Poesia de agora: DHOIS – Luiz Jorge Ferreira

DHOIS

Ela entrou na minha vida como se fosse a sua casa.
Estendeu a toalha, espalhou seus trecos, seus troços, suas tralhas.
Fez horários, corrigiu meu vocabulário, enviou torpedos, olhares.
Acenou com a minha mão, ensinou-me o sim e o não, pelo telefone, falamos no mesmo tom.

Ela entrou na minha cabeça, e acampou no meu pensamento.
Retirou-me do avesso por dentro, escorou minhas idéias, escancarou as janelas.
Apagou as pegadas, perfumou-se e quando foi noite , partiu.

Leu O Código da Vinci dos vinte aos poucos trinta anos.
Quando Junho chegou e no décimo quarto dia…choveu
Eu amassei minha lua contra a sua, porque eram duas.
Uma já havia tomado posse da casa, a outra queria se apossar de mim.

Luiz Jorge Ferreira

 

*Do livro Pizza Literária – Coletânea Volume XV – Rumo Editorial – 2012, São Paulo, Brasil.

Amapaense apresenta livro com poesias sobre amor e os sentimentos da alma

Foto: Diário do Amapá

Por Lana Caroline

Em 1997, o ator, poeta e compositor amapaense Nonato Quaresma, lançou seu primeiro livro intitulado “Murmúrios”, na biblioteca pública Elcy Lacerda, e agora, está com sua mais recente obra em mãos. O livro “Sangramentos da Alma” conta com 69 poesias e sonetos que falam sobre os sentimentos da alma. O livro ainda não foi publicado devido à pandemia.

“O lançamento era para ser no mês de março de 2020, mas com a pandemia, não pude fazer o lançamento. Os meus poemas falam muito sobre amor e os sentimentos da alma”, disse o escritor.

Mesmo sem ser lançada, a obra literária está disponível nas Bancas do Dorimar; da Rosinha; do Luiz e do Lucélio, custando apenas R$ 15.

POEMA ‘LUTE’

Por que me deixas esperando,
Se este amor é para valer?
Há muito o tempo está passando,
Sem nada a gente resolver
Tudo muda mundo a fora
E tudo passa pela vida,
Sinto o sonho indo embora
E o que temos feito, querida?
O tempo não espera e nem tem defeito
E tampouco pode parar;
Se algo tem que ser feito,
Lute! Não deixe o sonho acabar!
Preciso de você a todo o instante
Não a quero tão ausente,
Mas sempre tê-la presente!
Vem ser luz dos meus olhos,
Vem me dar esta alegria,
Pois eu sempre te acolho
Das tempestades de dor!

Nonato Quaresma

 

Fonte: Diário do Amapá.

Poema de agora: Voa, passarinho… (Tãgaha Soares Luz)

Foto: Sal Lima

Voa, passarinho…

Quem te ver cantar pensa estar feliz
Há água e semente pra te alimentar
Não sabe, porém, que o teu canto é triste
Tuas asas se debatem por entre grades
Assim é o teu cárcere…
Passam dias, passam horas, passa o tempo
E esse é o passatempo da ave canora
Que poderia estar voando pras bandas de lá
Além de lá
E entre campos, cantos, flores, construindo ninhos…
Por que será que o homem
Irracional
Esse animal
Insiste em te prender?
Se a lei da natureza diz
Acima de tudo
Que o passarinho foi feito pra voar?
Voa, voa, passarinho…
Voa, vai além do céu…
Leste, Oeste, Norte, Sul
É tudo azul…
Voa para o infinito…

Tãgaha Soares Luz

Hoje: Tatamirô Grupo de Poesia lança o recital “Xapiri Curuocangô 4.0” em formato digital

“XAPIRI CURUOCANGÔ 4.0” é o Recital de Poesia Sonora do Tatamirô Grupo de Poesia que vai estrear dia 04 de outubro (04/10/2021), às 20h, no canal do grupo, alojado na plataforma YOUTUBE. O Recital é fruto de estudos sobre os cantos e rituais de etnias indígenas da Amazônia e da leitura do livro “A Queda do Céu” do xamã yanomami Davi Kopenawa e do antropólogo franco-marroquino Bruce Albert, dialogando com uma diversidade de sons que culminaram em Poesia Sonora.

