Jornalista Luiz Melo é absolvido na Justiça em processo movido por deputada

Por Douglas Lima

A Justiça do Amapá, através da 1ª Vara Criminal de Macapá, absolveu o jornalista Luiz Melo de acusação imputada a ele pela deputada federal Sílvia Waiãpi, como transgressor dos artigos 138, 139 e 140 do Código Penal Brasileiro.

A acusação da parlamentar foi em reação à publicação no Sistema Diário de Comunicação e nas redes sociais, assinada pelo jornalista, a respeito dos comentários e noticiários, em nível nacional, da então tida como participação dela nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.

No curso dos comentários e noticiário da imprensa, e também das investigações sobre o ataque aos três poderes do país, ficou comprovado que a deputada federal, eleita pelo estado do Amapá, não estava em Brasília no dia 8 de janeiro do ano passado.

Os artigos do Código Penal invocados por Sílvia Waiãpi, para condenar Luiz Melo, trata dos crimes de calúnia (138), difamação (139) e injúria (140). O jornalista foi defendido no processo pelo advogado Helder Carneiro. Sílvia descreveu na denúncia que os comentários e notícias do jornalista “tentaram corromper a imagem pública” dela.

Na decisão, a Justiça, ao julgar improcedente o pedido da deputada Sílvia Waiãpi, assim se expressou: “Analisando detidamente a exposição fática, as provas juntadas nos autos, bem como o depoimento do querelado, é forçoso reconhecer que não restou configurado o crime de calúnia, difamação ou injúria”.

Fonte: Diário do Amapá.

Acadêmicos de História da Unifap participam de visita guiada no Centro de Memória do TJAP e Sala de Arquivo no Fórum de Macapá

Na quinta-feira (22), o Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP) recebeu acadêmicos do curso de História da Universidade Federal do Amapá (Unifap) para uma visita guiada pelas instalações do Centro de Memória, Biblioteca e Sala de Arquivos da instituição. A iniciativa visa fomentar o acesso à pesquisa e utilização do acervo de interesse histórico do Poder Judiciário amapaense. A ação foi organizada pela Coordenadoria de Informação, Documentação e Memória Judiciária do TJAP e professores da Unifap.

A recepção dos estudantes foi feita pelos membros da Coordenadoria de Informação, Documentação e Memória Judiciária do TJAP: a bibliotecária Simone Leite (coordenadora), o museólogo Michel Ferraz e o historiador Marcelo de Oliveira. A visita também foi acompanhada pelo professor Higor Pereira, da Unifap.

“As visitas são importantes porque é uma oportunidade que o TJAP tem de mostrar que cumpre sua função primária e essencial que é julgar, mas é também se posicionar e contribuir com seu acervo. Pois é de interesse histórico e cultural para a preservação, bem como fortalecimento da memória institucional. Assim, a classe acadêmica pode ver os documentos e processos, manipularem e absorver conhecimento de técnicas como tratamento dos mesmos e é fonte de pesquisa para os estudantes”, detalhou o museólogo do TJAP, Michel Ferraz.

Na oportunidade, além de conhecer o acervo em exposição, os alunos puderam ouvir explicações sobre a longa trajetória do Judiciário no Amapá.

“Parte importante do trabalho do historiador é o contato com a documentação, com a memória documental. O TJAP mantém um acervo documental riquíssimo, sobretudo para a perspectiva de História vinculada a essa disciplina. É essencial que os acadêmicos tenham essa experiência e vejam a preservação desse material, pois não temos um arquivo público e poucas instituições que estão abertas para receber pesquisadores. O Poder Judiciário é uma delas e serve de fonte de pesquisas para os alunos”, destacou o professor Higor Pereira.

A visita também se estendeu até a Biblioteca Juiz Francisco de Oliveira, onde os acadêmicos puderam conhecer o acervo bibliográfico, especialmente as novas aquisições da área de história. Em seguida, os estudantes se dirigiram ao Fórum Desembargador Leal de Mira e conheceram a Sala de Acesso Digital e a Sala de Arquivos do TJAP.

Na ocasião, os estudantes tiveram a oportunidade de um contato direto com processos judiciais antigos e percepção sobre sua importância como fonte de pesquisa histórica.

“Com essa visita, tivemos oportunidade de reconhecer os aspectos da memória e principalmente toda a trajetória política e institucional ocorreu no Estado. Ao mesmo tempo no próprio processo imperial no Brasil, inclusive colonial. Podemos observar processos jurídicos, a própria trajetória política do Amapá contada pela documentação. Agradecemos pelo importante trabalho da equipe do TJAP”, pontuou o acadêmico Marco Trajano.

Centro de Memória do TJAP

O Centro de Memória do TJAP foi inaugurado em 31 de agosto de 2019 com intuito de preservar e difundir a memória institucional da Corte de Justiça amapaense. Localizado na entrada do Palácio da Justiça, o memorial exibe objetos, livros notariais e processos judiciais emblemáticos provenientes de diversas fases do Judiciário no território Tucuju.

O espaço está localizado na Sede do TJAP, na Rua General Rondon, nº 1295, no Centro de Macapá. Aberto das 7h30 às 14h, disponível para visitação do público.

– Macapá, 23 de fevereiro de 2024 –

Secretaria de Comunicação do TJAP
Texto: Elton Tavares
Fotos: Flávio Lacerda
Central de Atendimento ao Público do TJAP: (96) 3312.3800

Hoje é o Dia Internacional do Maçom (meus parabéns à Ordem e sobre a ligação da Maçonaria com minha família)

Hoje é o Dia Internacional do Maçom. A data é celebrada em 22 de fevereiro por conta do aniversário do primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington. Ilustre Irmão Maçom e principal artífice da independência dos EUA. Inclusive, ao assumir o mandato, em 1789, prestou seu juramento constitucional sobre a Bíblia da Loja Maçônica na qual era Venerável Mestre.

