O poder do palavrão – Crônica de Ronaldo Rodrigues

Crônica de Ronaldo Rodrigues

Quem já deu uma topada daquelas, de arrancar a cabeça do dedão do pé, sabe do que vou falar. Se você não soltar um palavrão, também daqueles bem cabeludos (pra usar uma expressão do milênio passado), duvido que a dor passe logo. O palavrão tem esse poder curativo. Como num passe de mágica, você solta um CARAAAAAAAAAAALHO! e a dor não desaparece imediatamente, claro, mas vai dando um torpor, um anestesiamento e – abracadabra! – a dor sumiu, como diz o slogan de um certo remédio.

O que acho mais estranho nesse negócio de palavrão é denominarem de palavrão uma palavra com uma sílaba e duas letras: cu. Mesmo com muita gente devassando o cu com o acento agudo (o que deixa o pobre do cu assim: cú) a palavra não cresce um milímetro sequer, o que não justifica ser chamada de palavrão.

Com o advento do politicamente correto, que vai deixando tudo sem graça, fico a imaginar o banimento do palavrão, para salvar a honra das digníssimas famílias da nossa sociedade. Quando o seu dedão do pé encontrar uma pedra no caminho e a necessidade de um palavrão se fizer, o cidadão vai respirar fundo e deixar de gritar: PUTA QUE PARIU, CARALHOOOOOOO!, substituindo por um outro palavrão que, nesse caso, será apenas uma palavra grande, mais afeita aos novos tempos. Algo como: PINDAMONHANGAAAAABA! Ou AERODINÂMICA! Ou ainda: DESMAFAGAFIZADOR! Se a dor for algo insuportável, o único remédio será falar a maior palavra da Língua Portuguesa, um verdadeiro palavrão: INCONSTITUCIONALISSIMAMENTE!

Hoje se tem muito cuidado para não se falar palavrão na frente das crianças. Se bem que aqui em Macapá fala-se FODA-SE! em qualquer faixa etária. No meu tempo de criança, meu pai não poupava ninguém. Quem não quisesse ouvir que saísse de perto. E meu pai era um emérito falador de palavrão. Em cada frase, eram dois CARAAAAAALHO! a cada três POOOOOOORRA!

Já li em alguma postagem no Facebook que quem fala palavrão é mais feliz. Se assim for, já renovei o meu estoque de palavrão para sair por aí esbanjando felicidade. E para fechar esta crônica, que eu queria que fosse FODA!, mas acabou ficando ESCROTA!, um desabafo através de um palavrão que deve ocorrer a todos os que usam a web hoje em dia: Ô INTERNET FILHA DUMA PUUUUUTA! MEEEEERDAAAAAA!

Hoje é o Dia Nacional do Futebol

Hoje é o Dia Nacional do Futebol, uma data que foi escolhida em 1976 pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em homenagem ao time mais antigo do país em atividade, o Sport Club Rio Grande, do Rio Grande do Sul, fundado no dia 19 de julho de 1900.

Eu e meu irmão, Emerson Tavares, amamos futebol. Ele muito mais que eu. Começamos a gostar do esporte por causa de nosso saudoso pai, José Penha Tavares (papai foi goleiro dos times amapaenses São José e Ypiranga, além de mais uma porrada de equipes das peladas).

O velho nos levava para assistir aos jogos no antigo Estádio Glicério Marques, no centro de Macapá. Falar nisso é uma verdadeira overdose nostálgica porreta.

Também por influência do papai, nos tornamos flamenguistas. Graças a ele e a Deus, claro. Nunca fui bom de bola, batia muito (muito), era perna de pau, mas sempre acompanhei o esporte e acompanho até hoje. Ah, eu ia esquecendo, aqui no Amapá, torço pelo Ypiranga, mas o futebol local ainda tem muito que melhorar.

Meu irmão, antes de um jogo do Mengão no Estádio Mané Garrincha, em Brasília (DF), há alguns anos.

Meu irmão Emerson é o maior flamenguista que conheço. E desconfio que o remista mais doente também. Graças a Deus, sou bicolor no Pará.

Azar mesmo é de quem torce pro Vasco, aquele time da série B, só pra passar vergonha (fico com pena dos meus amigos vascaínos, que sofrem muito).

Mas voltando ao futebol de verdade. Nas mesas dos bares, todos somos técnicos apaixonados; sempre temos uma desculpa, observação ou piada. O futebol não tem lógica, essa é a graça. O esporte é amor, paixão, sorrisos, lágrimas, encarnação, apostas, discussões, confraternização e, acima de tudo, emoção. Nunca, nunca mesmo, é somente um jogo ou esporte.

Há muito, o futebol deixou de ser uma preferência masculina (ainda bem); assistir aos jogos nos bares ficou muito mais convidativo (risos).

Sem falar na profissionalização dos campeonatos femininos, em ascendência. As jogadoras precisam ser valorizadas. O machismo no esporte ainda é forte e muitas mulheres sacam, jogam e amam o futebol muito mais que os caras.

Minha relação com o futebol é somente de torcedor, não jogo bola e não jogaria mesmo se não fosse gordo. Gosto é de assistir e tomar cerveja. Tirar sarro e receber a zueira. Faz parte. Só não vale brigar com os brothers. Meu tempo disso já passou.

Enfim, amamos futebol, apesar daquele fatídico e inesquecível  7×1. Principalmente o Flamengo, o maior do mundo. Mas independente de qual seja o seu time, viva o futebol, pois ele faz parte da nossa cultura. Viva o futebol!

