Festa do Tambor comemora 66 anos do bairro Laguinho

Festa do Tambor, em 2010 – Foto: Mariléia Maciel.
Moradores tradicionais do Laguinho, Zona Norte de Macapá, se preparam para receber visitantes e parentes para a II Festa do Tambor, em homenagem aos 66 anos de criação oficial do bairro. A festa respeita a história e valoriza personalidades, antepassados, as danças, costumes, dia-a-dia, fé e o gosto por ritmos marcado por percussão e pelo esporte. A programação iniciou em abril com a Copa do Tambor, que tem as finais no próximo final de semana, e encerra no dia 14 de maio com exposições, palestras, Gincana Escolar, apresentação de marabaixo e batuque e shows com artistas do Laguinho.

Habitado desde o início da colonização do agora Estado do Amapá, o Laguinho tem mais anos que os 66 festejados, de acordo com pesquisa do filósofo e morador tradicional do Laguinho, Raimundo Dô Sacaca. Segundo Dô, ele foi oficializado somente a partir de 1945 pelo então governador Janary Nunes, que transferiu os negros descendentes de escravos que moravam no centro velho da cidade para o Norte de Macapá, que seria chamado de Laguinho, e para a Favela, hoje bairro Santa Rita. Com as mudanças, vieram o marabaixo, a fé com as homenagens aos santos e outros costumes que são lembrados nesta festa.

Este ano a Festa do Tambor prossegue com as homenagens aos moradores e famílias antigas, a Copa do Tambor, Exposição de Fotografia e da história do bairro, palestras e shows. A novidade é o ritual de fé, com uma celebração católica, e a Gincana Escolar, com participação das escolas Rondônia, Azevedo Costa, Edgar Lino e Barão do Rio Branco, cujo tema é o Laguinho. A premiação é R$ 2 mil em merenda escolar. 
A Copa do Tambor é a valorização de uma das paixões de moradores tradicionais do Laguinho, além do marabaixo e carnaval: esporte. O bairro tem dois times, Guarani e São José e mais dezenas de torneios esportivos, desde promovidos por quadrilhas juninas até os mais tradicionais, como o do Clube do 30 e Banco da Amizade.

Participam da Copa do Tambor times que representam entidades e pontos históricos. Foram classificados para a semi-final os times do grupo Sambarte, quadrilha do Estrela do Norte, bloco Kuba-Lança e Tio Duca, campeão do ano passado. A premiação para o primeiro lugar é de 1 troféu e R$ 500,00.


“Estamos comemorando nossas raízes, nossa cultura, nossa história, laguinense de verdade tem orguho de ter nascido aqui e fazer parte dele, mesmo quem é de outros bairros é muito bem-vindo e vai ser recebido com a gentileza de bons anfitriões que somos, a Festa do Tambor é para todos homenagearem nossos moradores e quem ajuda a escrever essa história”, diz Dô Sacaca, da organizaçao da festa.

A coordenação está vendendo as camisas comemorativas da Festa do Tambor ao preço de R$ 20,00, no Calçadão do Valdir (esquina da Igreja São José) e Bar do Velho (em frente à Diagro).

PROGRAMAÇÃO:
Sede do São José:
07 DE MAIO: 9:00 – Semi-Final da Copa do Tambor
08 DE MAIO: 9:00 – Final da Copa do Tambor
13 DE MAIO:
Sede do Centro de Cultura Negra
17:00 – Exposição fotográfica e histórica do Laguinho, varal de Poesias, Vídeos, visita aberta ao público.
19:00 – Ritual de Fé
20:00 – Abertura Oficial com homenagens à personalidades do Laguinho.
21:00 – Shows com artistas do Laguinho
14 DE MAIO:
Sede do Centro de Cultura Negra
08 às 11:00 – Palestras sobre o bairro
16 às 20:00 – Gincana Escolar
20:00 – Shows musicais com artistas do Laguinho
Mais informações: 8121-7505/9974-8133

Mariléia Maciel
Assessora de Comunicação

Música de hoje

Uns Dias – Os Paralamas do Sucesso


O expresso do oriente
Rasga a noite, passa rente
E leva tanta gente
Que eu até perdi a conta
Eu nem te contei uma novidade, quente
Eu nem te contei
Eu tive fora uns dias
Numa onda diferente
E provei tantas frutas
Que te deixariam tonta
Eu nem te falei
Da vertigem que se sente
Eu nem te falei
Que eu te procurei
Pra me confessar
Eu chorava de amor

