Encontros Rocks da Minha Vida – Crônica de Elton Tavares #DiaMundialDoRock

Hoje é Dia Mundial do Rock. Uma data que não se celebra com silêncio ou moderação. É dia de deixar a alma suar na memória, como se a cabeça ainda sacudisse num show barulhento em pleno 1995, mesmo com dores nas costas por causa da coluna de quase 50 anos. Ser roqueiro é isso: a gente não desiste. A gente ouve o som alto mesmo com o chiado do zumbido no ouvido. Rock é memória afetiva com trilha sonora, é cicatriz com refrão, é romance gritado.
E, sim, sou uma pessoa pavulagem que se gaba. Já assisti mais shows do que consigo contar — e olha que, com quase 49 anos, já curti muita coisa na vida. Mas hoje, especialmente hoje, quero relembrar três encontros improváveis com lendas do rock. Aquelas coincidências que parecem presente dos Deuses do Rock and Roll — e eles existem, tenho certeza.

O primeiro foi com Lemmy Kilmister, o próprio cavaleiro do apocalipse de baixo na mão e Marlboro no pulmão. Em 2011, em pleno aeroporto de Congonhas, enquanto esperava meu voo ao lado do meu irmão Emerson e da minha cunhada Andresa, vi a figura: de preto, chapéu de cowboy, cara de poucos amigos e muitos riffs. Lemmy.
Pedi uma foto. Ele me olhou como quem julga o gosto musical ruim de alguma alma sebosa. Não queria, mas o surpreendi e meu irmão fez o click. Um retrato para a eternidade e com orgulho. Não trocamos palavras, mas tenho certeza que o líder e vocalista do Motörhead queria me dar um soco. O cara morreu em 2015, mas já era lenda muito antes disso.

Dois anos depois, 2013, fui ao show do The Cure (o primeiro das duas apresentações que assisti) com meu irmão. O grupo integra a trilha sonora da minha vida. Ao som dos britânicos, fizemos muitas festas, noitadas, reuniões com amigos e tantas outras lembranças legais.
E como se já não bastasse, encontrei a banda no aeroporto. Pedi a foto. Robert Smith, líder e vocalista da icônica banda, posou. Um privilégio de quem vive no timing perfeito da sorte roqueira.

E, em 2025, a terceira lenda. Gui ao tradicionalíssimo Jobi, no Leblon — aquele bar com mais de 40 anos de existência e que já viu mais história que livro de escola. Lá estavam Bi Ribeiro e João Barone, metade dos Paralamas do Sucesso. Faltava o Herbert, mas sobrava simpatia e cerveja gelada. Eles foram muito porretas, conversaram comigo, brindaram, trocaram ideias e mostraram que são caras legais. Fiquei muito feliz com essa controada improvável.
Esses três encontros — Lemmy, Smith e Paralamas — foram os mais legais. São tatuagens invisíveis na memória.
Feliz Dia Mundial do Rock, seus malucos. Que suas guitarras internas nunca se calem.
Elton Tavares
