A história do rock amapaense – 4ª capítulo

                                        Por Elton Tavares, Igor Reale e Camila Karina

Coletivo Palafita, a galera que movimenta o rock do Amapá – Imagem: Blog do Coletivo Palafita

Não podemos contar a história do rock local sem falar do grupo cultural Coletivo Palafita. Fundado em 2006, os palafitas se lançaram na difícil missão de alavancar o rock local e, com muita competência e força de vontade, conseguiram. O Coletivo firmou uma parceria com o cantor compositor Naldo Maranhão (que na época tinha gravado um CD no estúdio Poliphonic Records, do Otto Ramos, um dos mentores do grupo cultural). O trabalho em equipe resultou, em julho do mesmo ano, na inauguração do Bar Tribal.O Coletivo Palafita por ele mesmo:

“O Coletivo Palafita tem o objetivo de atuar na cena cultural Independente no Amapá e facilitar, em sintonia com outros centros, a articulação de seus produtores e agentes. Nosso foco é a produção, divulgação e distribuição, entre outras atividades da arte e da cultura, mais especificamente aquelas de setores alternativos da música, do audiovisual, da literatura e etc.”

O Bar Tribal agitou as noites amapaenses durante algum tempo e depois fechou, pois a parceria com Naldo não rendeu muito. Mas o local ajudou o público rock a entender a proposta do coletivo. Muita coisa mudou de lá para cá, muitos integrantes saíram do grupo, que ganhou muitos novos colaboradores. O Coletivo Palafita é hoje um dos grupos mais ativos, organizados e respeitados do Circuito Fora do Eixo, que é formados por equipes do Brasil todo.

As bandas independentes sempre caminharam, e como já foi escrito aqui, várias delas ganharam seus louros (à quem de direito, claro), mas é fato que nunca a cena de música independente teve tanta amplitude como agora, que o Coletivo Palafita movimenta, e que movimentação!

O velho Liverpool Rock Bar, que o povo rock´n roll freqüenta, agora quase não tem atrações de bandas covers e sim de bandas com músicas autorais.Alguns órgãos do Estado começaram a olhar, timidamente é verdade, para os talentos musicais tucujús e dar aquela força. Os festivais de música independente de outros estados têm atrações macapaenses na lista e revistas de circulação nacional pintaram por aqui para fazer matéria e tudo mais.

E mais, já ouviu falar do Festival Quebramar e Grito Rock? Já foram cinco festivais, sendo três “O Gritos do Rock” e dois “Festivais Quebramar”. O último Festival Quebramar, que contou com a atração nacional Ratos de Porão, surpreendeu pela força de vontade dos seus organizadores. Sim, o Coletivo Palafita corre atrás mesmo, e isso é louvável. Macapá ainda é um bebezinho no quesito “entretenimento”, mas é impossível negar o impulso quase colossal que o Coletivo Palafita deu para a cena amapaense.

Além de festivais, o Coletivo Palafita promove oficinas de produção musical,circulação de bandas amapaenses, por meio do projeto Toque no Brasil (TNB), Calendário Palafita de Atividades de Formação. Com o incentivo do Programa Mais Educação, do Governo Federal, o grupo também tem membros dando aulas de reforço, caratê e esportes em geral, em escolas da rede pública.

As bandas do Coletivo Palafita que já saíram do Amapá, para fazer shows em outras cidades do Brasil foram: stereovitrola, que se apresentou em Belém(PA) em três oportunidades, no evento Agosto do Rock, em 2006, Festival Serasgum, em 2007 e no bar Café com Arte, no ano passado.

A banda Mattyrium foi a Belém em dois anos consecutivos (2008 e 2009), para o festival de bandas do chamado “white metal”. A Godzilla também foi tocar na capital paraense, no Serasgum 2009. A SPS12 tocou no Acre, em setembro passado, no Festival Varadouro.

Apresentaram-se na “cidade das palmeiras”, como Belém é chamada pelos vizinhos maios apaixonados, o cantor e compositor Roni Moraes (por sinal, muito foda!), banda Relles e Nova Ordem, todos no Fórum Social Mundial (FSM), realizado em janeiro do ano passado.

A Mini Box Lunar é, como eu já contei no capítulo anterior, a banda mais experiente do Coletivo no quesito “estrada”, por assim dizer. Também fez shows na capital paraense, no Serasgum 2008, em Rondônia, no Festival Casarão, O Grito do Rock em Cuiabá (MT), Festival Release Alertnativo e Goiânia Noise, em, é claro, Goiânia (GO), Fórum de Cultura Digital, em São Paulo (SP), São Carlos (SP) e São Caetano (SP) e Uberlandia (MG), tudo em 2009, ufa!

Não é a tôa que a Mini Box é chamada, por alguns insatisfeitos, como “A banda do Coletivo Palafita”, mas eu concordo, tem que sair daqui sim e eles correm atrás disso. Afinal, ninguém consegue reconhecimento sem trabalho, talento e correira.

Em 2010, dentre todos o Coletivos do Circuito Fora do Eixo, o Palafita é o que mais enviará bandas para fora, são elas : Amaurose, que tocará em Campo Grande (MS) em 12-02 e Cuiabá (MT) no dia 14-02; SPS12, Brasília (DF) em 28-02 e Cuiabá, no dia 20-02; Profétika, que se se apresentará em Rio Branco (AC), em 15-02; Nova Ordem, na cidade paraense Abaetetuba, em 12-02; E Fax Modem, que tocará em Belém, no dia 06-02 e Abaetetuba, em 12-02.