O conceito de Maçom diz: “homens de bons propósitos, perseguindo, incansavelmente, a perfeição. Homens preocupados em ser, em transcender, num preito à espiritualidade e à crença no que é bom e justo. Pregam o dever e o trabalho. Dedicam especial atenção à manutenção da família, ao bem-estar da sociedade, à defesa da Pátria e o culto ao Grande Arquiteto do Universo”.

Maçonaria é uma sociedade discreta e, por essa característica, entende-se que se trata de ação reservada e que interessa exclusivamente àqueles que dela participam. Seus membros cultivam o aclassismo, humanidade, os princípios da liberdade, democracia, igualdade e fraternidade. Além do aperfeiçoamento intelectual, sendo assim uma associação iniciática, filosófica, progressista e filantrópica.

Maçonaria no Amapá e meu avô maçom

A Maçonaria existe no Amapá desde 1947, quando foi fundada a Loja Maçônica Duque de Caxias, localizada na Avenida Cloriolano Jucá, Nº 451, no Centro de Macapá. Hoje existem 24 lojas maçônicas no Amapá. Destas, 13 são da Grande Loja do Amapá e 12 da Grande Loja Oriente do Brasil. Além da capital, os municípios de Mazagão, Porto Grande, Santana e Laranjal do Jari possuem uma loja cada.

Meu avô paterno, João Espíndola Tavares, foi maçom. Aliás, foi um homem dedicado à Maçonaria. Vou contar um pouco dessa história:

Em 1968, após ser observado pela sociedade maçônica de Macapá, João Espíndola (meu avô) foi convidado a ingressar na Loja Maçônica Duque de Caxias, onde foi iniciado como Maçom. Logo se destacou dentro da Ordem por conta de seu espírito iluminado. Foi um dos maiores incentivadores de ações filantrópicas maçônicas no Amapá.

João foi agraciado, em 1981, após ocupar 22 cargos maçônicos, com o Grau 33 e o título de “Grande Inspetor Litúrgico”. Ele sedimentou seus conhecimentos sobre literatura mundial lendo de tudo.

Vô João transitou por todos os cargos da Ordem. As cadeiras que ocupou foram sua ascendência à graduação máxima da instituição. Foi Vigilante, 2ª Mestre de Cerimônias, Venerável Mestre, 1º Experto Tesoureiro, Delegado do Grão Mestre para o 11ª Distrito Maçônico e presidente das Lojas dos Graus Filosóficos. Também foi um dos participantes do Círculo Esotérico da comunhão dos membros.

Meu avô é o primeiro da esquerda. Nessa foto, com outros maçons, entre eles o senhor Araguarino Mont’Alverne (segundo da direita para a esquerda), avô de amigos meus.

Ele também integrou o grupo de humanistas da instituição, que objetivava a assistência social e humanitária, oferecendo atendimento médico gratuito ao público. A entidade filantrópica também ministrava aulas preparatórias para candidatos ao exame de admissão ao Curso Ginasial, que hoje conhecemos como Ensino Médio.

Quando ele morreu, em 1996, em nota, a Maçonaria divulgou: “Durante sua estada entre nós, sempre foi ativo colaborador e possuidor de um elevado amor fraterno”.

Homenagem ao vovô, em Mazagão

Há 12 anos a Loja Maçônica do município de Mazagão, Francisco Torquato de Araújo, comemorou 20 anos de fundação. No evento, a instituição homenageou seus fundadores, entre eles o patriarca da minha família paterna, João Espíndola Tavares.

Meu tio e querido amigo, Pedro Aurélio Penha Tavares, é o único maçom da minha família. Ele também foi Venerável Mestre da Loja Duque de Caxias. Meu avô, lá nas estrelas, deve ter muito orgulho de seu filho, que seguiu seu caminho Maçônico.

Tio Pedro, na época de venerável da Loja Duque de Caxias

Não sei se um dia terei perfil para ser um membro da nobre instituição, mas seria uma honra. Lembro de crescer com um certo fascínio sobre a Maçonaria por conta do meu avô. Além do vô João e tio Pedro, parabenizo todos os meus amigos maçons. Congratulações pela data!

*OBS: apesar de muitos maçons serem eleitores do ex-presidente inapto do Brasil, acredito que não podemos associar a maçonaria a ele, como muitos fazem. Como sabemos, toda generalização é errada. Todo candidato a um cargo público tem o direito a frequentar as mais rodas em busca de afinar o diálogo com seus eleitores Com Bolsonaro foi a mesma coisa. Assim como nem todo maçon é fascista (como os eleitores de Jair), nem todo evangélico vota naquele demônio (boto fé nisso, com o perdão do trocadilho).  Afinal, nem todo conservador é doido e seguimos na esperança do caminho para a iluminação.

Fale de sua aldeia e estará falando do mundo” – Leon Tolstoi.

Elton Tavares

Valor histórico: Centro de Memória do TJAP recebe doação de acervo com mais de 150 anos

Com objetivo de oportunizar à comunidade a pesquisa em documentos antigos que constam fatos históricos do Amapá, o Centro de Memória Institucional do Tribunal de Justiça do Amapá recebeu, na terça-feira (21), um acervo de livros antigos doados pelo Cartório Jucá Cruz, de Macapá. O patrimônio, já sem serventia para o órgão cartorário, conta com arquivos com mais de 150 anos e que em breve estarão disponíveis para consulta pública.

Cerca de 75 documentos, entre livros de escrituras, procurações e blocos de jornais, foram entregues aos servidores do Centro de Memória do TJAP, museólogo Michel Ferraz e o historiador Marcelo Jaques. A transferência se deu via decisão da Corregedoria-Geral de Justiça TJAP, por meio do Processo administrativo nº: 2023081388.

O tabelião do Cartório, Francisco Cruz, explicou que por serem muito antigos, os arquivos já tinham perdido o interesse em relação ao registro público.

“Em relação ao conteúdo desses livros, há informações históricas de valores inestimáveis relacionados à cultura do nosso povo, à história das pessoas, da população aqui em Macapá. Para que eles não se percam no tempo, porque os livros já são muito antigos, eles estão sendo transmitidos para o Tribunal de Justiça para que sejam melhor acomodados e estudados”, contou o tabelião.

