Amo bobagens. Odeio futilidades – Crônica de Elton Tavares

Crônica de Elton Tavares
Sabem, quando escrevo minhas doidices aqui é só sobre mim mesmo. Não quero (já quis e me ferrei) ser o dono da verdade ou que concordem comigo. Quem não respeita o gosto ou vontades alheias, sofre. Digo isso por experiência própria. Tipo música, detesto sertanejo, tecnobrega, entre outros estilos. Mas se você gosta dessa merda, azar o seu. E ainda bem que é SEU.
Não quero e nunca quis ser “cult” ou pagar de intelectual. Nunquinha mesmo. Aliás, amo bobagens legais, filmes com roteiros bestas, comédias nonsense, piadas ácidas, etc. Mas detesto séries e longas sobre futilidades como gente rica que e babaca, que inspira pobres que sonham em ser ricos.
Não que eu não goste de grana. Claro que gosto. O dono daquela frase de que “dinheiro não traz felicidade” nunca teve um pouco pra viajar, comer o que quis ou comprar algo bacana, entre outras tantas coisas que nos deixam felizes se tivermos uma micha no bolso.
Dia desses, entrei numa loja metida à chiquenta. Foi uma forçação de barra durante os 10 minutos que passei no estabelecimento. Fui lá somente de acompanhante. Encheram a porra do saco oferecendo suas bebidas e comidinhas palhoças, mas com aspecto de caras. A cada mulher que adentrava o seboso local, os vendedores soltavam um “maravilhoooosaaa”, com um tom tão baba ovo que, como diz uma amiga minha: “me deu 300 tipos de nojo”.
Isso vale para rodas de quem só conta vantagens sobre sucesso profissional e financeiro. Égua, esse pessoal não tem derrota não? Só vitória e pavulagem. Não que eu não curta falar sobre coisas legais, mas isso o faço com os meus amigos de verdade. E esses também escutam sobre minhas desventuras, azares, cagadas e afins. Afinal, a gente não é mocinho de filme gringo, que só vence as paradas.
Toda vez que escuto essas merdas dessas pessoas, que a maioria encontro contra minha vontade, penso: nunca duvide da previsibilidade da burrice de uma pessoa deslumbrada ou da cara de pau de alguém tentando se autoafirmar.
O mesmo pensamento tenho sobre roupas de grife ou não. Se uma camisa ficar legal, fouda-se se é da “Dion Caralion Fashion” ou do Zé Marreteiro. Mas tem gente adora mostrar uma etiqueta e ainda dizer quanto aquilo custou. Eu hein!!
Por conta do meu jeito, às vezes sou rotulado com vários adjetivos como chato, ranzinza, etc. Pode ser. Até concordo. Mas nunca falso. Quer dizer, algumas poucas vezes sim, pois a “falsidade institucional” faz parte da jogatina da vida. Mas juro que tento ser cem por cento verdadeiro sempre.
Enfim, amo bobagens. Odeio futilidades. É isso!

Li e reconheço verdades gritantes no comportamento dos deslumbrados …
Essa perda de tempo com o que melhor lhe cabe no corpo, no estômago, e lhe entra nos cofres, atrapalha o ato de usufrir da vida…lembrem de Gonzaguinha…É bonita…É bonita…e não ter a vergonha de ser feliz!
Até o corretor escreveu esse último parágrafo sozinho.
Exatamente!! Eu detesto deslumbrados, tenho asco….. engraçado que, os que realmente tem um título, ou uma posse são os que menos querem mostrar, enquanto que os pseudo-granados fazem tanta questão. Otarios fazendo otarices kkkkkkkkkkk. Te amo ❤️
Concordo com os comentaristas acima. Vc é extremamente verdadeiro. Um cara que respeito por isso e pelo talento da escrita expresso em suas crônicas e textos de ficção (meio raros). E o desabafo aqui contido diz muito do relacionamento cotidiano pessoal e institucional em diversas faces.