E não porque sofria
Mas você chegou já era dia
E não estava sozinha
Eu tive fora uns dias
Eu te odiei uns dias
Eu quis te matar


LUIZ MELODIA É CONVIDADO DE JULIELE NO “LIVRE, LEVE E SOLTO”

Na 4ª edição do “Show Baile Livre,Leve e Solto”, a cantora Juliele recebe no palco um dos maiores astros da Música Popular Brasileira, o carioca Luiz Melodia. O show, que terá a participação especial de Felipe Cordeiro, une estes grandes artistas que colocarão o público para dançar no Baile que está trazendo de volta clássicos do brega, samba-canção e boleros tocados por músicos de qualidade em um ambiente agradável e atendimento de primeira. O show será no dia 7 de maio, na Choperia da Lagoa.

O “Show Baile Livre, Leve e Solto” cumpre seu objetivo de trazer de volta clássicos dançantes e promover o intercâmbio de artistas, independente de idade ou estilo. No primeiro, Juliele recebeu Evaldo Gouveia e os consagrados amapaenses Manoel Sobral e Oneide e Patrícia Bastos. Para o segundo Baile o convidado foi o ídolo das empregadas domésticas, Odair José que cantou com Juliele e Cleverson Baia; e o terceiro aconteceu em Belém, onde novamente se apresentou com Evaldo Gouveia.

Anfitriã – A cada show comprovando que veio para ficar, a anfitriã Juliele consolida sua arte em parceria com vários artistas. Ela começou a carreira profissional com um CD que hoje é escutado em todo o país e no ano passado lançou uma prévia de seu segundo trabalho, cujo disco oficial está em processo de finalização. O talento reconhecido no Brasil foi resultado dos shows em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades Suas apresentações renderam elogios de críticos famosos e matérias em grandes jornais. Recentemente estreou o “Livre, Leve e Solto em Belém, junto de Evaldo Gouveia.

Melodia – Foi seguindo o padrão de qualidade do Show Baile que a produção convidou para esta edição um dos maiores artistas brasileiros, Luiz Melodia, direto do Morro do Estácio. É a segunda vez que ele se apresenta em Macapá, sendo que na anterior ele cantou no Teatro das Bacabeiras para uma platéia sentada e agora ele volta soltando seu talento eclético que mistura jovem guarda, samba de morro e soul music para os admiradores que gostam de dançar.

Nova Geração – Para completar o Baile, Juliele recebe um paraense que é referência da nova geração de compositores, Felipe Cordeiro, acompanhado da banda Astros do Século. No palco, Felipe faz uma conexão entre os estilos amazônicos, com influência caribenha, e outros ritmos, universalizando sua arte. Ele ousa misturando lambada com tecno-brega e pop-retrô, o que ele define como Kitsch-pop-cult.

Livre Leve e Solto começa às 22:00 mas antes o DJ abre o salão colocando o público para ensaiar dança de salão com dançarinos profissionais. A direção musical é do maestro Manoel Cordeiro e a Artística é de responsabilidade de Túlio Feliciano, que tem em seu currículo trabalhos com Chico Buarque, Caetano Veloso, Djavan, Alcione e muitos outros.

Serviço:
Show Baile Livre, Leve e Solto
Data: 07 de maio
Local: Choperia da Lagoa
Hora: 22:00
Mesa: R$ 200,00
Local de venda: Sorveteria Jesus de Nazaré, Banca do Ceará, Choperia da Lagoa e Doctor Feet (Macapá Shoping).

Mariléia Maciel
Assessora de Comunicação

The Dark Side of Oz


Assista online a tão falada sincronização de O Mágico de Oz com o disco Dark Side of the Moon do Pink Floyd

Sabe aquelas lendas urbanas, que correm de boca em boca, e que ninguém tem paciência para colocar em prática para ver se é verdade? Sempre tem um amigo de um amigo que fez e garante que é verdade. A grande diferença é que, em tempos de internet e geração de conteúdo, o amigo do seu amigo que realizou a tal experiência fez upload e colocou o resultado na rede para que todo mundo assista.