Foram recebidos: Livros de Notas do período de 1854 a 1925; Livros de Procurações do período de 1913 a 1923; e Jornais da década de 1940 e 1950.

O museólogo Michel Ferraz, chefe da Seção de Memória Institucional do TJAP, ressaltou que trata-se de um vasto acervo, muito importante do ponto de vista documental e histórico para o Centro de Memória.

“Ele tem um potencial muito grande ainda do ponto de vista informacional e foi doado para que nós pudéssemos analisar esses documentos, cuidar, catalogar e também oportunizar o acesso público. O que temos neste acervo não são registros e nomes pessoas que, de alguma forma, foram importantes e ajudaram na construção do Estado. Tem um valor excepcional”, disse o museólogo do TJAP.

Centro de Memória do TJAP

O Centro de Memória Institucional do TJAP tem o intuito de preservar e difundir a memória institucional da Justiça amapaense. O espaço está localizado na Sede do TJAP, na Rua General Rondon, nº 1295, no Centro de Macapá. Aberto das 7h30 às 14h, disponível para visitação do público.

– Macapá, 21 de fevereiro de 2024 –

Secretaria de Comunicação do TJAP
Texto: Fernanda Miranda
Fotos: Hugo Reis
Central de Atendimento ao Público do TJAP: (96) 3312.3800

Jornalista e escritora/poeta Alcinéa Cavalcante gira a roda da vida. Feliz aniversário, querida amiga! – @alcinea

Sempre digo aqui que gosto de parabenizar neste site as pessoas por quem nutro amor ou amizade. Afinal, sou melhor com letras do que com declarações faladas. Acredito que manifestações públicas de afeto são importantes. Neste décimo nono dia de fevereiro, a jornalista, professora e escritora/poeta, Alcinéa Cavalcante, gira a roda da vida e lhe rendo homenagens.

Alcinéa Cavalcante é brilhante em tudo que se propõe a fazer. Jornalista, escritora premiada, uma das maiores poetas amapaenses, ativa militante cultural, respeitada blogueira, fotógrafa, numismática, apreciadora da Lua, experiente e perspicaz repórter, imortal da Academia Amapaense de Letras (AAL), amante de carnaval e integrante da Escola de Samba Maracatu da Favela (apaixonada por sua verde & rosa), degustadora de Chandon, mestre em produzir lindos origamis, entre outras muitas coisas porretas que a Néa é.

Mas ela desempenha ainda melhor os papéis de esposa do gentil e gente boa Soeiro, mãe do meu querido amigo Márcio Spot, avó amorosa da Alice, irmã da Alcilene, Alcione, Zoth, entre outros que não conheço, além de amada amiga deste editor.

Há décadas, com sua escrita ímpar, Alcinéa faz arte e comunicação de forma sublime. No compasso suave das palavras tecidas com esmero, sua poesia se entrelaça com a história do Amapá. E seu jornalismo franco, contundente e responsável revelam verdades e colorem os dias neste nosso lugar no mundo.

Néa herdou o talento de seu pai, o lendário Tio Alcy Araújo (um cara que eu queria ter conhecido). Literalmente o toque dela, por onde vai, faz a diferença no mundo. Com seus mágicos origamis, espalhava poesia pela cidade na época do seu Poesia na Boca da Noite. Com ela, a palavra vira poema ou notícia, informação coesa e responsável, pautada pela sua marca pessoal, a credibilidade. Dia a dia vira retrato de uma paisagem antiga, que a gente não quer esquecer.

Seus passos são marcados pelas veredas da cultura e do jornalismo. E ecoam como cânticos de resistência, pois Alcinéa pavimentou o caminho para muitos passarem, como eu.

Adoro quando vou até ela e a gente fica batendo papo no escritório de sua casa, uma mistura de biblioteca e sala de estar aconchegante. Ou quando vamos ao barzinho que fica quase em frente à sua residência, tomar um chopp e molhar a palavra. Quando passo tempos sem ir, ela me ameaça e fala que irei para seu caderninho de ex-amigos. Logo dou um jeito de dar as caras, colocar a conversa em dia e rir bastante em sua companhia.

Ah, Néa sempre nos atualiza, nos ensina e diverte. Para mim, Alcinéa é conselheira, incentivadora, confidente e protetora (sim, ela protege e é extremamente fiel aos seus).

Já escrevi muitos textos sobre a Alcinéa Cavalcante e sempre repito: Néa é um misto de doçura e acidez. Quando jornalista, suas colocações inteligentes, com pontos de vista diferenciados, o leve humor ácido e a abordagem refinada sobre qualquer tema, fascina leitores. Quando poeta, desperta as melhores sensações em quem lê ou escuta seus lindos poemas, pura ternura.

Em resumo, se é que dá pra resumi-la em um texto de felicitações: Nea é uma pessoa sensacional. Uma mulher do bem, mas que combate o mal com força (e ela é forte pra caramba, pensem numa caneta pesada). Não à toa, nós, seus amigos, a amamos. E é impossível ser diferente.

Alcinéa, querida. Parabéns não somente pelo seu dia, mas por ser essa pessoa lindeza que és. Sou grato pelo apoio mútuo e pela amizade que construímos. É uma honra pra mim ser querido por alguém como você . Que teu novo ciclo seja repleto de luz, saúde, harmonia e paz. Que tua vida seja longa. Que sigas alegrando nossas vidas com teus poemas, sacadas, ironia fina e amor. Sou feliz pela tua existência orbitar a minha. Agradeço sempre pelo apoio contínuo e aprendizado. Que sigas, por pelo menos mais uns 100 fevereiros, com essa alegria, energia e força contagiantes.

Parabéns pelo seu dia, Néa. E feliz aniversário, querida amiga!

Elton Tavares (mas tenho certeza que falo também em nome da publicitária Bruna Cereja, minha namorada e também amiga da Néa).

Deus segundo Spinoza (muito bom)

Deus segundo Spinoza (muito bom)

“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida.
 
Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
 
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.


