Poema de agora: A dança acrobática das marés – Marven Junius Franklin

Embarcações às margens do Rio Oiapoque – Foto: Marven Junius Franklin

A dança acrobática das marés

I
Por entre as cores descoradas do entardecer
& o burburinho que o cais do porto produz
– andorinhas-de-bando testemunham
a dança acrobática das marés;
(tsunâmicos pores do sol
esboçam ondas intermitentes de apatia
– tristes-vidas ancorados no trapiche
pressentem os rumores do acaso).
Navegando em catraias diáfanas
– grávidos de espaçosos nevoeiros,
Quixotes amazônidas zanzam panemas
por fragrância de peixes putrefatos
& anfibológicas pretensões de seguir
(cobiçam lograr infortúnios
sob varandas de nuvens cianóticas).

II
Asas titânicas de indiferença
tracejam aborrecíveis incursões
na corcunda esfomeada do ocaso;
(lamparinas inflamam ais & desalentos
– mães d’água parem anjos rosáceos
sob lágrimas caudalosas de abril).
Dilúculos macilentos desabam
– avoengos ensimesmados voejam
pr’os lados do Mercado Municipal;
(a calmaria do rio pressagia desditas
enquanto o cotidiano abocanha decências
& nutre a existência ribeirinha
de jururus tardes de domingo & naufrágios).

Marven Junius Franklin

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