O pobre soberbo – Por Elton Tavares (do livro “Papos de Rocha e outras crônicas no meio do mundo”)

Sabem, não que eu seja um estudioso da natureza humana, nada disso. Escrevo sem propriedade alguma, apenas com base nos meus “achismos” e pontos de vista.
Bom, hoje falo do “pobre soberbo”. Não, não sou elitista. Na verdade, nunca liguei para quem tem grana ou sobrenome. Sempre andei com lisos bacanas e agradáveis desconhecidos, assim como eu. Acredito que gente legal atrai gente legal. Mas enfim, voltemos ao pobre soberbo.

Esse tipo de cidadão possui uma renda mensal sempre abaixo do orçamento que gostaria de ter — até aí, tudo normal. O pobre soberbo costuma ter bom gosto com roupas, culinária e etecétera e tal. Mas é do tipo que gosta de manter a aparência de bacana, usar vestimentas de marcas famosas, mesmo que isso comprometa suas prioridades (como supermercado, prestações ou algo assim).
O importante para esse tipo peculiar de pessoa é manter a capa. Elas costumam frequentar locais “chiques”, sempre falando sobre futilidades e afins. Ah, os assuntos preferidos do pobre soberbo são carros e pessoas que ocupam cargos públicos. Sim, eles são afiados nessa ladainha sobre coisas e pessoas que chamam de “importantes”.

O pobre soberbo conhece todo figurão ou seus filhos, por estudar anos a fio suas fisionomias nas inúteis colunas sociais. Aí ele espera apenas uma oportunidade para puxar saco do tal fulano e aplicar seu marketing pessoal, pleiteando algum tipo de status.
Ah, quando um pobre soberbo alcança algum lugar na “sociedade”, de acordo com sua percepção, fica pior do que os verdadeiros ricos — nojentão total. Conheci várias pessoas assim. Lembro de um figura, nos anos 90, que disse à mãe que se mataria se ela não comprasse um carro para ele. Lembro das meninas da faculdade dizendo: “É o Fulano do carro tal” ou “é o Cicrano, filho do Beltrano”.
Outra característica dos pobres soberbos é dizer o preço das coisas que usam: “Saca este sapato, dei R$ 500 nele”. Essas pessoas são de uma superficialidade incrível.

Esses figuras são cheios de falsas certezas. Basta o mínimo de percepção para arrancar suas máscaras. A maioria só faz figuração na vida. Como disse Arnaldo Jabor: “Eles assumem a verdade das suas mentiras”.
Dos pobres soberbos, que não são pobres só de posses, mas de espírito, eu só sinto pena e desprezo. Deles, só quero distância.
Elton Tavares

*Do livro “Papos de Rocha e outras crônicas no meio do mundo”, de minha autoria, lançado em novembro de 2021.