Algumas bandas de fora do Coletivo Palafita tembém começaram a se articular. O cantor e compositor amapaense, Alan Yared, lançou, em 2009, a música “Sai fora tio Sam”. A canção, homônima ao single, foi executada nas rádios Cultura de São Paulo (SP) e Cultura de Belém (PA). Em meados dos anos 80, foi um dos precursores do movimento de rock na capital (como já contei no primeiro capítulo). Outra galera que trabalha, ainda de forma desorganizada, é o “Liberdade Ao Rock”. Liberdade ao rock

O “Liberdade Ao Rock” é um movimento, originado em 2008, que visa a democratização de espaço para as bandas amapaenses possam mostrar o seu trabalho. O evento ocorre na Praça da Bandeira (famosa por manifestações políticas e estudantis), no centro de Macapá.

A entrada no movimento é livre. A banda precisa, apenas, freqüentar as reuniões (que ocorrem as quartas feiras, no mesmo local onde ocorre o evento), se inscrever e ajudar, quando puder, com a gasolina para o transporte dos equipamentos.

O evento ocorre no sábado, a partir das 19h. A livre participação de bandas, proporciona, ao público, bons e maus momentos de entretenimento (às vezes o som está uma merda), mas na maioria das vezes, a iniciativa garante bons momentos de diversão gratuita aos amapaenses.

Espaço Aberto

Um grupo de pessoas ligadas a cultural amapaense, como a vocalista e instrumentista Rebecca Braga, organizou, em 2009, o Espaço Aberto (EA). A idéia inicial do EA era de um “espaço livre”, onde todas as formas de arte convergissem para a melhora do (ainda) precário cenário cultural amapaense. A proposta era entretenimento e cultura por um custo mínimo (entrada R$ 1,00 e bebida mais barata que nos outros estabelecimentos).

A iniciativa atraiu outros grupos culturais, como o Coletivo Palafita e, apesar das diversas limitações estruturais do local, o Espaço Aberto se tornou mais uma opção nas noites amapaenses.Não se sabe como o grupo que organizava o EA se dispersou, mas a verdade é que, dos membros originais do projeto, restou somente o dono da residência que o Espaço funciona. O Coletivo Palafita, se tornou responsável pela organização da agenda cultural do Espaço.

Hoje, o Espaço Aberto está com uma proposta bastante diferente da idéia que o originou. No local, o Coletivo Palafita realiza as suas atividades e eventos. O Espaço ainda conta com a participação de outros grupos culturais (como o pessoal do Hip Hop), porém, menos freqüentes. Apesar da nova ideologia comercial do local, o espaço ainda sofre com a falta de estrutura e regularização do estabelecimento.

MTV Macapá

Todos nós, amapaenses, ainda estamos aguardando as ações da MTV Macapá. Alguns mais sedentos afirmam que a emissora não contribui como deveria, não sei, prefiro acreditar que eles estão se organizando e que ainda farão muito pela cena local (tomara).

O Grito do Rock 2010


E ainda virá mais por aí, na próxima sexta (5), o Coletivo Palafita abrirá, na Praça Civica de Santana, a 4ª edição do festival O Grito do Rock. O evento é um movimento simultâneo, onde diversas cidades brasileiras são as sedes, e o Amapá está dentre elas. A novidade desta edição é que o evento será realizado em três cidades do Estado, Macapá, Santana e Mazagão, nos dias 5, 6 e 7 de fevereiro de 2010.

Outra boa nova é o apoio dado pelas prefeituras das cidades e governo (isso aqui não é jabá, só reconhecimento). É meus amigos, o velho chavão de que “A união faz a força” toma forma, onde todos unidos, no mesmo objetivo, um ideal coletivo movido pelo inconformismo, vontade de fortalecer o rock local e integrá-lo à cena alternativa nacional.


A verdade é que as verdadeiras bandas de rock do Estado se mantêm no underground, onde o equipamento de som pode não ser melhor, mas os músicos não precisam tocar O Rappa mais do que o próprio Rappa, Latino e outros fúteis então, nem pensar. O “problema”, para muitos, é que tais bandas não possuem um repertório só de “covers”, que tanto agrada o público amapaense, que é chegado em um “pop rock” (odeio estas duas palavras juntas). As bandas covers pouco diferem umas das outras, onde o público de tãntãns é o mesmo de todos os “pubs”, “lounges” ou outro nome para bar fresquinho da cidade.


Não esqueçam, o rock é um estilo de vida e não uma diversão burguesa e pretensiosa. Serviu e serve como protesto, o comportamento que não se comporta e a atitude que não se ata. Apesar dos pesares, calipsos e calcinhas, ainda tem gente que gosta de rock em Macapá. O importante é ressaltar que, aos poucos, estamos deixando o isolamento, e temos a oportunidade de mostrar a força amapaense pela célebre arte da música. Tomara que os produtores consigam impulsionar e alavancar o rock. Estilo com melodia, mensagem, idéias, pensamentos e opiniões. Estamos deixando de ser uma “sonífera ilha”.

Aquele papo de que roqueiro é marginal já era. É o mesmo que dizer que só bandido usa tatuagem, coisas de um passado equivocado. As coisas no Amapá mudaram, afinal, cultura é bem de consumo. Precisamos simplesmente de apoio para um estilo com identidade inovadora, livre, inventiva, criativa, anti-convencional e inteligente. E está acontecendo agora e convenhamos, um pouco de cultura e diversão nunca fez mal a ninguém… Viva o rock’n’roll !!!














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    Grande Coletivo, algumas pessoas ainda não enxergaram isso, mas a contribuição do Palafita é enorme mesmo, não queremos apenas deixar o nome de nossas bandas na memória das pessoas, mas sim contribuir de forma positiva para com a cultura no AP, e certamente nós “palafiteiros” seremos lembrados por isso um dia, vida longa ao Palafita!!

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