 
Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
 
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria.
 
Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.


 
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho… Não me encontrarás em nenhum livro! Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
 
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
 
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio.


 
Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti?
 
Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez?
 
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade?
 
Que tipo de Deus pode fazer isso?


 
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
 
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.
 
A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
 
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso.
 
Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.


 
Eu te fiz absolutamente livre.
 
Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
 
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho.
 
Vive como se não o houvesse.
 
Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir.
 
Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não.


 
Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste? O que aprendeste?
 
Pára de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar.
 
Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti.
 
Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
 
Pára de louvar-me!
 
Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam.
 
Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo.
 
Te sentes olhado, surpreendido?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
 
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim.
 
A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.


 
Para que precisas de mais milagres?
 
Para que tantas explicações?
 
Não me procures fora!
 
Não me acharás.
 
Procura-me dentro… aí é que estou, batendo em ti”.


 
*Baruch Spinoza (ditas em pleno Século XVII. Continuam verdadeiras e atuais até a data de hoje).

Ariano Suassuna, escritor brasileiro falecido em 2014, em um vídeo que encontrei no Canal Brasil, reproduz de outra forma o que Spinoza disse. Ele discorre sobre Deus, o sentido da vida e declama a poesia de Lenadro de barros.

Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?

Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?

Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?

Lenadro de barros

 

Definitivamente, o meu Deus, é o de Spinoza (Elton Tavares).

Fontes: Divulgando Ascensão , Canal Brasil e Canal Curta.

 

 

 

 

 

 

 

Raízes Aéreas, mas profundas na Cultura do Amapá (Uma crônica sobre a lendária banda amapaense) – Do livro “Crônicas de Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”

Arte: Ronaldo Rony

No início dos anos 90, no tempo em que os jovens de Macapá despertavam de vez para a música regional, surgiu a banda Raízes Aéreas, grupo formado pelos músicos Naldo Maranhão, Helder do Espírito Santo, Beto Oscar, Alan Yared, Helder Brandão, Black Sabbá, Hemerson Melo e Alexandre, sob a influência luxuosa de Antônio Messias. Na época foi o grupo de maior expressão, que chegou com músicas próprias, talento e atitude – todos os elementos para o sucesso, e ainda a experiência de alguns dos integrantes em outras bandas alternativas de Macapá.

Bar Lennon – Macapá anos 80 – Foto cedida por Edgar Rodrigues

Os jovens músicos resolveram fazer algo diferente e fizeram, quando a vida cultural de Macapá girava em torno de músicos iniciantes, que na maioria das vezes estudava em Belém (PA), e a ferveção era no Bar do Lennon. Com a ideia na cabeça, sem dinheiro, mas muita vontade, e algum incentivo financeiro, gravaram um disco, onde os sons do Amapá se misturavam com os da Jamaica e Caribe. Virou uma seleção sensacional de estilos que agradou de roqueiros a regueiros, e os aproximou de nomes já estabelecidos na música regional, como Osmar Júnior, Amadeu Cavalcante, Val Milhomem, Sabá-Tião, entre outros.

Black Sabbá, Helder Brandão, Hélder Espírito Santo e Naldo Maranhão

Logo a Raízes Aéreas caiu no gosto popular, por conter, principalmente, elementos da musica regional e do rock, que eram os ritmos mais em moda. Sem a internet e os apelos da mídia de hoje, eles alcançaram sucesso e popularidade tocando em bares e praças, e contando com míseros espaços na imprensa. A formação inicial foi substituída algumas vezes, e o revezamento revigorou a banda, que teve nos instrumentos músicos do quilate de Heder de Melo.

Por motivos particulares, cada um pegou seu caminho e a Raízes Aéreas virou um mito entre a geração da época. Em 2009, eles se reuniram para um show de reencontro que contou com a participação de Celso Viáfora, Enrico Di Miceli, e outros artistas.

O show foi uma festa entre amigos que encantou quem o assistiu. O evento foi memorável, crédito para a produtora Clicia Di Miceli, proprietária da Bacabeira Produções, que realizou o reencontro.

Raízes Aéreas, em 2009, com Celso Viáfora, Enrico Di Miceli e outros artistas.

Em 2015, o CD com as músicas que deram a fama para os integrantes do Raízes foi reeditado, mostrando hoje, como há mais de 20 anos, podia ser produzido um disco com muita beleza, poesia e arranjos inovadores. Quem nunca ouviu não pode deixar de curtir o som da lendária banda.

*Crônica escrita pelos jornalistas Mariléia Maciel e Elton Tavares.
**Fotos: Mariléia Maciel, nos bastidores do show de 2009.
***Do livro “Crônicas de Rocha – Sobre Bênçãos e Canalhices Diárias”, de autoria de Elton Tavares, lançado em 2020.

Uma crônica baseada em baseados reais – Crônica de Ronaldo Rodrigues

GinoflexForever

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Mais uma história verídica quase ficção do meu amigossauro Ginoflex Vinil.

Tocou o celular, eu atendi:

– Alô.
– Fala, Ronaldo!
– Fala, Gino. Qual é o papo?
– Tá rolando uma festinha aí na tua casa?
– Não é bem uma festa, só uns amigos reunidos. Fizemos aquela coleta básica e compramos umas latinhas.
– Eu posso ir praí?
– É… Pode! Mas olha lá, hein! Tu vais trazer algum amigo contigo?
– Vou. O senhor sabe que eu sempre levo alguém.
– Mas quantos tu vais trazer?
– Calma, Gabiru! Relaxa! Vou levar dois.
– Dois? Tá legal. Pode vir.

11222913_10205167658966259_7857161415484695267_n

Desliguei o celular e me reuni aos três amigos que conversavam e bebiam no pátio de casa, lá no bairro do Trem. Fiquei um pouco apreensivo porque eu sabia que o Ginoflex costumava SE convidar para as reuniões de farra e aproveitava para convidar muita gente. Eu estava pensando nisso quando o Ginoflex apareceu dentro de um carro com mais cinco pessoas. Ao lado, parou outro carro, este com seis pessoas dentro.

supernatural_season_8_wallpaper
Ginoflex e Ronaldo Rodrigues

O Ginoflex, com aquele jeito todo à vontade, foi logo me apresentando a galera. Na discreta, chamei o Ginoflex para o lado:

– Porra, Gino! Eu falei que não era uma farra grande e tu disseste que só ia trazer dois amigos!
– Calma, Gabiru! Eu falei que ia trazer dois! Dois carros!