O Poeta Herbert Emanuel (AP), autor do Poema Sonoro Xapiri Curuocangô, diz que a versão 4.0 é uma “travessia para alteridade. É um poema conectado com o outro: é uma homenagem poética aos nossos parentes, os povos originários, com quem realmente podemos aprender como não destruir de vez nosso planeta; juntando-se à guitarra bluseira do músico Ronilson Mendes e à dança orientupi da bailarina Hayam Chandra. Para nós, é uma obra em processo de construção, diálogos e ajuntamentos permanentes”.

Todos os poemas vocalizados são de Herbert Emanuel. Além destes, há prosas citadas do livro “A queda do Céu”, de Davi Kopenawa e Bruce Albert; do conto “Meu Tio Iauaretê” de Guimarães Rosa, na voz sampleada do ator Lima Duarte; e a frase “O Amanhã Não está à Venda”, que dá título ao livro do líder indígena Ailton Krenak.

O recital do grupo amapaense, nas versões anteriores, já passou pelo palco centenário do Teatro Municipal de São João Del Rei e por outros espaços culturais desse município das vertentes mineiras (2017). Em Macapá, na programação literária do Serviço Social do Comércio (SESC/AP-2019) e configurou as atrações artísticas da primeira noite do Macapá Verão – Estação Lunar (PMM-2020).

“É uma satisfação enorme poder se apresentar nesses palcos homenageando os povos ancestrais, mostrar a nossa cultura e o resultado de uma criação poética. Há treze (13) anos fazemos isto, investimos na tarefa de irradiar a palavra poética, em suas mais diversas modalidades, como gostamos de afirmar. Agora, com a filmagem, o Poema Sonoro Xapiri-Curocangô 4.0 vai atingir novos públicos, ganhando muito mais abrangência” – ressalta a Diretora do Recital, a declamadora Adriana Abreu.

A captação de imagens, montagem, edição e mixagem de som ficou por conta da equipe do “Tenebroso Crew”, formada por jovens cineastas que tem se destacado na cena contemporânea do audiovisual amapaense. Esse Recital foi contemplado pela lei Aldir Blanc – Edital nº: 002/2020 – Secult/AP – Fábio Mont’alverne “Rato Batera”.

O Tatamirô Grupo de Poesia é um grupo amapaense de declamação e dramatização de textos poéticos, sejam eles escritos na forma de verso ou prosa, em suas múltiplas manifestações verbivocovisuais. Criado em 2008, o Tatamirô nasceu do desejo de dizer Poesia às pessoas, de colocar a voz a serviço da Poesia, de dizer as coisas do mundo de forma diferente, além de fomentar ações em proveito da leitura, da literatura, principalmente, e das demais artes. O Tatamirô Grupo de Poesia, que atua há treze (13) anos fomentando a leitura com apresentações voltadas para as artes em âmbito geral – destacando a poesia, tem participado por estes “Brasis” afora em diversos eventos e projetos culturais, tais como: Feira Pan-Amazônica do Livro de Belém-PA, Sesc Amazônia das Artes, Sesc Arte da Palavra, Inverno Cultural de São João Del Rey-MG, Poesia de Cena de Cabo Frio-RJ, Balada Literária de São Paulo, Congresso Brasileiro de Poesia; assim como em eventos internacionais, destacando o 8º Salon du Livre de Cayenne na Guiana Francesa.

FICHA TÉCNICA DO RECITAL XAPIRI-CURUOCANGÔ 4.0

Vocalização, mixagem, disparo de samples e autoria do Poema Sonoro “Xapiri Curuocangô 4.0”: Herbert Emanuel
Declamação, roteiro e direção: Adriana Abreu
Coreografia e dança do primeiro movimento do poema sonoro “Xapiri”: Hayam Chandra
Partitura musical e guitarra do primeiro movimento do poema sonoro “Xapiri”: Ronilson Mendes
Cenografia e Figurino: Paulo Rocha
Figurino de Adriana Abreu: Amarilda Marinho
Figurino de Herbert Emanuel: Ilce Rocha e Paulo Rocha
Figurino de Hayam Chandra: Kelly Maia
Customização de figurino: Rosemere Pires e Jasmine Pires
Produção: Paulo Rocha, Herbert Emanuel e Adriana Abreu
Assistente de produção: Pedro Henrique
Assistentes de direção e contrarregras: Thayse Panda e Zeca Corrêa
Maquiagem: Jasmine Pires
Ambientação: Dilda Picanço e Luiza Picanço
Realização: Tatamirô Grupo de Poesia

FICHA TÉCNICA – TENEBROSO CREW

Produção/Direção/Câmera: Jamie Gurjão
Fotografia: Ianca Moreira
Câmera: Dyego Bucchiery
Som/Mixagem: Alecsandro Cantuária

