Poema de agora: Sob o Sol – Ori Fonseca

SOB O SOL

Ai, Deus, meu Deus, tirai-me deste inferno
De inconspurcados homens sem pecado,
E de mulheres santas a seu lado,
Mais puros do que Vós, ó Pai Eterno.

O sol de hoje, como o sol hesterno,
Derrama luz no pântano e no prado.
Então, por que de haver o imaculado
Flanando de turbante, estola e terno?

Ou tudo, Pai, é uma questão de sorte
(Roleta que sorteia o Mal e o Bem)?
Eu ouço o Vosso riso de desdém.

Mas volto ao sol, que aquece o fraco e forte:
Se o imperfeito há de abraçar a morte,
A perfeição há de morrer também.

Ori Fonseca

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