Ê mestre, tu pensas que todo mundo é burro?

                                                                                                        Por Elton Tavares

O meu irmão, Emerson Tavares, reside, há 10 anos, em Belém (PA), mas vem á Macapá uma vez ao mês, á trabalho. Ele é contador e presta serviço para algumas empresas da capital amapaense. Contou-me ontem um lance engraçado, por causa da repercussão do caso “Adautogate”, sobre o suposto desvio de dinheiro público, pelo ex-secretário de educação do Amapá. 

Conforme o mano, em dezembro de 1997, ele estava quase reprovado em Matemática e não tinha estudado para o exame final. Emerson estudava no Núcleo Amapaense de Ensino (NAE), cujo proprietário era (ou é, sei lá) o professor Adauto Bittencourt, o mesmo também era diretor da instituição.

Foi então que o meu irmão convenceu um colega, CDF roxo, daqueles que só tirava notas 10 ou 9, á fazer a prova no seu lugar. O plano era o seguinte: “Fulano, entramos juntos na Sala, o exame não será aplicada pelo professor e sim por outra pessoa, eu pego a prova de quem faltar e tu pegas a minha”.

Os dois fizeram como combinado. Emerson pegou a prova de um tal Maurício, que havia faltado naquele dia. Como não sabia nada, desenhou uma grande árvore de natal nela, com a frase: “Feliz natal Adauto”, uma travessura adolescente (risos). O colega safo fechou a prova e os dois saíram da sala para comemorar a proeza ardilosa.

Mas passada 1h, um funcionário do NAE foi na frente do colégio e disparou: “Ei Emerson, para você ir lá com o Adauto”. Puta merda! A casa caiu, pensaram os dois. O colega inteligente botou o caderno debaixo do braço e foi embora para sua casa e mano para a diretoria.

Ao chegar à sala do diretor, viu as duas provas, na mesa do mesmo, uma ao lado da outra. Foi quando Adauto perguntou: “Qual dessas provas é a sua?” e o Emerson: “Essa aqui”, apontando a resolvida, claro. Adauto propôs a anulação das duas e que meu irmão fizesse um novo exame, passado por ele próprio, na diretoria.

Emerson não topou, foi quando Adauto disparou: “Ê mestre, tu pensas que todo mundo é burro?”. O mano foi reprovado, mas isso não o afetou e hoje é um empresário de sucesso. Diante dos atuais acontecimentos e denúncias contra Adauto Bittencourt, tanto eu, quanto o meu irmão, gostaríamos de perguntar ao secretário afastado por corrupção: “Ê mestre, tu pensas que todo mundo é burro?” (risos).

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