Recital contemplado pela LEI ALDIR BLANC – EDITAL Nº: 002/2020- SECULT/AP – FÁBIO MONT’ALVERNE “RATO BATERA”

SERVIÇO

Recital “Poema Sonoro Xapiri-Curuocangô”
Lançamento: 04/10/2021, às 20h
Local: YOUTUBE – CANAL “Tatamirô Grupo de Poesia”
Classificação: Livre
Realização: Tatamirô Grupo de Poesia

Contatos: 96 98412-4600 [Paulo Rocha]/ (96) 98131-8463 [Thayse Panda]/ (96) 98807-8670 [Herbert Emanuel]

Cocadas ao sol: e-book será lançado neste sábado (2) em live com convidados

Neste sábado (2), às 18h, será lançado em uma live o e-book do livro Cocadas ao sol, do jornalista e escritor Júlio Miragaia.

O lançamento será transmitido no Facebook e YouTube do autor e contará com a participação de convidados especiais da cultura amapaense e também de autores de outros estados. A atriz Hayam Chandra fará a apresentação.

Entre os convidados estão o Coletivo Amazonizando, que fará performances juntando marabaixo com os textos da obra. Participam também o jornalista paraense Adriano Abbade, os escritores amapaenses Paulo Tarso Barros, Pat Andrade, Lulih Rojanski, Thiago Soeiro, o ilustrador do livro, Roberto Vanderley, a design Olívia Ferreira e a cantora e ativista cultural Heluana Quintas. O escritor cearense, Alan Mendonça, e o mineiro Sérgio Fantini também marcam presença.

“É um momento de celebração com amigos. Depois da versão impressa, estamos lançando o e-book para contar na plataforma digital as histórias de Cocadas ao sol”, explicou Júlio Miragaia.

A obra reúne 33 poemas e 3 contos que abordam, entre os temas questões sociais como a fome, a pobreza e dramas de meninos de rua em Macapá. A versão física do livro foi lançada no dia 25 de julho.

Agora em e-book, Cocadas ao sol está disponível no site da Amazon para Kindle e qualquer plataforma digital. O livro custa R$ 20.

O link para comprar o livro é:

Transmissão

No Facebook: https://www.facebook.com/julio.miragaia

YouTube: https://youtube.com/channel/UCQXSfLFFQ7W8gFgf2G8o6GQ

Sobre o autor

Júlio Ricardo Araújo, o Júlio Miragaia, tem 36 anos. Natural de Belém (PA), passou os últimos anos entre a terra natal e Macapá (AP), onde hoje mora.

É jornalista, pós-graduado em gestão e docência no ensino superior, e autor do livro de poemas “O estrangeiro de pedras e ventos” (2014, Multifoco-RJ).

Começou a publicar em 2005 poemas, contos, resenhas e crônicas no blog pessoal “O desuniverso do jovem messias”. Foi editor e articulista no Portal Selesnafes.com e, atualmente, tem postado algumas de suas produções literárias no Blog De Rocha.

Foi vencedor do Prêmio Literário Isnard Lima Filho, no concurso literário “Macapá com todas as letras” na categoria crônica (2006). No concurso, promovido à época pela Biblioteca Pública Elcy Lacerda e Prefeitura Municipal de Macapá, o texto premiado foi “A Banda”, registro sobre o bloco da Terça-feira Gorda de Carnaval em Macapá.

Poesia de agora: Os meninos contemplados pelo sol – @juliomiragaia

Foto: Júlio Miragaia

Os meninos contemplados pelo sol

Depois da chuva ensolarada,
Os meninos equilibram
Entre o tempo, o espaço,
O vento e a Fortaleza
Um pequeno
Fruto da memória

Arquitetam,
em papel de seda,
Talas, linha e rabiola
O que se brinca
E o que se basta
Nas cores do Flamengo

O sol observa a partícula
De vida dos meninos-pipa
Enquanto descansa
A sua astroexistência
Ao lado do baluarte de São José

É um entardecer qualquer
Dum sábado esquecível
Não fosse a memória-pipa
Daqueles meninos,
Contemplados pela velha estrela

O ancião sideral guarda consigo
Os fragmentos de memórias e rios amazonas
Inteiros de auroras e crepúsculos

Guardará depois de hoje,
No nada das coisas,
A ternura da imagem
Dos meninos-pipa
Que cultivaram
Depois da chuva ensolarada
Frutos e ventos
Da memória

Júlio Miragaia

Poema de agora: Poente N° XX – Luiz Jorge Ferreira

Poente na Fazendinha, Distrito de Macapá (AP) – Foto: Jaci Rocha

Poente N° XX

O único que sentia saudades era o cão.
Por esse motivo perambulava com o único osso que tinha consigo, uma hora para debaixo da escada,outra hora para debaixo da sua sombra, que fazia fronteira com a sombra do Maracujazeiro, onde um zangado Zangão, insistia em deflorar a lua.

