II Dia de Campo da Soja reúne produtores e extensionistas do Amapá (Por @DulcivaniaF)


O Valor de Cultivo e Uso (VCU) das 26 cultivares de soja testadas pela Embrapa no Cerrado do Amapá, para fins de cultivo em escala comercial, será apresentado aos produtores locais durante o II Dia de Campo da Soja no Cerrado Amapaense, a ser realizado na manhã da próxima sexta-feira, 5/9, no Campo Experimental do Cerrado (BR-156 / km 44), localizado no município de Macapá (AP). Para coordenar a demonstração dos dados e o estágio das plantas, que encontram-se em época de colheita, estará no Dia de Campo o pesquisador Sebastião Pedro da Silva Neto, um dos maiores especialistas em melhoramento genético de soja no Brasil. Ele faz parte da Embrapa Cerrados, localizada em Planaltina (DF).

O Dia de Campo tem como público alvo produtores que estão investindo no plantio de escala comercial de grãos no Amapá, principalmente soja. Após a apresentação dos dados do VCU, a etapa seguinte será a indicação de sojas adequadas para cultivo no Cerrado do Amapá, a ser divulgada ainda este ano pela Embrapa Amapá. A programação da sexta-feira contará também com o 5º Dia de Campo sobre o Sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), com uma visita à Unidade de Observação e detalhamento das práticas culturais.  De acordo com o analista da Embrapa Amapá, Gustavo Castro, durante levantamento da Embrapa junto aos produtores de grãos do Amapá, a principal reivindicação deles foi a necessidade de cultivares adaptadas para o Cerrado amapaense. Para atender a esta demanda, a Embrapa Amapá instalou experimentos para avaliar a produtividade de várias cultivares comerciais de soja.

No período de 2012 a 2014, a área de cultivo da soja no Cerrado amapaense avançou de 2 mil para 16 mil hectares. Projeções para daqui a 20 anos mostram que a área deve atingir o potencial máximo, com 200 mil hectares. Nesse contexto, o papel da Embrapa é fazer pesquisas avaliando o crescimento das plantas, o número de vagem por planta, o número de grãos por vagem, a produtividade, entre outros fatores. A parceria dos produtores tem sido muito importante para o sucesso das atividades de pesquisas. O VCU, por exemplo, deve ser feito em áreas experimentais da Embrapa e também dos produtores”, acrescentou Castro. De 2012 para 2013, a área plantada com grãos no Cerrado do Amapá saltou de 2,4 mil para 10 mil hectares, enquanto a produção de grãos passou de 7,6 mil toneladas para 25 mil toneladas no período. Considerando apenas a soja, a área saiu de 1,6 mil hectares em 2012 para 6 mil hectares ano passado, e a produção avançou de 4,2 mil toneladas para 15 mil toneladas no mesmo período.

Produção de grãos no Cerrado do Amapá – A produção de grãos em propriedades de média escala no estado do Amapá – sobretudo milho e soja – começa a se consolidar por meio da Cooperativa dos Agricultores do Cerrado Amapaense (Coopac). O compromisso da Embrapa com os produtores é trabalhar para consolidar as práticas de calagem e adubação, cobertura vegetal do solo, processos de cultivo, preparo do solo, época e densidade de semeadura, cultivares adaptadas, qualidade e tratamento de sementes, população de plantas, controle de plantas daninhas, pragas e doenças, Sistema Plantio Direto (SPD) e iLPF.

Cerrado do Amapá – As áreas de Cerrado do Estado do Amapá correspondem a 6,9% do território amapaense. De acordo com o levantamento da Embrapa Amapá, a área da BR-156, que liga Macapá ao município de Oiapoque, é “abraçada” pelo bioma Cerrado e esta área está totalmente fora da abrangência dos 72%da área protegida do estado do Amapá (Unidades de Conservação ou Área indígena). Com relação aos produtores de grãos do Cerrado do Amapá, 60% vieram da região Sul e 53% do Centro-Oeste. Quase a metade dos 15 produtores entrevistados pela Embrapa Amapá tem mais de 30 anos de experiência no ramo agropecuário, trazendo consigo a experiência adquirida em outras regiões de Cerrado, o que pode levar a uma melhoria significativa na tecnologia utilizada na agricultura do estado.De 2012 para 2013, a área plantada com grãos no Cerrado do Amapá saltou de 2,4 mil para 10 mil hectares, enquanto a produção de grãos passou de 7,6 mil toneladas para 25 mil toneladas no período. Considerando apenas a soja, a área saiu de 1,6 mil hectares em 2012 para 6 mil hectares ano passado, e a produção avançou de 4,2 mil toneladas para 15 mil toneladas no mesmo período.
Impactos da cultivar BRS Tracajá 

A Embrapa Amapá iniciou a avaliação dos impactos do cultivo da BRS Tracajá no Cerrado do Amapá. A avaliação levará em conta os fatores econômico, social e ambiental.  A primeira etapa (Impactos Econômicos) foi realizada pela pesquisadora Daniela Gonzaga, com orientação da pesquisadora Ana Laura Sena, da Embrapa Amazônia Oriental (PA). Como parte do trabalho, as pesquisadoras fizeram um levantamento técnico da produtividade da cultivar de soja (que vende, quem compra etc), o ciclo produtivo, o histórico do desenvolvimento da BRS Tracajá no Brasil e o comparativo de sua evolução no estado do Amapá.  

A cultivar BRS Tracajá foi lançada em 1999 para atender à necessidade de cultivares de soja adaptadas para baixas latitudes, precoces e adequadas à colheita mecanizada. Os testes foram realizados pela Embrapa Meio-Norte, nos estados do Piauí, Maranhão e Tocantins, que tem latitude maior que a do Amapá. Daniela Gonzaga considera que, pela análise dos custos de implantação e produção da cultura da soja no estado, existe viabilidade econômica para esta cultura no Amapá. “O mercado é satisfatório e promissor especialmente em vista da expansão portuária em toda região Norte”, acrescenta a pesquisadora. Para a análise do impacto econômico, foram entrevistados sete produtores do estado do Amapá, sendo cinco do município de Macapá, um de Tartarugalzinho e um de Itaubal do Piririm. 

Texto e fotos: Dulcivânia Freitas, Jornalista DRT/PB 1063-96
Embrapa Amapá 
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Macapá/AP
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