Eu compreendi e sorri com mais uma do Gino. Já ia me recolher ao meu canto quando ele, abrindo um pacote de uma erva (que eu não vou dizer aqui), falou com a cara mais sem-vergonha deste meio do mundo:

– Mas eu trouxe outras coisas também, Gabiru!

Aí demos início ao ritual de boas-vindas. Se é que me entendem.

A Banda Paralela no universo do folião amapaense – Crônica de Elton Tavares

Foto: Elton Tavares

Crônica de Elton Tavares

Na última terça (13), o tradicional desfile do bloco “A Banda” foi adiada em Macapá, por conta de chuvas intensas que atingiram a cidade desde a madrugada e por boa parte do dia. A Prefeitura de Macapá decretou situação de emergência no município e muita gente ficou desabrigada ou prejudicada de alguma forma por conta da tempestade.

Em decisão conjunta com órgãos de governo e do município, a coordenação do maior bloco de sujos do norte reagendou o desfile da Banda, para o dia 3 de março de 2024.

Foto: Elton Tavares

Como A Banda é do Povo e o poder público está na assistência das pessoas e segurança da população, muita gente foi para as ruas na terça-feira gorda sim. Eu estava entre as centenas de pessoas que fizeram uma espécie de bloco paralelo, na contramão da ordem do Gabinete da Tristeza de São Pedro, que arriou toda aquela chuvarada desnecessária aqui no meio do mundo.

Mesmo com o adiamento do evento decretado, centenas de foliões estiveram presentes na Rua Cândido Mendes. Eu entre eles. Pois a fome e sede de Carnaval, foi saciada no churrasco de alguns amigos, que tinham se reunido para ver A Banda passar, “cantando coisas de amor”.

Foto: Elton Tavares

Sim, uma porrada de gente fantasiada ou com abadás aproveitaram a bateria da Império da Zona Norte e caixas de som que embalavam o festejo na casa em que os caras se confraternizavam e lá se esbaldaram.

A justificativa, embora nobre em sua essência, não foi atendida pelos amantes do Carnaval. Claro que ninguém ficou feliz com o problema das pessoas atingidas com as chuvas torrenciais, mas o Estado, Prefeitura e demais autoridades cuidaram da situação.

Foto: Elton Tavares

Afinal, era a semana mais esperada do ano, um período de liberdade e celebração onde as tradições se sobrepõem até mesmo às preocupações mais pragmáticas. Ir contra isso era como tentar segurar o ímpeto das ondas com as mãos nuas.

“A Banda paralela” não deixou a desejar em nada a irreverência e alegria contagiante de seus foliões sujos de purpurina. Os tambores continuaram a ecoar pelas ruas, os carros de som improvisados surgiram em cada esquina e as manifestações da quadra momesca encontraram espaços para florescer na Rua Cândido Mendes, em frente ao Teatro das Bacabeiras e no Mercado Central de Macapá.

Tradição foi difícil ir contra. Uma boa parte da população ganhou as ruas e curtiu cada batucada, cada carro de som e cada manifestação da quadra momesca que rolou. Afinal, a chuva não apagou o fogo sagrado do Carnaval. Para mim, foi a expressão mais genuína da alma de um povo que encontra na festa uma forma de reinventar e de afirmar sua identidade cultural diante de qualquer tempestade que possa surgir.

Eu e Kledson Mamed, o Jesus que operou o milagre da Banda Paralela

“...A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Pra fazer a fantasia
De rei ou de pirata ou jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira…” – A Felicidade – (Vinícius de Moraes).

É Carnaval, é a doce ilusão, é promessa de vida no meu coração – (Crônica de Elton Tavares sobre a maior festa cultural brasileira)

Essa semana começa mais um Carnaval, a maior festa popular do Brasil. Amo a quadra carnavalesca, particularmente os festejos de rua. A “festa da carne” é paixão e amor, só entende quem sente. Para aqueles que acham tudo uma grande besteira, azar o de vocês, pois não sabem curtir a maior festa cultural brasileira.

Macapá já teve bons carnavais de clube. Na época, os foliões compravam temporadas (as mesas eram “bancas”) carnavalescas, bons tempos. Cresci no meio de gente alegre: meus pais, tios e os amigos deles. Todos “pulavam” nos bailes carnavalescos mais disputados da cidade. Eram realizados no Trem Desportivo Clube ou no extinto Círculo Militar (esse mais elitizado). Ainda adolescente participei de muitas dessas festas memoráveis.

Eu, Rei Momo

Esse ano, desfilarei mais uma vez pela minha amada Piratas da Batucada, como faço desde 1990. O lance é curtir o Carnaval, a emoção e a alegria que ele proporciona. Afinal, “todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto”. Mentira, muitos passam sim, mas a gente gosta assim mesmo.

Não tenho ziriguidum, não toco surdo de repique, tamborim ou bumbo, tudo pra não atravessar o samba. Também não sou pierrô e nem palhaço, mas já fui Rei Momo e serei sempre pirata da batucada.

Eu, no Piratas da Batucada, em 2015 (como faço desde 1990) – Foto: Abinoan Santiago

Sim, sempre fui um folião fervoroso, pois não nasci em fevereiro, mas o Carnaval tá no meu coração. E nem me venham com o lance de ser “pão e circo”, pois isso é argumento furado de quem não entende que essa é a maior festa popular do Brasil. Cheio de memória, arte, homenagens, é muito mais que uma disputa de agremiações em uma grande passeata festiva. Ou “um bando de bêbados nas ruas”, como dizem os desavisados (ou burros mesmo).