Elton Tavares

Hoje é o Dia Mundial do Rock!! (E vivo o “Roquenrou” desde moleque) #DiaMundialDoRock

Amo Rock and Roll e hoje (13) é o Dia Mundial do Rock. O gênero sonoro mais legal de todos, fruto da junção do Jazz e Blues, é celebrado nesta data porque em 13 de julho de 1985, o produtor Bob Geldof organizou o “Live Aid”, um show histórico e simultâneo, realizado em Londres (ING) e na Filadélfia (EUA). O objetivo era o fim da fome na Etiópia. Lá se vão 38 anos do show que mudou a história do rock.

Já em 2005, Bob Geldof organizou o Live 8, para pressionar os líderes do G8 a perdoar a dívida externa dos países mais pobres. Desde então, o dia 13 de julho passou a ser conhecido como Dia Mundial do Rock.

Lembro o momento exato em que me apaixonei perdidamente pelo Rock. Em 1989, assistia a novela Top Model (sim, naquela época eu não tinha tantas opções) e torcia para o Gaspar (Nuno Leal Maia), um hippie remanescente de sua geração e surfista quarentão, lembrar-se da sua esposa, Maria Regina Belatrix (Rita Lee), que o havia abandonado.

Tudo porque durante as lembranças do cara, em imagens preto e branco, tocava “Stairway to Heaven”, canção clássica do rock and roll, da banda inglesa Led Zeppelin. Era firme. Eu tinha 13 anos. Muito antes, eu já curtia rock nacional e Beatles. Acho que curto som bacana desde 1986.

Desde que caí de amores pelo Rock, foram muitas festas nas quadras de escolas de Macapá, bares, boates, shows na capital amapaense e fora dela. Shows memoráveis e emocionantes nas grandes cidades e festivais inesquecíveis.

Aqui na minha aldeia já vi apresentações de várias bandas nacionais. Fora do Amapá, já fui para quatro festivais Lollapalooza, onde assisti aos shows do Interpol, The Smashing Pumpkins, Raimundos, New Order (Em Sampa e em Curitiba), Pixies, The XX, Metallica, Duran Duran e The Strokes. Isso sem falar nas excelentes apresentações de Rancid, Jimmy Eat World e Criolo. Também rolou de ver, graças a Deus, Red Hot Chilli Peppers, U2, Pearl Jam, The Killers, Radiohead, Morrissey e The Cure (o melhor de todos).

Além disso, procuro incentivar, por meio de divulgação, todos os eventos rockers no Amapá. Nos anos 90, produzi algumas festas e até criamos um movimento chamado Lago do Rock, em 2004. Coleciono grandes momentos felizes na vida. A trilha sonora dessa memória afetiva é 90% Rock. Bons tempos!

Dizem por aí que o Rock morreu, ele nunca morre, só está em constante mudança, assim como nossas vidas. O rock é imortal, ele nos salva da mesmice, basta protegê-lo de mãos erradas.

Sabem, tenho tendências ao extremismo com relação a gênero musical, pois aqui não existe aquele papo de “só é roqueiro até tocar um brega ou pagode das antigas”. Não! Muito menos escutar coisas “da moda”. Aqui sempre foi e sempre será Rock and Roll!

O Rock n’ Roll me salvou. Graças a ele não tenho uma vida ordinária e nem me tornei um “eclético”. Não só amo o estilo, mas vivo o Rock. Feliz Dia Mundial do Rock e LONG LIVE ROCK N’ ROLL!

O Rock é energia, o desejo ardente, as exultações inexplicáveis, um senso ocasional de invencibilidade, a esperança que queima como ácido” – Nick Horby – Romancista inglês

Elton Tavares

Sobre a Origem do Rock e do Dia Mundial do Rock #DiaMundialDoRock

Amamos Rock and Roll e hoje (13) é o Dia Mundial do Rock. No dia 13 de julho de 1985, o produtor Bob Geldof organizou o “Live Aid”, um show histórico e simultâneo, realizado em Londres (ING) e na Filadélfia (EUA). O objetivo era o fim da fome na Etiópia. Lá se vão 37 anos do show que mudou a história do rock.

Em 2005, Bob Geldof organizou o Live 8, para pressionar os líderes do G8 a perdoar a dívida externa dos países mais pobres Desde então, o dia 13 de julho passou a ser conhecido como Dia Mundial do Rock. Vamos resumir a ópera (tudo bem, é um resumão, mas vocês vão curtir):

Sr. Jazz e Sra. Blues

Há cerca de 70 anos, um casal de velhinhos, casados desde o fim da segunda guerra, ambos de pele escura, donos de vozes graves e um jeito simpaticíssimo, risonhos e alegres, que adoram “mexer as cadeiras”, como eles mesmos dizem, brigavam com uma vizinha, a Senhora Música Clássica. É, o Sr. Jazz e Sra. Blues não eram fracos.

Reza a lenda que quando eles saiam por aí juntos, ninguém era de ninguém, e por isso, até hoje é difícil saber quem são os verdadeiros pais dos quatro garotos que brotaram dessa relação tão moderna. O Rockabilly, Rock Progressivo, Hard rock e Rock Pop.

Rockabilly

Rockabilly, o irmão mais velho, herdou dos pais a incansável vontade de dançar. Na adolescência andou muito com um dos seus irmãos, o Rock Pop. Usava calça boca de sino, topete e óculos escuros, mesmo quando não fazia sol. Fez um tremendo sucesso entre as garotas quando jovem, mas se tornou um velho gordo.

Rock Pop

O Rock Pop está sempre na moda, mas quando quer dizer algo, se perde em suas contínuas mudanças de opinião. Já andou com todos os seus irmãos, mas sempre teve problemas com o Rock Progressivo. O que se sabe, é que ele está sempre montado na grana e quem anda com ele, sempre se dá bem financeiramente. Rock Pop é viciado em dinheiro e se vende por qualquer coisa. É normal ouvir falar por aí que ele é um enganador, mas nunca ninguém conseguiu uma prova concreta.

