Mulheres do cenário underground do Amapá são clicadas de ‘cara limpa’

Por John Pacheco, do G1 Amapá

“Fugindo ainda mais do comum”, assim a fotógrafa e jornalista amapaense Camila Karina classifica o mergulho que fez ao universo de seis mulheres que integram o cenário cultural underground no Amapá. Elas estão representadas na obra “Cara Limpa e mentes fervendo”, um ensaio fotográfico sem maquiagem, filtro ou photoshop para mostrar a imagem de cantora, poeta, escritora e comunicadora de cada uma delas, sem esteriótipos.

A fotógrafa explica que a ideia é mostrar uma mulher muito além da roupa que veste ou da música que ouve, mas sim “como usa a inteligência para expandir o que gosta em meio a uma cultura diversificada, alternativa, como é o caso do estilo underground”.

O ensaio virtual que será publicado em uma revista online neste sábado (8), Dia Internacional da Mulher, reuniu as cantoras Carol Pessoa, Fernanda Brasil, Hanna Paulino e Lara Utzig, além das jornalistas Jéssica Alves e Mary Paes, esta, também poetisa.

Segundo a fotógrafa, o “Cara Limpa” descartou o uso de cenários ou ajustes de luz para ressaltar a “beleza da naturalidade”.

“Sou do underground, do rock, e sei que a mulher nesse meio é vista como alguém que não liga para o visual, não se maquia nem se arruma e muitas vezes se caracteriza com traços masculinos. O preconceito foi percebido e essa é uma pequena mostra de que somos mulheres de beleza e talento”, conta Camila.

A vocalista da banda Desiderare, Lara Utzig, de 21 anos, diz que a mulher underground sofre um isolamento cultural por parte de quem não curte estilos do rock, como metal e trash.

“A própria mulher do underground já se isolou de outras produções culturais, mas hoje ela está à frente do homem para tirar o estilo do isolamento e fazer com que todos os ramos conheçam esse lado”, diz Lara, que, além de cantora, produz poesia para o blog pessoal Mensagem Efêmera.

Outra retratada pelas lentes de Camila Karina é Mary Paes, de 42 anos, que, além de jornalista também produz versos para um blog pessoal e identifica o underground como um modo de viver além de um estilo cultural.

“Estou no meio do rock e da poesia, mas não me isolo, estou incluída no estilo através da produção de jornalismo cultural, onde assessoro alguns grupos, visando a inclusão dessa cultura nos meios de comunicação de massa e para que todos tenham acesso a esse tipo de cultura”, defendeu Mary, que atua há 6 anos na área.

O trabalho traz o perfil de cada uma delas com fotos coloridas e em preto e branco, de jeans e camiseta. O ensaio completo pode ser conferido na página que a fotógrafa Camila Karina mantém no Facebook.


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