Mosaico de Ravena – O Amor, O Cego e O Espelho – Via @giandanton

O início dos anos 1990 foram dourados para o rock paraense. Nessa época surgiram várias ótimas bandas nos mais variados estilos e Belém chegou a ter um festival que apresentava 24 horas de rock só com bandas locais. Entre todas as bandas, Mosaico de Ravena sempre
se destacava por fazer um som inovador, que não conhecia limites. E eles eram muito bons de shows. Lembro de um desses que começava com um casal dançando tango e a banda aparecia atrás deles, o vocalista saindo de um caixão. A galera ia ao delírio.

A música abaixo é do primeiro e, acho, único álbum. É interessante por discutir como o amor foi transformado em mercadoria numa sociedade consumista.

O amor, o cego e o espelho

Os leões de chácara encheram o amor
de porrada e jogaram na calçada
ensangüentada calçada
A televisão mostrou o amor num
lindo comercial de bronzeador
A polícia meteu o amor nas grades
por suspeita de vadiagem
Os políticos meteram amor num livro
e o povo linchou o amor
E o amor brotou no meio do asfalto
e a escondido se multiplicou
Mateus foi na butique quando quis
amar e saiu de lá com um lindo amor de seda javanesa
Mariana comprou um carro por amor e
mostrou pras amigas seu amor azul-metálito
Márcia falou de amor com o filho e
de como o amor poderia dar status
Mário andava sempre com muito amor
na carteira
E Mônica se apaixonou pelo rádio
gravador
E o amor brotou no meio do asfalto
e a escondido se multiplicou

Fonte: Ideias Jeca-Tatu

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