Rock Progressivo

O Rock Progressivo, por sua vez, está na cara, no corpo e no jeito de ser de um legítimo filho do Sr. Jazz e Sra. Blues. É um cara exibicionista, adora se “amostrar”, fazendo inúmeras loucuras. Às vezes, fica chato por demorar muito tempo em suas loucuras, só porque é difícil de fazer. Isso causa irritação em muitas pessoas, mas no fundo, é um cara bacana.

Hard Rock

O Hard Rock é o mais revoltado da família. Às vezes, no meio da diversão se torna meio dançante. Cabeludo, adora usar lenço na cabeça, maquiagem e vive fazendo poses homossexuais. Alguns o chamam de gay, outros dizem que ele só se comporta assim para causar impacto. O que se sabe é que na adolescência, ele era ninfomaníaco e usou e abusou das drogas. Mas logo casou e teve dois filhos. O primogênito Heavy Metal e o caçula Punk Rock.

Heavy Metal
Punk Rock

No meio disso tudo, a vizinhança comenta que o Sr. Blues teve um namoro sério com uma ativista política, e dessa relação surgiu o Rock, simples assim. Um rapaz afoito, naturalista e espontâneo. Nunca teve papas na língua e dizia exatamente aquilo que pensava. Às vezes era muito relaxado, tentou ser igual ao pai, mas não teve sucesso nessa tentativa e se frustrou. Surgindo daí um sentimento de revolta meio contido, que só era observado nas entrelinhas.

Dependendo do seu humor, ele não tá nem aí para nada. Fala de igualdade e exalta ideias comunistas. Este teve dois filhos com uma namorada linda e problemática. O Grunge e o Hard Core.

O Hard Core adora andar de skate pela casa, quebrando tudo, porém é um cara organizado, gosta de filmes de surf e tem o corpo todo tatuado. Às vezes fica meio EMOtivo e reclama muito da vida, mas todos sabem que é por causa da namorada que o trai o tempo todo.

Grunge

O Grunge é melancólico por natureza, também reclama muito da vida. Está na puberdade e por isso a sua voz desafina constantemente. Ele costumava levar a vida de uma forma suicida, anda dizendo para todo lado que nada importa…nevermind!!

Heavy

O Heavy Metal é um alcoólatra fortão, cheio de tatuagem de caveira pelo corpo. Adora andar a toda velocidade na sua Harley Davidson. É uma aficionado pela Mitologia Nórdica, Ocultismo e odeia a Igreja Católica. Alguns dizem que ele tem um pacto com o Diabo. Pois tem uma voz grave, mas quando grita, fica tão aguda que é capaz de quebrar os vidros do espelho. Tem fama de malvado, mas na verdade, não é. Trata-se de um cara gente boa, que se dá bem com todo mundo. Ele teve vários filhos: Thrash , Melódico, Prog Metal, Death, Black, Doom, Gothic, todos são muito unidos.

E isso aí, demos uma viajada, mas o que importa é que amamos o Rock and Roll. O estilo é fundamental para nós e nossos amigos. Costumamos comparar o Rock com o Universo. Os dois estão em constante expansão e em alta velocidade. Dizem por aí que o Rock morreu, ele nunca morre, só está em constante mudança, assim como nossas vidas.

É o velho lance de superar momentos difíceis, voltar com força total. Assim Raul, o pai do rock nacional, inventou o termo “metamorfose ambulante”. Ele se descreveu como pessoa e usou isso para explicar o rock and roll. O rock é imortal, ele nos salva da mesmice, basta protegê-lo de mãos erradas. Enfim, viva o rock and roll!

*Texto escrito há 10 anos a quatro mãos por mim, Elton Tavares e André Mont’Alverne, nosso antigo colaborador.

Anderson Miranda, o “The Clash”, gira a roda da vida pela 48ª vez. Feliz aniversário, irmão!!

Com o Anderson e Adê – Amigos com quem posso contar. Casal do meu coração.

Sabem, gosto de uma porrada de gente. Tenho muitos amigos, graças a Deus. Sempre digo aqui que gosto de parabenizar neste site as pessoas por quem nutro amor ou amizade. Afinal, sou melhor com letras do que com declarações faladas. Acredito que manifestações públicas de afeto são importantes. Quem roda a roda da vida pela 48ª vez neste nono dia de julho é o querido Anderson Miranda, o irmão “The Clash” e lhe rendo homenagens.

The Clash foi o apelido dado nos anos 90 pela galera que curtia “roquenrou” com o Anderson. Mas a gente começou a tomar cerveja na casa dele e descobrimos que seu apelido familiar é “Macaco”, portanto o chamamos pelo seu nome e mais essas duas alcunhas.

Bom, trata-se de um cara sensacional. Educado, inteligente e gente fina no nível hard. Anderson sempre foi um brother porreta para bater um papo sério ou pirar no sentido literal da palavra.

Quem não gosta do Macaco é doido ou não presta. Pois o cara possui o respeito, admiração e o amor de sua família e amigos. Pois além de grande sacana, The Clash é um excelente filho, irmão, tio e brother.

Anderson é o filho mais velho da dona Sabá e do seu Waldemir, gerente da Caixa Econômica Federal, marido da querida Adê. Sofre por suas escolhas no futebol, já que é torcedor convicto do Vasco e do Remo. Entre outras muitas coisas legais que o figura é, ele é batuqueiro/tocador de tambor, amante de Rock and Roll, e o ateu mais cristão que conheço, pois pouca gente que convivo faz tanto o bem quanto ele.

Eu, Emerson e Patrick já viajamos muito juntos com o Anderson. Para ver shows de Rock fora do Amapá ou em viagens mais intimistas por aqui mesmo. The Clash é nosso comparsa, confidente, socorrista, enfim, parceiro de tudo que é coisa firme nessa vida e ainda podemos contar com ele se der merda em alguma coisa. Ele já me ajudou incontáveis vezes – e por motivos diversos. Sou sempre grato a este grande amigo.

