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Carta de Alcinéa Cavalcante para Fernando Canto

Macapá, 29 de maio de 2024

Querido amigo Fernando Canto, escrevo-te estas mal traçadas linhas para te parabenizar pelo teu aniversário. Agora és setentão. Que coisa boa!

Vi que as comemorações começaram sábado passado com uma linda homenagem feita por escritores, poetas, amigos e fãs. Acompanhei tudo pela Internet (essa coisa maravilhosa da comunicação). Foi linda a homenagem. No dia seguinte falando sobre com o nosso amigo Elton Tavares disse a ele que qualquer homenagem feita a você ainda é pouco diante do que você fez e faz não só pela cultura, mas pelo Amapá.

Mas nesta missiva nem quero ficar falando sobre tua importância para esta terra que você adotou e que te adotou com orgulho. Todo mundo sabe da tua importância e acho que tens consciência disso.

Quero falar de nós, dos velhos e atuais tempos. Das décadas da nossa amizade. Volta e meia lembro da nossa juventude. Lembras quando nos conhecemos? Pois eu lembro. Foi no Grêmio Jesus de Nazaré. Nossa! Faz tanto tempo. Éramos tão jovens! Eu magrinha, calça boca de sino (nem mostra aquela foto rsssss), tu cabeludo, cinto com fivelão à moda Roberto Carlos rssss. E a gente começando a rabiscar nossos primeiros poemas. Os meus tão infantis. Mas você já se mostrava superior a todos nós, pois seus poemas já eram verdadeiros poemas (ainda guardo com carinho aquele teu livro mimeografado. É uma relíquia).

As reuniões no Grêmio, a missa na noite de domingo eram momentos de muita alegria e depois, mais alegria, com as festinhas no Grêmio e tu, ali, jovem guarda, tocando guitarra no conjunto. Égua, mano, ser guitarrista naquela época era top demais. Depois te vi no Mocambos, vieram os festivais, a percussão com o pilão (aquele festival foi inesquecível) no auditório da Rádio Difusora e eu na primeira fila te aplaudindo e cobrindo para o Jornal do Povo.

Veio o grupo Pilão, as tua dezenas de livros (mas o meu xodó ainda é Telas e Quintais, embora não seja o melhor dos melhores), e a gente aqui e acolá se encontrando, trocando afetos e renovando a amizade. Cá pra nós, nossa amizade é muito bonita, né?

E a tua amizade com o papai, hein!… Alcy gostava demais de ti e da tua escrita. Pense num cara que tinha muito muito muito carinho por ti.

O tempo passando e a gente nunca se perdeu um do outro. Hoje estamos juntos numa academia de letras presidida por ti. Me orgulho e encho a boca para dizer que és o presidente.

Eu tenho muita coisa pra falar da nossa amizade, do orgulho que tenho de ti, da ternura que nos abraça (para de mexer no meu cotovelo, rapaz rssss), mas aí isso já não seria uma cartinha. Seria um jornal.

Mano, feliz aniversário! E já tô imaginando o teu centenário. Nós dois velhinhos contando histórias de antigamente kkkkkkkkkkkk

Te desejo que todos os teus dias sejam recheadinhos de saúde, animados como tua escola Boêmios do Laguinho (se fosse verde-rosa seria melhor), plenos de amor, belos como as rodas de marabaixo (lembrei da Marabaixeta), lindos como tuas canções, poemas, contos, crônicas… ah, Nando Canto, nem vou dizer tudo tudo tudo que te desejo porque tu sabes.

Um beijo grande pra ti.
Deus te abençoe!

Alcinéa Cavalcante

(P.S- Se tiver algum erro faz de conta que nâo viste, pois não vou revisar essa carta. Carta não se revisa. Né?, principalmente a que se escreve com o coração. Mais beijos pra ti).

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