Por si só a noite e o sono nem insistiam em tomar-lhe o osso, nem insistiam em procurar a saudade, no meio da gente estática na fotografia dependurada na parede descascada.

Fortaleza de São José de Macapá – Foto: Manoel Raimundo Fonseca

Os dias andavam céleres, aos tropeções, fugiam da chuva azul, pintada na vidraça .
O cão a tudo via, com seu olhar embaçado , de velho cão.
O poeta queria fugir da rima sentada no livro de Gonçalves Dias.
Queria entrar de pés descalços nos lagos lânguidos do Amapá.
Queria lamber os lábios sujos de sereno…
Queria ser um pequeno carrapicho, para se agarrar ao tempo infinitamente reciclando o estar ali.
Mas só o cão tinha o osso, que fora vida.
E toda a saudade que o passar da vida cria…
ele a lambia com sofreguidão…
Mas não sabia.

Luiz Jorge Ferreira

*Osasco …21.01.2021

Poesia de agora: Croni-verso de você – @juliomiragaia

Croni-verso de você

A noite foi embrulhada
Por uma chuva
Secular,
Um espelho
Sonoro
De infinito
Sossego
E saudade

O perfume da água
E o perfume do teu corpo
Eram as moradas
Mais importantes
Debaixo do firmamento
E acima da terra

Choviam
Sílabas e silêncios
Bélicos
De algum tipo de amor,
Enquanto
O Paricá, em sonâmbula
Metamorfose,
Dormia
O sono dos puros
E encharcados

Era noite
De visagens amedrontadas
Ante o nada
Que se dizia
Em teus gestos
de abril

E ante a ti,
Como quem perde
Qualquer futuro,
Fruto
Ou fim
Eu te quis
Num rio surdo
E desequilibrado
De vinhos e bocas

Júlio Miragáia

Poema de agora: A BÊNÇÃO, SAMAÚMA! – Pat Andrade

Foto: Elton Tavares

A BÊNÇÃO, SAMAÚMA!

abençoa, Samaúma!
todos os nossos dias
aqueles dourados
e também os cinzentos

abençoa esse amor
de abraços apertados
e passos lentos

abençoa essas bocas que falam e se unem
em beijos sedentos

abençoa esses corações
que pulam inquietos
dentro do peito

abençoa, Samaúma,
a alegria desse momento

abençoa esse amor
de mãos dadas
e folhas ao vento

Pat Andrade

Poesia de agora: Não enterrem meu coração na curva do rio – Luiz Jorge Ferreira

Foto: Floriano Lima

Não enterrem meu coração na curva do rio

Não enterrem meu coração na curva do rio.
Desaguem o rio no meu coração.
Ensinem a essa saudade quase moribunda.
Onde ficam meus pensamentos, que olham ao relento as estrelas pálidas de Syrius.
Varram para próximo aos meus passos todo o espaço que desenhei no caderno das primeiras letras quando fui ao Grupo Escolar Azevedo Costa.
Tudo para mim tinha o perfume que hoje paira sobre os poemas que desenho n’alma.

Não enterrem meu coração na curva do rio.
O rio secará um dia e meu coração ficará exposto a sede de sonhos e a dor dos ontens…

Esse rio que foi e é a rua de um Poeta.
Foi o berço das Pororocas que esculpem faces nas rochas, criam castelos de areia na praia…
E somem como as coisas que nos rodeiam.
Deixando lembranças no leito do rio… que são páginas de livros para os Poraquês , Arraias e Tralhotos.
Para mim que nem mergulho, nada dizem.
Vou acompanhar as Gaivotas lépidas que sobrevoam minha sombra…
E quando eu mergulhar com os Urubus que mancham de cor escura esse céu anil…
Usarei a abundância das lágrimas para sujar a dor.

Não enterrem meu coração na curva do rio…
Tenho medo das curvas, elas nunca chegam a qualquer lugar.
Elas nunca chegam aonde eu queria ter ido.
Pois dois cegos fazendo Selfie… jamais conseguirão registrar a dor do meu coração.