Você já deve ter ouvido que o áudio do disco mais famoso do Pink Floyd – The Dark Side of the Moon – se sobrepõe perfeitamente ao filme O Mágico de Oz, de 1939. Apesar de os integrantes da banda negarem sempre que perguntados sobre o caso, muita gente diz que imagem e áudio se complementam de forma impressionante.
Para tirar a dúvida, Bryan Pugh removeu o áudio original do filme e colocou o disco na íntegra. O resultado você confere abaixo:

The Dark Side of Oz from Bryan Pugh on Vimeo.

FONTE: http://paprica.org/

Música de hoje

Tô Voltando – Composição: Paulo César Pinheiro / Maurício Tapajós
Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar, muda a roupa de cama
Eu tô voltando
Leva o chinelo pra sala de jantar…
Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar porque eu tô voltando
Dá uma geral, faz um bom defumador, enche a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia, aproveita, tá calor, vai pegando uma cor
Que eu tô voltando
Faz um cabelo bonito pra eu notar que eu só quero mesmo é
Despentear
Quero te agarrar… pode se preparar porque eu tô voltando
Põe pra tocar na vitrola aquele som, estréia uma camisola
Eu tô voltando
Dá folga pra empregada, manda a criançada pra casa da avó
Que eu tô voltando
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar…
Quero lá.. lá.. lá.. ia…
Porque eu tô voltando!

Orquestra Equinócio das Águas realiza concerto no Teatro das Bacabeiras

A Orquestra se apresenta neste sábado (16), às 19h, com a participação de 37 componentes, entre instrumentistas de sopro, corda e percussão, violinos, violoncelos, flautas, saxofones, trompetes, trombones, violões, trompas, contrabaixos, bateria e piano, todos tocados por músicos amapaenses e regidos pelo sargento do Corpo de Bombeiros, Marcos Augusto Ribeiro.
O valor do concerto é de R$ 10 reais.
Fonte:Blog Eu sou do Norte – link nos favoritos do blog.

Música de hoje

Preciso Me Encontrar – Cartola

Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra nao chorar.
Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra nao chorar.
Quero assistir o sol nascer,
Ver as águas dos rios correr,
Ouvir os pássaros cantar,
Eu quero nascer e quero viver…

Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra não chorar.
Se alguem por mim perguntar,
Diga que eu só vou voltar,
Depois que eu me encontrar…

Quero assistir o sol nascer,
Ver as águas dos rios correr,
Ouvir os pássaros cantar,
Eu quero nascer e quero viver…
Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra nao chorar.
Deixe-me ir preciso andar,
Vou por aí a procurar,
Rir pra nao chorar.

27 anos sem Marvin Gaye

Marvin Gaye, um dos grandes nomes da soul music de todos os tempos, foi morto no dia 1º de abril de 1984.

Após terminar uma turnê, em agosto de 1983, o cantor se encontrava com graves problemas psicológicos e de saúde (além de acessos de depressão e medo, ele ameaçou cometer suicídio várias vezes, depois de numerosos conflitos com seu pai, o pastor evangélico Marvin Pentz Gay Sr). Um dia antes de completar seu 45º aniversário, Marvin foi assassinado com um tiro por seu próprio pai, após uma briga iniciada quando os pais de Gaye discutiam sobre a perda de documentos de negócios (ironicamente, Gaye foi morto por uma arma que ele próprio havia dado de presente para seu pai). Marvin Pentz Sr foi condenado a 6 anos de prisão, após ser declarado culpado por homicídio. A acusação de assassinato foi abandonada após médicos diagnosticarem um tumor cerebral no pastor – que passaria o final de sua vida em um asilo, onde morreria de pneumonia em 1998.

Após alguns lançamentos póstumos (que fortaleceram a memória de Marvin na consciência popular), o cantor foi introduzido ao Rock and Roll Hall of Fame em 1987. Mais tarde, também ao Hollywood’s Rock Walk e, em 1990, ganharia uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood.

No mais, fica o legado do soul singer:

FONTE: http://degenerandos.blogspot.com/

Enquanto Belém recebe Iron Maiden, o Restart toca aqui, que merda!

