Dramaturgo Daniel de Rocha lança nesta terça o livro “Cênicos em Contextos”


Vinte e seis anos de experiência no universo da arte cênica, no teatro, muitas histórias, muitas impressões e mais de 35 montagens, inúmeros trabalhos sociais nas áreas da saúde, meio ambiente e lazer, proprietário de um sonho: um teatro de inclusão social profissional, no bairro Perpétuo Socorro, onde também funciona, ativamente, o Ponto de Cultura “Estaleiro Cultural”, promoção de oficinas gratuitas e movimentação cultural no bairro onde mora.

Esses são apenas alguns pontos da carga de experiência acumulada pelo ator baiano que escolheu o Amapá para viver, Daniel de Rocha, que também escreve, dirige e promove ações, sempre ao lado de seu anjo da guarda, Tina, sua esposa.

E para fechar mais um ciclo de sonhos realizados em sua vida, Daniel de Rocha lança, no mesmo dia de seu aniversário, 16 de outubro, a partir das 18h, no hall da Biblioteca Pública Elcy Lacerda, a primeira obra publicada em livro de sua autoria e o primeiro livro de textos teatrais do Amapá, intitulado “Cênicos em Contextos”.

O livro é o primeiro volume de uma trilogia. As duas próximas edições da coletânea, Daniel de Rocha pretende conseguir a publicação concorrendo no edital de Literatura que será lançado durante a 1ª Feira de Livros do Amapá, em novembro.

São sete textos teatrais, distribuídos em 100 páginas, com ilustrações, com foco em temáticas sobre meio ambiente, linguagem cabocla regional, histórias de ficção, temáticas sociais, cotidiano, direcionadas aos públicos infanto-juvenil e adulto.

Para o lançamento está sendo preparada uma grande festa, com direito a acarajé, gengibirra, performances, sarau, muita alegria, como o mundo do teatro o é. “Meu objetivo, ao escrever o livro, foi contribuir com jovens, pretensos alunos de teatro, gente que está começando e que pode se pautar em obras já prontas, conhecendo um pouco mais sobre a estética da carpintaria teatral oferecida nos textos”, explica Daniel.

Para saber mais, entrar em contato com o autor pelo e-mail: [email protected]

Rita Torrinha/Secult

Hoje será lançado o livro o Pato e o Lago


Hoje (19),  às 10h, no auditório Biblioteca Pública Elcy Lacerda, será lançado o  livro o Pato e o Lago. 

O PATO E O LAGO
                                          
Pato mora no lago / Lago mora no pato. O Pato sem lago / Não é pato. O lago sem pato / Não é lago. Pato gosta da pata / Pata gosta do pato. O pato sem a pata / Não é pato. A pata sem o pato / Não é pata. O pato tem duas patas / A pata tem duas asas. O pato tem duas asas / A pata tem duas patas. O pato gosta da água /A água gosta do pato. A pata gosta da água / A água gosta da pata. O pato gosta da pata e da água / A pata gosta da água e do pato. O pato e a pata gostam de passear / Andam na terra / Nadam na água / E voam no ar. Sempre pensando / Para casa voltar.
    
O texto acima está recheado de ilustrações de Ozélio Muniz no livro “O Pato e o Lago”, do autor Romualdo Palhano  é uma obra dedicada ao público infantil, mas com certeza o público adulto também se deliciará com a mensagem contida no livro.

O lançamento se dará dentro do projeto “Era uma Vez” de contação de história para crianças que acontece todas as quartas feiras no auditório da biblioteca. Na ocasião será apresentados pequenos dramas para as crianças presentes, como: a dramatização da história do “pato e o lago” e ainda a história de “A onça e o bode”. Rosa Rente é a coordenadora do referido projeto.

A professora Ana Paula Costa Arruda que assume a disciplina literatura infantil no curso de letras da UNIFAP escreveu o prefácio do livro e fala um pouco da referida obra:

“É com a simplicidade e a sabedoria prática dos antigos contadores de histórias que Romualdo Palhano se dedica com mestria à literatura infantil. As obras deste autor traduzem uma sensibilidade que aborda assuntos atuais e delicados sem perder o elemento maravilhoso que é tão peculiar na infância. Com o “Pato e o Lago” não é diferente. O livro é um casamento perfeito entre a linguagem verbal e a imagem, possibilitando à criança ver realmente os seres e as coisas com as quais precisam integrar na vida.

