Müller, o cigano do futebol que conquistou o mundo e eternizou seu nome entre os maiores atacantes do Brasil – Crônica de Marcelo Guido – @Guidohardcore

Crônica de Marcelo Guido
Revelado pelo São Paulo, campeão do mundo pela Seleção Brasileira em 1994, dono de uma carreira repleta de títulos, gols decisivos e passagens por grandes clubes, Müller transformou talento, inteligência e oportunismo em uma trajetória vencedora que atravessou gerações.

Quando a bola rolava, bastavam poucos segundos para Luís Antônio Corrêa da Costa, o eterno Müller, mostrar por que foi um dos atacantes mais inteligentes do futebol brasileiro.
Dono de uma velocidade impressionante, dribles curtos, movimentação constante e um faro de gol privilegiado, ele construiu uma carreira vitoriosa que o levou a defender alguns dos maiores clubes do país e do exterior, tornando-se um verdadeiro “cigano do futebol, sempre levando sua experiência, qualidade técnica e capacidade de decidir partidas por onde passava.

Foi no São Paulo que sua história ganhou contornos de lenda, revelado em Cotia antes mesmo da existência do atual centro de formação, Müller despontou como uma das maiores promessas do Tricolor e rapidamente transformou expectativa em realidade. Com personalidade de veterano e talento de craque, conquistou o Campeonato Brasileiro de 1986 e participou diretamente da era mais gloriosa da história do clube.
Sob o comando de Telê Santana, formou um ataque que encantou o mundo, com gols, assistências e atuações memoráveis, ajudou o São Paulo a conquistar as Copas Libertadores de 1992 e 1993, os títulos mundiais diante de Barcelona e Milan, a Supercopa Libertadores de 1993, a Recopa Sul-Americana de 1993 e 1994, além de diversos Campeonatos Paulistas. Vestindo a camisa tricolor, marcou mais de 150 gols, muitos deles em clássicos e decisões, consolidando-se entre os maiores artilheiros e ídolos da história do clube.

Müller era o típico atacante que aparecia quando o jogo mais precisava, sempre bem colocado, decidia com um toque de categoria, uma arrancada em velocidade ou uma finalização precisa, não à toa, tornou-se especialista em balançar as redes em confrontos decisivos, deixando sua assinatura em campanhas históricas que elevaram o São Paulo ao topo do futebol mundial.
Mas sua carreira foi muito além do Morumbi, em uma trajetória marcada por desafios e novas experiências, defendeu o Torino, da Itália, onde enfrentou o rigor do futebol europeu, e o Kashiwa Reysol, do Japão, contribuindo para a internacionalização de seu futebol.

De volta ao Brasil, vestiu camisas de enorme tradição, no Palmeiras, foi campeão da Copa do Brasil, da Copa Mercosul e da Copa Libertadores de 1999, participando de um dos elencos mais fortes da história alviverde, no Cruzeiro, conquistou a Recopa Sul-Americana de 1998 e a Copa Centro-Oeste de 1999. Pelo Corinthians, levantou a taça do Campeonato Paulista de 1999. Ainda defendeu Santos, Portuguesa, São Caetano e outros clubes, sempre levando consigo a fama de atacante decisivo e extremamente competitivo.
Essa longa lista de equipes fez com que fosse conhecido como um verdadeiro, cigano do futebol, acumulando experiências, títulos e respeito em diferentes camisas, sem jamais perder a característica que o acompanhou durante toda a carreira: a capacidade de resolver partidas importantes.

Na Seleção Brasileira, Müller também escreveu páginas inesquecíveis. Foi medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, campeão da Copa América de 1989 e integrou o elenco que conquistou o tetracampeonato mundial na Copa do Mundo dos Estados Unidos, em 94, mesmo sem ser titular durante toda a campanha, fez parte de um grupo histórico comandado por Carlos Alberto Parreira, entrando definitivamente para a galeria dos campeões do mundo com a camisa amarelinha.
Ao longo de sua carreira, Müller acumulou centenas de gols e uma coleção impressionante de títulos nacionais e internacionais. Mais do que os números, porém, deixou uma marca pela inteligência tática, pela técnica refinada e pela frieza diante do gol, era o atacante que “guardava” quando a chance aparecia, que chamava a responsabilidade nas decisões e que transformava pressão em combustível.

Entre tantos clubes e conquistas, foi no São Paulo que viveu seu auge, ali construiu uma relação eterna com a torcida, participou de uma das maiores equipes da história do futebol brasileiro e ajudou a colocar o Tricolor entre os gigantes do planeta.
Décadas depois de pendurar as chuteiras, Müller continua sendo lembrado como um dos grandes atacantes do futebol nacional, um jogador completo, vencedor, decisivo, campeão do mundo e dono de uma carreira que atravessou fronteiras, gerações e camisas sem jamais perder o brilho de um craque.
