Viajar é viver – Crônica de Elton Tavares

Crônica de Elton Tavares
Viajamos, eu e minha esposa Bruna Cereja, sempre que possível. São miniférias incríveis toda vez que rola. Mas não há nada de mini no que sentimos. Bebemos da cultura, comemos com gosto, brindamos à vida. Agradecemos a Deus, claro, mas também a nós, afinal, merecemos. Voltamos outros. Porque viajar muda o ângulo da alma.
Viajar desacata o tempo. Grita “não” ao relógio, ao tédio, aos boletos com vencimento. É um gesto insolente contra a rotina. Um sopro de juventude na gente, os 40 mais. Viajar reconcilia a gente com a própria existência.
Viajar representa um ato de rebeldia. Uma birra adulta com o cotidiano. É meter o pé na porta da rotina e dizer: “Hoje, não!”. E quando eu falo em viajar, não me refiro só a sonhar acordado. É pegar um avião, barco ou carro. Sim, nas férias.
Viajar permite olhar o mundo com os olhos da primeira vez. É o instante exato em que o coração desaperta e o espírito se espreguiça. Viajar rompe o pacto com a repetição. Subverte a lógica. É uma forma de desobediência suave.

Já fui pra perto, pra longe, pra dentro de mim. E quer saber? Tudo vale. Porque viajar também exige enfrentar perrengues. Faz parte. É do jogo. Gera história, rende risos, dá orgulho de ter vivido. A vida precisa de leveza e diversão de vez em quando.
Tem gente que pergunta: “mas e o dinheiro?”. Ah, tem quem guarde um pouco e estoure o cartão, sei lá. A gente dá um jeito. Tem coisa que não custa dinheiro, mas coragem. Só isso. E uma dose de desatino, claro. Porque o mundo não para só porque tu saíste da cidade. As cobranças continuam, mas tu podes escolher ignorá-las por um tempo. Quando dá, a gente guarda um dinheirinho e troca por sonhos. Pois viver é viajar.
Amo viajar. Minha esposa também. Isso basta. O resto a gente resolve. Afinal, trabalhamos muito por isso. É vontade de respirar diferente, rir, nos enxergar de outro jeito no espelho do mundo.
Não carrego culpa pelas dívidas feitas por esse motivo , só saudades dos dias fantásticos e orgulho das memórias criadas. Viajar tira a dureza da rotina e coloca a leveza no corpo e na alma. A vida cobra caro de quem leva tudo a ferro e fogo.
Li em uma rede social: “uma psicóloga me explicou que viajar quebra a ilusão de que sua vida atual é a única possível. A terapia usa palavras. Viajar usa experiências”.
E assim sigo. Vou adiante, como sempre. Com a força de sempre. Mas, vez ou outra, dou um perdido. E volto melhor. Pois viver é viajar.
Então vai. Vai com medo, sem mapa, com sede. Mas vai. Porque enquanto o mundo espera, tu ficas aí, sentado, aguardando um sinal que nunca vem. Já eu? Eu fui. De alma lavada, mente aberta e coração do tamanho do mundo. Como tem que ser.
Nestes dias. Eu e Bruna Cereja sumimos de Macapá com gosto e intenção. Conhecemos cidades, ritmos, jeitos de respirar. Voltamos melhores. Mais leves. Mais vivos. Porque, meu amigo, viajar dá uma rasteira no cansaço e desafia a rotina com um sorriso no rosto.
Respirar um ar diferente faz bem pro pulmão e pro juízo. Pois viver, meus caros leitores, é viajar.
