O fabuloso mundo do colunista social

Navegando pelos blogs, encontrei este na página “Quem matou a tangerina?”. Ele descreve exatamente o que penso sobre colunistas sociais, programas circulantes e sites de fotografias de festas amapaense (aquelas que só falta a legenda: “Playboy pateta e patricinha fútil na boite”). Estes sites e publicações são idiotas, como diz o meu irmão, verdadeiros “cardápios de sequestradores”. É cômico ver, em festas locais, a galera correndo para cima dos fotógrafos, tudo para sair “na balada” (risos). Enfim, leiam o texto:

“Eu não gosto nem um pouco de generalizar. Aliás, eu odeio quem costuma generalizar um termo pejorativo, característica comum ou possível defeito de um grupo de indivíduos. Mas eu preciso dissertar sobre um grupo que tem minha total discriminação e, talvez, um breve e perecível sentimento pena. O colunista social.

Assim como o diretor de arte é desenhista frustrado, o professor um profissional medroso e comentarista de futebol um perna de pau renegado em peneiras, o colunista social é um sonhador que não deu certo. Observe o cumulo do fracasso existente nessa descrição, “um sonhador que não deu certo”. É falhar até fantasiando.

Essa “profissão”, que tem até um dia em Mato Grosso, é a personalização do “gozar com o pau dos outros”. Ser colunista social é publicar exclusivamente, com orgulho, fotos da última viagem do publicitário com o dinheiro público para Roma, ou quem sabe o batizado da sobrinha da primeira-dama do suplente de secretario de infra-estrutura de Guarantã do Norte. Que possivelmente foi patrocinado com desvio de verba.

Nada, em qualquer momento, um dia vai superar a inutilidade e vergonha alheia existente na tradicional coluna social. Existe uma formula mágica para criá-la, digo isso com a autoridade de quem foi estagiário e precisou escrever uma durante meses. “Badala”, “o bonito casal”, “elegante”, “aproveita” e “o(a) conhecido(a)” são termos e adjetivos imprescindíveis. Como amostra de sua humildade, o colunista social nunca cita seu nome. Ele sempre apresenta-se como “este colunista”. Exemplo: “vai estar comemorando na próxima sexta-feira o seu aniversário com amigos a bonita Clarice Gama. O evento será em Chapada dos Guiamarães. O buffet é assinado por este colunista”. E por aí vai.

Outra característica do colunista social, principalmente o de cidades pequenas, é a mania de grandeza. Alguns fazem o ridículo papel com festas temáticas. E quando não estão contratando atores da TV Globo para comparecem em seus aniversários, surgem em baladas como recepcionista. Agem como se estivessem no Studio 54, com a arrogância de quem estivesse preste a barrar Andy Warhol e Ringo Star.

Contudo, entre todos os vícios que compõem o profissional de colunismo social, há uma peculiaridade que extrapola qualquer discutível falha humana. A burrice. E se tem algo eu odeio é gente burra. O colunista social é o pai dos infelizes que não obtiveram uma mínima conquista na vida. É o ser que vive da estupidez burguesa de fazer não por prazer, mas para os outros invejarem. Ou seja, ele depende da inutilidade humana para manter-se como alicerce desse desserviço à sociedade.

Enquanto existir coluna social nos jornais, nunca faltará forro para a gaiola do seu periquito, tapete para o carro ou embrulho de peixe. Talvez as maiores utilidades encontradas para as páginas de colunismo social após os surgimento desse lifestyle. Colunistas sociais. Obrigado por limparem nossos pés.





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