Após decisão judicial, governo vai pagar tratamento de modelo em coma

Por Dyepeson Martins, do G1 Amapá 

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) emitiu documento na noite de quarta-feira (5) assumindo o compromisso de pagar o tratamento médico do modelo amapaense Rarison Ricardo, de 25 anos, em coma no Hospital das Clínicas Alberto Lima (Hcal) desde 28 de novembro de 2013, quando sofreu um acidente de trânsito que lhe causou traumatismo crânio encefálico. O documento foi emitido após a Justiça Federal expedir três decisões obrigando o governo do estado a transferir o paciente para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo. A multa para o descumprimento da decisão foi estipulada em R$ 10 mil diários.

A decisão da Sesa será apresentada no hospital Albert Einstein na sexta-feira (7) que vai divulgar se há ou não vaga em leito para que ocorra a transferência do modelo em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea.

Familiares e amigos de Rarison criaram, através da rede social Facebook, uma campanha para exigir que ele fosse levado com urgência para uma unidade de terapia semi-intensiva com tratamento neurológico, serviço indisponível no Amapá. A tia do paciente, Ludimila Miranda, de 31 anos, iniciou a série de publicações que tiveram mais de 300 compartilhamentos. Ela afirmou que a decisão do governo representa “um grande passo para a recuperação do sobrinho”.

Estávamos atrás destes recursos. O hospital [Albert Einstein] só iria divulgar se existe ou não vagas após ter a certeza de que o governo se comprometeria a pagar todos os gastos com o meu sobrinho. Foi um grande passo e agora esperamos que tudo dê certo”, declarou Ludimila.

Enquanto aguarda pela transferência, o jovem está sendo atendido no Hcal por um neurologista, um intensivista e uma equipe de fisioterapeutas especialistas em recuperação integrada, segundo informou o titular da Sesa, Jardel Nunes. Ele justificou que a transferência de Rarison ainda não foi concretizada pela indisponibilidade de vagas nos hospitais brasileiros que possuem estrutura para o tratamento do modelo. “O que não podemos é realizar a transferência de forma inconsequente, sem a garantia de que há vagas no referido hospital”, disse Nunes, em entrevista ao G1 na segunda-feira (3).

Auxílio

A família do jovem disse que não foi oferecido nenhum medicamento durante a internação de Rarison Ricardo. Todos os remédios foram comprados com a ajuda de familiares e amigos, com o nome e o CNPJ do Hospital Alberto Lima devido a indisponibilidade em farmácias.

Jardel Nunes garantiu que a família do modelo está sendo ressarcida financeiramente pelos gastos com a compra de medicamentos não disponibilizados na Sesa. Contudo, a mãe do paciente, Rosely Miranda, de 48 anos, afirmou que o auxílio “nunca chegou” às mãos da família. “Cadê essa ajuda que nunca chega às nossas mãos?”, questionou.

“Está sendo oferecida toda a ajuda necessária. (…) Não podemos cometer nenhuma irresponsabilidade. Precisamos de todas as garantias”. (…) Estamos tentando solucionar o problema até mesmo junto ao Ministério da Saúde ”, ressaltou o titular da Sesa.

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