Eu? Uma grande emocionada! – Crônica de Telma Miranda – @telmamiranda

Crônica de Telma Miranda

Tem uns dias que ando melancólica, mas acredito ser por não dar a pausa do anticoncepcional e não deixar meus hormônios agirem naturalmente. O acúmulo de repente tá fazendo isso. Ou a ausência. O normal seria eles me deixarem louca, mal humorada, mas aí eu os reprimo, eles se organizam e o ataque é feroz!

Só sei que tenho escutado músicas que me tocam a alma e me permitido chorar de soluçar. Assistido filmes que me emocionam. O choro é livre, literalmente. Livre e leve. E me leva a refletir que pela primeira vez na vida (adulta!) estou vazia de dor de amor, porém não menos emocionada. Assumidamente emocionada.

Ao contrário do que muita gente me imagina, sou sensível demais. Tudo me afeta. Sinto compaixão, empatia, vontade de cuidar e agir e por muitas vezes e quando posso o faço, sem alardes, e sigo. Meu desafio diário é justamente esse: domar esse turbilhão de afeto que me move e deixar todos ao meu redor imaginarem que sou a personificação da plenitude, a calma e elegância que tanto dissemino.

Mas a realidade dentro é outra: sou uma mulher apaixonada, visceral, intensa e cheia de afeto. Meus amigos sabem disso, pois conhecem o vulcão que em mim habita. Eu fervo. Minhas explosões são dentro. Respiro fundo e tenho altos papos comigo mesma avaliando os cenários, comportamentos e definindo o próximo passo. Nem sempre funciona. Tem vezes que não me escuto e mergulho na emoção. E me entrego, afogo, me deixo levar e vivo cada minuto inteira para quando chegar o fim, ter valido a pena nadar em lava.

E sim. Por pior que aparentemente algumas experiências tenham sido, sou grata a cada uma delas por ter-me lapidado e melhorado, afinal de contas sou o resultado de todos os meus erros e acertos. Erros que me fizeram feliz por um tempo, acertos que me despedaçaram em determinados momentos, mas segui e sigo, hoje, um dia de cada vez, em paz. Uma paz quase palpável.

Porém, mesmo em paz, esse sentimento ferve, borbulha, respinga quente vez ou outra e me lembra que tá ali e não vê a hora de transbordar. E ele vai transbordar na hora certa e sem tirar essa paz conquistada com tanta luta, amarrando muitas pontas soltas. Restam ainda poucas por amarrar, mas de uma em uma vou vencendo os dias e quando menos esperar, realizo meu sonho de lembrar do amor que terei toda vez que ouvir Coração Selvagem, e vou chorar de soluçar do mesmo jeito que hoje quando acordei. E vai continuar sendo lindo. Calma, elegante e emocionada.

* Telma Miranda é advogada, fã de literatura, música e amiga deste editor.

  • …..”Meu desafio diário é justamente esse: domar esse turbilhão de afeto que me move”….

    Esse é teu resumo minha amiga. E tua dor e teu amor. Muitos têm isso … mas só alguns expressam.

    Texo lindo.

  • Gosto demais dos seus textos Telma, e de fato “somos a soma dos nossos erros e acertos”. 👏🏽👏🏽👏🏽👏🏽

  • Telminha, mais uma vez teus textos vem como um turbilhão de emoções, vem do teu coração da tua alma, passamos por vários momentos no dia a dia, as vezes acordamos com mil vontades, mas, dependendo, terminamos o dia com uma só. Adoro teus textos. Beijos e continue sendo essa mulher guerreira que a cada dia luta como uma leoa.. mil bessos.

  • Sim sempre me pareceu forte até demais, mas pessoas com o seu temperamento independente e forte, as vezes são um pouco frágil, e com sua independência não demonstra sentir falta de outra pessoa, mais com isso que li mostra que vc não é o que mostra.
    Pessoa carinhosa e sensível.

  • Lendo a crônica autobiográfica da Telminha me vem à mente duas frases emblemáticas de dois ícones que admiro; Uma é a Rita lee, quando diz: “Mulher é um bicho esquisito”; E o outro é o Augusto Cury quando diz categoricamente; “Homens, vocês não entende de mulher, e se descerem que entende, duvide de sua masculinidade”.
    Eu sou um grande admirador das crônicas da Telminha, da forma da sua escrita, da emoção que transmite, da dinâmica envolvida, eu me divirto com a maneira engraçada e ao mesmo tempo seria que descrever seus conflitos existenciais.
    Mas tenho a nítida certeza, que as mulher foram as que fizeram a empatia, entraram na alma da autora e se identificaram com praticamente todas as linhas do texto.

  • Nessa vida necessitamos de mais e mais segurança emocional para garantir nossa sobrevivência .Parabéns pela disposição harmoniosa de seus sentimentos.

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