Roupa suja

Crônica de Ronaldo Rodrigues


Levei minha trouxa de roupas sujas à lavanderia. A lavagem é barata, o problema é que a roupa volta suja, às vezes mais suja do que levei. Não sou de reclamar, tenho preguiça e precaução, já que em muitos estabelecimentos eu já vi clientes sendo destratados por reclamar. E olha que a reclamação é, na maioria das vezes, justa. Tenho medo de reclamar e a pessoa tirar uma escopeta de trás do balcão e acertar meu triste coração.

Mas reuni um pouco da remota coragem que algum remoto ancestral me legou e mostrei à atendente a mancha de lama na minha calça. Ela respondeu que aquela mancha não saía nem com o melhor produto já inventado para tirar manchas. Engoli a resposta e coloquei a culpa na rockada da qual participei, me jogando pelo chão enlameado do Espaço Caos, o que causou aquela mancha.

Outro dia deixei uma camisa branca na tal da lavanderia e ela voltou lilás. Ajustei a situação à minha incapacidade de reagir e achei legal. Afinal, eu gosto da cor lilás. Lembra a minha querida sobrinha Anna Victória que, quando bem pequenininha, chamava lilás graciosamente de dilás.

Quando vesti uma das minhas muitas camisas preferidas (digo muitas camisas preferidas porque, quem tem pouca roupa, muitas são as preferidas), notei a falta de um botão, justamente aquele mais próximo ao pescoço, que arremata o abotoamento. Gosto de usar todos os botões e fiquei me olhando no espelho partido. Acho brega o cara que deixa a camisa aberta. Aí fui à lavanderia reclamar. Cheguei lá e a atendente era outra. Muito bonita, por sinal. Mostrei o botão, aliás, a falta do botão, e ela me disse, muito sensualmente:

– Ora, botão! Pra que botão? Quanto menos botão, melhor, na hora de transar. Por falar nisso, vamos?

Ela me puxou para trás do balcão, arrancou minha camisa, junto com o resto dos botões, e transamos ali mesmo. Nunca mais reclamei da lavanderia.

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