“Querem cafezes”? disse a olavista (Deuses me livrem!) – Por Jorge Herberth

Por Jorge Herberth

A “borra” sujou o teu Café com espinha de peixe e ‘falsa filosofia’. Por isso que só frequento bares e não “cafezes”, como disse a gentil e linda moça ao servi-lo a políticos e comitiva em uma comunidade bem ali, ela que já foi transformada em uma das centenas de personagens do escritor Fernando Canto. O escritor teve duas obras censuradas pela ignorância, por uma ilustre desconhecida, e seu séquito, em Macapá, em uma banca de ‘cafezes’.

À toa! Fernando Canto é bem maior que ela e os ‘cafezes’ servidos por lá. Imagina-se que um lugar desses, ou café cultural como escrito na placa, seja realmente um lugar de cultura. No sentido mais amplo, incluindo democracia e liberdade para todos os títulos e escritores de verdade e de qualidade. Até podem oferecer títulos de ‘cafezes’. Faz parte do negócio, dizem os tolos. E quando carrega uma identificação cheia de ancestralidade espera-se, mais ainda, que seja responsável e respeitoso com a cultura que tenta expressar, já que não é com todos os escritores do Amapá. E nem com o código de postura, pois cercou a calçada. Alô prefeitura!

Pois bem. Não foi respeito que tiveram com o escritor Fernando Canto, maior que tudo isso e bem maior e melhor que todos eles, os ‘cafezes’. O falso “pajé” deveria ser outra coisa como um vendedor da cultura, porque não é como os verdadeiros pajés e os xamãs da rica e linda história do Amapá. O “pajé” dos ‘cafezes’ vacilou feio com Fernando Canto, escritor mais que representativo da Amazônia e do Amapá, onde fincou pés e raízes, onde tem a cabeça única e exclusivamente voltada para a cultura de nosso estado.

Poucos estudam e conhecem a gente do Amapá e sua cultura, como o escritor, sociólogo e doutor Fernando Canto. O resultado desse trabalho e pensamento são seus mais de 16 livros (Desde os poemas em Os periquitos comem manga na avenida; Fedeu, Morreu; Água benta e o diabo; Equino Cio; Adoradores do sol; Contos Insanos; O Bálsamo; entre outros de poemas e contos). Além de jornalismo e artigos científicos.

“Fortaleza de São José de Macapá: vertentes discursivas e as cartas dos construtores”, seu trabalho resultado de pesquisa para tese, a obra mais extensa, densa e importante do ponto de vista histórico, antropológico e sociológico sobre esse patrimônio do povo do Amapá, candidata a monumento da humanidade, é destaque entre obras grandiosas do Brasil. Está publicada na biblioteca do Senado Federal.

Sobre os dois de seus belos livros de contos, Mama Guga, lançado inclusive em feira internacional onde milhares de jovens circularam e consomem, e O Centauro e as amazonas, foram “dispensados” pelo tal “cafezes” sob justificativa de “não recomendável para os jovens”. E descobrimos mais ainda como justificativa, ouvida dento do local: “não eram moralmente grandiosos” (sic….. pois o são e muito!). Moralmente pra quem? Aos que pregam mentiras baseadas em farsas filosóficas, como os olavistas, oportunistas, os das fakes e do falso moralismo de um mundo (de farsa religiosa) para ovelhas? Ou como a censura pregada na ditadura, que torturou e matou inocentes? O café borrado chegou atrasado e frio. À toa! Fernando Canto é maior e melhor ‘que vocês tudinho junto’, diria meu amigo Muleira, o Luiz Façanha.

Porque Fernando Canto, desde o início de sua carreira como um dos melhores e maiores compositores do Amapá, vencedor de festivais e fundador do Grupo Pilão ao lado do Bi Trindade e Juvenal Canto, seu irmão, passou pela censura dos milicianos e militares, foi torturado psicologicamente e preso mais de dez (10) vezes, quando inclusive um coronel dos crimes da ditadura obrigou que um parente dele lhe servisse ‘cafezes’, lá no quartel. Um torturador! Mas felizmente, para nossa grande alegria, está conosco e com a literatura da Amazônia brasileira como um dos melhores. E foi com luta, trabalho e enfrentamento. Mesmo com esse fato do ódio e outros sentimentos escrotos, atitudes e política medíocres como as desse momento contra a cultura e os artistas, Fernando Canto é e sempre será bem maior que todos os ‘cafezes’ da censura, passados em coador furado, com espinha de peixe ou bala. Nunca mais atravessarão nossas gargantas e nem a liberdade da cultura e nem da obra do Fernando Canto.

Vale lembrar que essa obra, e seu autor, circulam livremente pelo Brasil. Fernando Canto é um autor debatido por jovens em escolas por todo o estado, seus textos são utilizados em provas de vestibulares e concursos, debatidos nas universidades e faculdades do Amapá, onde milhares de jovens estão. Pena que além dos ‘cafezes’, também assistimos entristecidos a falta de solidariedade de muitos escritores, jornalistas e advogados do Amapá, que nas igrejas, cultos e academia arrotam cultura e vaidade por uns escritos quaisquer. À toa! Porque Fernando Canto é um escritor de encantarias e amuletos, de histórias de gente de verdade, transformadas em literatura da melhor qualidade.

Elton Tavares (editor deste site) em pé, com Jorge Herberth (camisa vermelha) e Fernando Canto.

Ave, meu amigo! Com uma boa dose de cachaça pura, transparente e honesta. Salve o escritor Fernando Canto!

*Jorge Herberth – Jornalista

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