Poema de agora: minha morte de hoje em dia – Pat Andrade

minha morte de hoje em dia

esta manhã
morri na calçada
de um bairro da periferia

sem o perpétuo socorro
que a igreja prometia
sem a mão do amado
que até ontem me sorria

no último filme
da minha vida
vi o olho curioso
da maledicência
a mão sorrateira
do oportunismo
e o passo apressado
pro almoço ao meio-dia

esta manhã
morri sozinha
na calçada suja
de uma padaria

sem direito a vela
nem ave maria

Pat Andrade

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