O motivo central, da referida obra, mostra-se de imediato no título e na ilustração. Os textos são breves e desenvolvidos por ilustrações dinâmicas que, sutilmente, discutem as consequências de termos o meio ambiente alterado: “O pato sem lago / Não é pato”. Assim, o pato, aflito diante das modificações de seu ambiente natural, personifica o fato de que a natureza precisa ser respeitada para que a vida se cumpra.

Deficiências

Mario Quintana – 30/07/1906 – 05/05/1994.
“Deficiente” é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

“Louco” é quem não procura ser feliz com o que possui.

“Cego” é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

“Surdo” é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

“Mudo” é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

“Paralítico” é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

“Diabético” é quem não consegue ser doce.
“Anão” é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:
“Miseráveis” são todos que não conseguem falar com Deus.
“A amizade é um amor que nunca morre.. ”
Mario Quintana

Nelson Rodrigues inventou o óbvio (centenário do gênio)


Sou um grande fã de Nelson Rodrigues e seus textos viscerais. Costumo usar a frase “a vida como ela é”, do escritor, para legendar situações do cotidiano. Hoje (23), o gênio faria 100 anos de idade. Como eu não consegui escrever nada a altura do mestre, resolvi publicar o texto abaixo, do Jabor, com vocês. Leiam:

Nelson Rodrigues inventou o óbvio

Os 100 anos de Nelson Rodrigues estão sendo celebrados por muita gente que o criticou em vida e hoje o glorifica. Tanto as depreciações quanto alguns louvores são descabidos – ele não era nem pornográfico nem um escritor aspirando à condição de estátua. Nelson adorava elogios, mas odiava os “medalhões”.

NR é importante como inventor de linguagem. A importância de sua obra está onde ela parece ‘não ter’ importância. Onde ela é menos “profunda” – ali é que se encontra uma qualidade rara. Era fácil (e justo) considerar ‘gênios’ homens como Guimarães Rosa ou Graciliano, mas Nelson nunca coube nos pressupostos canônicos. Sua obra é um armazém, um botequim geral, uma quitanda de Brasil.

Formado nas delegacias sórdidas, vendo cadáveres de negros ‘plásticos e ornamentais’, metido no cotidiano marrom do jornal do pai, Nelson flagrou verdades imortais que estavam ali, no meio da rua, na nossa cara, e que ninguém via.

Uma vez ele me disse: “Se Deus perguntar para mim se eu fiz alguma coisa que preste na vida, eu responderei a Deus: ‘Sim, Senhor, eu inventei o óbvio!'”

Filho do jornalismo policial, Nelson desconstruía o pedantismo tão comum entre nossos escritores.

Uma vez ele me disse ao telefone que o “problema da literatura nacional é que nenhum escritor sabe bater um escanteio”: ensolarada imagem esportiva para definir literatos folgados. Até hoje, muita gente não entendeu que sua grandeza está justamente na observação dos detritos do cotidiano. A faxina que Nelson fez no teatro e depois na prosa é semelhante à que João Cabral fez na poesia. Nelson baniu as metáforas a pontapés “como ratazanas grávidas” e criou antimetáforas feitas de banalidades condensadas. “A poesia está nos fatos”, como escreveu Oswald no Pau Brasil. Pois é, Nelson também odiava metáforas gosmentas. Suas imagens não aspiravam ao “sublime”. 

Exemplos: “O torcedor rubro-negro sangra como um César apunhalado”, “a mulher dava gargalhadas de bruxa de disco infantil”, “seu ódio era tanto que ele dava arrancos de cachorro atropelado”, “a bola seguia Didi com a fidelidade de uma cadelinha ao seu dono”, “o juiz correu como um cavalinho de carrossel”, “o sujeito vive roendo a própria solidão como uma rapadura”, “somos uns Narcisos às avessas que cuspimos na própria imagem”, “vivemos amarrados no pé da mesa bebendo água numa cuia de queijo Palmira”, “hoje o brasileiro é inibido até para chupar um Chica Bon”.

Visto por ele, tudo boiava no mistério: os ovos coloridos de botequim, as falas dos ‘barnabés’, as moscas de velório no nariz do morto. Nelson fazia a vida brasileira ficar universal, não por grandes gestos, mas pelo minimalismo suburbano que ele praticava. E o sublime aparecia na empada, na sardinha frita ou no torcedor desdentado.

