Cada louco com sua coleção (crônica de Ronaldo Rodrigues)

Tem gente com cada mania! Uns, como George W. Bush, e outros presidentes dos Estados Unidos, como Ronald Reagan, tinham a mania clássica dos cientistas malucos de desenho animado: queriam, a todo custo, dominar o mundo (rá! rá! rá!).

Outros, mais normais (dentro de certos padrões), se contentam em colecionar coisas. O que leva um ser humano a tal prática é um dos enigmas da humanidade. Desde Imelda Marcos (que melda!), ex-primeira-dama das Filipinas, com seus milhares de sapatos, até o popstar inglês Elton John, contumaz colecionador de óculos, os malucos que colecionam não precisam de nenhum elemento motivador. Eles colecionam e pronto. Ponto.

Vejamos uma galeria desses tipos. Uma coleção deles:

Giz de bilhar

O cartunista Ronaldo Rony, péssimo jogador de bilhar, costuma levar para casa, depois de apanhar feio dos adversários mais desprezíveis, o giz que se usa para passar na ponta do taco. Como ele não consegue ganhar mesmo, sua vingança consiste em roubar (tem que ser roubado) uma grande quantidade de giz, que ele ostenta em sua estante, como se troféu fosse.

Nuas e cruas

O designer gráfico Joelson Dutra, às do bilhar, não quer saber desse jogo quando o assunto é coleção. O que ele guarda, com todo o carinho e tesão, são fotos e vídeos de mulheres nuas recolhidos da internet. Ele se gaba de possuir o maior acervo de seios de todos os tamanhos e genitálias nas posições mais perturbadoras. Ele afirma que essa mania se deve ao fato de sempre ter sido preterido pelas mulheres. Na tela do monitor, garotas sensuais sorriem para Joelson, que se regala no espaço virtual com aquilo que o mundo real sempre lhe negou.

Engolindo sapo

Paracildo Nogueiras coleciona sapos. São esculturas, pinturas e miniaturas. Os materiais variam: gesso, papel, madeira, pano, mármore… Uma estante inteira enfeitada com diversos espécimes desse (para alguns, repugnante) bicho. Paracildo justifica sua predileção por sapos: “Em minha profissão (ele não revela que raio de profissão é essa), preciso engolir sapo todo santo dia. Aí, quando isso acontece, recorro à minha coleção. Fico passando a mão na cabeça dos sapinhos e jurando, em vão, para mim mesmo: – Este é o último sapo que eu engulo… Este é o último sapo que eu engulo… Este é o último sapo que eu engulo…”. Depois disso, me acalmo e fico preparado para engolir mais sapos no decorrer do período”.

Colecionar é imperativo

O baixinho Romário colecionava gols e carros. Carlos Humberto coleciona selos, uma das coleções mais comuns. Mauro Mathias coleciona namoradas. Entre nossos entrevistados, descobrimos pessoas que colecionam lápis com ponta mordida, sabonetes de motel com pentelho, canecas de chopp das mais horrendas formas e até calcinhas manchadas com sangue de menstruação. Carlos Nero coleciona isqueiros alheios que, distraidamente, coloca no bolso e esquece. Para ele, foi criada uma nova classificação de criminoso: o pirocleptomaníaco.

E para finalizar esta crônica

Ficamos com a coleção de desafetos, construída caprichosamente pelo Homem-Rancor (um dia revelaremos sua identidade secreta) ao longo de mais de 50 anos. A outra é a coleção de amigos, cultivada pelos usuários de redes sociais, com seus mais de 300 amigos virtuais. Para eles, amizade dispensa envolvimento emocional, afetivo. O que importa é a quantidade.

Ronaldo Rodrigues

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