Em sete programas, o fim dos espectros

                                                                                                    Por Denise Muniz

Pior que não é piada de salão..
Diz-se de espectros, figuras imateriais, reais ou imaginárias, que povoam o pensamento. Embora os personagens sobre os quais me refiro neste artigo sejam materiais – e, diga-se de passagem, dispostos a alcançar ainda mais materialidade –, suas aparições, nada comedidas, penetram em nossas mentes e grudam em nosso subconsciente como bombas coladas aos corpos de fanáticos radicais, prestes a detonar.

Nestas eleições, desenroladas com porções exageradas de desacertos, assistimos acabrunhados a uma onda de aparições de candidatos que mal sabem quais serão suas atribuições caso fixem suas nádegas nas confortáveis e disputadas cadeiras da Assembléia Legislativa.

Vimos de tudo. Papagaios, que inclusive fazem escola, como é o caso de um certo candidato “rebolation”, construtores com experiência técnica para edificar desde pequenas pontes em madeira até grandes hospitais ou escolas. E aquela velha: “você é especial para mim”. Sou especial para quem, cara-pálida? Você sequer sabe sobre a minha humilde existência. Tem ainda os menos profundos, porém, tão descomedidos quanto, que soltam encanecida frase: “você me conhece”. Como assim??? Jamais havia visto figura tão hilária antes.

Ok! Tem os que são criativos, admiro grandes idéias, mas, espera aí, falar os dois primeiros números de sua legenda e em seguida gesticular um pedido de socorro ao 190, aí já é demais. Nós, telespectadores, é que precisamos ser socorridos!!! Falando nisso, como posso admitir que um candidato que quer me representar numa tribuna pronuncie, ainda que no horário eleitoral, a palavra “cidadões”? Talvez essa tenha sido a matéria mais simples que estudei quando fiz o ensino fundamental, lá pela terceira série.

E por falar em escola, tem aspirantes à carreira legislativa que só podem ter passado por bons cursos intensivos de teatro. Com tamanho cinismo, aparecem em nossas telas, assegurados por liminares, jogando para a “dona justa” a culpa de não terem conseguido levar seus mandatos até o final. Quase consegui ver auréolas em suas cabeças.

Embora tenhamos nos divertido com tamanhas incongruências, basta. Deu no saco, e olha que nem o tenho. Finalmente em sete programas eleitorais, terminam esses espetáculos.

Só para encerrar, parece que quando o humorista Tiririca, que também disputa eleições este ano, pensou sua propaganda, já havia dado uma conferida nos candidatos amapaenses. Foi ele quem lançou a frase: “Você sabe o faz um deputado? Nem eu, mas vote em mim que descobrirei”. Tiririca é o preferido na corrida eleitoral para deputado federal em São Paulo. Uma prova de que se o palhaço é o eleitor, quem ganha com o circo são os deputados!!!
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    Eltão,
    só para ilustrar melhor, tem um candidato, apresentador de um programa carniceiro, na TV dos “bigodes e barbas” que em seu discurso prega que vai socorrer a saúde que está doente, a segurança que está insegura e a educação que está abandonada e finaliza “DOE EM QUEM DOER!” só que eu aprendi que a frase é “doa a quem doer!” mas, acho que aprendi errado, Perdão! ou ele não sabe oque está dizendo, não seria ele a ser socorrido e alfabetizado?

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