O Carnaval é inspiração, vibração, talento, organização, imaginação, arte, luz, cores, alegria, magia e amor. Fala de nossos costumes, história e tradições. Um contagiante evento de luz, cor e muita alegria. Sem falar na importância que possui para a economia, pois faz o dinheiro circular e beneficia toda a cadeia produtiva, comércio formal e informal.

No ensaio aberto do Piratas da Batucada, com a Bruna Cereja, minha namorada – Fevereiro de 2024

Tô louco desfilar na minha amada escola de samba Piratas da Batucada e andar todo o percurso d’A Banda, a louca marcha alegre. Sim, também estarei no Piratão e naquela multidão de máscaras coloridas. Vamos botar pra quebrar nas ruas de Macapá. Como diz a velha marchinha do remador: “Se a canoa não virar, olê, olê, olá, eu chego lá”.

Enfim, o Carnaval é festa que contempla as tradições e a história afro-cultural brasileira e nos dá a falsa sensação de liberdade, música, suor e alegria. Como diz o samba: “É Carnaval, é a doce ilusão, é promessa de vida no meu coração”. O que resta é esperar a cor que virá depois do cinza. E ela virá (se Deus quiser). Afinal, a festa da carne é isso: ludicidade, beleza e esperança. Tenham todos um ótimo Carnaval!

Elton Tavares – jornalista, escritor e folião. 

Sobre os Reis Momos do Amapá e a história deste personagem

Amo Carnaval e seus personagens. No caso da quadra carnavalesca amapaense, dois deles são Reis Momos e marcaram a história. Essas duas personalidades importantes do carnaval tucuju, são Raimundo dos Santos Souza, o Sacaca, primeiro monarca da alegria foliã por aqui e o segundo é Raimundo Tavares, o “Sucuriju” que subiu ao trono da alegria quando o primeiro virou saudade.

Sacaca, além do primeiro Rei Momo amapaense, participou da fundação da primeira escola de samba, a Boêmios do Laguinho e, em 1994, foi homenageado pela escola de samba Piratas da Batucada, com o enredo “Festa para um rei negro”. A agremiação foi a campeã neste ano.

Raimundo dos Santos Souza também foi mestre em medicina natural, o “curandeiro”. Tinha duas paixões além de sua família: as plantas e o Carnaval. Ficou famoso por suas garrafadas, remédios caseiros feitos de ervas, e por ser um folião apaixonado, sobretudo pelo bloco “A Banda”. Ele morreu aos 73 anos, em 1999 e deixou um legado inestimável para o Carnaval local, mas vive na memória e coração das pessoas que curou e com quem dividiu os carnavais memoráveis de sua época.

Eu, ex-Rei Momo dos bloco “Nada me Imprensa”, dos jornalistas do Amapá e o saudoso (já falecido em 2023) Rei Momo do Carnaval Amapaense, Sucuriju – 2017 – Foto: Patrick Bitencourt

Raimundo Tavares, o popular e saudoso “Sucuriju”, foi eleito, em 2003, o Rei Momo do Amapá. De acordo com informações da jornalista Alcinéa Cavalcante, ele é amante do samba desde os 9 anos, quando participou de um desfile pela primeira vez. Caiu no samba ainda gitinho, foi ritmista de bateria de escola de samba, passista cheio de breque e ginga e um dos melhores mestres-sala do Estado. Em fevereiro 2023, aos o Sucuriju, morreu. Desde então, o trono momesmo do Amapá está vago.

Amo brincar Carnaval e me visto de Rei Momo. Aliás, fui o Rei do bloco “Me imprensa que eu te jogo na rede” e desde então, me visto deste personagem carnavalesco. No meu caso, é um auto-barato por conta do porte físico bucho-quebrado, mas respeito e muito os Reis Momos de verdade e o papel deles na história da folia nacional.

Sobre o surgimento do Rei Momo

Na mitologia greco-romana, o Momos era o Filho do Sono e da Noite. Ele ficava o tempo todo prestando atenção nas atitudes dos deuses e dos homens e fazendo graça de tudo. Era considerado o deus da Graciosidade, pois passava o tempo todo rindo e fazendo piadas dos outros. Era representado com uma máscara numa mão e uma figura ridícula na outra, para dar a entender que ele tirava a máscara dos vícios dos homens.

Com o passar do tempo, em Portugal, virou um personagem que tinha o trabalho de divertir os amos e senhores, nos castelos e nas casas dos nobres.

Ele apareceu pela primeira vez como personagem de um carnaval na Colômbia, em 1888. Uma figura alegre, brincalhona e governante da bagunça da festa.

No Brasil, surgiu em 1933, no Rio de Janeiro. Jornalistas que trabalhavam no periódico “A Noite”, inventaram um boneco de papelão e batizaram ele de O Momo.

No ano seguinte, decidiram transportar o personagem do papel para a vida real. O cronista do jornal Moraes Cardoso aceitou o cargo e eles saíram desfilando pelas ruas do Rio de Janeiro, saudando o rei! Ele foi o rei Momo pelos 15 anos seguintes, até morrer.

A tradição se manteve e, até hoje, a figura do Rei Momo é adotada nos carnavais cariocas e de outros estados. É a autoridade maior do evento e recebe até as chaves da cidade para governar durante o período de festas.

Elton Tavares, com informações do blog do Simão e Alcinéa Cavalcante.
Fotos: blog Porta-Retrato; Canto da Amazônia e da Alcinéa Cavalcante

Calças de Linho Flutuantes e os Nomes dos Blocos- Crônica porreta de Fernando Canto

Crônica de Fernando Canto

Na constelação de brilho intermitente do carnaval você pode se tornar uma estrela. Basta querer. Quem não se identificar com o samba tem a opção de sair no meio de um bloco carnavalesco, onde os brincantes se esbaldam no frevo rasgado ou ao som das tradicionais marchinhas que trazem temas diversos na competição anual entre eles.

