Pular para o conteúdo

Viajar é viver – Crônica de Elton Tavares

Elton Tavares Amapá, Arte, Crônica, Cultura, Eu por mim mesmo, interessante, Literatura, Macapá, Relatos 26 de abril de 2026
Ilustração de Ronaldo Rony, colorizada com IA.

Crônica de Elton Tavares

Viajamos, eu e minha esposa Bruna Cereja, sempre que possível. São miniférias incríveis toda vez que rola. Mas não há nada de mini no que sentimos. Bebemos da cultura, comemos com gosto, brindamos à vida. Agradecemos a Deus, claro, mas também a nós, afinal, merecemos. Voltamos outros. Porque viajar muda o ângulo da alma.

Viajar desacata o tempo. Grita “não” ao relógio, ao tédio, aos boletos com vencimento. É um gesto insolente contra a rotina. Um sopro de juventude na gente, os 40 mais. Viajar reconcilia a gente com a própria existência.

Viajar representa um ato de rebeldia. Uma birra adulta com o cotidiano. É meter o pé na porta da rotina e dizer: “Hoje, não!”. E quando eu falo em viajar, não me refiro só a sonhar acordado. É pegar um avião, barco ou carro. Sim, nas férias.

Viajar permite olhar o mundo com os olhos da primeira vez. É o instante exato em que o coração desaperta e o espírito se espreguiça. Viajar rompe o pacto com a repetição. Subverte a lógica. É uma forma de desobediência suave.

Já fui pra perto, pra longe, pra dentro de mim. E quer saber? Tudo vale. Porque viajar também exige enfrentar perrengues. Faz parte. É do jogo. Gera história, rende risos, dá orgulho de ter vivido. A vida precisa de leveza e diversão de vez em quando.

Tem gente que pergunta: “mas e o dinheiro?”. Ah, tem quem guarde um pouco e estoure o cartão, sei lá. A gente dá um jeito. Tem coisa que não custa dinheiro, mas coragem. Só isso. E uma dose de desatino, claro. Porque o mundo não para só porque tu saíste da cidade. As cobranças continuam, mas tu podes escolher ignorá-las por um tempo. Quando dá, a gente guarda um dinheirinho e troca por sonhos. Pois viver é viajar.

Amo viajar. Minha esposa também. Isso basta. O resto a gente resolve. Afinal, trabalhamos muito por isso. É vontade de respirar diferente, rir, nos enxergar de outro jeito no espelho do mundo.

Não carrego culpa pelas dívidas feitas por esse motivo , só saudades dos dias fantásticos e orgulho das memórias criadas. Viajar tira a dureza da rotina e coloca a leveza no corpo e na alma. A vida cobra caro de quem leva tudo a ferro e fogo.

Li em uma rede social: “uma psicóloga me explicou que viajar quebra a ilusão de que sua vida atual é a única possível. A terapia usa palavras. Viajar usa experiências”.

E assim sigo. Vou adiante, como sempre. Com a força de sempre. Mas, vez ou outra, dou um perdido. E volto melhor. Pois viver é viajar.

Então vai. Vai com medo, sem mapa, com sede. Mas vai. Porque enquanto o mundo espera, tu ficas aí, sentado, aguardando um sinal que nunca vem. Já eu? Eu fui. De alma lavada, mente aberta e coração do tamanho do mundo. Como tem que ser.

Nestes dias. Eu e Bruna Cereja sumimos de Macapá com gosto e intenção. Conhecemos cidades, ritmos, jeitos de respirar. Voltamos melhores. Mais leves. Mais vivos. Porque, meu amigo, viajar dá uma rasteira no cansaço e desafia a rotina com um sorriso no rosto.

Respirar um ar diferente faz bem pro pulmão e pro juízo. Pois viver, meus caros leitores, é viajar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *