Poema de agora: RESISTÊNCIA – Ori Fonseca

Foto: gepsid.com.br

RESISTÊNCIA

Vós que sorris de braços dados com tiranos
E que gozais com gritos vindos do submundo,
Sabei que o solo em que tombamos é fecundo,
Morremos cem, nascemos mil pra além de humanos.
Vós que deitais as vossas honras com insanos
E que lambeis as botas do poder imundo,
Sabei que a História sempre está por um segundo,
Vede os castelos soterrados pelos anos.
Beijar as vossas mãos senis e carniceiras?
Escarro nelas meu escarro mais mordaz
E como o corvo de Poe repito: “Jamais”!
Vós loucos que ergueis fortalezas com caveiras,
Tocar o sangue amargo de vossas bandeiras?
“Antes às putas servir suco de ananás”.*

Ori Fonseca

*Um Alexandrino de resistência nestes tempos de ataque despudorado à democracia, aos trabalhadores, aos marginalizados, às minorias. Que nossa luz continue viva é ofuscante aos olhos dos tiranos. O último verso é um trecho adaptado do poema “A Vocês”, de Vladimir Maiakóvski.

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