Foto encontrada no site “Cultura do Brasil”

Dada a sugestão está feito o convite. Um pouco tardio, creio, mas feito com o carinho de quem quer ver o carnaval macapaense brilhar mais do que do que brilhou no passado. “Um passado de glórias”, como diz um antigo samba dos Boêmios do Laguinho. Um passado feito de desfiles e batalhas de confetes que encantavam as crianças nos domingos de fevereiro em diversos pontos da cidade e faziam a alegria da juventude.

Foto encontrada no blog Porta Retrato

É inesquecível para mim a figura da porta-bandeira Telma e do mestre-sala Sucuriju rodopiando no asfalto da avenida FAB sob o calor dos holofotes e do aplauso do povo laguinhense. O povo aplaudia e gritava quando o grande passista, o Mestre Falconeri dançava, balançando as largas calças de linho que pareciam fazê-lo flutuar sobre o chão.

Mas o povo delirava mesmo era cantando o samba aprendido às pressas nos últimos dias que antecediam ao desfile, uma prática usual de todas as escolas. Era a partir do samba que se faziam os enredos. Então ele era guardado a sete chaves até próximo do dia do desfile oficial para que as escolas concorrentes não o plagiassem e nem ao enredo. Francisco Lino, o Menestrel, que o diga.

Arquibancada na Praça da Bandeira, na época dos desfiles na Avenida Fab, centro de Macapá – Foto: Márcia do Carmo.

As escolas da década de 60 e parte da de 70 eram parecidas com os blocos de hoje que almejam serem escolas de samba: traziam apenas um carro alegórico e um pequeno contingente de brincantes. A diferença é que a maioria dos instrumentos musicais era fabricada por aqui mesmo. Os próprios brincantes faziam seus querequexés e agogôs, frigideiras e tamborins. Minutos antes de entrarem na passarela acendiam fogueiras para esticar o couro dos tambores a fim de evitar que murchassem devido ao tempo ou a uma chuva inesperada. De acordo com o Pedro Ramos, o maior repiquinista dos Estilizados, o instrumentista tinha que levar uma folha de jornal no bolso para esquentar os tamborins feitos de couro de cobra pelo seu Joaquim Suçuarana. Sambistas e passistas mirins, como o Neck e o Kipilino, se revelavam novos talentos e se tornaram o orgulho de sua escola.

Foto: fanpage da Escola de Samba Piratas Estilizados

Enquanto Luís do Apito (pai do Bababá, atual mestre de Bateria dos Boêmios) organizava a batucada, R. Peixe se preparava para trazer a sua recém-criada Embaixada do Samba, uma dissidência da Piratas da Batucada. Esta, por sua vez, trazia em suas hostes os incansáveis e pouco reconhecidos compositores Jeconias Araújo e Juriel Monteiro. Lá atrás Pelé e Fifita, Neusona e Escurinho aguardavam sua vez de desfilar ao som dos sambas de Izar Leão ou de Nonato Leal e Alcy Araújo, apaixonados que eram pela verde-rosa macapaense.

Fernando Canto, com seus irmãos e amigos, no bloco “Cubalança” – Foto: arquivo pessoal

Nos anos 80 surgiram as escolas de samba de 2º grupo, como a Piratas Estilizados (que foi bloco por muitos anos) a Unidos da Coaracy Nunes, a Quilombo dos Palmares, Emissários da Cegonha e a Solidariedade. Daí, então, o carnaval amapaense teve outra formatação até o advento do sambódromo, que foi o território do Piratão por um longo reinado. De 1997 para cá, o brilho do carnaval foi mais intenso.

Pintura inspirada nos antigos carnavais paulistas – Foto encontrada no site “Cultura do Brasil”

Mas uma coisa marcante, hoje, é o desfile dos blocos. Eles estão em todos os bairros e todo ano se multiplicam levando suas temáticas e irreverências pelas ruas da cidade até se encontrarem no desfile da terça-feira na Banda. Creio que são a cara do nosso carnaval, ainda que queiram embotar-lhe o brilho com falso moralismo, em função dos nomes de dupla conotação que carregam. Ora, o carnaval amapaense é muito brasileiro. É irreverente e feliz. Traz como características a eliminação da repressão e da censura e a liberdade de atitudes críticas e eróticas. Realça o sorriso das crianças e não descarta nem esconde a sensualidade das mulheres tão sensualmente amapaenses, tão lindas e alegres, que optaram por brilhar no carnaval.

‘Uma festa pulsante e do povo’, reforça poeta e escritor sobre Carnaval do Amapá

Das batalhas de confete na Praça do Barão, na década de 1960, aos desfiles das escolas de samba, o carnaval amapaense se mistura no imaginário e na história do Amapá nos últimos 80 anos. A festa também está presente na memória do poeta, escritor, professor e compositor Fernando Canto, que trouxe a folia para sua obra. Este ano, com apoio do Governo do Amapá, o Carnaval 2024 promete alegria e memórias relembradas na Avenida Ivaldo Veras.

Para o poeta e folião, o momento na avenida se traduz como manifestação genuína de um povo que constrói o Carnaval. Fernando Canto explica que a festa é viva e que pode ser aproveitada por qualquer um que queira se juntar a ela.

“O carnaval é pulsante, é uma coisa do povo, é inalienável, aliás, tudo é dele, toda a arte advém do povo, porque ninguém sabe exatamente como as coisas surgem ou momento que se modificam. Essa festa também é um lugar de paixões, de desfilar, de mostrar cada um à sua própria vaidade, mas sempre no sentido da festa, daquilo que é importante para todos nós, sem a pretensão de ter aquela seriedade dos outros tipos desfiles, como procissões ou Sete de Setembro”, reforça Fernando Canto.

Como amante da escrita e do samba, Fernando Canto não teve como escapar da vontade de compor sambas-enredo, emplacando dezenas de letras para diferentes agremiações do estado, como a Boêmios do Laguinho, a escola do coração dele, Piratas Estilizados e Piratas da Batucada.

