quisesse, mas suas cartas já estavam marcadas desde os anos 90.

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Eu, Adelson e meu irmão Emerson. Maio de 2016.

Ele parecia sacar de tudo um pouco. Assim como o Edmar, Lígia e mais alguns amigos da turma, era politizado pra idade. Com ele bebi, briguei e pirei mais do que posso contabilizar. Nunca consegui ser um cidadão convencional, mas finjo bem. Já o “Beço”, com a barba mal feita, malandrosamente rindo, Adelson está sempre em busca de uma festa, um barato para curtir, som legal, amor ou alguma coisa que sacie temporariamente sua sede de diversão.

Por outro lado, acredito que Adelson vive do jeito que escolheu. Quem sou eu para julgá-lo? Já passei do tempo de querer que as pessoas pensem como eu. E já faz muito tempo.

Adelson, mesmo nos tempos em que passamos sem nos falar, nunca desejei o seu mal. Torço para que você seja sempre feliz e encontre a paz para sua inquietação crônica. Saúde e sucesso, mano velho!

Meus parabéns e feliz aniversário!

Elton Tavares

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