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Promotoria da Saúde cobra providências imediatas do Estado para melhorar serviços no Pronto Atendimento Infantil

Elton Tavares Amapá, Informativo, interessante, Macapá, Sem categoria, trampo 14 de maio de 2019

Na última semana, do dia 6 ao dia 10, a Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde, junto com o programa MP Comunitário, instalou a unidade móvel do Ministério Público do Amapá (MP-AP) em frente ao Pronto Atendimento Infantil (PAI), para acompanhar de perto a rotina de pacientes e servidores da unidade de saúde. Problemas crônicos como falta de leitos, medicamentos, exames laboratoriais e médicos foram novamente constatados.

Durante inspeção no local, os promotores da Saúde, André Araújo e Fábia Nilci, observaram um cenário de superlotação, crianças internadas em cadeiras e macas improvisadas nos corredores do hospital. Pacientes com suspeita de pneumonia e meningite, sem diagnósticos fechados, ficam no mesmo ambiente, o que aumenta o risco de transmissão dessas doenças.

Mesmo com leitos ociosos no Hospital da Criança e Adolescente (HCA) – prédio anexo – as internações nos corredores do PAI continuam aumentando. Segundo a direção do hospital, o motivo é a falta de médicos pediatras, comprometendo a capacidade de atendimento da demanda por internações.

Situação ainda mais grave foi observada pela falta constante de medicamentos e exames, incluindo os laboratoriais básicos, como o líquor – para detecção de meningite. Exames mais complexos, caso da tomografia e ressonância magnética, também não são realizados.

Com a ação no PAI, a Promotoria da Saúde conseguiu a retomada do convênio da Secretaria de Saúde (SESA) com uma rede particular, porém, apenas para exames e pacientes internados com pedido expresso de urgência.

No caso das crianças com até sete anos de idade, esses exames não são realizados, uma vez que o convênio firmado pelo Estado não cobre procedimentos que necessitam do uso de sedação.

Outro exame não realizado é o eletroencefalograma, mesmo o Estado tendo recebido dois aparelhos recentemente, resultado de emenda parlamentar. Sabe-se que uma unidade ainda está encaixotada e o outro aparelho foi instalado no Hospital de Clínicas Alberto Lima (HCAL).

Quanto aos tomógrafos, situação semelhante foi observada. O Estado tem três aparelhos, sendo que um está abandonado e os outros estão no Hospital de Emergência (HE) e no HCAL, ambos sem funcionar.

Exames de tomografia e ressonância custam até R$ 3 mil (três mil reais) e o que mais vimos no PAI foram familiares desesperados, fazendo bingo, rifa ou qualquer outra forma de arrecadação dos recursos necessários para fazer o exame na rede particular, já que não aguentavam mais a espera e o sofrimento das crianças. Quem aguenta ver um filho sofrendo?”, questiona a promotora de Justiça Fábia Nilci, titular da 2ª Promotoria da Saúde.

No caso do eletroencefalograma, o custo do exame na rede particular chega a R$ 300,00 (trezentos reais), mas costuma-se dar um “desconto” para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), o que acaba diminuindo o valor para cerca de R$ 200,00 (duzentos reais).

Cobranças na Justiça

Em ação da Promotoria da Saúde, o Estado foi condenado a pagar multa em caso de não cumprimento da decisão judicial que obriga a oferta desses exames na rede pública. No caso da ressonância magnética, o Governo, mesmo condenado desde 2014, segue descumprindo a sentença.

O MP-AP está cobrando o bloqueio no valor de R$ 4 milhões para garantir a efetiva e imediata compra do equipamento e execução do serviço.

Obra do HCA segue paralisada

Sem qualquer previsão de retomada das obras, o novo HCA segue sem data para ser entregue à comunidade. “Caso o Estado conseguisse entregar o 1º Bloco, praticamente pronto, o número de leitos na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) aumentaria de 10 para 30 vagas”, explica o promotor de Justiça André Araújo, coordenador das Promotoria da Saúde.

Chamado a prestar esclarecimentos à Justiça, o Estado apenas limitou-se a dizer, sem qualquer comprovação, que o edital de licitação para a retomada das obras estava em análise na Procuradoria-Geral do Estado (PGE).

Em audiência judicial, a própria Secretaria de Infraestrutura (SEINF) disse que os tais projetos da obra do HCA já estavam prontos e aprovados pelo Corpo de Bombeiros e que os recursos, na ordem de R$ 3 milhões, estavam garantidos via financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Não foram capazes de dizer o dia, mês e ano em que as obras irão reiniciar. Pergunto: onde está o dinheiro do BNDES que estaria disponível para essa obra?”, finaliza o promotor.

SERVIÇO:

Ana Girlene
Assessoria de Comunicação do Ministério Público do Amapá
Contato: (96) 3198-1616
E-mail: asscom@mpap.mp.br

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