Sua obra é um desfile de tipinhos anônimos, insignificantes – nisso aparecia sua grandeza desprezada. São prostitutas bondosas, cafajestes poéticos, canalhas reluzentes, vagabundos épicos, sobrenaturais de almeida, adúlteras heroicas e veados enforcados. Ele me dizia: “O que estraga a arte é a unidade…”

Ele dava lições de arte e literatura: “Enquanto o Fluminense foi perfeito, não fez gol nenhum. A partir do momento em que deixou de ser tão Flaubert, os gols começaram a jorrar aos borbotões, pois a obra-prima no futebol e na arte tem de ser imperfeita.” Existe coisa mais ‘contemporânea’?

Gilberto Freyre sacou sua “superficialidade profunda”, assim como André Maurois entendeu que a genialidade de Proust era “a épica das irrelevâncias…” E isto é muito saudável, num país onde ninguém escreve um bilhete sem buscar a eternidade.

Nunca deixava a literatura prevalecer sobre a magia dos fatos. Sempre um detalhe inesperado caricaturava os dramas. No meio da tragédia, vinha a gíria; no suicídio – o guaraná com formicida; no assassinato – a navalhada no botequim; na viuvez – o egoísmo; nos enterros – a piada.

Uma vez, me contou que viu uma família esperando num hospital a notícia sobre um filho atropelado. Morreu ou não? Afligiam-se todos, vistos pelo Nelson através do vidro do corredor. Viu o médico chegar e dizer que o menino tinha morrido. “Eu vi pelo vidro. Não ouvi um som. A família começou a se contorcer em desespero. Pai, mãe, tios gritavam e, através do vidro, pareciam dançar. Pareciam dançar um mambo. Daí, eu concluí a verdade brutal: a grande dor dança mambo!…”

Nelson recusava teorias. Contou-me um episódio hilário: uma vez o Oduvaldo Viana Filho e Ruy Guerra, grandes artistas, chamaram-no para escrever um roteiro de filme sobre uma mulher adúltera. Nelson foi trabalhar com eles, mas desistiu e me disse: “Parei, porque eles queriam que a adúltera fosse para a cama do amante e traísse o marido movida apenas pelas ‘relações de produção’….”

Ele intuiu na época que a vulgata do marxismo era o ópio dos intelectuais. Foi chamado de fascista porque puxava o saco do Médici, para ver se soltava o filho preso havia anos. Eu mesmo sofri por causa dele; em 1973 ousei filmar Toda Nudez Será Castigada e dei uma entrevista na Veja em que disse que “fascismo é amplo: existe fascista de direita e de esquerda também”. Pra quê? Mandaram um manifesto à revista onde me esculhambavam indiretamente, dizendo que o sucesso imenso que o filme fazia “não era a missão do cinema novo”. 

Foi das grandes dores que senti, pois até amigos assinaram o maldito texto, que só não foi publicado porque, um dia antes, os generais tiraram o filme de cartaz, com soldados de metralhadora, levando as cópias dos cinemas. Aí, meus amigos comunas tiraram o texto, “para não dar razão ao inimigo principal”, que era a ditadura, a censura. (Eu e Nelson éramos inimigos secundários, para usar o termo de Mao Tsé-tung). O filme voltou ao cartaz porque ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim e os generais ficaram com medo da repercussão e liberaram a exibição.

Se fosse vivo, ao ver os escândalos atuais, repetiria a frase eterna: “Consciência social de brasileiro é medo da polícia.”.

Texto de Arnaldo Jabor – O Estado de S.Paulo

ROMANCISTA AMAPAENSE NOS EUA


Petronila Tavares, filha do professor Walmor Tavares, nascida às margens do rio Flexal, escreveu um romance no qual no início de cada secção escolheu “um verso do meu coração”, no dizer dela. Antes disso escreveu sua tese de doutorado sobre a língua indígena dos Wayana, falada no Tumucumaque. Atualmente Petronila mora em Denton, TX, EUA e enviou o romance para uma avaliação de uma editora de lá. A história é inspirada em quatro gerações de sua família. Ficção completa, mas tudo baseado na sua experiência de vida. Segundo a autora o romance levou cerca de cinco anos para ser completado, pois somente escrevia quando estava inspirada: 

Nesses momentos era algo sem controle. Eu sentia uma necessidade imensa de colocar a ideia no papel. Muitos dos capítulos começavam em um guardanapo de um café, na mão. Eu escrevia onde dava. Mas também teve vezes de eu passar meses sem escrever qualquer coisa. Por isso levou tanto tempo. Escrever, para mim, pelo menos é assim. Eu acho que ficaria muito angustiada e a criatividade seria bloqueada se eu tivesse que escrever com cobrança. Acho que por ter tanta saudade da minha terra que eu resolvi escrever esse romance. Nele eu me via onde eu queria estar: na floresta, nos lagos, rios, igarapés.”

