Boas práticas fitossanitárias garantem aumento da produtividade de grãos do Amapá

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A recente expansão das áreas de produção de grãos no Cerrado do Amapá, principalmente com cultivos de milho e soja, posiciona o Estado como uma das últimas fronteiras agrícolas do país. Projeções para daqui a 15 anos apontam que a área pode atingir o potencial máximo, com 300 mil hectares, tendo a soja como carro chefe. Nos últimos três anos, a área plantada de soja aumentou de 2 mil para quase 12 mil hectares. A Embrapa realiza pesquisas para avaliar o desenvolvimento, componentes da produção, sanidade e produtividade. É preciso, também, uma atenção especial às ameaças fitossanitárias que podem comprometer a produtividade dos cultivos. O analista de transferência de tecnologias da Embrapa Amapá, Gustavo Castro, destaca as orientações técnicas de controle e combate às doenças conhecidas como “Soja Louca II” e “Ferrugem Asiática”. “A Embrapa Amapá realizou capacitações para produtores e técnicos extensionistas. O resultado destas ações pode ser observado no aumento da produtividade de grãos na safra de 2015, gerando ganhos em produção de grãos, sem alterar a área plantada”, completou o agrônomo.

O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Amapá (Aprosoja/AP), Daniel Sebben, reitera que problemas fitossanitários representam um desafio nesse contexto de expansão da fronteira agrícola do estado. Ele cita as pragas – especialmente lagartas -, além de doenças como a “Ferrugem Asiática“ e também ao distúrbio conhecido como “Soja Louca II”, que causam prejuízos nas lavouras reduzindo a produtividade de grãos por área plantada. A “Soja Louca II” e “Ferrugem Asiática” foram as principais causas de prejuízos econômicos na safra agrícola 2013/2014 no Amapá. Gustavo Castro ressalta que a causa da “Soja Louca II” foi descoberta recentemente pela Embrapa, sendo atribuída ao nematoide do gênero Aphelencoides. “Quando ocorre, a planta não amadurece e registra alto índice de abortamento de flores e vagens. Normalmente é nas folhas mais novas que ocorrem os sintomas mais fortes. Elas ficam deformadas, as flores caem, não vingam e não produzem vagens”, explica o agrônomo. Já a “Ferrugem Asiática”, como é conhecida a doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, reduz a produtividade da soja através da desfolha precoce da planta que ocasionará uma redução na produção de grãos.

CENSO – O primeiro censo realizado com produtores de grãos do Amapá aponta uma estimativa de colheita de quase 30 mil toneladas de soja na safra 2015, em uma área cultivada de 11.150 hectares. A produtividade média deverá ficar em aproximadamente 44 sacos por hectare, ou cerca de 2,6 toneladas por hectare. Em termos comparativos, o censo mostra um pequeno crescimento em área plantada, porém grande aumento da produção total em relação à safra de 2014. No ano passado, o Amapá produziu em uma área de11 mil hectares, cerca de 23 mil toneladas de soja, com produtividade média de 36 sacos ou 2,1 toneladas por hectare. Os números são referentes ao censo realizado pela Embrapa Amapá e Aprosoja/AP, no período de março e julho de 2015, baseado em dados das duas últimas safras. “O foco deste trabalho foi corrigir distorções quanto a área cultivada com soja na safra 2014 e realizar o fechamento dos dados de colheita do ano de 2015”, explica o analista Gustavo Castro.

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Principais ameaças fitossanitárias dos cultivos de grãos do Amapá

Helicoverpa armigera – Esta lagarta foi identificada no Amapá em 2012, tendo causado prejuízos aos produtores durante a safra 2013. Isso gerou uma resposta rápida da Embrapa, que resultou no Caravana Helicoverpa armigera, percorrendo diversos estados do Brasil, inclusive o Amapá, orientando produtores e técnicos em técnicas de Manejo Integrado de Pragas para minimizar este problema.

Ferrugem Asiática. O Amapá não registrava histórico desta doença, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. Porém, em 2014 foi verificado um surto que gerou grandes perdas aos agricultores do estado. Com isso, a Embrapa Amapá realizou um curso voltado para o controle desta que é a principal doença da soja no Brasil.

Soja Louca II – Este é um distúrbio que provoca o retardamento do ponto de colheita da soja, fazendo com que ela permaneça verde e pouco produtiva até o momento da colheita. A Embrapa Amapá realiza estudos e treinamentos buscando reduzir a severidade deste problema, para que os produtores tenham soluções práticas e minimizem as perdas causadas pelo nematoide do gênero Aphelencoides.


Dulcivânia Freitas, Jornalista DRT/PB 1063-96
Embrapa Amapá
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Macapá/AP

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