Bloco ‘A Banda’ celebra 50 anos de história nas ruas de Macapá

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Por Fabiana Figueiredo

O bloco mais antigo de Macapá vai completar 50 anos nas ruas da cidade, em 2015. Para comemorar o aniversário d’A Banda, o maior bloco de sujos do Amapá, a organização da festa pretende reunir cerca de 160 mil brincantes no desfile que vai acontecer dia 17 de fevereiro, no Centro da capital.

De acordo com o presidente do bloco, José Figueiredo Souza, de 77 anos, conhecido como Savino, A Banda surgiu com a proposta de sair pelas ruas da cidade para comemorar o carnaval, em meio a um cenário de ditadura militar.

Em 1965, cerca de 15 amigos se reuniam na sede do time de futebol Amapá Clube, quando um deles, Amujacy Alencar, saiu rumo à sede do governo do território na comemoração da “terça-feira gorda de carnaval”.

“A festa também tinha a proposta de se contrapor ao cenário político da época. Ao chegarmos ao paláabanda11cio, fomos proibidos pelos guardas territoriais de continuar com a festa a mando do governador, o general Luiz Mendes da Silva”, contou Savino.

Segundo o fundador, o grupo preferiu voltar para a sede do clube e, no ano seguinte, sair como um bloco de carnaval de forma mais organizada. “Foi lá onde continuamos a festa e decidimos que no próximo ano íamos desfilar novamente, porém naquele outro ano nós já não éramos só 15, mas 100 pessoas”, lembrou o fundador.

A música de Chico Buarque de Hollanda chamada “A Banda”, que era a canção do então candidato a deputado federal Janary Nunes, foi a mesma que deu nome e som ao bloco macapaense.

“Digo que a resistência à proibição do governador foi o maior impulso para que continuássemos com A Banda. Assim fomos organizando e em 1997 conseguimos nos tornar personalidade jurídica, nos tornarmos uma associação e somos considerados patrimônio amapaense”, disse o fundador do bloco, que também é presidente da Associação de Brincantes e Simpatizantes do Bloco de Sujos A Banda.abanda111

Patrimônio da cidade

O bloco de sujos já recebeu o título de “patrimônio cultural de Macapá” e “imaterial” do estado. Em 2014, a festa reuniu 150 mil pessoas que participaram do trajeto de mais de 5 quilômetros d’A Banda, segundo a Polícia Militar.

Trajeto

São esperadas cerca de 160 mil pessoas no desfile de 2015, que vai iniciar às 14h, na praça Veiga Cabral e encerrar na praça Barão do Rio Branco, no Centro de Macapá.

O trajeto original d’A Banda sofreu modificações em 2014, quando a Avenida FAB deixou de fazer parte do percurso, por causa da localização de hospitais na via. O bloco vai seguir pela Rua Cândido Mendes, Avenida Henrique Galúcio, Rua Tiradentes, Avenida Feliciano Coelho, Rua Leopoldo Machado, Avenida Ernestino Borges, com chegada à Rua São José, na praça Barão do Rio Branco.abanda1111

‘Bonecões’

O presidente do bloco garantiu que os bonecos, que são características d’A Banda, estarão presentes no desfile. A boneca “Chicona”, com cerca de três metros de altura, foi a primeira a participar do desfile em 1965.

Segundo Savino, a ideia de sair pelas ruas com um boneco grande também surgiu de forma espontânea.

“Chicona” era uma enfermeira conhecida na década de 1960. “Nós estávamos voltando para a sede do Amapá Clube quando vimos o ‘Cutião’. Ele que já tinha como profissão a montagem de grandes bonecos, estava no canto do estádio municipal [Glicério de Souza Marques] com uma boneca enorme. Quando vi achei ela a cara da ‘Chicona’, dei esse nome para a boneca que seguiu com a gente pelas ruas e segue até hoje”, lembrou.abanda11111

A segunda boneca da história d’A Banda é a “Iracema”. Ela representa a primeira dama do Território Federal do Amapá, Iracema Nunes, esposa de Janary Gentil Nunes, amigos dos fundadores do bloco.

Outro boneco é o “Anhanguera”, nome da rua onde um dia um dos integrantes d’A Banda morou e quis homenageá-la. Quando o conselheiro que se chamava Wanderlei morreu, a família pediu que o boneco então tivesse o nome dele, para homenageá-lo.

Também com a proposta de ser uma homenagem a quem contribuiu com a história do bloco, “Ari” surgiu como uma condecoração após a morte de um dos conselheiros d’A Banda, Arimatéia. Antes, ele recebeu o nome de “Arizinho”, filho do atual homenageado.abanda111111

O quinto boneco do desfile é “Cutião”, dedicado ao “bonequeiro” que montou a primeira boneca d’A Banda e morreu.

“Os bonecos agora são homenagens que fazemos a pessoas que de alguma forma contribuíram com o nosso bloco de sujos. Para se tornar um boneco, a decisão é tomada pelo conselho representativo d’A Banda”, disse Savino.

Com um custo em torno de R$ 7 mil, cada um, eles já estão sendo preparados para o desfile que acontece na terça-feira de carnaval.

Social

O bloco de sujos, segundo Savino, quer ser atuante durante outras épocas do ano. A proposta é montar uma sede social onde funcionará um auditório para eventos e espaços para aulas de informática para crianças da rede pública de ensino e aulas de capacitação profissional para jovens.Eunabanda

O prédio, localizado na Avenida Ernestino Borges, entre as ruas General Rondon e Tiradentes, no Centro de Macapá, está em construção desde junho de 2014.

Outra iniciativa social do grupo, é a participação do Instituto do Câncer Joel Magalhães (Ijoma) no desfile. A instituição vai vender cartelas ao preço de R$ 5, e fará sorteio de prêmios para os participantes. O dinheiro arrecadado ajudará no trabalho de apoio a pacientes com câncer feito pelo Ijoma em Macapá. O sorteio vai iniciar às 10h, na praça Veiga Cabral, com shows de cantores regionais.

“Queremos fazer uma comemoração bonita para os 50 anos da banda. Estamos esperando investimentos do governo, porém sabemos como está a situação financeira do estado e o que for investido será muito bem vindo. Nem por isso deixaremos de fazer um bom carnaval”, disse Savino.

Segundo ele, “A Banda é uma festa democrática, onde participam desde pessoas ricas até as pobres. A população em geral espera por esse dia de alegria na época do carnaval”.

Sobre a estrutura que será disponibilizada e o trânsito que será alterado, a organização da festa informou que ainda estão acontecendo reuniões com o governo do estado e com a prefeitura de Macapá para definição dos detalhes. Em 2015, o bloco recebeu um repasse estadual de R$ 150 mil.

Fonte: G1 Amapá

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