Parte da família de Petronila (Nila) Tavares mora em Macapá. Parabéns à romancista. Espero poder ler o livro em breve.

Texto do meu amigo Fernando Canto.

Escritora amapaense Alcinéa Cavalcante lança obra “Paisagem Antiga”, na Bienal Internacional do Livro, em São Paulo


A jornalista e escritora amapaense, Alcinéa Cavalcante, lança hoje (17), das 14h às 16h, na Bienal Internacional do Livro,  o livro “Paisagem Antiga” .

Informações: 

Editado pelo Grupo Editorial Scortecci, com prefácio de Paulo Tarso Barros (presidente da Associação Amapaense de Escritores), o livro tem cem páginas  e é dividido em duas partes: poemas e crônicas. A ilustração da capa, que retrata a minha rua nos anos 70,  foi feita pela desenhista amapaense Ana Maria Vidal Barbosa.O lançamento será no estande da Editora Scortecci e Rede Brasileira de Escritoras (Rebra).

O prefácio de Paisagem Antiga

O que dizer dos textos de Alcinéa – os poéticos e os que, não sendo necessariamente poesias, mas crônicas, ou “cronipoemas”, estão recheados de cores (a primazia do azul infinito), sabores, ternuras, estrelas, flores, pássaros, borboletas, amores e até camaleão – ou seria iguana?

Leio tudo, como se dizia antigamente, de um fôlego, e percebo que os poemas e os “cronipoemas” estão com as palavras exatas, sem aqueles esquadrões de adjetivos.

Parece que sua mão de poeta e mente treinada nos textos claros, objetivos e sintéticos do jornalismo, ao juntar a alquimia verbal que o seu estilo poético inato tão bem o demonstra, surgem imagens plenas de ternura, sensibilidade e aquela saudade e nostalgia dos tempos da infância que ficou cristalizada na memória poética – que tem o dom de captar o sentido do belo como se plantasse em um jardim flores multicoloridas que desabrochariam ao nascer do sol e continuariam a embelezar a noite, o orvalho e as estrelas – principalmente as azuis da sua Via Láctea setentrional.

Alcinéa Cavalcante teve o privilégio de desenvolver seu próprio estilo, de uma leveza admirável, cheio de nuances, de frases sintéticas que atingem a essência da poesia lírica. São versos que fluem no texto como a leve e cálida brisa equatorial que nos afaga nas noites de poesia, a impulsionar suavemente os seres angelicais tão presentes na sua vida e obra.

Não é só um jogo de palavras quando ela confessa: “Vivo do ato de escrever”. E escrevendo registra seus sentimentos de forma a nos seduzir, a nos convidar a percorrer, de mãos dadas, pelos poemas que escolheu para consolidar seu lugar de destaque na poesia brasileira contemporânea.

A bela e comovente crônica que revisita a memória sagrada da professora Delzuite Cavalcante, sua mãe, a traz de volta, a coloca mais uma vez no plano existencial e familiar como se ela estivesse em viagem, ou mesmo dando aulas ou fazendo um café na cozinha para servir à família numa manhã morna e calma da Macapá territorial. É um texto construído com sentimento, da sua história de vida, mas que atinge a dimensão universal do amor filial, do infinito amor que tece os sustentáculos da nossa existência e nos torna mais fraternos.

Paulo Tarso Barros

Lançamento do livro “Caminho da Economia do Brasil com o resto do Mundo”

Serviço:

Evento: Lançamento do livro “Caminho da Economia do Brasil com o resto do Mundo”.
Autor: Altair Martel. 
Data: 10/08/2012
Hora: 19h
Local: Biblioteca Pública Estadual Elcy Lacerda – Rua São José, 1800 – Centro
Altair Martel é Economista e bacharel em Direito, amapaense, nasceu em 1959.
Mais informações no Blog da Associação de Escritores: http://escritoresap.blogspot.com/

Galeria Alcy Araújo será inaugurada nesta sexta-feira, na Biblioteca Elcy Lacerda


Será inaugurada nesta sexta-feira, 3, às 18h, na Biblioteca Pública Elcy Lacerda, a Galeria Alcy Araújo. Um espaço dedicado a exposições, lançamentos de livros e encontros literários num cantinho especial, cujo nome homenageia um dos mais conhecidos e respeitados poetas que escolheu o Amapá para viver. Na Galeria ficarão expostos manuscritos, cinzeiro, livros, fotos, escrivaninha, a primeira máquina datilográfica do poeta, caneta, entre outros objetos pessoais de Alcy Araújo.

