Poema de agora: RAMSÉS – Pat Andrade

RAMSÉS

ainda faz escuro lá fora
viro pro lado e não há o que ver
me estico e apago a luz já fraca

[uma vela no candelabro]

inesperadamente
ele entra pela janela
já não pede licença

[eu permito, claro]

me agrada e acaricia
chego a pensar que ele me ama
me convenço quando
se atira aos meus pés
e me lança o olhar
mais doce dessa semana

[seu olho é um brilho raro]

Pat Andrade e Ramsés

desce as escadas antes de mim
pra me sorrir lá de baixo
com seus dentes de marfim

[e um hálito de orvalho]

sei que ele não tem coração
e deve pular outras janelas
mas me rendo aos seus carinhos
e lhe sirvo a melhor refeição

[agradece com um longo miado]

e ele
nem mesmo
é o meu gato…

PAT ANDRADE

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