Especial 10 anos de Stereovitrola

Depois de um longo hiato, essa não tão querida coluna está de volta para lhes indicar álbuns um tanto quanto desconhecidos pelas massas. E dessa vez, tenho a honra de destrinchar um pouco sobre uma das melhores e mais importantes bandas de nosso estado: a Stereovitrola.

Dessa vez não será apenas um disco recomendado, e sim toda sua discografia nessa longa estrada caminhada por nossos guerreiros da música local. Então vamos lá:

2004: Muito antes do Liberdade Ao Rock dar seus primeiros passos, surgiu a Stereovitrola com o intuito de fazer covers na capital onde o rock underground estava num período sombrio. Na época, a primeira formação era de Almir Júnior (vocal), Ruan Patrick (guitarra), Rubens Ferro (bateria) e Marinho Pereira (baixo).

Logo em seguida, a banda passou a fazer música autoral juntamente com as primeiras mudanças de formação. Sendo assim, Almir saiu, passando o cargo de frontman para Patrick, entrou Matrix (sampler e sintetizadores) e também entrou Anderson (guitarra).

2006: Cada Molécula de um Ser.

Com uma formação estabelecida e suas primeiras canções surgiram. Com um som rasgado, com peso e ao mesmo singelo, Cada Molécula de Um Ser definiu o DNA da banda logo em 2006.

Em seu EP de estreia já tivemos canções marcantes como: a eletrizante “Benjamin”, a tão casual e ao mesmo tempo distópica “Fludifique” e a singela “Valéria”.

2009: No Espaço Líquido.

Dando continuidade ao título anterior (Cada Molécula de Um Ser) No Espaço Líquido foi certamente um divisor de águas para a banda. Ainda nos mostrando esse mistura de sons, uma coisa fica mais perceptível, nesse álbum a lisergia está solta, e para isso se amplificar musicalmente entra Otto Ramos (órgão). Aquele New Wave misturado com a sujeira do Grunge mostrado no primeiro EP da banda ganhou novas camadas No Espaço Líquido. A psicodelia vintage estão expressas em “Canção Para Syd Barret” e principalmente “1969”. A noise persiste em “Que Dissolve” e em “Meu Amigo Inglês”. Fora essas canções, temos algumas que se tornaram marcos da Stereo, como: “Bicibleta”, “Mini Prédios e Vírgula” e “Automóvel Verde”.

2013: Symptomatosys.

Em 2013 a Stereo volta com um novo EP, com o mesmo experimentalismo de sempre, mas dessa vez com mais precisão no seu foco. Tanto que em Symptomatosys é constituído apenas 5 canções. A esse ponto, Anderson já havia saído da banda deixando o fardo de toda a noise e distorções das guitarras para Patrick que, como um cavaleiro jedi conseguiu carregar esse Yoda nas costas e com ajuda de seu Voltix fazer com que a Stereo pudesse planar perante a atmosfera musical estabelecida por eles mesmos

Depois de uma viagem pela linha temporal da banda durante esses 10 anos, o que fica marcado foi sempre o esforço deles por fazer música autoral, por acreditar no seu trabalho independentemente de receber ou não aplausos. A positiva inconstância musical, fazendo com que esse mutação seja permanente para que nossos guerreiros nunca fiquem num estado cômodo.

Que sua música se perdure e ultrapasse cada vez mais as fronteiras do Rio Amazonas. Vida longa à Stereovitrola.

Texto: Carlos Alberto Junior
FOTOS: Bia Azevedo e Divulgação/Stereovitrola

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