Foi, curiosamente, a escola Piratas da Batucada, uma das principais rivais do Boêmios, a protagonista de uma divertida história de composição de sambas do poeta. Em 1986, Canto compôs um samba-enredo para ser disputado na agremiação, e conseguiu alcançar o segundo lugar no concurso. Porém, dias depois, um amigo matemático acabou percebendo que a conta das notas estava errada e que o compositor havia sido prejudicado. Após contestar o resultado, o samba dele foi cantado na Avenida FAB naquele ano.

Em 1987, os dirigentes da escola encomendaram um novo samba para o escritor, sobre o enredo “Biroba – o maquinista da alegria”. Ele concordou, mas, com o passar do tempo, acabou esquecendo do pedido. Chegando mais perto do desfile, um dos diretores do Piratão foi até a casa de Fernando pedindo o samba, que acabou tendo que solicitar um tempo a mais para produção da letra.

“Nunca havia escrito um samba-enredo em apenas trinta minutos, mas no final das contas ele foi para o desfile e foi o samba que embalou o primeiro título da história do Piratas da Batucada, em um ano em que foi contada a trajetória de uma figura histórica do bairro do Trem, o Biroba”, conta o escritor.

História no Boêmios do Laguinho

A Boêmios do Laguinho, com 70 anos de existência – mesma idade de Canto –, é a grande paixão do folião, que coleciona sambas e momentos inesquecíveis. A agremiação fica localizada na mesma rua onde o compositor cresceu e foi nela que ele foi eleito Mestre da Nação, título dado às figuras históricas da escola e que é carregado com orgulho.

Além disso, Canto também já foi presidente da escola e uma vez homenageado pela “Nação Negra”, em 2012, juntamente com o compositor Osmar Júnior, com o enredo “Laguinho África minha, cantos e revoadas de dois poetas geniais”. Uma das grandes emoções vividas por ele na avenida, que também ocorreu outras vezes, com a Unidos do Buritizal e Piratas Estilizados.

“Foi uma alegria muito forte, nossa obra foi colocada na avenida, foi cantada pelas pessoas, mas, sobretudo, fica a marca de quem fez alguma coisa para arte, e isso me revigora. Estava ali eu e a obra que eu escrevi, que eu fiz, que eu musiquei, isso nos traz uma felicidade imensa”, disse o escritor.

Carnaval e poesia

Desde o tempo das batalhas de confete às festas das marchinhas de Carnaval que viveu na cidade, lá pelos anos 1960, Fernando Canto aproximou cada vez mais a sua obra da expressão cultural, ora inspirando seus textos, ora seus textos inspirando o próprio Carnaval.

O escritor sempre manteve a irreverência e a fantasia dessa época tão rica, na terra do bloco A Banda e de diversos outros de rua, como pode ser visto no conto “Super-Heróis no Carnaval”, do livro “O Centauro e as Amazonas”, publicado por ele em 2021.

“(…) Eduardo Luís, o Mãos de Tesoura, que acabara de terminar seu relacionamento com a Supermoça, olhava, deprimido, aquela cena enquanto a Mulher Maravilha dançava com o Homem de Areia a marchinha ‘A Jardineira’, mais bêbada que um trem descarrilhado”.

Carnaval 2024

Em dezembro, o Governo do Amapá fez o repasse de R$ 4,5 milhões para o Carnaval 2024. Os eventos carnavalescos fortalecem a cultura, o turismo e a economia, gerando emprego e renda para profissionais como costureiras, estilistas e aderecistas.

O investimento, fruto de articulação do senador Davi Alcolumbre, foi entregue diretamente às 10 agremiações em uma parcela única, por meio da Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá (Liesap).

Texto: Luan Rodrigues
Foto: Albenir Sousa/GEA
Secretaria de Estado da Comunicação

Meus parabéns, Macapá! (homenagem à minha cidade e seus 266 anos) #Macapa266Anos

Foto: Richard Ribeiro

Hoje nossa cidade completa 266 anos, repleta de belas histórias e alguns fatos tristes. Macapá, cheia de riqueza natural e tantas curiosidades, a cidade do “Meio do Mundo”. A única capital brasileira cortada pela linha do Equador e às margens do rio Amazonas. São aproximadamente 500 mil habitantes distribuídos em 59 bairros.

Minha família é pioneira na cidade. Aqui nasci e me criei. É onde trabalho e vivo bem, graças a Deus. Aqui escrevo, literalmente (como vocês têm acompanhado), minha história. Sou grato por todas as oportunidades que me foram dadas nesta terra abençoada.

O nome Macapá é de origem tupi, como uma variação de “macapaba” e quer dizer lugar de muitas bacabas, uma palmeira nativa da região, a bacabeira. Antes de ter o nome de Macapá, o primeiro nome concedido oficialmente às terras da cidade foi Adelantado de Nueva Andaluzia, em 1544, por Carlos V de Espanha, numa concessão a Francisco de Orellana, navegador espanhol que esteve na região.

Foto: Governo do Amapá

Macapá tem gente que amo, gente que me respeita, que me tem apreço. Este é o meu lugar, minha terra amada. Gosto de viajar, mas amo sempre voltar pra cá. Minha cidade alimenta minha produção jornalística/contista/cronista. Há mais de uma década, escrevo sobre lugares, pessoas e fatos dessa cidade maravilhosa. Tento mostrar o lado bom de nossa cidade. Sua Cultura em todas as vertentes. E vos digo: apenas comecei!

Sei que a capital do Amapá possui muitos problemas sociais, políticos, estruturais, mas graças a Deus, as coisas mudam para melhor. Somos um povo acolhedor, as pessoas que vieram de outros lugares sabem disso, por mais que muitos digam que não estão felizes por isto ou aquilo, mas quase ninguém vai embora.

Torço para que muitos se orgulhem, como eu, de ser macapaense. O som do batuque do meu coração toca a caixa de Marabaixo em minha alma. Amo ser da “esquina do rio mais belo com linha do equador”. Estamos no meio do planeta e este é o nosso lugar no mundo.

“Oh, São José da Beira-Mar proteger meu Macapá”. Parabéns, jovem cidade, pelos teus 266 anos. Viva Macapá!

Fale de sua aldeia e estará falando do mundo” – Leon Tolstói.

Elton Tavares