O acervo foi doado à Biblioteca pelos filhos do escritor, tendo à frente a jornalista e também escritora Alcinéa Cavalcante, que acompanha diretamente os trabalhos de estruturação da Galeria desde a reinauguração da Elcy Lacerda, em abril deste ano.

A solenidade contará com a presença de escritores, estudantes, autoridades locais, família e amigos de Alcy Araújo. A Biblioteca Estadual Elcy Lacerda é um órgão vinculado à Secretaria de Estado da Cultura (Secult).

Conheça a trajetória profissional e de vida de Alcy Araújo:


Alcy Araújo Cavalcante, paraense da Vila de Peixe-Boi, município de Igarapé-Açu, nasceu no dia 

7 de janeiro de 1924. Na capital paraense estudou na Escola de Aprendizes Artífices, tornandose marceneiro, mas sua vocação era mesmo para as letras e, a partir de 1941, trabalhou nos jornais Folha do Norte, O Liberal, Imparcial e O Estado do Pará. Chegou a Macapá em 1953 e logo ingressou no serviço público como redator do Gabinete do governador Janary Nunes.

Foi chefe de Gabinete do governador Amílcar Pereira, diretor da Imprensa Oficial, oficial de Gabinete, chefe de Expediente da Secretaria Geral do Governo, trabalhou como assessor administrativo na Câmara Municipal e foi diretor da Rádio Difusora.

Trabalhou em muitos jornais, revistas e rádio, sempre esteve envolvido com atividades culturais e intelectuais do Amapá, principalmente a literatura, adotou vários pseudônimos para publicar artigos na imprensa, visando driblar a vigilância dos governantes militares. 

Foi casado com a professora Delzuíte Maria Cavalcante, sua primeira esposa, com quem teve os filhos: Alcione Maria, Alcinéa Maria, Alcy Araújo Filho e Alcilene Maria. Com a segunda esposa, Maridalva Rodrigues dos Santos, teve cinco filhas: Astrid Maria, Aline Maria, Aldine Maria, Adriane Maria e Alice Maria.


Obras publicadas: 

Autogeografia (1965), Poemas do Homem do Cais (1983). Participou, em 1988, da Coletânea Amapaense. Em 1997, Alcinéa Cavalcante, em parceria com a Associação Amapaense de Escritores (Apes), publicou mais uma obra poética: Jardim Clonal. Por iniciativa de Alcinéa, seus poemas são constantemente publicados em antologias, como a Coletânea Contista do Meio do Mundo (2010). Deixou várias obras inéditas em prosa e verso. Alcy Araújo faleceu no dia 22 de abril de 1989.

Nas palavras de Hélio Pennafort, “Alcy foi um competente boêmio, sagaz jornalista, um incomparável versejador e um carnavalesco de escola, honrado com a malemolência do seu gingado o codinome ‘Nenê da Pedreira’, que trouxe de Belém. Titio Alcy foi um dos mais macapaenses de todos os paraenses que ajudaram a desenvolver e animar a cidade“.

Rita Torrinha/Secult

Hoje é o Dia do Escritor

Hoje (25), é o Dia do Escritor. O conceito diz: Escritor é o artista que se expressa através da arte da escrita, ou, tradicionalmente falando, da Literatura. É autor de livros publicados, embora existam escritores sem livros publicados (chamados, por alguns, de amadores).
Ser escritor, escrever um livro e tals é um sonho. Mas um dia eu chego lá. Parabenizo os escritores que conheço e sou fã: Fernando Canto, para mim o maior do Amapá, Paulo de Tarso e Fausto Suzuki. 


Também felicito os meus grandes e velhos amigos Vítor Hugo, Mário Quintana, Fiódor Dostoievski, José Saramago, Franz Kafka, Manuel Bandeira, Mário Prata, Machado de Assis, Luís Fernando Veríssimo, Charles Buchowisk, Friedrich Nietzsche, Carlos Drummond de Andrade, Nelson Rodrigues, entre outros tantos, que me ajudaram a melhorar a percepção das coisas.
Os exímios escritores, que com habilidade e criatividade usam as palavras e ajudaram a abrir cabeças e ensinaram pessoas a ler as entre linhas, são, como diz a minha amiga Juçara Menezes: “máquinas pensantes para outros começarem a pensar”, de fato!
Parabenizo ainda os jornalistas que escrevem crônicas e contos, a licença poética (da poesia marginal, claro) e liberdade de expressão me permitem dizer: o que vocês fazem é bom pra caralho!