Eu, com Emerson e Anderson. Irmãos com quem já aprontei muito nessa vida.

De uns anos pra cá, Macaco virou pescador e matero. Sempre com outro irmão nosso, o Sal Lima nas aventuras pelas estradas e rios do Amapá. Fico feliz deles terem se aproximado e se tornado grandes amigos, pois fui eu que apresentei os dois parceiros de jornada.

Já disse e repito: com uma história de batalho e sucesso formidável, Anderson Miranda é um cara inspirador. Por sorte, conheci esse bicho há quase de 30 anos, lá no Colégio Amapaense. E tenho o prazer, sorte e orgulho de ter sua amizade há décadas.

Ele é um cara contemporizador, boa praça, agradável. É sempre firmeza bater um papo com ele sobre qualquer assunto, desde as nossas bobagens ou conversas sobre política, cultura, entre outras coisas legais. Anderson Miranda é um cara safo, inteligente, incorruptível, bem-humorado e com um coração maior que ele.

Com o The Clash, no aeroporto do Rio de Janeiro. A gente voltava pra casa, após mais um rolê porreta!

Anderson é um mestre em cuidar da própria vida. Sério. Se o cara não te ajudar, ele não te atrapalha. Nem com comentários ou julgamentos quando estás fazendo merda. Ou seja, o Macaco é PHoda. Ele é, sobretudo, um cara do bem.

Anderson, tu és um cara que posso contar para qualquer coisa. Aqui é na reciprocidade sempre, tu saaaabes. Obrigado por tudo. Que teu novo ciclo seja ainda mais porreta. Que tu tenhas sempre saúde e sucesso junto aos seus amores. Te amo, manão! Parabéns pelo teu dia e feliz aniversário!

Elton Tavares

*Texto adaptado e republicado, mas de coração.

Sobre o Anauerapucu e outros Topônimos locais – Por Fernando Canto – @fernando__canto

Comunidade do Anauerapucu – distrito de Santana-AP – Foto: Jef Ribeiro

Por Fernando Canto

Longe de mim a ideia de realizar estudo linguístico aprofundado sobre palavras de origem indígena. Porém, dada a insistência de algumas pessoas em perguntarem o significado do nome de certas localidades próximas de Macapá e, em função de ouvir gente falando coisas que nem sequer se aproximam do real sentido do termo, resolvi desvendar alguns deles.

Esta pequena toponímia tem como fonte alguns estudos lexicológicos consagrados como o “Vocabulário Tupi-Guarani Português”, do professor Silveira Bueno (Brasilivros Editora, S.Paulo, 1987), o “Dicionário Histórico das Palavras Portuguesas de Origem Tupi”, de Antônio Geraldo da Cunha, prefaciado por Antônio Houaiss (Ed. Melhoramentos e ed. Da UNB, S. Paulo/Brasília, 1999), entre outros estudos mais localizados.

Como se sabe, topônimo é a forma generalizada de denominar lugares como cidades, vilas, montanhas, rios, e acidentes geográficos diversos. Trata-se de um estudo difícil, em face da migração de grupos tribais, mormente na Amazônia onde muitas palavras de origem tupi se confundem com as oriundas do tronco linguístico caribe ou caraíba. Silveira Bueno diz que “Nem sempre é fácil desentranhar o verdadeiro significado da palavra, colhido nos elementos construtores do vocábulo. A separação de tais elementos admite diversidades, decorrendo disso o fato muito comum de um topônimo apresentar duas ou mais interpretações”. É o caso da palavra Macapá, que segundo T. Sampaio, significa o pomar das macabas (bacabas). De ma-caba = a coisa gorda, oleosa. Entretanto a palavra bacaba vem de ybá (árvore frutífera) + cabá (sebo, gordura), ambas de origem tupi. Para o padre Ângelo Bubani, que escreveu o texto “Pistas para a História da Evangelização do Território do Amapá”, a palavra Macapá significa queimar, cuspir fogo.

A palavra Curiaú também traz algumas controvérsias. Uns acham que se trata de uma onomatopéia, que quer dizer lugar de criar boi, mas ela vem mesmo do tupi: curiá-u = o viveiro, a ceva, o comedouro dos curiás (patos do mato, pequenos patos da água doce). Já o nome Amapá tem dois significados: o lugar da chuva, de origem tupi e, terra que acaba, de origem caribe. Curicaca é ave ciconiforme (forma de cegonha) da família dos tresquiornicídeos (como os guarás, flamingos e garças). Carapanatuba vem de carapanã + tyba ou tuba = muito. É lugar de abundância de carapanãs. Cujubim é ave galiforme (forma de galinha) da Amazônia; Cunani é uma planta entorpecente semelhante ao timbó e Curuá é um tipo de palmeira abundante no Bailique, que por sinal significa ilha dos Aruãs (índios, antigos habitantes do arquipélago do Marajó) ou ainda, mais poeticamente, ilhas que bailam. Cajari é rio dos cajás (tipo de taperebá), assim como Jari é o mesmo que rio das iaras. Caviana é igual a caviúna, que quer dizer madeira preta, de lei, usada na construção civil. Há, no Estado, muitos lugares denominados Pirativa. Essa palavra significa pesqueiro, ou lugar onde os peixes são cevados. De pira = peixe e tyba, sufixo que indica grande quantidade. Ambé é uma variedade de cipó e Meruoca a casa, o local dos mosquitos, assim como Matapi que é um covo de pescar, oblongo, o mesmo que jiqui. Itaubal é um local de muita itaúba ( de itá = pedra + ubá ou yba = árvore), ou seja: árvore de pedra. Já Piririm vem de pira + y + im = rio de peixe pequeno.

