JOHN LENNON, MAIS IMORTAL DO QUE NUNCA!! (hoje ele faria 73 anos)


John Lennon completaria 73 anos hoje. Numa época cada vez mais carente de ídolos originais e relevantes, John Lennon vai se tornando cada vez mais imortal. Certamente um artista como John Lennon, que fazia questão de expressar o que pensava e sentia, ainda que várias vezes se contradizendo ou criando uma grande confusão com tudo isso, dificilmente se encaixaria em um mundo confuso como o de hoje onde os disfarces, que já faz parte do que nós nos acostumamos a chamar de “moda”, escondem a verdadeira natureza do “quem é quem?” ou “de que lado estamos afinal?”.

O vazio causado pela ausência de John Lennon parece crescer na mesma proporção em que cresce as nossas dúvidas com relação ao futuro da cultura pop que, diga-se de passagem, é fruto legítimo da passagem de Lennon pelo planeta Terra.

John Lennon, sempre foi o meu Beatle preferido. Parece fácil escolher, e há quem diga: “Ah, muito facil, John Lennon era o líder!”. Eu, particularmente, conheço muitas pessoas que escolheram o George pela simplicidade ou o Ringo pela discrição. John Lennon é muito óbvio, de fato, mas ás vezes não há como fugir disso. Pois bem, eu fico com o John porque ele era o artista crucial dos Beatles. Os outros integrantes, especialmente George e o Ringo, apenas tiveram sorte de tê-lo por perto. E pronto.

Minha familiaridade com a figura de John Lennon e os Beatles, me remete a minha infância. Eu fui uma criança muito tímida. Eu era tímido ao ponto de não perguntar pra ninguém sobre coisas que eu queria muito saber, e isso se deve ao medo que eu tinha de receber respostas com ar de deboche como: como é que tu não sabe quem é esse cara?? ha-ha-ha. E era examente isso que eu queria saber, enquanto eu tomava várias garrafas de refrigerante olhando pra figura de um cabeludo de óculos com lentes redondas desenhado na parede de um bar muito popular em Macapá na década de 80, o Lennon, que ficava aos arredores da Praça da Bandeira, onde hoje se encontram uma pastelaria e uma farmácia.

Tempos depois, quando eu já tinha decidido na minha mente que aquele cara só podia ser o dono do bar, que por algum motivo, nunca estava presente, lá estava eu, vasculhando os discos da minha mãe, e no meio dos Chicos, Gils e Caetanos, eu puxei um disco que mudaria o que eu pensava do mundo. “Olha o dono do bar aqui, atravessando a rua com mais 3 pessoas” Pensei. O nome do disco era Abbey Road.
Hoje, quase 30 anos depois da sua morte trágica, nas cidades de Liverpool e Nova York, iniciativas, como exposições, concertos e cerimônias multiplicam-se para comemorar o aniversário de John Lennon.

Liverpool ofereceu-lhe o tributo mais importante, que teve início ontem e foi planejado para durar dois meses com mais de vinte eventos no programa com espetáculos  inclusive no Cavern Club, o berço dos Beatles. Um monumento à paz também foi inaugurado ontem pela amanhã pelo seu filho Julian e sua primeira mulher Cynthia.
Em Nova York, onde foi assassinado no dia 8 de Dezembro de 1980 e onde viveu por dez anos, a celebração do 70 aniversário de John Lennon aconteceu no City Winery com vários artistas fazendo cover das suas músicas.

O Google também fez uma homenagem a John Lennon. Em seu endereço britânico, o site de buscas adicionou um desenho do rosto do músico à sua logomarca. Ao lado, traz um botão que, quando clicado, torna toda a logomarca animada e toca um trecho da música “Imagine”.

A editora EMI lançou uma série de onze álbuns com seus discos solo remasterizados, e além disso tudo, Lennon pode ser imortalizado nas moedas britânicas. A Casa da Moeda britânica, chamada de Royal Mint, está fazendo uma pesquisa popular para escolher a efígie que irá estampar uma série de moedas. Shakespeare, Charles Darwin e Isaac Newton já foram homenageados .

O mito “Lennon” é muito forte e presente ainda hoje em grande parte do mundo. Só para ilustrar: recentemente, um vaso sanitário que pertenceu a John Lennon foi leiloado, por 9.500 libras (mais de 25 mil reais), cerca de 10 vezes o valor estimado inicialmente, durante um leilão de objetos ligados aos Beatles em Liverpool. O vaso foi usado por John Lennon por 3 anos, entre 1969 e 1972, o que faz aumentar muito a possibilidade de ele ter composto alguns versos de “Imagine” sentado nesse trono.

Contudo, o que foi dito, falar que John Lennon era genial ou fantástico é uma redundância. Ele partiu para imortalidade, lugar que pertence somente as pessoas que, como ele, fizeram da sua existência uma grande diferença pra humanidade.
Algumas frases geniais e fantásticas dele:
“Amo a liberdade, por isso deixo as coisas que amo livres. Se elas voltarem é porque as conquistei. Se não voltarem é porque nunca as possuí.”
“Quando você fizer algo nobre e belo e ninguém notar, não fique triste. Pois o sol toda manhã faz um lindo espetáculo e no entanto, a maioria da platéia ainda dorme”
“Quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém”

“Vivemos num mundo onde nos escondemos para fazer amor! Enquanto a violência é praticada em plena luz do dia.”

A opinião de alguns artistas brasileiros sobre suas músicas preferidas de John Lennon.

Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura

“Imagine”

A música mais genial dele é “Imagine”. A letra é forte e a melodia é simples, mas intensa. O mais legal é que é uma música que parece ter sido feita em cinco minutos.

Lobão, músico e apresentador. “Instant Karma”

Gosto do trabalho do Lennon integralmente. No livro mesmo [a autobiografia de Lobão, com lançamento previsto até o fim do ano], falo que tem cinco pessoas que fazem parte da minha alma: Carlos Lacerda, Nelson Rodrigues, Salvador Dali, Nietsche e John Lennon. Então o Lennon é uma pessoa importantíssima na minha vida. Dos discos, pode colocar o “Imagine”, “Rock ‘n’ Roll”, “Double Fantasy”… Cada álbum tem uma coisa. “Instant Karma” é uma canção fodaça. Enfim, é um cara que mudou tudo.

Edgard Scandurra, músico.”Mother”

Minha música preferida do John Lennon é “Mother”. É uma canção muito sentida, triste, e mesmo assim foi um sucesso. Quando você se aprofunda na vida do Lennon e descobre como era a relação dele com a mãe, vê a razão de ele ter feito essa música.

Fernando Meirelles, cineasta. “(Just Like) Starting Over”

Pode soar estranho com tanta música boa, mas a que me toca mais é “(Just Like) Starting Over”, do disco “Double Fantasy”. O disco saiu aqui quase junto com a notícia da sua morte. Ganhei um de natal. No reveillon daquele ano eu estava acabando um namoro com uma menina que eu gostava, tinha tido um rápido caso com outra garota no meio desta confusão emocional e na festa de fim de ano, além delas duas, apareceu uma outra menina que já havia me impressionado. A música não parava de tocar e eu não sabia o que fazer. Acabei ficando com a terceira com quem estou casado há 26 anos.

André Mont’alverne (foto) é apreciador de Rock, Cinema e Futebol. Também é ex colaborador do blog De Rocha e velho amigo deste blogueiro. este texto foi publicado em 2010 (então aniversário de 70 anos ) e repostado por conta do aniversário do genial e eterno Lennon. 

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