Por fim, mas não menos criativos, parabenizo os blogueiros, escritores do mundo virtual, que retratam de tudo um pouco.
Ah, aos malsucedidos escritores, que nunca conseguiram publicar seus livros, deixo o recado: continuem tentando, sempre!
Enfim, senhores escritores, meus parabéns por rabiscarem ou digitarem seus pontos de vista, estórias próprias ou de terceiros, causos, contos, devaneios, tudo com muita sagacidade, inteligência e humor.  A vocês, desejo um feliz Dia do Escritor.


Elton Tavares

LIVEIRA LANÇA “CAMINHOS DE RIO…”


O poeta Luiz Fernando Liveira lança hoje, às 19h00, no Restaurante Flora, localizado no Igarapé da Fortaleza, município de Santana, o seu primeiro livro, “Caminhos de Rio…”.  A obra traz o Apoio cultural da Secretaria de Cultura do Estado do Amapá, da Fundação Tancredo Neves, do Governo do Estado do Pará e de outras empresas. Tem quase 400 páginas e é ilustrada por diversos artistas. É apresentada por Nilson Chaves, Fernando César e Fernando Canto. Será comercializada em diversas bancas de jornal e livrarias de Macapá e Santana. A coluna deseja votos de sucesso ao autor.

MARINHEIRO-POETA

O marinheiro Luiz Fernando traz em seu navio-viajante o fado de ser poeta.

Seu livro de poemas abarca, antes de tudo, uma paixão inebriada pela Amazônia e pela sua geografia inconclusa de tantos lugares pelos quais aporta e cultiva um “Jardim do Coração”, local que diz ser “Ideal para a flor do amor.”

E esse amor não existe apenas na feitura dos versos, mas também na paixão que se espraia pela divulgação em seu site e agora por este trabalho da região amazônica, ainda tão desconhecida da maioria dos brasileiros. Nesse processo está contido o “Dever de proteger e declamar os encantos da Mãe-Hileia”, sendo esse o seu talento.

Liveira é um exímio observador da natureza da região. Muito do que diz nos seus textos advém de um olhar perscrutador que transfere para dentro de si, através das “Inexternitudes”, termo criado por ele para explicar metaforicamente seus sentimentos. Porém, é em função de suas inquietações que o autor encara a realidade como se fosse um cipoal de difícil penetração – o mundo a lhe provocar desafios, a sociedade a lhe instigar uma porfia, um duelo constante para que possa realizar seus sonhos e seus projetos sociais pela Amazônia.

Creio que sua preocupação serve de fulcro para tal aventura poética, pois sua poesia tem uma relação direta com a deidade, e sua fé pulsa constantemente ao meio dos versos.

Para um poeta-marinheiro como Liveira o jogo da angústia está em chegar. Chegar aos mais recônditos lugares: cidades, vilas, paragens com seus nomes de origem indígena ou não, e cheios de histórias características, onde está sempre presente o sentimento amor por ele experimentado.

Além disso, ao sentido da observação cabe o olhar ao alto, lá onde passam as constelações que guiavam os primeiros marinheiros exploradores. Além do sentimento telúrico expresso com nitidez, percebe-se em seus versos o orgulho patriótico e o respeito pelos ícones-criadores/retratadores da cultura regional que ele tanto admira.

Ao poeta cabem muitos olhares, dons e dádivas que lhes permite prever e crer. E neste trabalho o poeta não poderia esquecer-se de notar as mudanças que encontra nos lugares por onde andou e de ser incisivo com seus questionamentos, como em “Jari”, quando escreve: ”Caminhando teus curvos caminhos/ Vejo o progresso vir, imponente,/ Transportando riquezas e espinhos,/ O progresso vale a pena, realmente?”. Os poemas do marinheiro-poeta têm versos de um poeta-marinheiro experimentado que cumpre sua missão de educar pela poesia.

Liveira dá aos seus leitores o bônus de se deleitarem com as viagens feitas por ele, nesse trabalho que considero pedagógico e eivado de amor pelo povo da Amazônia e seus encantos. (Fernando Canto)

Dicionário de Amapês – A língua falada no Estado do Amapá


por Paulo Tarso Barros

Cléo Farias de Araújo, em co-autoria com a sua irmã Maria Zenaide Farias de Araújo, está lançando a nova edição do seu Dicionário de Amapês – A Língua Falada no Estado do Amapá, uma compilação de mais de 2500 vocábulos que são predominantemente usados aqui no extremo norte, ou que aqui tenham um significado mais restrito e peculiar, daí a riqueza e importância desse trabalho que os autores vem desenvolvendo há bastante tempo.