                                                                                             Por Elton Tavares
New Kids On The Block, Locomia e Polegar, bandas ridículas, mas nada supera o Restart
Na época que eu era adolescente, final dos anos 80 e início dos 90, tempos de The Smiths, The Cure, Legião Urbana, Titãs e tantos outros nomes de alta qualidade, tanto sonora, melódica e letras inteligentes, também existiam bandas medíocres. Mas quando falávamos de “conjuntos” (nem se usa mais essa palavra para grupos musicais) ridículos eram coisas como New Kids On e Block, Locomia e Polegar (sim, aquele do maluco que curte pilhas), entre outras (quem não souber quem foram esses merdas, que procurem no Google, nem vou me dar ao trabalho de explicar).

No entanto, a esculhambação chegou ao ápice, pois infelizmente hoje em dia existe o “Restart”. Frangotes que usam um visual gay (com todo respeito aos perobas, principalmente os amigos) e óculos New Wave. Os moleques até ganharam o prêmio “revelação”, no concurso “os melhores do ano” do “Domingão do Faustão”. Sifudê!

Emos coloridos com canções medíocres, o sinal dos tempos. 
O pior de tudo é que os emos coloridos farão um “show” em Macapá, no próximo dia 02 de abril. Deste jeito, nossa capital continuará refém do brega, domingueiras nos clubes de letrinhas e batidões terríveis. Fora a velha mania de ir ao pagode, sujo, de chinelo e já embriagado, eu passo longe. Mas isso é outra história.

Pior que essa situação não é só culpa dos empresários que trabalham com entretenimento. Pasmem, mas no ano passado, durante a Expofeira, quando trouxeram (argh) Detonautas, a organização do evento deixou os Titãs como última opção, a primeira era o sertanejo alegrinho, Luan Santana. É como o Lobão disse uma vez: “Se sua banda veio depois do Raimundos, desculpe, não é rock nacional”.

Discordo do Lobão, pois têm uma meia dúzia que são muito bacanas, como a stereovitrola e Godzilla, ambas amapaenses. Mas coisas como NX0, Detonautas, CPM22, JQuest (acho que só eu não fui para o show deles e Macapá) e coisas desse naipe, eu desprezo. Pior é quem faz cover dessas aberrações sonoras, como uma certa banda local, que também tem letrinhas e números no nome. 

Enquanto os frangotes coloridos atravessam o Amazonas para tocar aqui, a velha “Donzela de Ferro” estará em Belém. Sifudê!

Confesso que é muito difícil de admitir, mas musicalmente, Macapá não existe para os grandes artistas (a não ser os “lado B”, que volta e meia dão as caras em algum festival). Escuto, assisto e leio notícias sobre ótimos shows de rock que só chegam até Belém (PA), a exemplo da clássica Iron Maiden, que tocará no dia 01 de abril, na capital paraense. Que inveja branca!


Certa vez, Gilberto Gil disse: “De um lado este carnaval, do outro a fome total”. Deve ser assim que meus amigos da Terra das Mangueiras olham para cá, no sentido rock da coisa, claro. É como a velha frase que diz: “cômico, se não fosse trágico”. Realmente são dois mundos separados pelo Rio Amazonas. É palha, mais é verdade.
Voltando ao “show” do Restart em Macapá, respondo com uma poesia tão fuleira quanto as letras da bandinha de adolescentes: “vou não, quero não”. Égua-moleque-tu-é-doido! Ah, falando de citações, lembrei de uma que define bem a atual situação da música: “alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem MUSICAL”. Boicotem a apresentação dos emos coloridos, só assim garantiremos que eles nunca mais voltarão aqui.
Ah, se você gosta mesmo de rock. Vá para o evento “Vila do Rock”, no mesmo 02 de abril, nos altos do Brisa’s Bar (orla), a partir das 21h, com as bandas Mazah, Radiofone e stereovitrola.

John Lennon – A vida (uma biografia de Philip Norman)

                                                                            Resenhado por @julianojubash

Foi difícil demais fechar esse livro depois de acabar de ler. Nas mais de 800 páginas, foi feito um trabalho precioso de jornalismo para contar com precisão e intimidade a vida de um cara genial. Lennon foi bem mais que um músico brilhante. Graças a um talento ímpar, ele conseguiu experimentar tudo o que quis até encontrar um tipo de alegria pleno. “John Lennon – A vida” é leitura obrigatória para qualquer ser alfabetizado.