Crônicas antigas (ver “Momentos de História da Amazônia” de João Renôr Ferreira de Carvalho. Ed. Ética, Imperatriz, 1998) fazem inúmeras citações de grupos indígenas do Amapá como os Maraunuz, que habitavam as imediações do forte de Cumaú, dos holandeses (município de Santana) e os Cumaúzes (Macapá), mas seus significados se perderam. É possível que a palavra Maruanum venha de mberu = mosca, mosquito + anum = ave que se alimenta de mosquito (maruim) e outros insetos. Pronunciamos no dia a dia sem refletir várias palavras que não sabemos o que quer dizer como: Pacoval, que vem de pacova = banana; buriti, de mbiriti, que é árvore que emite líquido. Araxá, que é “a vista do mundo”, “o panorama”. Ariri, rio de água corrente. Araguari que é o mesmo que rio do vale dos papagaios, ou rio da baixada dos papagaios, ou das araras. E tantas outras palavras.

Mas se estamos falando de lugares convém dar o significado a denominações que sem querer geram as mais variadas interpretações especulativas, como por exemplo, Cupixi, que provavelmente vem de cu = língua, o órgão da fala (como em pirarucu = peixe de língua), e pixé, gosto de peixe queimado. Outra palavra é Anauerapucu, que segundo Bubani (op. cit.) é morcego comprido. Não concordo com essa acepção porque morcego em tupi é andyrá. É possível que venha de anauerá, do tupi anawi’rá, que é árvore da família das rosáceas (licania macrophylla), madeira usada na construção civil, e de pu’ku = comprido, longo. Anauerapucu significa, então, anaureá comprido. Nada mais do que isso.

A terra plana dá voltas – Por @giandanton

Tudo muda, as pessoas mudam. Isso é comum. Mas em alguns casos as mudanças são extremas. Muito extremas. Tenho visto guinadas de uma ponta a outra. Exemplo disso é um ex-amigo. Ele era fã do Raul Seixas, hoje em dia é fã do mito e diz que Raul Seixas é marxismo cultural. Era fã do Alan Moore, hoje em dia é fã do mito e diz que Alan Moore é marxismo cultural. Era professor de universidade pública, hoje em dia diz que universidades são marxismo cultural. Como as pessoas mudam!

Fonte: Ideis Jeca-Tatu

Hoje é o Dia Nacional do Guia de Turismo – Por Marcelo Sá

Esta data é uma homenagem aos profissionais que se dedicam a auxiliar, entreter e apresentar seus atrativos naturais e culturais aos turistas e visitantes durante as viagens, apresentando os pontos turísticos e os melhores aspectos de determinada região. No Brasil, a profissão de Guia de Turismo está regulamentada através da lei nº 8.623, de 28 de janeiro de 1993.

Recanto da Aldeia, praia que fica na Ilha de Santana, no Amapá — Foto: Marcelo Sá/Arquivo Pessoal

De acordo com esta lei, o profissional pode ser classificado em 04 diferentes áreas: Guia turismo regional, nacional, internacional e especializado em atrativos naturais e Culturais. Para cada uma das classificações, existem exigências e competências específicas que o Guia de turismo deverá ter.

Vila de Mazagão Velho guarda muito da história do Amapá — Foto: Gabriel Penha/Arquivo G1

O Guia de Turismo além de informar o turista sobre os atrativos, e mediador o contato deste com os mesmo, detém ainda outras funções voltadas para sustentabilidade das comunidades urbanas e rurais, sendo agente responsável pela valorização da cultura, respeitador da identidade e preservador do meio ambiente. Desse modo a profissionalização da atividade de Guia de turismo é uma necessidade, tendo também reflexo natural de um contexto mais global de mudanças nos desejos e demandas dos turistas e visitantes.

O Brasil possui centenas de destinos turísticos que podem encantar a diferentes perfis de visitantes: florestas, praias de rio e mar, serras, cachoeiras, cidades históricas e sítios arqueológicos, natureza exuberante e grandes centros culturais. O país contempla também uma biodiversidade e temáticas que atendam aos anseios daqueles que buscam o turismo de negócios, de gastronomia, de aventura, de arquitetura e até de arqueologia, turismo comunitário. E, em meio a toda essa diversidade de opções, há um personagem que pode dar um toque especial á experiência do viajante e visitante – o Guia de turismo.

O Amapá vem surpreendendo por sua potencialidade para o turismo ecológico com sua localização privilegiada, Com uma área de 143.453,7km² o Amapá também é a porta de entrada do país mais próxima da Europa pelo município de Oiapoque que faz fronteira com Suriname e Guiana Francesa, onde fica localizada a ponte binacional sobre Rio Oiapoque. O Estado é margeado pelo Rio o Amazonas, o maior do mundo. Protegem diversas unidades de conservação abrigando vários ecossistemas, os que se destacam cerrado, mata de várzea, mata de terra firme, campos alagados e manguezais. A rica cultura indígena, quilombola e de outros povos que aqui chegaram.

Segundo os dados do Anuário Estatístico do Turismo do Ministério do Turismo de 2019, que apresenta dados de todas as regiões do país registraram estados em que a entrada de turistas estrangeiros cresceu. Acre, Amapá, Amazonas, Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e São Paulo demonstraram alta no número de viajantes internacionais em 2018. Com base em informações da Polícia Federal.

No cenário nacional, também houve crescimento de 0,5% em relação a 2017, com 32.606 turistas internacionais a mais em destinos brasileiros. O Amapá com (31,2%) corresponde um dos estados que mais registraram crescimento na chegada de turistas internacionais no ano 2018, se comparado com 2017. Estados Unidos aparecem como um dos principais países emissores de turistas para os estados do Amapá, Amazonas, Distrito Federal e Minas Gerais. Já na América do Sul, Argentina ocupa a primeira posição na Bahia, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio Grande do Norte. Outro destaque do Estado do Amapá No segmento marítimo, Amapá aparece como o estado que mais contabiliza chegadas internacionais pelos meios fluviais e marítimos.