Uma obra desse gênero, que registra o falar de uma determinada região, constitui-se em vasto manancial de consulta – e até de inspiração – para os amantes da linguagem, os pesquisadores, linguistas, compositores e estudantes. Mas de onde veio essa ideia de produzir um vocabulário dessa natureza?

“Quando éramos crianças, ficávamos escondidos atrás de uma cortina que havia em casa ouvindo nosso pai conversando com seus compadres que vinham do interior. Como criança não participava dessas reuniões de adultos, acendia uma curiosidade, pois desconhecíamos muitas palavras e expressões que eles utilizavam. Então começamos a anotar uma palavra aqui, outra ali e o resultado está aí, já na segunda edição” – relatou-me ele, ao visitar a Biblioteca Pública para divulgar sua obra, que se constitui em um vitorioso projeto familiar de produção independente de livro, pois reúne, além dos dois irmãos autores, os filhos do Cléo que colaboram na editoração gráfica.

A nova edição traz inovações e mais facilidades de consulta, como a etimologia, a classificação gramatical, vocábulos de origem indígena das etnias do Amapá, culinária, exemplos de uso etc, como diz o professor José Guilherme de Souza Côrte.

Serviço:

Data de lançamento: 6 de junho de 2012.
Local: Centro Franco-amapaense, ao lado da Escola Danielle Mitterrand.
Hora: a partir das 19h.
A obra será comercializada a R$ 25,00 e logo estará disponível nas bancas e livrarias.

Prof. Msc. Sidney lança livro ‘Amapá: experiências fronteiriças’


Ao longo de várias décadas, as terras do atual estado do Amapá foram disputadas por franceses e portugueses. Depois da independência do Brasil, a questão permaneceu sem solução. No final do século XIX, com a descoberta de ouro na região, esta histórica disputa foi intensificada. Por fim, a decisão de um tribunal internacional, sediado na Suíça, em 1900, deu ganho de causa ao Brasil. Estas e outras experiências são apresentadas no livro Amapá: experiências fronteiriças, do professor, mestre em História, Sidney da Silva Lobato, da Editora Estudos Amazônicos.

Dividida em sete capítulos, a obra vai tratar sobre a história amapaense desde antes do descobrimento do Brasil até as manifestações populares em favor da criação de um governo próprio para o Amapá, no início do século XX. O enfoque recai sobre os sujeitos históricos que voluntariamente ou não foram envolvidos nas disputas territoriais na região da foz do rio Amazonas. Os textos são acompanhados de fotografias, mapas e pinturas para favorecer a imaginação histórica, possibilitando que o leitor construa na sua mente uma imagem do passado.

“O leitor poderá, através da leitura destas páginas, conhecer e debater aspectos fundamentais da política de conquista e colonização do Brasil. Poderá também compreender como africanos escravizados e povos indígenas viviam e resistiam à exploração imposta pelos colonizadores europeus”, explica o historiador. “Todos os capítulos proporcionam discussões bastante atualizadas de seus respectivos temas. A numerosa e culturalmente diversificada presença dos indígenas na Amazônia, a atuação de governantes e religiosos, os construtores da Fortaleza de São José, os fundadores da Nova Mazagão e as rixas pelo ouro amapaense são alguns dos muitos assuntos que poderão ser debatidos dentro e fora da sala de aula, a partir da leitura deste livro”, completa.

A obra integra uma coleção de livros paradidáticos lançada pela Editora Estudos Amazônicos, que visa oferecer a estudantes do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental um material que aborde a história da Amazônia e do Brasil. “Podemos perceber facilmente que os livros didáticos que chegam às escolas dos estados da região Norte não trazem muitas informações sobre o passado desta mesma região. Ter um livro como este à mão pode ajudar a minimizar este problema”, ressalta Sidney Lobato.

O AUTOR

Sidney da Silva Lobato é mestre em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e doutorando em História Social na Universidade de São Paulo. Atualmente é professor da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) e desenvolve pesquisas sobre o processo de urbanização e as políticas de colonização que ocorreram na Amazônia a partir da segunda metade do século XX.

Serviço: Amapá: experiências fronteiriças, do Prof. Msc. Sidney da Silva Lobato, está à venda na Editora Estudos Amazônicos, localizada na Av. Senador Lemos, 135 – Umarizal. Informações: (91) 3212-7308.

TEXTO: Renata Fernandes – Assessoria de Comunicação da Editora Estudos Amazônicos.

