Mais de 25 mil pessoas participam do protesto contra cortes na educação no Amapá

Mais de 25 pessoas participam do protesto contra os cortes na educação no Amapá, segundo organização — Foto: Ugor Feio/G1

Por Ugor Feio e Rita Torrinha

Mais de 25 mil pessoas, segundo a organização, ocupam a Praça da Bandeira, no Centro de Macapá, na tarde desta quarta-feira (15) em protesto contra os cortes de recursos nos institutos federais de educação anunciados pelo Ministério da Educação (MEC). A concentração teve início às 15h e segue até à noite. A Polícia Militar estimou um publico de 1, 5 mil participantes.

Às 17h, os manifestantes iniciaram uma caminhada pelas principais vias do Centro, e seguiram em direção a Praça Zagury, na orla. A caminhada foi acompanhada por agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) da Polícia Militar.

Com cartazes, faixas e palavras de ordem marcam a insatisfação de estudantes, professores e funcionários dos quadro federal, estadual e também de unidades particulares, em relação a decisão do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

São estudantes e funcionários do Instituto Federal do Amapá (Ifap), Universidade Federal do Amapá (Unifap), universidade Estadual do Amapá (Ueap), faculdades privadas, estudantes e professores das redes estadual e municipal, representantes de sindicatos e centrais sindicais.

Em protesto pacífico, estudantes da Unifap resolveram mostrar a importância da educação ofertando serviços sociais à comunidade. Todos os cursos estão na praça com trabalhos científicos, realizando testes rápidos de saúde, apoio psicológico, consulta jurídica, exposições de trabalhos.

Estudantes, professores e funcionários protestam contra corte de verbas na educação; manifestação no AP ocorre na Praça da Bandeira, Centro de Macapá — Foto: Ugor Feio/G1

Para Loyanna Santana, coordenadora Geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unifap, os cortes na instituição representam paralisação de serviços essenciais.

“Hoje, esse corte representa corte de mais de R$ 8 milhões na Unifap. Isso quer dizer que a nossa universidade só funciona direito até junho, quando a Unifap para, para a economia, porque os serviços terceirizados, pessoal de limpeza, segurança, ficam sem receber. Interrompe a formação de todos os acadêmicos, a construção do hospital universitário do Amapá”, pontuou.

Pela manhã, uma manifestação foi realizada também na frente da Unifap. Um grupo de pessoas chegou a fechar parcialmente a Rodovia JK, para chamar atenção de motoristas e transeuntes.

Coordenador da executiva da Central Sindical Popular, Clodoaldo Rodrigues, fala da importância do povo ir para as ruas.

“Hoje é um dia nacional de luta contra os ataques do governo Bolsonaro. Esse dinheiro vai fazer falta nas escolas, na compra de merendas, na garantia de infraestrutura, falta de recursos para pesquisas e trabalhos de extensão. As reformas necessárias para garantir empregos e melhorias na educação viraram balelas”.

Representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) também engrossam o número de manifestantes no Amapá, Geovane Granjeiro, presidente da entidade no estado, diz que, nesta quarta-feira, o protesto vai além de luta pela educação.

“É um movimento não só contra os cortes na educação, como também um movimento contra a reforma da previdência. Hoje é um ensaio para a greve geral que vamos fazer em breve”.

Estudantes, professores e funcionários públicos protestam contra cortes na Educação no Amapá — Foto: Ugor Feio/G1 AP

Entenda o caso

Em abril, o Ministério da Educação divulgou que todas as universidades e institutos federais teriam corte de recursos. Em maio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou sobre a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.

De acordo com o Ministério da Educação, o bloqueio é de 24,84% das chamadas despesas discricionárias — aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas. O valor total contingenciado, considerando todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhão, ou 3,43% do orçamento completo — incluindo despesas obrigatórias.

Em 2019, as verbas discricionárias representam 13,83% do orçamento total das universidades. Os 86,17% restantes são as chamadas verbas obrigatórias, que não serão afetadas. Elas correspondem, por exemplo, aos pagamentos de salários de professores, funcionários e das aposentadorias e pensões.

Segundo o governo federal, a queda na arrecadação obrigou a contenção de recursos. O corte poderá ser reavaliado posteriormente caso a arrecadação volte a subir. O contingenciamento, apenas com despesas não obrigatórias, é um mecanismo para retardar ou deixar de executar parte da peça orçamentária devido à insuficiência de receitas e já ocorreu em outros governos.

Fonte: G1 Amapá


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