Turistas durante viagem à Floresta Nacional do Amapá — Foto: Marcelo Sá/Arquivo Pessoal

Pelo cenário apresentado o trabalho de Guia de Turismo junto ao trade turísticos amapaense, Brasileiro e internacional é de suma importância para o desenvolvimento do turismo sustentável do Amapá, gerando divisas, empregos e renda para as comunidades urbanas e rurais, o profissional Guia de Turismo é o parceiro das comunidades visitadas (pilotos, Guarda-parques e condutores em áreas naturais (mateiros), dos agentes de viagens e turismo, Turismólogo, hoteleiros, das empresas de transportes turísticos fluviais, marítimos e rodoviários, parceiro dos artesões e artistas da música, das artes visuais, teatro é da cultura popular, também atua como parceiro das instituições governamentais e não governamentais colaborando nas formulações de politicas para o turismo.

Participando de fóruns, conselhos diversos, influenciando nas boas práticas do processo turístico. Respeitando o meio ambiente, as comunidades envolvidas. Lutamos pelo reconhecimento do trabalho do Guia de Turismo no Estado do Amapá e no Brasil. Feliz Dia do Guia de Turismo!

*Marcelo Sá Gomes é guia de Turismo Regional Amapá; Estudante: Curso do Técnico em Guia de Turismo Regional Pará, Brasil e América do Sul no SENAC-Serviço de Aprendizagem Comercial- Belém-PA. E estudante: Curso do Técnico em Pesca e Aquicultura no CIFPA – Centro Integrado de Formação Profissional em Pesca e Aquicultura do Amapá. Santana-AP

Hoje é o Dia Nacional da Matemática – minha crônica de calendário de hoje

Hoje, 6 de maio, é o Dia Nacional da Matemática e dos matemáticos. Lei aprovada pelo Congresso Brasileiro em 2004, a data é celebrada por conta do nascimento de Malba Tahan, pseudônimo do professor de matemática Júlio César de Mello, em 1895.

Ele é o autor de um dos maiores sucessos literários do assunto no nosso país, inclusive o romance “O Homem que Calculava”, já traduzido para 12 idiomas.

Segundo o conceito: “A matemática é a ciência do raciocínio lógico e abstrato. A matemática estuda quantidades, medidas, espaços, estruturas e variações. Um trabalho matemático consiste em procurar por padrões, formular conjecturas e, por meio de deduções rigorosas a partir de axiomas e definições, estabelecer novos resultados.

A matemática vem sendo construída ao longo de muitos anos. Resultados e teorias milenares se mantêm válidos e úteis e, ainda assim, a matemática continua a desenvolver-se permanentemente”. Enfim, ninguém vive sem a Matemática, os números e tals.

Mas, além de encher linguiça para a sessão “datas curiosas” deste site, este post é pra contar uma coisa: odeio matemática. Sempre odiei. Aliás, fui reprovado algumas vezes e nas outras passei raspando – isso na recuperação.

É. Foi um longo Ensino Médio – que, na época, chamávamos de Segundo Grau. Sem falar nas dificuldades de molequinho. Me achava o burro dos burros. Nem as aulas particulares com o professor Edésio (gostava muito daquele coroa) e Gurjão (outro amigo que não vejo há tempos) fizeram com que este jornalista aprendesse a fazer contas direitinho.

Além de gostar de escrever, a Matemática Financeira foi um incentivo e tanto para eu largar o curso de Administração e Marketing. Graças a Deus, tudo deu certo. Afinal, a vida não é, como a Matemática, uma ciência exata. Nós é que sabemos o que soma e o que nos subtrai.

Portanto, querido leitorado, que deixemos de estar divididos e subtraídos de solidariedade, respeito, entre outros sentimentos. Que somemos uns com os outros a empatia. Que se multiplique o amor e a esperança, para que sigamos a dividir alegrias.

Elton Tavares

A primeira vez do tricolor Braga no Mangeirão – Por Rebecca Braga – @rebeccabraga

Por Rebecca Braga

Era terça-feira e eu e o velho Braga, inexperientes nas aventuras futebolísticas, saímos de casa por volta das seis da tarde para ir até o estádio Mangueirão, reformado e moderno, para acompanhar o jogo Paysandu X Fluminense pela Copa do Brasil.

O caminho, que leva não mais de 40 minutos em dias de trânsito normal, levou quase 1 hora e meia mas, ainda assim, chegamos antes do jogo começar.

Enquanto caminhávamos até o portão que dava acesso ao setor de cadeiras A1, destinado à torcida do Fluminense, sentia essa tensão dentro de mim. Medo da violência (inclusive policial), preocupação com o bem estar do meu pai, e também excitação.

Era a minha primeira vez num estádio e eu, que sou Flamenguista e sempre sonhei em ver o Mengão no Maracanã, estava indo a um jogo do Flu contra o meu rival paraense Paysandu. Sim, também sou Remista. Ambas paixões eu divido com meu tio Fabio Lucio.

Eu já ouvi muitas críticas a respeito da minha torcida ao Flamengo, seja por ele ser um time carioca, seja por questões políticas. Sobre a última meu pai, sabiamente, me disse uma vez: “Não se pode confundir o time e seus torcedores com sua diretoria”. Assumi isso pra mim desde então.

Certo é que também não se explica o amor pelo time do coração. Ele simplesmente acontece, te arrebata, te tira lágrimas, gritos e gargalhadas.

Mas eu mesma não levo futebol à sério. Se alguém me perguntar a escalação ou o técnico do Flamengo em 1997, eu não faço a mínima ideia e, honestamente, não me importa. Vez ou outra eu vou saber qual a colocação do time na tabela, o resultado do último jogo ou talvez a última contratação. Mas o que me importa mesmo é vê-lo jogar. “Seja na terra, seja no mar…”

Meu pai, ao contrário, vê todos os jogos. É conhecido por torcer de maneira bastante entusiasmada, com gritos e palavrões.