Tenho medo de ficar ao relento… coração exposto as pisadas tropegas da procissão dos solitários e a lambida inoportuna dos gatos que nos telhados abandonaram seus lamentos e miados para vir se apossar dos meus.
Não enterrem meu coração na curva do rio.

Luiz Jorge Ferreira

* Osasco (SP) – 25.09.2021

Poema de agora: aquela mulher que beijei – Thiago Soeiro – @ThiagoSoeiro

aquela mulher que beijei

o amor me escorreu entre os dentes
quando você me fixou os olhos
era como se sua alma já conhecesse a minha
e eu sem saber as horas fui ficando.

adormeci em teus olhos de sereia
e tu me beijou como quem se despede

foi assim que ficamos marcados
com a saudade de quem parte
e o amor de quem nunca vai embora.

Thiago Soeiro

Poesia de agora: Vida em Marte! – Jaci Rocha

Vida em Marte!

Sob o mesmo sol que brilha amarelo
E ainda roda,
descobriram que há água em Marte
– Lastros de futura ou pretérita civilização?

Será que em Marte alguém já amou,
Já disse adeus…virou carbono e voltou
Viagem entre o universo e a vontade de reencontrar
Será que foi anteontem ou ainda acontecerá?

E dizem que há mais mistérios
que poderá supor nossas vãs teorias
Mas, se até a poeira da terra já esteve n´outro mundo,
E mesmas palavras compõem outras poesias

Entre as estrelas, quantas milhões de formas de vida?

Digo olá ao exótico – Que pode ser eu, ao espelho
Afinal, quem poderá dizer quem é o ‘outro’
Não seríamos nós, afinal, o estrangeiro? –
Eu, passageiro,

Viajo entre as estrelas e o desconhecido
Até com certa familiaridade !
não pasmo se no Universo
Houver ou houve vida em Marte

Afinal, dentro de mim moram tantas
Gente que até não mais conheço
E outras se achegarão, no tempo, no espaço,
Com outros versos, luz, assombros , sonhos e avessos.

Jaci Rocha

Poesia de agora: Síndrome de Estocolmo – Lara Utzig (@cantigadeninar)

Síndrome de Estocolmo

se amor é despedida
e o fim inevitável é sempre um adeus
não vejo justiça na vida
que teima em desgraçar os filhos seus.
amor de verdade é desprendimento,
um desalgemar da alma,
passagem só de ida com o vento,
uma esmola dada com calma.
prazo de validade?
quando a gaiola se abre
não importa a idade
apenas se sabe que é tarde.
dou-me por vencido.
o código de barras atesta:
produto podre, coração ferido,
acabou a festa.
culpa de quem?
do amor?
discordo, vou além.
o amor é indolor.
é desapego sincero,
um bem-querer que se quis,
um acenar singelo
de quem só quer ver o outro feliz.
responsabilizo pois,
os amantes.
que adiam, deixam para depois,
o que deveria ser feito antes.
os pulsos machucados
são libertos devagar…
com a jaula entreaberta
vou voltando a respirar:
posso voar!
mas prefiro ficar e esperar.
mais que amante, sou tola
por crer que a mola
do mundo é o amor.

e que o tempo não apaga
as contas das tecelãs do destino,
tampouco serve de adaga
para cravar no peito a lâmina do desatino.
as velhas costureiras me miram
com os olhos negros e enrugados
e tudo que me ensinam
é a não desistir do que está escrito e tatuado.
na pele
nas estrelas
no cerne
nas veias
e por escolher permanecer
sou refém da felicidade,
para contigo ser…
aprisionada por vontade.

Lara Utzig

Poesia de agora: Luz e Assombros – Jaci Rocha

Luz e Assombros

A poeira acumulada na calçada dos dias
O vento que sopra a esquina da tarde que cai
Um fantasma sentado na esquina da Hamilton Silva
A lembrança da pureza batendo à porta.

A luz do dia e a sombra das coisas que já disse adeus
Às vezes se encontram
Sentam para uma cerveja
Ou para um simples olá….

Acho que encontrei comigo
Risonha, pateta.
O espelho sussurrou “já passou”
Sigo aqui, sei que ali, já não há mais nada

É só a poeira do tempo
Trazida no vento
E nas flores do jambeiro
Que jazem naquela calçada.

-E a chuva lava o fim de tarde
Com o (e)terno cheiro dos domingos.

Jaci Rocha