Os sete pecados capitais- Parte II – Ira – Crônica de Rebecca Braga (@rebeccabraga)

Crônica de Rebecca Braga 

Mahatma Gandhi disse: “Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo.”

Concordo com ele. Acho que muita coisa aconteceu no mundo porque as pessoas transformaram toda a sua raiva e revolta em ações.

Recentemente a lista de coisas que desperta minha ira vem das ações de um certo presidente aí, de um governo aí, de um país aí chamado Brazil. Patriotismo, né, minha gente?

Mas, além disso, tem uma coisinha besta que desperta minha ira, além de gente que joga papel na rua, trata mal garçom e bate portas. Buzina!

Buzina, meu povo.

Aquele negocinho que tem pra usar no trânsito sabe-se lá o motivo.

Explico:

Moro numa avenida movimentada. Dezenas de linhas de ônibus passam por aqui e o trânsito pode ser por vezes infernal. Mas não bastasse isso, moro quase na esquina, onde tem o semáforo. Aquela coisa com umas luzes coloridas pra avisar quando você deve seguir, ter atenção ou parar. Tipo, pra evitar acidentes. Nada importante, afinal.

Acontece que o sinal nem completou um segundo de aberto e os Lewis Hamiltons da vida já estão com a mão enfiada na porra da buzina. E buzina de ônibus? Sai da frente senão o busão vai passar por cima de ti, meu irmão.

Lá pelas 9 da noite o negócio começa a melhorar. Hora de dormir o sono dos justos. Mas como boa pecadora que sou, além da ira, também sou afeita da inveja. – Tá na parte I desta coletânea de textos pecaminosos. – Sofro de insônia, tenho sono leve e perturbado.

Daí me vem o demônio, que lá da outra esquina vem buzinando até a esquina da minha casa pra avisar que vai passar. 3 horas da manhã. 3 horas da fuckin’ manhã.

Nessa hora eu invoco o Azazel. Sim, ele mesmo. Aquele que já foi o próprio encarregado da tarefa de levantar as faltas humanas e as enumerar perante o Tribunal Divino, que já foi arcanjo e que depois virou BFF, parça do Lúcifer. O Lu, para os mais íntimos.

Na minha cabeça ele sobe dos infernos, atravessa com uma das mãos o metal do carro e pergunta:

-Tá buzinando uma hora dessas porque, filho de puta?

 

Sem esperar resposta, arranca os olhos da criatura, come e cospe. (Olho deve ser amargo, sei lá.) Às vezes ele também explode a cabeça de quem passa com o som do carro nas alturas. Depende do meu estado de espírito.

Eu, filha de ex-padre, pecadora assumida… Contabilizo mais um pecado. Sem culpa.

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