No estádio ele chegou tímido e dando passos calculados, mas feliz igual uma criança. Percebemos que o lugar onde íamos ficar era bem perto do campo, logo atrás do gol do Paysandu. Se o Fluminense marcasse no primeiro tempo, a gente veria de pertinho.

O gramado verde, a onda azul celeste nas arquibancadas, o amontoado singelo de camisas grená, as luzes… Era tudo muito impressionante e eu sou do tipo que acha tudo isso divino maravilhoso.

Os times entrando ao som de vaias e aplausos, as crianças de mãos dadas com os jogadores, os letreiros luminosos de propaganda e o placar gigantesco me faziam crer que estávamos mesmo vendo dois times incríveis entrando em campo: o melhor e o desafiante da casa.

Acontece que no estádio tudo é diferente. Não tem a narração gritando Rrrrrrrrrs infinitos e soltando comentários como “é ele, Kennedy, o presidente”.

Toda a emoção você administra acompanhando a bola com os olhos e se deixando levar pelo grito da torcida. Dentro do meu peito eu sentia a pulsação dos bumbos e surdos que soavam ininterruptamente na torcida do Papão. É o tipo de coisa que quase te coloca em transe.

Papai distraiu a frustração de ter esquecido o radinho de pilha que usaria para ouvir o jogo com os meus comentários de “ele chutou pra fora”, “escanteio, pai, é o Ganso que vai bater”, “a juíza deu falta pro Paysandu”. E assim eu consegui contar um pouquinho do que estava acontecendo em campo pra ele que quase não enxerga.

1 gol. 2 gols. Mudamos de lugar pra acompanhar o time no ataque e, faltando 15 minutos pro jogo acabar, decidimos deixar o estádio pra tentar uma saída mais tranquila. Quando chegávamos ao portão o barulho da torcida anunciava o terceiro gol do Fluminense. Que sorte a nossa, hein?

Os gritos de “e-li-mi-na-do” da torcida tricolor nos arrancou risos, e o silêncio na torcida do Paysandu dava um pequeno vislumbre da tristeza de quem, até o fim, acreditou. Valeu, Papão.

Eu que não sou muito crente pensei: “Obrigada ao Deus do futebol por esse dia”. E lembrei-me de Galeano no seu primoroso Futebol ao sol e à sombra:

“E quando acontece o bom futebol, agradeço o milagre – sem me importar com o clube ou o país que o oferece.”

Fotógrafo Maksuel Martins gira a roda da vida. Feliz aniversário, amigo!

Sempre digo que o jornalismo me deu muitos amigos. Sim, trouxe inimigos também, mas pra estes eu não ligo. Hoje, uma dessas figuras paid’éguas com quem tive a honra e o prazer de trabalhar, muda de idade. Neste décimo quinto dia de abril, Maksuel Martins gira a roda da vida, chega aos 39 anos e rendo-lhe homenagens.

O cara é o esposo apaixonado da Aline, pai amoroso do Gael, idealizador do Ninja Box, empresário, membro da equipe de comunicação do Governo do Amapá, agente cultural, cinegrafista, vocalista da banda Amatribo e fotógrafo talentoso, Maksuel Martins. O “Mak”, como é chamado por alguns amigos. Um cara com olhar diferenciado e competente fazedor de fotografia.

Eu e os fotógrafos Maksuel Martins e Flávio Lacerda. Parceiros!

Adoro fotografar, mas sou somente um apertador de botões. Tenho sorte de ser amigo de bons fotógrafos – o Mak e muitos outros. Invejo a sensibilidade de pessoas como Maksuel, que conseguem fazer poesia com pixels.

Curiosamente, o cara é a lata do Thom Yorke, líder e vocalista da banda inglesa Radiohead (só que moreno). Só duvido que o astro inglês tenha o carisma, paideguice e gentibonisse do Mak.

Vez ou outra, preciso de fotos e recorro aos amigos, que sempre me salvam. Mak é um deles e sou grato por isso. Não lembro quando conheci o Maksuel, mas faz um tempo. Dou valor no maluco.

Mak, mano velho, tu saaaaaabes. Dou valor no senhor. Sim, és considerado pelo Godão aqui. E eu sei que esse consideramento é recíproco. Que tu sigas ilustrando a escrita da vida com tuas belas fotos. Que tenhas sempre saúde (muita saúde) e sucesso em sua jornada. Que a força sempre esteja contigo e que tudo que você idealiza como sucesso se concretize. Meus parabéns pelo seu dia, meu amigo. Feliz aniversário!

Elton Tavares

Sobre fofoqueiros – Papo certeiro de @rubalieiro

Creio que o (a) fofoqueiro(a), além de infeliz, é medíocre e frustrado(a). Necessita falar mal do outro porque nada tem de bom para demonstrar ou falar de si. É, no fundo, um(a) invejoso(a) também, porque a vida do outro lhe parece melhor que a própria – e ainda desvia a atenção das suas faltas pessoais. O (a) fofoqueiro(a), quando no ofício de mal falar, diz mais de si que do outro. Tenho dó!

Digo isso porque já fui vítima de invencionices por gente que, no fundo, queria vivenciar o que vivo e ter das pessoas e do mundo aquilo que tenho. Ao final, o futrico só afundou a pessoa na lama da própria miséria e do mal-querer dos demais. Enfim, “sifudeu”!

É como diz a minha mãe: “galho podre cai sozinho”.