O SUBTERRÂNEO DE DOSTOIÉVSKI

Por Mariana Keller 

Ele colocou a própria vida nos livros. Viveu numa Rússia Czarista de autoridades sem limite, enfrentou os obstáculos da epilepsia e de uma infância traumática, mas foi exatamente por toda a sua trajetória que Fiódor Dostoiévski desvendou a alma humana como nenhum outro escritor jamais conseguiu.

A vida de Fiódor Dostoiévski por si só já daria um livro tão bom quanto os escritos por ele. Os problemas familiares, o espírito revolucionário durante a juventude, o tempo em que ficou preso, a epilepsia, o vício em jogos, a descoberta da fé. São muitos os acontecimentos que marcaram a vida do escritor russo e que influenciaram muito suas obras.

Nasceu em São Petersburgo em 1821. Teve uma infância humilde, perdeu a mãe muito cedo e o pai foi assassinado pelos próprios criados devido as suas atitudes violentas causadas pela bebida. Foi quando soube deste fato, que Dostoievski, com apenas 17 anos, sofreu sua primeira crise de epilepsia. Estudou engenharia e sua primeira produção literária foi tardia, com 23 anos.

Em 1849, foi condenado à morte por participar de um grupo socialista durante o regime czarista. No último momento, quando estava prestes a morrer, sua pena foi trocada por quatro anos de trabalhos forçados na Sibéria. Essa experiência foi tão marcante na vida do escritor, que o fez firmar os laços com a religião e a fé. Inspirado pelo cristianismo passou a pregar a solidariedade como seu principal valor.

Grande parte do que é relatado nos livros foi vivido pelo próprio autor. Em “Recordação da Casa dos Mortos”, ele transforma em ficção o tempo em que passou na cadeia através de um personagem que narra a dura rotina de se viver encarcerado. Em “O Jogador”, outra particularidade da sua vida também é exposta, a paixão pelos jogos. O livro conta a história de um jovem íntegro, mas sem muitos objetivos na vida e que faz dos jogos uma maneira de ganhar dinheiro.

Dostoiévski era completamente fascinado pelos jogos de roleta. Atormentado pela vida que levava, por todos os conflitos internos e pelos transtornos causados pela epilepsia, os jogos serviam como válvula de escape de sua própria mente. Além disso, a busca por lucro também se tornou uma obsessão.

Ainda em “O Jogador”, ele retrata sua paixão pela estudante Polina Suslova, com quem teve caso amoroso durante seu casamento conturbado com Maria Dmitrievna Issaiev. Em 1864, quando Maria faleceu, ele acabou terminando com Polina e três anos depois casou-se com a estenógrafa Anna Snitkina, que, inclusive, o ajudou a cumprir o prazo de entrega do livro em questão quando Dostoiévski estava afogado em dívidas.

Mas o livro considerado a obra prima de todo o seu trabalho é “Irmãos Karamazov”. Escrito em 1879 e tido como um resumo de toda a sua obra, ele narra a vida da família Karamazov com foco em Dimitri, que é acusado de parricídio. Vemos aí novamente um tom biográfico, já que a relação do escritor com o pai nunca foi das melhores.

O livro se tornou um dos mais importantes da literatura mundial e foi destacado por Sigmund Freud como um dos três mais importantes livros a respeito do embate entre pai e filho ao lado de “Hamlet” e “Édipo Rei”. Além disso, o pai da psicanálise também fez um estudo baseado nas obras do russo chamado “Dostoiévski e o Parricídio”.

E muitos admiraram e se influenciaram pela obra de Dostoiévski. Hermann Hesse, Marcel Proust, Albert Camus, Fraz Kafka, Gabriel Garcia Marques, Clarice Lispector, Ernest Hemingway, Nietzsche, entre outros. Até mesmo no cinema essa influência pode ser vista. O filme “Match Point” de Woody Allen, por exemplo, é visto como a versão contemporânea do livro “Crime e Castigo”. Além disso, o livro “Memórias do Subsolo” é considerado o precursor do existencialismo.

A Rússia do caos, o pecado, a redenção, a solidão, tudo isso é retratado nas obras do autor. Seus personagens vivem em uma crise contínua e estão sempre divididos entre o bem e o mal. Os protagonistas são geralmente criminais, doentes, angustiados e que, de certa forma, sentem prazer em sua própria decadência. Tudo reflexo da própria alma do autor. Assim, Dostoiévski só prova a teoria de que o sofrimento é mesmo uma das fórmulas para se tornar um bom escritor.

Fonte: http://lounge.obviousmag.org/memorias_do_subsolo/2012/04/o-subterraneo-de-dostoievski.html