Querido Papai Noel – Conto de Natal de Ronaldo Rodrigues

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Conto de Natal de Ronaldo Rodrigues

– Deixa de coisa! Vamos embora! Papai Noel não existe!
– Claro que existe! E ele vai aparecer hoje pra deixar o presente que eu pedi!
– Espera sentado! Eu vou dormir. Papai Noel pode até existir, mas ele nunca lembra da gente!

O mano maior disse aquilo ao mano menor e entrou para dormir. O mano menor ficou ali, no quintal, sob o orvalho da madrugada, só pensando: “Poxa. Bem que o Papai Noel poderia aparecer aqui com o meu presente. Eu ia correndo acordar o mano maior pra dizer que ele tava enganado pensando que Papai Noel não existe”.

O mano menor desistiu de esperar Papai Noel e entrou no quarto onde dormia na cama de cima do beliche, enquanto o mano maior dormia na cama debaixo. Teve uma surpresa quando viu um embrulho em cima da cama. E acordou o mano maior:
– Olha só! Papai Noel teve aqui e deixou um presente pra mim!

O mano maior, bocejando e reclamando por ser acordado, falou bruscamente:
– Só se ele entrou quando eu tava dormindo, porque eu não vi nada!

O mano menor, abrindo o embrulho:
– É que Papai Noel é mágico! Ele entra nos lugares sem que ninguém veja.
– Tudo bem! Agora me deixa dormir.

O mano menor olhou para o mano maior com um olhar de compaixão:
– Poxa! Ele não deixou nada pra ti, né?
– É que eu já sou grande.

O mano menor falou com um certo ar de reprovação:
– É que tu não acredita nele…

O mano maior respondeu, já se virando na cama:
– E não acredito mesmo! Boa noite!
– Boa noite! E Feliz Natal!

O mano maior ficou ouvindo a oração que o mano menor fazia na cama de cima do beliche:
Obrigado pelo presente, Papai Noel! Esse carrinho é o brinquedo que eu queria mesmo. O senhor acertou! Só quem sabia que eu queria esse carrinho é esse meu mano maior aí embaixo. Ele não acredita no senhor, mas ele é bacana. Perdoa ele! Agora eu vou guardar o meu carrinho, dormir e amanhã bem cedo eu vou brincar com o presente que o senhor me deu. Boa noite, Papai Noel!

Desligou a luz sem ver o brilho dos olhos do mano maior, que comemorava o fato de continuar mantendo no mano menor aquela chama de fantasia que embala tantas crianças por tantos anos.

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