Rúbia Balieiro

BALANÇO ANUAL – Crônica de Lorena Queiroz – @LorenaadvLorena

Crônica de Lorena Queiroz

Ao fim de cada ano, geralmente na última semana, faço um balanço dos acontecimentos, de todas as efemérides vividas e passadas ao longo desses 365 dias. Este ano aprendi a aprender. Compreendi que é preciso analisar e aprender com cada sim e não dado pela vida. O resultado de meu aprendizado é que somos eternos aprendizes de nós mesmos, aqueles de poucas certezas e muitas dúvidas. A grande sorte é que uma de minhas poucas certezas é de que não é difícil viver, mas claro, se você tiver algumas armas em seu arsenal; coração leve, coragem e malandragem. Ah, a malandragem, essa característica tão incompreendida pelos que ainda não entenderam as necessidades da vida. A malandragem nos possibilita a arcar com as outras duas armas sem tomar no cu.

Certa vez assisti um vídeo que um velho malandro diz; ‘’ Malandro não é o vagabundo, o periculoso. Malandro é um artista”. E segundo Fernando Candido, o malandro é o indivíduo que vive fora das normas estabelecidas pela sociedade, situando-se entre a ordem e a desordem. E não é assim que todos nós vivemos? Entre a ordem e a desordem de tudo que não conseguimos compreender. Malandragem te faz repousar em águas tranquilas, tal qual o salmo 23. O tal Rei Davi sabia das coisas, ele nunca passaria pelo vale da sombra da morte sem coragem, coração leve e malandragem. Flexibilidade é tudo!

Compreendi ainda que o agradecimento precisa ser um costume diário. Que cada coisa que acontece, seja bom ou ruim, acontece pra que a gente se prepare para os próximos dias que estão por vir. É necessário entender que cada ser humano só entrega o que tem, e que, se alguém não te entrega aquilo que você espera ou acha que merece, não quer dizer que não entregou tudo o que podia. A liberdade de errar e acertar é uma dadiva divina e encontrar a felicidade nos erros fará parte do processo. Tudo que vem e que vai, te ensina alguma coisa e sempre agradeça pelo que veio e pelo o que se foi. Eu agradeço a tudo e a todos que se foram, pois abriram espaço para que semelhantes chegassem. Agradeço cada lágrima e cada risada que me brindaram esse ano. Pois sem elas eu não escutaria Gal cantando Vaca profana com o mesmo significado. Tampouco entenderia o que Belchior tinha razão quando dizia que a noite fria lhe ensinou a amar mais o seu dia, pois na dor se compreende o poder da alegria e que, sim, todos temos coisas novas pra dizer.

Caro leitor, espero que este ano você tenha vivido, mudado de ideia e de ideais inúmeras vezes. Espero que tenha chorado, caído e levantado. Intenciono que tenha acertado e errado por várias e incansáveis vezes. Pois disso é feita a boa vida. Torço para que compreendas que a única coisa que não muda é a eterna mudança, como diz Gilberto Gil em Tempo rei; Tempo rei, transformai as velhas formas do viver. Ensinai-me, ó pai, o que eu ainda não sei”. E por fim, se eu puder lhe dar um conselho, viva com leveza, coragem e malandragem. Divida seu amor e seu pão até com o cão.

*Lorena Queiroz é advogada, amante de literatura, devoradora compulsiva de livros e crítica literária oficial deste site, além disso é escritora, contista e cronista. E, ainda, mãe de duas meninas lindas, prima/irmã amada deste editor.

Lideranças ou coadjuvantes – Por Ricardo Iraguany

Por Ricardo Iraguany

Não, não começa do nada, pois pelo menos você tem que ter o desejo de ser um político, as vezes começa pelo movimento sindical, movimento popular e muitas vezes pela força do dinheiro, mas quando você não é dono do capital financeiro, você começa agregando pessoas, pessoas que pensam como você ou que tem ideias semelhantes. Aí você vai fazendo pequenas reuniões em casa de amigos, parentes, militantes da sua sigla partidária e admiradores da sua postura política. Assim você irá construindo o seu capital político para se lançar como candidato a uma das esferas de poder. Seja municipal, estadual, ou federal, para o parlamento ou executivo, as vezes consegue se eleger na primeira candidatura, as vezes não, mas uma coisa é certa, o candidato que não desiste de se candidatar a vida pública um dia vai se eleger, pois ele vai compreendendo os meandros da política, os acordos, as formas de financiamento entre outros arcabouços que permeiam esse campo de poder.

De alguma forma em algum momento de sua trajetória de tentativas como candidato, se não desistir acaba se elegendo em algum pleito eleitoral e a depender da sua postura, retórica e construção da sua imagem política se cacifa para outras empreitadas de conquista de poder. Vereador, prefeito, deputado estadual, governador, deputado federal, senador e quiçá as vezes até presidente da República, não necessariamente nessa ordem.

O fato é que o caminho é longo e infelizmente quanto mais poder, mais bajuladores, com a ascensão ao poder político, muitos dos primeiros apoiadores, simpatizantes e militantes vão sendo deixados de lado ou como se diz no futebol, vão sendo deixados de escanteio, não pela falta de competência técnica ou política, sendo que muitas das vezes as pessoas que são indicadas por esse político para compor seu mandatos e gestões, não são nomeados pela competência e sim porque são exímios bajuladores ou por força de algum financiador de campanha. O fato é que em momentos de crise política ou institucional, aquelas lideranças que foram abandonadas a beira do caminho. São lembradas e as vezes por um breve momento é exaltada como referência da luta pela melhoria da qualidade de vida da nossa sociedade, mas assim que passam as turbulências, essas lideranças caem de novo no esquecimento, sem nenhuma comenda, honraria ou tem seu nome gravado em alguma placa de rua, escola ou algum órgão público, sendo meros Coadjuvantes diante da história que ajudaram a construir.

*Ricardo Iraguany é Professor de artes, Bacharel em Direito e pós graduado em Docência do ensino superior
Contato: [email protected]