Tem “Branca no Samba” na Casa de Choro Ceará da Cuíca.

                                                                                            Por Alyne Kaiser

Para quem gostou da segunda edição e esperava mais, a volta de Ana Martel, com o show musical “Branca no Samba”, já tem data marcada. Acontecerá no dia 08 de abril, a partir de 22h30, na Casa de Choro Ceará da Cuíca.

O repertório é mesclado de composições de sambistas renomados da música brasileira e promete o mesmo sucesso dos dois shows anteriores.

“Quem não viu, vai ver que nunca levou fé”, canta Ana Martel na música que dá nome ao show, uma composição de Biratan Porto, Paulo Moura e Marcelo Sirotheau.

Para completar a performance, a banda-base é formada pelos músicos Huan Moreria (percussão) Ian Moreira (contrabaixo) Higo Moreira (cavaquinho) Valério de Lucca (bateria), Mexicano (violão) e Juninho (Teclado).

Ana Martel é amapaense, começou sua carreira cantando em bares de Macapá e Belém acompanhando outros músicos ou em apresentações individuais, e neste show revela-se uma intérprete madura e antenada com o que há de novo no samba brasileiro.

Serviço:
Local: Casa de Chorinho Ceará da Cuíca
Data: 08/04/11 Hora: 22h30
Mesa: R$60,00
Ingressos na portaria: 15,00
Contatos:
Sonia Canto: 8138-9690 / 9149-9536.
Assessoria de Comunicação: Alyne Kaiser: 9111-1916 / 84030400 / 81110400

A tal mineira Clara Nunes

                                                                                       Por Darth J.Vader

Já faz muito tempo, comprei um DVD com as apresentações da mineira Clara Nunes para o programa Fantástico, da Rede Globo. Na época, meio e fim da ditadura militar brasileira, algumas matérias eram tiradas do ar em cima da hora e era preciso encher linguiça. O calhau do programa deveria mudar de nome só por conta dela: Clara Nunes, em clipes e ao vivo.

A mulher era sexy demais, com uma voz encantadora e ainda por cima ficava bem no vídeo. E porque as coisas sempre podem melhorar (sou otimista, acreditam?), ela foi a primeira mulher a cantar samba de raiz: ‘Você passa e eu acho graça’, de Carlos Imperial e Ataulpho Alves, composta em 1968 e gravadapor ela em 1975! Óia o comecim:

“Quis você para meu amor

E você não me entendeu

Quis fazer de você a flor

De um jardim somente meu

Quis lhe dar toda a ternura

Que havia dentro, em mim

Você foi a criatura

Que me fez táo triste assim…

Ai… agora

Você passa e eu acho graça!

Nessa vida tudo passa

E você também passou
Dentre as flores
Você era a mais bela
Minha rosa amarela
Quem te escolheu perdeu a cor”

Reforçando: foi Clara, e não Beth Carvalho, a primeira mulher a gravar samba. Quando Beth começou, Clara já tinha três LPs do gênero. Como fizeram um grande marketing com a mangueirense carioca, que chegou a perguntar quem era “a tal mineira”, Clara lançou a canção ‘Guerreira’ (de Paulo César Pinheiro e João Nogueira), que retrucava:

“Se vocês quiserem saber quem eu sou…

Eu sou a tal mineira

Filha de Angola, de Gueto e Nagô
Não sou de brincadeira
Canto pelos sete cantos
NÃO TEMO QUEBRANTOS
Porque eu sou guerreira!
Dentro do samba eu nasci
Me criei, me converti

E ninguém vai ROUBAR
A minha bandeira!

Sou a mineira guerreira

Filha de Ogum com Iansã!”

Perdemos Clara Nunes devido a uma operação mal sucedida de varizes. E aí ferrou-se tudo. Não há quem a substitua. O samba está aí, mas sem uma representante com a voz inconfundível e olhar sexy, carisma natural e sorriso franco, tudo junto em uma só. Por acaso alguém sabe de uma cantora atual ou das últimas três década que interpreta samba com tambor? Com batuque de umbanda?

De novo, eu tenho como provar! Rá! Cantaí o refrão de Morena de Angola…