Novo Amapá: há 44 anos, a tragédia

Era noite de 6 de Janeiro de 1981, quando o barco ribeirinho Novo Amapá naufragou na foz do rio Cajari, próximo ao município de Monte Dourado (PA), com cerca de 600 pessoas. Destas, 300 morreram e dezenas passaram horas de pânico e desespero, imersas na água e na escuridão. O barco afundou próximo à praia de Saudade, em Jarilândia (AP), aproximadamente às 21h.
A embarcação, com suporte para transportar no máximo 400 pessoas e meia tonelada de mercadoria, partiu do Porto de Santana com mais de 600 passageiros e quase um tonelada de carga comercial. Seu destino era o município interiorano de Monte Dourado (PA), com escala em Laranjal do Jari (AP).

A lista de passageiros, segundo a Capitania dos Portos na época, tinha registrado cerca de 150 pessoas licenciadas pelo despachante Osvaldo Nazaré Colares. Mas na embarcação havia mais de 650 vidas. O despachante (falecido em abril de 2001, vitima de Dengue Hemorrágica) afirmou que só foi informado da tal lista após já ter partido há certas horas e que a lista foi deixada sob sua mesa, quando ele estava ausente.
Segundo a lista da Capitania dos Portos do extinto Território Federal do Amapá, menos de 180 pessoas sobreviveram.

Um dos donos do barco morreu no acidente, e o outro, Manoel Jesus Góes da Silva, recuperou a embarcação, que voltou a navegar. O barco foi içado do fundo do rio no mesmo ano do acidente. O nome foi mudado para “Santo Agostinho” e até 1996, a embarcação fez a rota Belém-Santarém-Belém, no Estado do Pará.
O fato entrou em processo jurídico um ano depois da tragédia o advogado Pedro Petcov assumiu o caso, rolando pela Justiça Federal por quase 15 anos. Após a morte do advogado, em 1996, o caso foi arquivado sem ter alcançado o principal objetivo: indenizar os familiares das vitimas mortas e os sobreviventes.

O naufrágio do barco Novo Amapá, neste 6 de janeiro de 2025, completou 44 anos. O acidente foi uma das maiores tragédias fluviais do Brasil. O excesso de peso e a superlotação foram alguns dos motivos para o naufrágio
Muitos corpos tiveram que ser enterrados em vala comum no cemitério de Santana. Algumas famílias não conseguiram ver os corpos de seus entes queridos, que foram levados pela correnteza.
* Texto encontrado no extinto Portal Extra e adaptado.
**Imagens cedida pelo jornalista Edgar Rodrigues e pelo Otávio de Oliveira.
